close
Ir para o conteúdo

Principado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
BERJAYA Nota: Para O principado do Império Romano, veja Principado romano.

Principado é um estado monárquico onde o governante detém o título de príncipe. Pode ser um estado soberano ou uma parte constituinte de uma entidade política maior.

Terminologia

[editar | editar código]

Um Principado é distinto de um reino, normalmente por ser um microestado, outras vezes porque não tem soberania total. No primeiro caso encontram-se Andorra, Liechtenstein e Mónaco: os três são países localizados na Europa, reconhecidos como estados (países) soberanos independentes. Os três são membros plenos da ONU.

Em contraste, os principados de País de Gales, no Reino Unido, e das Astúrias, na Espanha, não são estados independentes atualmente. Em ambos os casos, o herdeiro ao trono do país é o príncipe-titular do principado.

Por vezes, a noção de território como principado é devida a fatores históricos: a Catalunha, por exemplo, mesmo que tenha sido um estado soberano que se estendia de Barcelona a Atenas, era conhecida como principado, apesar do seu governante ter o título de rei (do reino de Aragão estendido como império aragonês). O que é um caso curioso, onde o poder governante tem um grau nominal inferior ao do território que governa.

Um exemplo interessante europeu é o Principado de Sperlinga de Giovanni Natoli. No século XI, como no Reino da Sicília, o Principado de Sperlinga, onde o rei Felipe IV concedida a John Forti Natoli (Giovanni Natoli), para si e seus descendentes, não só o título de príncipe, mas a transformação da baronato no Principado, e licentia populandi cum privilegium aedificandi ou o privilégio "de ser capaz de tomar a terra."

Na história da Rússia, o termo "principado", e por vezes, ducado, é usado para o termo russo knyazhestvo, um território governado por um knyaz.

Outra forma possível de principado a ser catalogada, pela extensão territorial e pelas características políticas, é o emirado, a exemplo do Kuwait, do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos. Nos dois primeiros, uma única família governa o país; e no último onde sete famílias detêm o controle político de cada um dos sete emirados, sendo eleito dentre os sete emires, um presidente e um vice-presidente pelo colégio de emires, a cada cinco anos.

Principados independentes

[editar | editar código]

Príncipados atuais

[editar | editar código]

O Principado de Mônaco é uma cidade-estado soberana,[1] e, portanto, um microestado, situado ao sul da França. Fazendo costa com o mar Mediterrâneo, o principado, fundado em 1297 pela Casa de Grimaldi — até hoje sua soberana —, fica a menos de 20 kma leste da cidade de Nice e 20 km a oeste da cidade de Ventimiglia. Possui aproximadamente uma área de 202 ha (2,02 km²), sendo o segundo menor Estado do mundo, atrás apenas do Vaticano, com 44 hectares de área, e é o estado com a densidade populacional mais alta do mundo.[2] Tem como forma de governo a monarquia constitucional, em que o monarca é Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Alberto II do Mónaco.

Liechtenstein

[editar | editar código]

O Principado de Liechtenstein é um microestado principado localizado no centro da Europa, encravado nos Alpes entre a Áustria, a leste, e a Suíça a oeste. Pouco mais de 39 000 habitantes moram nos seus 160,477 km² segundo algumas estimativas. Desde o século XV é comandado pela mesma família, a Casa de Liechtenstein. Tornou-se independente do Sacro Império Romano-Germânico (976–1806) quando este foi desmembrado, em 1806. Desde tempos imemoriais, a língua falada no país é o alemão.

