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Primeira República Portuguesa

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República Portuguesa
BERJAYA
1910  1926 BERJAYA
Flag Brasão
Bandeira Brasão de Armas
Lema nacional
"Ordem e Trabalho"
Hino nacional
A Portuguesa
noicon


Localização de Portugal
Localização de Portugal
Continente Europa
Região Europa meridional
País Portugal
Capital Lisboa
Língua oficial Português
Religião Estado laico
Governo República parlamentarista
Presidente
 • 1910–1911 Teófilo Braga (primeiro chefe de Estado, interinamente)
 • 1911–1915 Manuel de Arriaga (primeiro presidente)
 • 1925–1926 Bernardino Machado (último)
Presidente do Ministério
 • 1910 Teófilo Braga (primeiro)
 • 1925–1926 António Maria da Silva (último)
Legislatura Congresso da República
 Câmara alta Senado da República
 Câmara baixa Câmara dos Deputados
Período histórico Século XX
  5 de outubro de 1910Implantação da República Portuguesa
  21 de agosto de 1911Constituição
  19 de janeiro de 1919Proclamação da Monarquia do Norte
  28 de maio de 1926Golpe de 1926
População
  1911 est.5 969 056 
  1920 est.6 032 991 
Moeda Real (1910–1911)
Escudo português
(1911–1926)

A Primeira República Portuguesa (também referida como República Parlamentar) e cujo nome oficial era apenas República Portuguesa, foi o sistema político vigente em Portugal após a queda da Monarquia Portuguesa, entre a revolução republicana de 5 de outubro de 1910 e o golpe de 28 de maio de 1926, que deu origem à Ditadura Militar, mais tarde Ditadura Nacional e posteriormente evoluindo para o Estado Novo.

A República legislou sobre o divórcio, proteção de filhos ilegítimos, direito à greve, descanso semanal e horário de trabalho, entre outros. Apostou-se na formação de professores primários, sem grande sucesso, e na criação da Universidade de Lisboa, da Universidade do Porto e do ensino técnico.[1]

Foi caracterizada pelas lutas entre o governo e a Igreja Católica,[2] assim como, por divergências internas entre os mesmos republicanos, maçons e carbonários,[3] que originaram a revolução de 5 de Outubro.

Neste período de 16 anos houve sete parlamentos, oito presidentes da República, 45 governos, 40 chefias de governo (um presidente do Governo Provisório e 38 presidentes do Ministério), duas presidências do Ministério que não chegaram a tomar posse, dois presidentes do Ministério interinos, uma junta constitucional, uma junta revolucionária e um ministério investido na totalidade do poder executivo. Foi caracterizada por convulsões sociais, instabilidade económica e violência política, e por um predomínio político por parte do Partido Republicano Português (apelidado após 1911 de Partido Democrático).

A República

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Constituição e interpretações

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Uma Constituição republicana foi aprovada em 1911, inaugurando um regime parlamentar com poderes presidenciais reduzidos e duas câmaras do parlamento.[4] A constituição geralmente concedia liberdades civis plenas, as liberdades religiosas dos católicos eram uma exceção.[5]

No que diz respeito à Revolução de Outubro de 1910, vários estudos valiosos foram feitos,[6] o primeiro entre os quais classifica a tese polémica de Vasco Pulido Valente. Este historiador postulou a natureza jacobina e urbana da revolução levada a cabo pelo Partido Republicano Português e afirmou que o PRP tinha transformado o regime republicano numa ditadura de facto.[7] Esta visão colide com uma interpretação mais antiga da Primeira República como um regime progressista e cada vez mais democrático que apresentou um claro contraste com a Ditadura de Salazar. [Oliveira Marques, 1991]

