close
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens

21 abril, 2025

Pétala nº 3854

"Por onde se empurra este país para levá-lo para a frente?"
(MAFALDA, personagem do cartunista argentino Quino)

BERJAYA

DESCOBRIMENTO
Saudavam com alvoroço as coisas
Novas
O mundo parecia criado nessa mesma
Manhã

BERJAYA

OS ERROS
A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida - o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado, e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?

BERJAYA

POEMA
Cantaremos o desencontro:
O limiar e o linear perdidos

Cantaremos o desencontro:
A vida errada num país errado
Novos ratos mostram a avidez antiga

Poemas de SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, poetisa portuguesa(1918-2004),
 in "Obra poética II", Círculo de Leitores, 1992
BERJAYA
(Fotos: PIXABAY)

03 junho, 2024

Pétala nº 3820

BERJAYA

“Todos os anos, a 16 Agosto, Ana Magdalena Bach apanha o ferry que a leva até à ilha onde a mãe está enterrada, para visitar o seu túmulo. Estas viagens acabam por ser um convite irresistível para se tornar uma pessoa diferente durante uma noite por ano. Ana é casada e feliz há vinte e sete anos…” 

 “- Posso oferecer-lhe uma bebida? 
 - Seria um prazer – respondeu ela. 
Ele passou para a mesa dela e serviu-lhe uma bebida com muito bom estilo. 
- Saúde – disse. 
Ela fez coro com ele e ambos beberam de um trago. 
(…) 
Subimos? 
Ele tinha perdido o poder. 
- Eu não moro aqui – disse. 
Ela não esperou sequer que ele acabasse de o dizer. 
- Mas moro eu – disse, e levantou-se e sacudiu levemente a cabeça para a dominar. 
- Segundo piso, número 204, à direita das escadas. Não toque, é só empurrar. 
Subiu para o quarto com o terror delicioso que não voltara a sentir desde a noite de núpcias. (…) 
O seu horário natural despertou-a às seis horas. (…) ele não estava. (…) Só então se apercebeu de que não sabia nada dele, nem sequer o nome, e a única coisa que lhe restava da sua noite louca era um triste cheiro a lavanda no ar purificado da tormenta."
 
"Nunca mais voltaria a ser a mesma."
"(…) foram-lhe necessários vários dias para tomar consciência... de que andara sempre pela vida sem a ver.

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ, escritor colombiano (1928. 2014), in “Vemo-nos em Agosto”, Ed. Dom Quixote, 2024
Prémio Nobel de Literatura, 1982

BERJAYA

Confesso: tive muita dificuldade em encontrar o estilo exuberante, fascinante, inconfundível de Gabriel García Márquez, nas 116 páginas deste romance. Li apenas mais uma história. Com a diferença de esta ser publicada à revelia de um dos maiores escritores de sempre, que antes de morrer expressou o desejo de que fosse queimada, por falta de qualidade.

(Foto Pixabay: gladíolos )


29 abril, 2024

Pétala nº 3815

BERJAYA

“Ler, uma actividade em extinção, por muito que as livrarias estejam cheias de feéricas capas, por muito que se diga a gigantesca asneira de que ler num ecrã de telemóvel é o mesmo que num livro (experimentem a Montanha Mágica ou a Guerra e Paz…), ou que a “geração mais preparada” pode fazer um curso superior sem ler um livro (bem, dois, três e já é muito), e por aí adiante. 
Falar e escrever bem também estão em extinção, com a redução do vocabulário circulante a puco mais do que os antigos 140 caracteres do Twitter, agora 280 no X, o que vai dar ao mesmo - a enorme dificuldade de expressão que se vê todos os dias e por todo o lado.
Qual é o problema? É que quem não lê, não fala e não escreve decentemente, é menos livre, mais facilmente manipulado, menos eficaz em coisa alguma importante, mais fácil de ser mandado e de não mandar nem em si próprio. Ou seja, repito, menos livre. (…)
 
Na verdade, quem defende esta nova forma de ignorância agressiva e de deslumbramento tecnológico não são os novos ignorantes, mas os antigos ignorantes, a quem as redes sociais dão uma ilusão de igualdade e presunção de saber que transporta todos os preconceitos da ignorância com o ressentimento em relação ao saber e ao esforço de saber. São a forma actual do anti-intelectualismo trasvestido de modernidade, cujos estragos na educação, no jornalismo, na sociedade, na cultura e na política são devastadores (…)
É que ler é entrar em todos os mundos, alegres e sinistros, apaziguadores e violentos, nossos e alheios, e que nunca acabam.” 