O Principado de Andorra é um microestado soberano europeu, sem acesso ao mar, na Península Ibérica, nos Pirenéus orientais, limitado pela Françaao norte e pela Espanha ao sul. Acredita-se que tenha sido criada por Carlos Magno, sendo governada pelo Condado de Urgel até 988, quando foi transferida para a Diocese de Urgel, com o principado atual sendo formado por um tratado denominado Paréage em 1278,[3] sendo separado do Principado da Catalunha após 1715. É conhecido como um principado, pois é uma diarquia liderada por dois copríncipes: o arcebispo católico de Urgel na Catalunha, Espanha e o presidente da República da França.[4]

O Principado de Sealand, mais comumente conhecido como Sealand é uma micronação e entidade não reconhecida pela ONU, localizada no Mar do Norte a 10,45 km da costa de Suffolk, do sudeste da Inglaterra (51°53'40"N , 1°28'57"E).[5][6][7][8][9]

O Principado de Seborga é uma micronação não reconhecida que reivindica uma área de 14 km² localizada na província italiana de Impéria, na Ligúria, perto da fronteira francesa, e cerca de 35 quilômetros de Mônaco.[10][11] O principado é coextensivo com a comuna de Seborga; afirmações de soberania foram instigadas em 1963 por um ativista local com base em alegações não comprovadas sobre assentamentos territoriais feitas pelo Congresso de Viena após as Guerras Napoleônicas.[10]

O Principado da Pontinha, também conhecido por Principado do Ilhéu da Pontinha, é uma autoproclamada micronação, localizada num rochedo de 178 metros quadrados, a 70 metros ao largo da cidade do Funchal, na ilha da Madeira.[12]

Príncipados abolidos

[editar | editar código]

Catalunha

[editar | editar código]

O Principado da Catalunha (em catalão, Principat de Catalunya) foi um estado[13][14] medieval e moderno, localizado no nordeste da Península Ibérica. É um termo jurídico que apareceu no século XIV para designar a entidade política sob jurisdição das Cortes Catalãs,[15] que foram o órgão legislativo da Catalunha desde o século XIII até o XVIII, e cujo príncipe (soberano, em latim princeps) era o conde de Barcelona,[16] ​​​​que também foi rei de Aragão desde 1162. Durante a maior parte da sua história, esteve em união dinástica com o Reino de Aragão, constituindo conjuntamente a monarquia composta conhecida como Coroa de Aragão. Atualmente, embora já não seja oficial, continua a ser o nome histórico e popular da Catalunha.[17]

O Principado de Trindade foi declarado um país independente em 1893,[18] quando o barão James Harden-Hickey reivindicou a ilha desabitada de Trindade e Martim Vaz no Atlântico Sul, e declarou-se soberano como.[19][20]

O Principado de Salerno foi um Estado lombardo do Mezzogiorno italiano, com capital na cidade portuária de Salerno e formado com a divisão do Principado de Benevento depois de uma década de guerra civil, em 851 Ocupava a parte dos domínios lombardos conhecida como Lombardia Menor[21]. Em 1077, perdeu sua independência durante a conquista normanda da Itália Meridional.

Salm-Salm

[editar | editar código]

O Principado de Salm-Salm era um estado do Sacro Império Romano-Germânico. Localizava-se nos atuais departamentos franceses do Baixo Reno e de Vosges e foi um de várias partições de Salm.

Mesquécia

[editar | editar código]

O Principado de Mesquécia era um principado feudal da Geórgia que existiu entre 1268 e 1628. Seu território consistiu no atual território da Mesquécia e na região histórica de Tao-Clarjécia.[22]

Antioquia

[editar | editar código]

O Principado de Antioquia, cujo território incluía partes dos actuais estados da Turquia e da Síria, foi um dos estados latinos do Oriente criados durante a Primeira Cruzada. Tinha a sua capital na cidade de Antioquia (a atual Antáquia, na Turquia).

Principados titulares

[editar | editar código]

Reino Unido

[editar | editar código]

No Reino Unido, o herdeiro do trono possui o título de Príncipe de Gales, embora não exista o Principado de Gales independente.

O herdeiro do trono espanhol possui o título de Príncipe das Astúrias, Príncipe de Girona e Príncipe de Viana, embora nem um desses topônimo seja um estado independente.

No Império do Brasil, o herdeiro do trono brasileiro era chamado de Príncipe Imperial, e o filho deste, de Príncipe do Grão-Pará. Grão-Pará era, na época, a maior província brasileira, mas, como acontece no Reino Unido[23] e na Espanha,[24] o príncipe associado a este topônimo não era o soberano da província.