Religião

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A Primeira República foi intensamente anticlerical. Os líderes republicanos eram secularistas e, na verdade, estavam seguindo a tradição liberal de desestabilizar o poderoso papel que a Igreja Católica exercera até ao momento. O historiador Stanley Payne aponta: "A maioria dos republicanos assumiu a posição de que o catolicismo era o inimigo número um do radicalismo individualista de classe média e deve ser completamente quebrado como fonte de influência em Portugal".[8] Sob a liderança de Afonso Costa, ministro da Justiça do Governo Provisório, a revolução imediatamente atacou a Igreja Católica: igrejas foram saqueadas, conventos foram atacados e o clero foi assediado. Mal havia sido instalado o Governo Provisório quando começou a dedicar toda a sua atenção a uma política antirreligiosa, apesar da desastrosa situação económica. Em 10 de outubro — cinco dias após a inauguração da República — o novo governo decretou que todos os conventos, mosteiros e ordens religiosas seriam suprimidos. Todos os moradores de instituições religiosas foram expulsos e seus bens confiscados. Os jesuítas foram forçados a perder a sua cidadania portuguesa. Uma série de leis e decretos anticatólicos se sucederam em rápida sucessão. No dia 3 de novembro, uma lei legalizando o divórcio foi aprovada e depois houve leis para reconhecer a legitimidade das crianças nascidas fora do casamento, autorizar a cremação, secularizar os cemitérios, suprimir o ensino religioso nas escolas e proibir o uso da batina. Além do que, além do mais, o toque dos sinos da igreja para sinalizar os tempos de adoração foi sujeito a certas restrições, e a celebração pública das festas religiosas foi suprimida. O governo também interferiu na realização de seminários, reservando o direito de nomear professores e determinar currículos. Toda esta série de leis de autoria de Afonso Costa culminou na Lei da Separação do Estado das Igrejas aprovada por decreto com força de lei, de 20 de abril de 1911.[9]

Os republicanos eram anticlericais e tinham uma abordagem "hostil" à questão da separação entre a Igreja e o Estado, como a da Revolução Francesa, e a futura Constituição Mexicana de 1917 e a Constituição Espanhola de 1931.[10] Em 24 de maio de 1911, o Papa Pio X publicou a encíclica Iamdudum que condenava o anticlericalismo da nova república pela privação das liberdades civis religiosas e pela "incrível série de excessos e crimes que foram promulgados em Portugal para a opressão da Igreja".[11]

Os partidos políticos

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O PRP teve que suportar a secessão de seus elementos mais moderados, que formaram partidos republicanos conservadores, como o Partido Republicano Evolucionista e o Partido da União Republicana (conhecido como Partido Unionista). Apesar dessas divisões, o PRP, liderado por Afonso Costa, preservou o seu domínio, em grande parte devido a uma marca de políticas clientelistas herdadas da monarquia.[12] Em vista dessas táticas, várias forças da oposição recorreram à violência para aproveitar os frutos do poder. Há poucos estudos recentes deste período da existência da República, conhecida como a República "antiga". No entanto, um ensaio de Vasco Pulido Valente, derivado da sua tese de doutoramento em Oxford, deve ser consultado,[13] assim como se mostra útil a tentativa de estabelecer o respectivo contexto político, social e económico que Manuel Villaverde Cabral realizou (1988).

A República repeliu um ataque monarquista a Chaves em 1912.

Veja Também: Portugal na Primeira Guerra Mundial

O PRP considerou a eclosão da Primeira Guerra Mundial como uma oportunidade única para alcançar uma série de objetivos: pôr fim às ameaças gémeas de uma invasão espanhola de Portugal e da ocupação estrangeira das colónias e, a nível interno, criar uma consenso nacional em torno do regime e até mesmo em torno do partido.[14] Estes objetivos domésticos não foram atingidos, uma vez que a participação no conflito não foi objeto de um consenso nacional e, portanto, não serviu para mobilizar a população. Ocorreu exatamente o oposto: as linhas existentes de fratura política e ideológica foram aprofundadas pela intervenção de Portugal na Primeira Guerra Mundial.[15] A falta de consenso em torno da intervenção de Portugal, por sua vez, tornou possível o surgimento de duas ditaduras, a primeira liderada pelo general Joaquim Pimenta de Castro (de janeiro a maio de 1915) e a segunda, com maior impacte, por Sidónio Pais (de dezembro de 1917 a dezembro de 1918).

