Azul
| Azul | |
|---|---|
Em sentido horário, a partir do canto superior esquerdo: um policial ucraniano em serviço; azulejos da Mesquita do Xeique Lotfollah, no Irã; saíra-beija-flor; sulfato de cobre (II); a bandeira das Nações Unidas; Tahana Maru, Polinésia Francesa; o Oceano Pacífico visto do espaço. | |
| Coordenadas espectrais | |
| Comprimento de onda | ~450–495 nm |
| Frequência | ~670–610 THz |
| Coordenadas de cor | |
| Tripleto hexadecimal | #0000FF |
| sRGB (r, g, b) | (0, 0, 255) |
| CMYK (c, m, y, k) | (100, 100, 0, 0) |
| HSV (h, s, v) | (240°, 100%, 100%) |
Azul é uma das três cores primárias do modelo de cores RGB (aditivo), assim como do modelo de cores RYB (teoria tradicional das cores).[1] Situa-se entre o violeta e o ciano no espectro da luz visível. O termo azul geralmente descreve as cores percebidas pelos seres humanos ao observarem luz com comprimento de onda dominante entre aproximadamente 450 e 495 nanômetros. O céu límpido durante o dia e o mar profundo parecem azuis em razão de um efeito óptico conhecido como dispersão de Rayleigh. Um efeito óptico denominado efeito Tyndall explica os olhos azuis. Objetos distantes parecem mais azuis devido a outro efeito óptico, chamado perspectiva atmosférica.
O azul é uma cor importante na arte e na decoração desde a Antiguidade. A pedra semipreciosa lápis-lazúli era utilizada no Egito Antigo em joias e ornamentos e, mais tarde, durante o Renascimento, para produzir o pigmento azul ultramarino, o mais caro de todos os pigmentos.[2] No século VIII, artistas chineses usavam azul cobalto para colorir refinadas peças de porcelana azul e branca. Na Idade Média, artistas europeus utilizavam a cor nos vitrais das catedrais. Os europeus vestiam roupas tingidas com o corante vegetal pastel-dos-tintureiros até que este fosse substituído pelo índigo, de qualidade superior, proveniente da América. No século XIX, corantes e pigmentos azuis sintéticos substituíram gradualmente os corantes orgânicos e os pigmentos minerais. O azul-escuro tornou-se uma cor comum nos uniformes militares e, posteriormente, no final do século XX, nos ternos executivos. Como o azul é frequentemente associado à harmonia, foi escolhido como a cor das bandeiras da Organização das Nações Unidas e da União Europeia.[3]
Nos Estados Unidos e em toda a Europa, o azul é a cor que homens e mulheres têm maior probabilidade de escolher como favorita; pelo menos uma pesquisa recente encontrou o mesmo resultado em vários outros países, entre eles China, Malásia e Indonésia.[4][5] Pesquisas anteriores realizadas nos Estados Unidos e na Europa constataram que o azul é a cor mais comumente associada à harmonia, confiança, masculinidade, conhecimento, inteligência, calma, distância, infinito, imaginação, frio e tristeza.[6]
Óptica e teoria das cores
[editar | editar código]O termo azul geralmente descreve as cores percebidas pelos seres humanos ao observarem luz com comprimento de onda dominante entre aproximadamente 450 e 495 nanômetros.[7] Os azuis de frequência mais elevada e, portanto, de menor comprimento de onda apresentam-se gradualmente mais violetas, enquanto os de frequência mais baixa e maior comprimento de onda parecem progressivamente mais cianos. Os azuis mais puros encontram-se no centro desse intervalo, por exemplo, em torno de 470 nanômetros.
Isaac Newton incluiu o azul como uma das sete cores em sua primeira descrição do espectro visível.[8] Ele escolheu sete cores porque esse era o número de notas da escala musical, que acreditava estar relacionada ao espectro óptico. Newton incluiu o anil, tonalidade situada entre o azul e o violeta, como uma cor separada, embora atualmente seja classificada como azul.[9]
Na teoria tradicional das cores, o azul é uma das três cores primárias — vermelho, amarelo e azul —, que podem ser misturadas para formar uma gama razoável de cores, embora o modelo moderno CMY consiga produzir uma gama muito mais ampla. A mistura de vermelho e amarelo forma o laranja; a de amarelo e azul, o verde; e a de azul e vermelho, o roxo. A mistura das três cores primárias produz um marrom-escuro. A partir do Renascimento, os pintores utilizaram esse sistema para criar suas cores (ver RYB).