No Reino de Portugal, o herdeiro do trono era chamado de Príncipe Real, e o filho deste, Príncipe da Beira. Contudo, o príncipe associado a este topônimo não era o soberano da província.

Notas

  1. «Cópia arquivada». Consultado em 3 de outubro de 2011. Arquivado do original em 11 de janeiro de 2012
  2. «Cópia arquivada». Consultado em 14 de fevereiro de 2011. Arquivado do original em 20 de maio de 2011
  3. «A história de Andorra | Visitandorra». Andorra Turismo. Consultado em 2 de fevereiro de 2020. Cópia arquivada em 15 de maio de 2025
  4. «Andorra: o país governado por dois príncipes». Politize!. 13 de dezembro de 2018. Consultado em 7 de fevereiro de 2020. Cópia arquivada em 15 de janeiro de 2026
  5. «The Principality of Sealand». Sealandgov.org. Consultado em 8 de maio de 2012. Arquivado do original em 28 de setembro de 2007
  6. Frank Jacobs (20 mar. 2012). «All Hail Sealand». The New York Times
  7. Globo.com - "Príncipe" de Sealand coloca à venda o menor país do mundo
  8. «Site oficial do Principado de Sealand». Consultado em 10 de junho de 2010. Cópia arquivada em 3 de junho de 2026
  9. Seleção do 'menor país do mundo' disputa primeiro jogo; veja
  10. 1 2 Cais de Pierlas, Eugène (1884). I Conti di Ventimiglia, il priorato di San Michele ed il principato di Seborga, memoria documentata del conte E. Cais di Pierlas (em italiano). [S.l.]: stamp. di I. Vigliardi. Torino. Cópia arquivada em 28 de julho de 2025
  11. «His Tremendousness Giorgio Carbone - Telegraph». web.archive.org. 1 de dezembro de 2009. Consultado em 20 de novembro de 2024
  12. Bicudo de Castro, Vincente; Hayward, Philip (2021). «Residual islandness and sovereign dreams: The metamorphosis of Madeira's Ilhéu do Diego into Forte de São José, and the short-lived Principado do Ilhéu da Pontinha». Transformations (35): 40-51. Cópia arquivada (PDF) em 1 de setembro de 2021 |arquivourl= requer |url= (ajuda)
  13. Ferro, Víctor: El Dret Públic Català. Les Institucions a Catalunya fins al Decret de Nova Planta; Eumo Editorial, p. 442 ISBN 84-7602-203-4
  14. Sesma Muñoz, José Ángel (2000). La Corona de Aragón. Una introducción crítica. Zaragoza: Caja de la Inmaculada. p. 14 ISBN 84-95306-80-8.
  15. «As Cortes de Barcelona de 1454, que estabelecem a festa de São Jorge no Principado» 🔗. mcu.es. Consultado em 12 de outubro de 2011. Arquivado do original em 16 de abril de 2008
  16. BAYDAL, Vicent; PALOMO, Cristian (2020), Pseudohistòria contra Catalunya, Ed. Eumo, pp. 106–108, ISBN 978-84-9766-689-3
  17. «l'Enciclopèdia: Principat de Catalunya». www.enciclopedia.cat. Cópia arquivada em 3 de março de 2012.
  18. "To Be Prince of Trinidad: He Is Baron Harden-Hickey," New York Tribune, Nov 5, 1893, p 1
  19. Bryk, William, News & Columns Arquivado em 30 de abril de 2006, no Wayback Machine., New York Press, v 15 no 50 (Dec 10, 2002)
  20. "Principality of Trinidad: John H. Flagler's Son-in-Law Is Its Sovereign, Self-Proclaimed as James I," New York Times, June 10, 1894, p 23
  21. Rayfield, Donald (15 de fevereiro de 2013). Edge of Empires: A History of Georgia. [S.l.]: Reaktion Books. ISBN 9781780230702. Cópia arquivada em 9 de março de 2026
  22. O herdeiro do trono do Reino Unido tem o título de Príncipe de Gales
  23. O herdeiro do trono da Espanha tem o título de Príncipe das Astúrias