Instabilidade financeira

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A instabilidade financeira que vinha da Monarquia perdurou durante a República, mas com vários esforços de sucesso ao seu combate. Em 1912, Afonso Costa consegue estabilizar as contas públicas, mas a Primeira Guerra Mundial veio perturbar os esforços orçamentais.[16] Novos esforços de melhorar as contas públicas conseguiram que "em 1926 já quase que não havia défice".[17] António de Oliveira Salazar, que ascenderia a ministro das Finanças durante a ditadura militar e colheria os louros das contas certas, beneficiaria deste esforço durante a República. A instabilidade financeira e a austeridade associada como resposta contribuiu para fortes distúrbios sociais e para a erosão ou falta de adesão do apoio da República.[17]

A "República Nova"

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O Sidonismo, também conhecido como Dezembrismo, despertou um forte interesse entre os historiadores, em grande parte como resultado dos elementos da modernidade que ele continha.[18][19][20][21][22][23] António José Telo deixou claro o modo como este regime antecedeu algumas das soluções políticas inventadas pelas ditaduras totalitárias e fascistas das décadas de 1920 e 1930.[24] Sidónio Pais levou a cabo o resgate dos valores tradicionais, nomeadamente o da "Pátria", e tentou governar de forma carismática. A mudança foi feita para abolir partidos políticos tradicionais e alterar o modo existente de representação nacional no Parlamento (o que, dizia-se, agravava divisões no seio da Pátria), através da criação de um Senado corporativo, a fundação de um partido único (o Partido Nacional Republicano, não oficialmente chamado de Partido Sidonista), e a atribuição de uma função mobilizadora ao líder. O Estado esculpiu para si um papel economicamente intervencionista, reprimindo, ao mesmo tempo, os movimentos operários e os republicanos de esquerda. Sidónio Pais também tentou restaurar a ordem pública e superar, finalmente, algumas das fendas do passado recente, tornando a República mais aceitável para os monárquicos e católicos.

Retorno para a "República Velha"

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O vácuo de poder criado pelo assassinato de Sidónio Pais[25] em 14 de dezembro de 1918 levou o país a uma breve guerra civil. A restauração da monarquia foi proclamada no norte de Portugal, como a Monarquia do Norte, em 19 de janeiro de 1919 e, quatro dias depois, uma insurreição monárquica eclodiu em Lisboa. Um governo republicano de coligação, liderado por José Relvas, coordenou a luta contra os monárquicos com unidades leais do exército e civis armados. Após uma série de confrontos, os monárquicos foram definitivamente expulsos do Porto em 13 de fevereiro de 1919. Esta vitória militar permitiu ao PRP retornar ao governo e emergir triunfante das eleições realizadas no final daquele ano, tendo conquistado a maioria absoluta.

Foi durante esta restauração da "velha" República que uma tentativa de reforma foi realizada para fornecer ao regime maior estabilidade. Em agosto de 1919 foi eleito um presidente conservador — António José de Almeida (cujo partido evolucionista reunira em tempo de guerra com o PRP para formar uma União Sagrada imperfeita, porque incompleta) — e o seu gabinete recebeu o poder de dissolver o Parlamento. Relações com a Santa Sé, restauradas por Sidónio Pais, foram preservadas. O presidente usou seu novo poder para resolver uma crise de governo em maio de 1921, nomeando um governo liberal (o Partido Liberal Republicano sendo o resultado da fusão dos evolucionistas e unionistas no pós-guerra) para preparar as próximas eleições. Estas foram realizadas em 10 de julho de 1921, com a vitória, como era geralmente o caso, para o partido no poder. No entanto, o governo liberal não durou muito tempo. Em 19 de Outubro, foi pronunciada uma pronunciação militar durante a qual — e aparentemente contra a vontade dos líderes do golpe — foram assassinadas várias proeminentes figuras conservadoras, incluindo o presidente do Ministério demissionário António Granjo. Este evento, conhecido como a "Noite Sangrenta"[26] deixou uma ferida profunda entre as elites políticas e a opinião pública. Não poderia haver maior demonstração da fragilidade essencial das instituições da República e prova de que o regime era democrático apenas no nome, uma vez que nem sequer admitia a possibilidade da rotação em poder característica dos regimes elitistas do século XIX.