JOSÉ PACHECO PEREIRA, licenciado em Filosofia, historiador, professor universitário, cronista e político português (1949-), in crónica “Porque é que ler conta e muito, para a liberdade”, jornal Público, 9 Março 2024
BERJAYA


(fotos Pixabay)

22 abril, 2024

Pétala nº 3814

"Acuso!, protesto!, acuso!
De que me vale?"
(José Régio)

BERJAYA

CÃNTICO NEGRO

Vem por aqui» - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: «vem por aqui»!
Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: «vem por aqui»?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas nossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como a um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pais, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah! que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: «vem por aqui»!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

JOSÉ RÉGIO (pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira), nasceu em Vila do Conde, em Setembro de 1901. Foi professor, escritor e desenhador. Faleceu em Dezembro de 1969.
Poemas de Deus e do Diabo”, o seu primeiro livro de versos, foi publicado em 1925, era ainda estudante do curso de filologia românica, em Coimbra. A maioria dos poemas do livro foi escrita na adolescência.
No posfácio da edição de 1969 escreveu:
"Um escritor presente à cena literária durante mais de quarenta anos – acha riquíssimas oportunidades de observação no palco, na plateia, nos bastidores. E várias coisas que de momento lhe haviam interessado vivamente – a quase só fumarada e algazarra se lhe reduzem depois. Claro que não tem que se arrepender. Sem a faculdade da ilusão, que movimento e que acções nos seriam possíveis? Só tem que aprender. E até continuar a enganar-se, a iludir-se, a errar, a tactear, se para verdadeiramente continuar a aprender lhe for isso necessário. (…)
Não me arrependo das polémicas em que tenho entrado: umas vezes provocadas por mim, outras desafiado por elas.(…)
Se o polemista não está de todo cego, ou o não é sem remédio, até na polémica pode dizer coisas interessantes, inteligentes ou justas de parte a parte."

BERJAYA


(fotos net)

06 novembro, 2023

Pétala nº 3792

BERJAYA

LIBERDADE
"Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade, 
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade."

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, poetisa portuguesa(1918-2004),
 in "Obra poética I", Círculo de Leitores, 1992

BERJAYA

MEU PAÍS DESGRAÇADO (excerto)
“Meu país desgraçado!... 
E no entanto há Sol a cada canto 
e não há Mar tão lindo noutro lado. 
Nem há céu mais alegre do que o nosso, 
nem pássaros, nem águas…” 

SEBASATIÃO DA GAMA, professor e poeta português  (1924-1952)

BERJAYA

POEMA DA MALTA DAS NAUS (excerto) 
“O meu sabor é diferente 
Provo-me e saibo-me a sal. 
Não se nasce impunemente 
nas praias de Portugal.” 

ANTÓNIO GEDEÃO (pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho)poeta português ( 1906-97), 
in "Poesias Completas", Ed. Sá da Costa, 1982


(Fotos Teresa DiasPORTUGAL/Porto Santo, 2023)


16 maio, 2023

Pétala nº 3773

“O futuro: uma história alternativa” (excerto) 

BERJAYA

“Alguém já caracterizou aquilo a que chamamos de progresso como o avanço irreversível da ideia de liberdade. Será? Já foi mais do que é, assim nos dizem os sinais. 
Diz-se que o presente faz o passado e o futuro, ao mesmo tempo. Quanto ao futuro da liberdade, já há gente de mãos juntas a pôr-se de joelhos. Acabaram-se as certezas. Temos a sensação de que o futuro está a ser feito à nossa frente, mas sem a nossa participação. Além da hipótese mais feia, de mais e mais guerra, há um futuro B à nossa espreita, um futuro que não queremos. (…) O futuro desorganizou-se, confunde e assusta, assola-nos com novidades para as quais não conhecemos a resposta, que ameaçam os fundamentos da democracia liberal. 
A pergunta impõe-se: vamos deixar o futuro dispersar a liberdade e a democracia?” 

JOSÉ TAVARES, professor na Universidade Nova de Lisboa, investigador, doutorado em Economia, in “O futuro: uma história alternativa”, publicado na revista "E", do jornal Expresso de 13 Janeiro 2023


17 fevereiro, 2023

Pétala nº 3735

BERJAYA

“- Olha ali a Estátua da Liberdade- Uma mulher alta e verde de roupão em pé sobre uma ilha com a mão no ar. 
- O que é que ela tem na mão? 
- É um farol, querido… A liberdade a iluminar o mundo…”

BERJAYA

 - Já viste o que seria… ir ao estrangeiro num desses paquetes. Imagina atravessar o grande Atlântico em sete dias.
 - Mas o que é que as pessoas fazem tanto tempo num barco, papá? 
- Não sei… Devem passear no convés e jogar às cartas e ler e esse género de coisas. Depois fazem bailes.
- Bailes num barco! Deve balançar imenso…
 - Nos grandes paquetes modernos há bailes. 
- Porque é que não vamos papá? 
- Talvez um dia possamos ir, se conseguirmos juntar dinheiro. 
- Oh, papá, despacha-te a juntar dinheiro. 

- Papá, porque é que não somos ricos? 
- Há muita gente mais pobre que nós, Ellie… Não gostavas mais do papá se fosse rico, pois não?
 - Oh, gostava, pois, papá.” 

