close
Mostrar mensagens com a etiqueta Verão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Verão. Mostrar todas as mensagens

23 junho, 2025

Pétala nº 3861

"Dediquem-se aos poemas! Encham a vossa vida de poesia!"
(Paul Murray, in "A Picada de Abelha)

BERJAYA

VERÃO - Entendemos bem aquele verso de Rilke que diz «Espero pelo verão como quem espera por uma outra vida.» Na verdade, não é por uma vida estranha e fantasiosa que esperamos, mas por uma vida que realmente nos pertença.”

“A vida é o que permanece, apesar de tudo: a vida embaciada, minúscula, imprecisa e preciosa como nenhuma outra coisa. A sabedoria é a vida mesma: o real de viver, a existência não como trégua, mas como pacto, conhecido e aceite na sua fascinante e dolorosa totalidade.”

“Nós somos imprevisíveis. Às vezes olhamo-nos ao espelho e, mesmo sem dizer, dizemos aquele verso de Rimbaud, «Eu sou um outro.». «Quem é este que me olha no espelho?» Olhamos para nós e há uma estranheza de ser que nunca se cura: «Mas sou assim? Que caminho é este? Que tempos são estes que me habitam?» Nós somos também um segredo para nós mesmos e temos de aceitar-nos assim. Somos um enigma, uma pergunta, e temos de aceitar isso. Caso contrário, não teremos paz.”

“A poesia traz à vida alguma coisa de que ela precisa. (...)  A poesia dá-nos o sentido profundo da nossa fragilidade e da nossa vulnerabilidade. E da aceitação disso." 

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal, teólogo e poeta português (1965-) in “Uma beleza que nos pertence”, Ed. Quetzal, 2019
RAINER MARIA RILKE, poeta e romancista austríaco (1875-1926) 
ARTHUR RIMBAUD, poeta francês (1854-91)

BERJAYA

SOL DE VERÃO

Filha, agora é tempo de sol!
Tempo de dias ensolarados,
tempo de noites estreladas,
tempo de noites enluaradas!
Sol ao amanhecer,
sol ao meio-dia,
sol na tarde quente!
Sol, muito sol, filha!
(…)
Há tanta gente alegre, filha!
Sorrisos voam
como pássaros,
de um lugar para outro!
Voltou o sol de verão, filha!
Veio com a luz da esperança.

 PEDRO LUSO DE CARVALHO, ( https://pedrolusodcarvalho.blogspot.com/),
versos do poema "Sol de Verão", 16 janeiro 2020

BERJAYA
(fotos: PIXABAY)



18 novembro, 2024

Pétala nº 3835

BERJAYA

“Há as lembranças, o presente e as nossas vidas anteriores que mudam de cheiro. Quando se muda de vida, muda-se de cheiro.

A infância tem o do alcatrão, de uma câmara de ar e do algodão-doce, do desinfetante das salas de aula, das chaminés das lareiras que exalam o hálito das casas nos dias de frio, do cloro das piscinas municipais, da transpiração agarrada à roupa nas filas dois a dois à saída do ginásio, das pastilhas elásticas na boca, da cola que faz fio nos dedos, das gomas entaladas entre os dentes, de uma árvore de Natal plantada no coração.

BERJAYA

A adolescência tem o odor da primeira passa, de um desodorizante almiscarado, de uma fatia de pão com manteiga numa caneca de chocolate quente, do uísque-cola e das caves transformadas em salas de baile, do corpo que deseja, da água de colónia, do gel para o cabelo, do champô de ovo, do batom, de restos de detergente numas calças de ganga.

BERJAYA

As vidas posteriores, aquela da écharpe esquecida pelo primeiro desgosto amoroso.

BERJAYA

E depois há o verão. O verão pertence a todas as lembranças. É intemporal. É o cheiro que é mais duradouro. Que se agarra às roupas. Que se busca toda a a vida. Os frutos mais doces, a brisa marítima, as bolas de Berlim, o café escuro, o protector solar, o pó de arroz das avós. O verão pertence a todas as idades. Não há infância nem adolescência. O verão é um anjo."

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023


BERJAYA

(fotos PIXABAY)

22 junho, 2022

Pétala nº 3553

“Manhã de verão. Água fria e límpida contida na concha de uma mão.” 

SALLY ROONEY, escritora irlandesa (1991-), in "Mundo Belo, onde Estás" (Beautiful World, Where Are You, 2021), Ed. Relógio D'Água, 2021

BERJAYA
(Fonte;Pexels)