Uma nova rodada de eleições, em 29 de janeiro de 1922, inaugurou um novo período de estabilidade, uma vez que o PRP mais uma vez emergiu do concurso com uma maioria absoluta. O descontentamento com esta situação não havia, no entanto, desaparecido. Numerosas acusações de corrupção, e o fracasso manifesto em resolver questões sociais urgentes, desgastaram os líderes do PRP, tornando os ataques da oposição mais fatais. Ao mesmo tempo, além disso, todos os partidos políticos sofreram com o crescente combate interno entre fações, especialmente com o próprio PRP. O sistema partidário fraturou-se e foi sendo desacreditado.[12][27] Isso é claramente demonstrado pelo facto de que as vitórias regulares do PRP nas urnas não levaram a um governo estável. Entre 1910 e 1926, houve quarenta e cinco governos. A oposição dos presidentes para os governos de partido único, dissidências internas dentro do PRP, a disciplina interna quase inexistente do partido, e o seu desejo constante e irracional de agrupar e liderar todas as forças republicanas tornaram praticamente impossível qualquer tarefa do governo. Muitas fórmulas diferentes foram tentadas, incluindo governos de partido único, coligações e executivos presidenciais, mas nenhum foi bem-sucedido. A força era claramente o único meio aberto à oposição se quisesse aproveitar os frutos do poder.[28][29]

Em meados da década de 1920, as cenas domésticas e internacionais começaram a favorecer outra solução autoritária, na qual um executivo fortalecido poderia restaurar a ordem política e social. Desde que a rota constitucional da oposição ao poder foi bloqueada pelos vários meios utilizados pelo PRP para se proteger, voltou-se para o exército em busca de apoio. As forças armadas, cuja consciência política cresceu durante a guerra, e cujos líderes não perdoaram o PRP por enviá-los para uma guerra que não queriam combater, parecia representar, para as forças conservadoras, o último bastião de "ordem" contra o "caos" que dominava o país. Ligações foram estabelecidas entre figuras conservadoras e oficiais militares, que acrescentaram as suas próprias reivindicações políticas e corporativas à já complexa equação. Óscar Carmona, por exemplo, recusou-se a cumprir os seus deveres e defendeu a absolvição de conspiradores golpistas.[30]

Tentativas de golpe contra a República

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Tentativas de restaurar a Monarquia

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Em 1912, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro atacou Chaves e em 1919 liderou uma tentativa armada de reinstaurar a Monarquia que ficou conhecida por Monarquia do Norte, ambas derrotadas.

28 de maio e a instauração da ditadura militar

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A Revolução de 28 de maio de 1926 contra o último governo do Partido Republicano de António Maria da Silva contou com o apoio da maioria das unidades do exército e até da maioria dos partidos políticos. Como havia sido o caso em dezembro de 1917, a população de Lisboa não se levantou para defender a República, deixando-a à mercê do exército.[31] Há poucos estudos globais e atualizados sobre essa turbulenta terceira fase da existência da República.[32][33] No entanto, muito tem sido escrito sobre a crise e queda do regime e do movimento 28 de maio;.[32][33][29][34][35][36][37][38]

O período da ditadura militar antecederia o que se chamaria o Estado Novo, sendo ambos conjuntamente referidos como ditadura.

Governos da Primeira República

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Governo Tipologia Composição partidária Chefe de governo Partido do chefe de governo Tomada de posse Exoneração Chefe de Estado Partido do chefe de Estado
Governo Provisório
(1.º)
  Unipartidário      Partido Republicano Português BERJAYA Teófilo Braga   Partido Republicano Português 5 de outubro de 1910 4 de setembro de 1911 BERJAYA
Teófilo Braga
(presidente do Governo Provisório)
Partido Republicano Português
 