JOHN DOS PASSOS (John Roderigo Dos Passos, oriundo de uma família portuguesa, Madeira), escritor e pintor norte-americano (1896-1970), in “Manhattan Transfer” (1925), Ed. Presença, 2009

BERJAYA

BERJAYA


01 setembro, 2022

Pétala nº 3610

Tornarmo-nos a pessoa que alguém imaginou não é liberdade – é hipotecar a nossa vida ao medo dessa pessoa. Se nem ao menos conseguimos imaginar que somos livres, vivemos uma vida profundamente errada.”

DEBORAH LEVY, in “The cost of  living”, citada por  MARTA ORRIOLS, escritora espanhola (1975), in “Doce introdução ao caos”, Ed. D. Quixote, 2022


05 julho, 2022

Pétala nº 3566

“Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar.” 

HELEN KELLER, escritora, conferencista, activista social norte-americana (1880-1968)


11 junho, 2021

Pétala nº 3297

"A felicidade é como a borboleta: quando a perseguimos nos escapa; quando desistimos de persegui-la, pousa em nós."
PROVÉRBIO CHINÊS

"A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra."
RABINDRANATH TAGORE, poeta e romancista indiano (1861-1941)

"Apenas viver não é suficiente, disse a borboleta, 
É preciso ter sol, liberdade e uma pequena flor."
HANS CHRISTIAN ANDERSEN, escritor e poeta dinamarquês (1805-75)

BERJAYA

(foto do amigo A. Gomes)

17 maio, 2021

Pétala nº 3274

“Em criança tirei um pássaro de dentro de uma gaiola. O pássaro não voou. Ficou ali andando aos círculos, aos círculos, aterrorizado com a largueza do mundo e a responsabilidade enorme de ter de sobreviver por si.” 
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, escritor angolano (1960-), in “Estação das chuvas”, Ed. Quetzal, 2017

14 maio, 2021

Pétala nº 3271

“… a tecnologia cria uma armadilha. Não mata o homem, mas encerra-o. Mete-o num campo de concentração tecnológico levando-o a acreditar que é livre quando não o é. O homem perdeu a liberdade no momento em que o mundo se converteu num lugar controlável tecnologicamente.” 
ARTURO PÉREZ-REVERTE, escritor espanhol (1951, em entrevista a Luciana Leiderfarb, publicada na revista "E", do jornal Expresso de 29 janeiro 2021

26 abril, 2021

Pétala nº 3253

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
CLARICE LISPECTOR, escritora e jornalista brasileira nascida na Ucrânia (1920-77)

25 abril, 2021

Pétala nº 3252

BERJAYA

“ Aqui, onde o coração reclama uma pátria melhor,
volto ao lugar das palavras que nunca calei, por saber 
que o silêncio se articula na errância da voz e que nele cabe
a solidária multidão que ama, por inteiro, a liberdade. 
A boca sabe-me, inesperadamente, a sangue, em nome 
daqueles que desistiram do sonho, sem remorsos, à margem 
da esperança. Tardei a encontrar o exótico perfume
com que alucinei os dias e as noites, onde, de um trago só,
bebi a própria sede, guardada no barro da memória. 
Agora, sou dos que medem o desassossego dos lábios pelo silente 
sobrevoar dos pássaros, rente à coragem ou às lágrimas. 
As minhas mãos se dão com a inquieta força de quem vive
ancorado ao fascínio de ter no olhar um horizonte livre, 
tão límpido, como a luz transfigurada das manhãs."

GRAÇA PIRES, poetisa portuguesa (1946-), in "Poemas escolhidos 1990-2011"


(imagem Pinterest)

15 junho, 2020

Pétala nº 2943

“Nada pode deter uma criatura viva que teima em ser livre.” 
ARAVIND ADIGA, escritor e jornalista indo-australiano (1974-), in “O último homem na torre”, Ed. Presença, 2011

14 outubro, 2019

Pétala nº 2697

“No meio de um povo geralmente corrupto, a liberdade não pode durar muito.” 
EDMUND BURKE, escritor e político irlandês (1729-97)

02 setembro, 2019

Pétala nº 2655

“A liberdade só existe quando todos os nossos actos concordam com todo o nosso pensamento.”
AGOSTINHO DA SILVA, filósofo, poeta e ensaísta português (1906-96)

22 março, 2019

Pétala nº 2491

“É importante vivermos com opiniões e ideias diferentes, sobretudo aquelas que nos ofendem. A liberdade incompleta não é liberdade nenhuma.” 
PEDRO MEXIA, poeta, cronista e crítico literário português (1972-)

24 janeiro, 2019

Pétala nº 2434

“O dinheiro não cria o sucesso, mas sim a liberdade de criar o sucesso”. 
NELSON MANDELA, estadista sul-africano (1918-2013) 
Prémio Nobel da Paz, 1993

07 janeiro, 2019

Pétala nº 2417

“A liberdade é um vício que se entranha” 
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, escritor angolano (1960), in “O paraíso e outros infernos”, Ed. Quetzal, 2018