
Em 1979, numa altura quem que a Walt Disney Productions atravessava um período de pouca inspiração quanto às longas-metragens de animação que nos dava anualmente, um dos seus desenhadores, Don Bluth, despediu-se em jeito de revolta, arrastando consigo cerca de duas dezenas de outros desenhadores da emblemática produtora, no sentido de construir a sua própria produtora e ganhar voz própria fora da casa mãe.
Nascia a Don Bluth Productions, que teve como sua primeira longa-metragem o bem recebido filme “O Segredo de NIMH” (The Secret of NIMH, Don Bluth, 1982), que vinha, nas palavras de Bluth, dizer à Disney qual o caminho que esta devia ter seguido. Seguiu-se uma colaboração com Steven Spielberg, na forma do aclamado “Fievel – Um Conto Americano” (An American Tail, Don Bluth, 1986), e o nome de Don Bluth tornava-se sinónimo de grande cinema de animação.
Com uma carreira de altos e baixos, sempre com a sombra da Disney como motivação e desafio, Don Bluth investiu em novos projectos e alianças, mudou de produtoras e foi-nos dando regularmente longas-metragens de animação na década de 1990.
Por ter sido o primeiro nome a desafiar a Disney, por nos ter trazido uma inovadora proposta de como fazer cinema para o grande público num contexto independente, e pelo valor dos seus filmes, a obra de Don Bluth constitui o terceiro volume do super-ciclo “Cinema de animação”, a começar a partir de amanhã aqui n’A Janela Encantada.
Este ciclo pode ainda ser complementado com a audição do episódio 89 do podcast Universos Paralelos, dedicado à carreira de Don Bluth.
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