 
  BERJAYA
Manuel de Arriaga
  Partido Republicano Português
2.º   Unipartidário[nota 1]      Partido Republicano Português BERJAYA João Chagas Partido Republicano Português 4 de setembro de 1911 12 de novembro de 1911
  Independente      Independentes[nota 2] Independente   Independente
3.º   Concentração[nota 3] Até abril de 1912:
     Partido Republicano Português
(dividido em fações)
BERJAYA Augusto de Vasconcelos   Independente 12 de novembro de 1911 16 de junho de 1912
A partir de abril de 1912:
     Partido da União Republicana
     Partido Republicano Evolucionista
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
  Partido da União Republicana
4.º   Concentração      Independentes
     Partido da União Republicana
     Partido Republicano Evolucionista
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
BERJAYA Duarte Leite   Independente 16 de junho de 1912 9 de janeiro de 1913
BERJAYA Augusto de Vasconcelos
(interino entre 23 e 30 de setembro de 1912)
  Partido da União Republicana
5.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático") BERJAYA Afonso Costa   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 9 de janeiro de 1913 9 de fevereiro de 1914
6.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Independentes
BERJAYA Bernardino Machado   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 9 de fevereiro de 1914 23 de junho de 1914
7.º   Extrapartidário      Independentes 23 de junho de 1914 12 de dezembro de 1914
8.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático") BERJAYA Vítor Hugo de Azevedo Coutinho   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 12 de dezembro de 1914 25 de janeiro de 1915
9.º   Extrapartidário      Independentes
     Partido da União Republicana
BERJAYA Joaquim Pimenta de Castro   Independente 25 de janeiro de 1915 15 de maio de 1915
10.º   Concentração      Independentes
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido da União Republicana
     Partido Republicano Evolucionista
BERJAYA João Chagas
(não empossado, até 29 de maio)
  Independente 15 de maio de 1915 19 de junho de 1915
BERJAYA José de Castro
(interino entre 17 de maio e 19 de junho)
  Independente BERJAYA
Teófilo Braga
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
11.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Independentes
19 de junho de 1915 29 de novembro de 1915
BERJAYA
Bernardino Machado
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
12.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático") BERJAYA Afonso Costa   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 29 de novembro de 1915 15 de março de 1916
13.º   Coligação
(União Sagrada)
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano Evolucionista
     Independentes
BERJAYA António José de Almeida   Partido Republicano Evolucionista 15 de março de 1916 25 de abril de 1917
BERJAYA Afonso Costa
(interino entre 4 de setembro e 5 de outubro de 1916)
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
14.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Independentes
BERJAYA Afonso Costa   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 25 de abril de 1917 10 de dezembro de 1917
BERJAYA José Norton de Matos
(interino entre 7 e 25 de outubro e entre 19 de novembro e 10 de dezembro)
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
15.º   Extrapartidário
(Dezembrista)
Até 7 de março de 1918:
     Independentes
     Partido da União Republicana
     Partido Centrista Republicano
     Centro Reformista
BERJAYA Sidónio Pais
(enquanto presidente da República a partir de 9 de maio de 1918; até 14 de dezembro de 1918)
  Partido da União Republicana 11 de dezembro de 1917 15 de maio de 1918 BERJAYA
15.º Governo Republicano
(interino entre 10 e 27 de novembro de 192)
  Independente
BERJAYA
Sidónio Pais
(interino entre 27 de dezembro de 1917 e 9 de maio de 1918)
  Partido da União Republicana
Até abril de 1918:
     Independentes
     Partido Centrista Republicano
     Centro Reformista
     Causa Monárquica
  Independente   Independente
  Unipartidário A partir de abril de 1918:
     Partido Nacional Republicano
     Independentes
     Causa Monárquica
  Partido Nacional Republicano   Partido Nacional Republicano
16.º   Unipartidário      Partido Nacional Republicano
     Independentes
     Causa Monárquica
9 de maio de 1918 23 de dezembro de 1918
 
 
  BERJAYA 16.º Governo Republicano
(interino de 14 a 15 de dezembro)
  Partido Nacional Republicano BERJAYA
16.º Governo Republicano
(interino de 14 a 16 de dezembro)
  Partido Nacional Republicano
  BERJAYA João do Canto e Castro
(interino de 15 a 23 de dezembro)
  Independente
  BERJAYA
João do Canto e Castro
  Independente
17.º   Unipartidário      Partido Nacional Republicano
     Independentes
     Causa Monárquica
BERJAYA João Tamagnini Barbosa   Partido Nacional Republicano 23 de dezembro de 1918 7 de janeiro de 1919
18.º   Unipartidário      Partido Nacional Republicano
     Independentes
     Causa Monárquica
7 de janeiro de 1919 27 de janeiro de 1919
19.º   Concentração      Independentes
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano Evolucionista
     Partido da União Republicana
     Partido Socialista Português
     Partido Nacional Republicano
BERJAYA José Relvas   Independente 27 de janeiro de 1919 30 de março de 1919
20.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano Evolucionista
     Partido da União Republicana
     Partido Socialista Português
BERJAYA Domingos Pereira   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 30 de março de 1919 29 de junho de 1919
21.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático") BERJAYA Alfredo de Sá Cardoso   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 29 de junho de 1919 15 de janeiro de 1920
  BERJAYA
António José de Almeida
  Partido Liberal Republicano
(até 7 de fevereiro de 1923)
22.º
(não empossado)
  Unipartidário      Partido Liberal Republicano
     Independente
BERJAYA Francisco Fernandes Costa
(não empossado)
  Partido Liberal Republicano 15 de janeiro de 1920
21.º
(reconduzido)
  Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático") BERJAYA Alfredo de Sá Cardoso   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 15 de janeiro de 1920 21 de janeiro de 1920
23.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Liberal Republicano
     Partido Socialista Português
     Independentes
BERJAYA Domingos Pereira   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 21 de janeiro de 1920 8 de março de 1920
24.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Independentes
BERJAYA António Maria Baptista
(até 6 de junho)
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 8 de março de 1920 26 de junho de 1920
BERJAYA José Ramos Preto
(interino a 6 de junho; efetivo desde então)
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
25.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano Popular
     Partido Socialista Português
     Independentes
BERJAYA António Maria da Silva   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 26 de junho de 1920 19 de julho de 1920
26.º   Coligação      Partido Liberal Republicano
     Partido Republicano da Reconstituição Nacional
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Independente
BERJAYA António Granjo   Partido Liberal Republicano 19 de julho de 1920 20 de novembro de 1920
27.º   Coligação      Partido Republicano da Reconstituição Nacional
     Grupo Parlamentar Democrático Dissidente
     Partido Republicano Popular
BERJAYA Álvaro de Castro   Partido Republicano da Reconstituição Nacional 20 de novembro de 1920 30 de novembro de 1920
28.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano da Reconstituição Nacional
     Partido Republicano Popular
     Grupo Parlamentar Democrático Dissidente
     Independente
BERJAYA Liberato Pinto   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 30 de novembro de 1920 2 de março de 1921
29.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano da Reconstituição Nacional
     Partido Republicano Popular
     Grupo Parlamentar Democrático Dissidente
BERJAYA Bernardino Machado   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 2 de março de 1921 23 de maio de 1921
30.º   Unipartidário      Partido Liberal Republicano BERJAYA Tomé de Barros Queirós   Partido Liberal Republicano 23 de maio de 1921 30 de agosto de 1921
31.º   Unipartidário      Partido Liberal Republicano BERJAYA António Granjo   Partido Liberal Republicano 30 de agosto de 1921 19 de outubro de 1921
32.º   Extrapartidário
(Outubrista)
     Independentes
     Partido Republicano Popular
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano da Reconstituição Nacional
BERJAYA Manuel Maria Coelho   Independente 19 de outubro de 1921 5 de novembro de 1921
33.º   Extrapartidário
(Outubrista)
     Independentes
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano Popular
     Partido Republicano da Reconstituição Nacional
     Grupo Parlamentar Democrático Dissidente
BERJAYA Carlos Maia Pinto   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 5 de novembro de 1921 16 de dezembro de 1921
34.º   Concentração      Independentes
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Partido Republicano da Reconstituição Nacional
     Partido Liberal Republicano
BERJAYA Francisco da Cunha Leal   Independente 16 de dezembro de 1921 6 de fevereiro de 1922
35.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático") BERJAYA António Maria da Silva   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 6 de fevereiro de 1922 30 de novembro de 1922
36.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 30 de novembro de 1922 7 de dezembro de 1922
37.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Independentes
7 de dezembro de 1922 15 de novembro de 1923
    Partido Republicano Nacionalista
(desde 7 de fevereiro de 1923)
  BERJAYA
Manuel Teixeira Gomes
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
38.º   Unipartidário      Partido Republicano Nacionalista
     Independente
BERJAYA António Ginestal Machado   Partido Republicano Nacionalista 15 de novembro de 1923 18 de dezembro de 1923
39.º   Coligação      Grupo Parlamentar de Ação Republicana
     Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Seara Nova
     Independentes
BERJAYA Álvaro de Castro   Grupo Parlamentar de Ação Republicana 18 de dezembro de 1923 6 de julho de 1924
40.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Grupo Parlamentar de Ação Republicana
     Independentes
BERJAYA Alfredo Rodrigues Gaspar   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 6 de julho de 1924 22 de novembro de 1924
41.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")"canhotos"
     Grupo Parlamentar de Ação Republicana
     Independentes
BERJAYA José Domingues dos Santos   Partido Republicano Português ("Partido Democrático")"canhoto" 22 de novembro de 1924 15 de fevereiro de 1925
42.º   Coligação      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Grupo Parlamentar de Ação Republicana
     Independentes
BERJAYA Vitorino Guimarães   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 15 de fevereiro de 1925 1 de julho de 1925
43.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")"bonzos"
     Independente
BERJAYA António Maria da Silva   Partido Republicano Português ("Partido Democrático")"bonzo" 1 de julho de 1925 1 de agosto de 1925
44.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
     Independentes
BERJAYA Domingos Pereira   Partido Republicano Português ("Partido Democrático") 1 de agosto de 1925 17 de dezembro de 1925
  BERJAYA
Bernardino Machado
  Partido Republicano Português ("Partido Democrático")
45.º   Unipartidário      Partido Republicano Português ("Partido Democrático")"bonzos"
     Independente
BERJAYA António Maria da Silva   Partido Republicano Português ("Partido Democrático")"bonzo" 17 de dezembro de 1925 30 de maio de 1926

Avaliação da experiência e legado republicano

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A Primeira República continua a ser objeto de um intenso debate que é impossível resumir nesses parágrafos.[39] No entanto, pode-se distinguir três interpretações principais. Para alguns historiadores, a Primeira República foi um regime progressista e cada vez mais democrático. Para outros, foi essencialmente um prolongamento dos regimes liberais clássicos do século XIX. Um terceiro grupo, finalmente, escolhe destacar a natureza revolucionária, jacobina e ditatorial do regime.

A maioria dos historiadores enfatizou o fracasso e o colapso do sonho republicano na década de 1920. José Miguel Sardica em 2011 resumiu o consenso dos historiadores:

Em poucos anos, grandes partes das forças económicas, intelectuais, formadores de opinião e classe média mudaram da esquerda para a direita, trocando a utopia não cumprida de um republicanismo cívico e em desenvolvimento por noções de "ordem", "estabilidade" e "segurança". Para muitos que haviam ajudado, apoiado ou simplesmente aplaudido a República em 1910, esperando que a nova situação política reparasse as falhas da monarquia (instabilidade do governo, crise financeira, atraso económico e anomia civil), a conclusão a ser tirada, na década de 1920, foi que o remédio para doenças nacionais exigiu muito mais do que a simples remoção do rei... A Primeira República entrou em colapso e morreu como resultado do confronto entre esperanças elevadas e feitos escassos.[40]

Sardica, no entanto, também aponta o impacto permanente do experimento republicano:

Apesar do seu fracasso global, a Primeira República dotou Portugal do século XX de um legado insuperável e duradouro — uma lei civil renovada, a base de uma revolução educacional, o princípio da separação entre Estado e Igreja, o império ultramarino, e uma forte cultura simbólica cujas materializações (a bandeira nacional, o hino nacional e a nomeação de ruas) ainda definem a identidade coletiva atual dos portugueses. O principal legado da República era, de facto, o da memória.[41]

Ver também

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Notas

  1. Apesar de formado por membros do PRP, o governo existiu já num período de fragmentação do partido e teve oposição da fação encabeçada por Afonso Costa, que se constituiria a partir de setembro de 1911 como Grupo Parlamentar Democrático. Essa fação acabaria por ganhar as eleições internas no PRP no congresso realizado entre 27 e 30 de outubro de 1911 e dominar o partido que, a partir desse momento, passou a ser designado oficiosamente por Partido Democrático.
  2. Formado por membros das fações conservadoras do PRP que estariam, a partir de abril de 1912, na origem do Partido Republicano Evolucionista e do Partido da União Republicana.
  3. Estavam presentes as várias fações dentro do PRP: a fação do diretório do partido, encabeçada por Afonso Costa e referida oficiosamente como Partido Democrático, bem como as fações mais conservadoras que estariam na origem dos partidos Evolucionista e Unionista.

Referências

  1. «Medidas da República e o descontentamento popular». RTP Ensina. Consultado em 19 de março de 2026. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2026
  2. Centenário da República: A primeira república portuguesa e a religião, por Vitor Neto, em Seara Nova, nº 1713 - Outono 2010
  3. A "Guerra religiosa" na I República, por Maria Lúcia de Brito Moura e Fernando Catroga, CEHR-UCP, 2010
  4. Miranda, 2001
  5. Anderson, James Maxwell, The History of Portugal, p. 142, Greenwood Publishing Group, 2000
  6. Wheeler, 1972
  7. Pulido Valente, 1982
  8. Payne, A history of Spain and Portugal (1973) 2: 559
  9. Portuguesa, Governo Provisorio da Republica (21 de abril de 2011), Español: Ley de separación del Estado y la Iglesia, dictada por Decreto del 20 de abril de 1911, del Gobierno provisional de ls Primera República Portuguesa, publicado en el Diario do Governo nº 92 del 21 de abril de 1911, páginas 1619-1624 (PDF), consultado em 18 de dezembro de 2020
  10. Maier, Hans (2004). Totalitarianism and Political Religions. trans. Jodi Bruhn. [S.l.]: Routledge. p. 106. ISBN 0-7146-8529-1
  11. IAMDUDUM: ON THE LAW OF SEPARATION IN PORTUGAL Papal Encyclicals Online
  12. 1 2 Lopes, 1994
  13. 1997a
  14. Teixeira, 1996a
  15. Ribeiro de Meneses, 2000
  16. RTP Ensina. «Medidas da República e o descontentamento popular». Consultado em 29 de maio de 2026. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2026
  17. 1 2 Infopédia. «Situação económica difícil da I República». Consultado em 29 de maio de 2026
  18. José Brandão, 1990
  19. Ramalho, 1998
  20. Ribeiro de Meneses, 1998
  21. Armando Silva, 1999
  22. Samara, 2003
  23. Santos, 2003
  24. Teixeira, 2000, pp. 11-24
  25. Medina, 1994
  26. Brandão, 1991
  27. João Silva, 1997
  28. Schwartzman, 1989
  29. 1 2 Pinto, 2000
  30. Gallagher, Tom (11 de janeiro de 1983). «Portugal: A Twentieth-century Interpretation». Manchester University Press via Google Books
  31. Ferreira, 1992a
  32. 1 2 Marques, 1973
  33. 1 2 Telo, 1980 & 1984
  34. Cruz, 1986
  35. Cabral, 1993
  36. Rosas, 1997
  37. Martins, 1998
  38. Afonso, 2001
  39. Armando Malheiro da Silva, 2000
  40. José Miguel Sardica, "The Memory of the Portuguese First Republic throughout the Twentieth Century" (2011) E-Journal of Portuguese History (Summer 2011) 9#1 pp 1–27. online
  41. José Miguel Sardica, "The Memory of the Portuguese First Republic throughout the Twentieth Century" (2011)

Ligações externas

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