O modelo RYB já era utilizado na impressão em cores por Jacob Christoph Le Blon em 1725. Posteriormente, os impressores descobriram que poderiam produzir cores mais precisas empregando combinações de tintas ciano, magenta, amarela e preta, aplicadas em chapas separadas e sobrepostas uma a uma sobre o papel. Esse método permitia reproduzir quase todas as cores com precisão razoável.
- Mistura aditiva de cores. A combinação de cores primárias produz cores secundárias nas áreas em que duas delas se sobrepõem; a combinação de vermelho, verde e azul, cada uma em intensidade máxima, produz o branco.
- Subpíxeis vermelhos, verdes e azuis em uma tela de cristal líquido.
No círculo cromático HSV, a cor complementar do azul é o amarelo, isto é, uma cor correspondente a uma mistura em partes iguais de luz vermelha e verde. Em um círculo cromático baseado na teoria tradicional das cores (RYB), no qual o azul era considerado uma cor primária, sua cor complementar é o laranja.[10]
LED
[editar | editar código]Em 1993, LEDs azuis de alto brilho foram demonstrados por Shuji Nakamura, da Nichia Corporation.[11][12][13] Paralelamente, Isamu Akasaki e Hiroshi Amano, da Universidade de Nagoya, trabalhavam em um novo desenvolvimento que revolucionou a iluminação por LED.[14][15]
Nakamura recebeu o Prêmio de Tecnologia do Milênio de 2006 por sua invenção.[16] Nakamura, Amano e Akasaki receberam o Prêmio Nobel de Física de 2014 pela invenção de um LED azul eficiente.[17]
Lasers
[editar | editar código]Os lasers que emitem na região azul do espectro tornaram-se amplamente disponíveis ao público em 2010, com o lançamento de uma tecnologia barata de lasers díodo de alta potência, com comprimento de onda entre 445 e 447 nm.[18] Antes disso, os comprimentos de onda azuis somente podiam ser obtidos por meio de lasers DPSS, comparativamente caros e ineficientes, mas ainda amplamente empregados por cientistas em aplicações como optogenética, espectroscopia Raman e velocimetria por imagem de partículas, devido à qualidade superior de seus feixes.[19] Os lasers a gás azuis também continuam sendo utilizados com frequência em holografia, sequenciamento de DNA, bombeamento óptico e outras aplicações científicas e médicas.
Tonalidades e variações
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O azul é a cor da luz situada entre o violeta e o ciano no espectro visível. Entre suas tonalidades estão o anil e o azul ultramarino, mais próximos do violeta; o azul puro, sem mistura de outras cores; o azur, uma tonalidade azul mais clara semelhante à cor do céu; o ciano, situado no meio do espectro entre o azul e o verde; e outros tons azul-esverdeados, como o turquesa, o verde-azulado e o água-marinha.[20][21]
O azul também varia em tonalidade ou matiz: os tons mais escuros contêm preto ou cinza, enquanto os mais claros contêm branco. Entre as tonalidades escuras estão o azul ultramarino, o azul cobalto, o azul-marinho e o azul da Prússia; entre as mais claras estão o azul-celeste, o azur e o azul egípcio (para uma relação mais completa, ver a lista de cores).
Como cor estrutural
[editar | editar código]Na natureza, muitos fenômenos azuis resultam da coloração estrutural, produzida pela interferência entre reflexões provenientes de duas ou mais superfícies de filmes finos, combinada com a refração quando a luz entra nesses filmes e sai deles. A geometria determina que, em certos ângulos, a luz refletida pelas duas superfícies interfira construtivamente, enquanto, em outros, interfira destrutivamente. Assim, surgem diversas cores mesmo na ausência de corantes.[22]
Corantes
[editar | editar código]- Azul YInMn
Azuis artificiais
[editar | editar código]O azul egípcio, primeiro pigmento artificial, foi produzido no Egito Antigo no terceiro milênio a.C. É obtido pelo aquecimento de areia pulverizada, cobre e natrão. Era usado em pinturas tumulares e objetos funerários para proteger os mortos na vida após a morte. Antes do século XVIII, os corantes azuis empregados em obras de arte eram principalmente baseados no lápis-lazúli e no mineral relacionado azul ultramarino. Um avanço ocorreu em 1709, quando o farmacêutico e fabricante de pigmentos alemão Johann Jacob Diesbach descobriu o azul da Prússia. O novo azul surgiu de experimentos que envolviam o aquecimento de sangue seco com sulfetos de ferro e foi inicialmente denominado Berliner Blau. Em 1710, já era utilizado pelo pintor francês Antoine Watteau e, posteriormente, por seu sucessor, Nicolas Lancret. Tornou-se extremamente popular na fabricação de papel de parede e, no século XIX, foi amplamente utilizado por pintores impressionistas franceses.[23] A partir da década de 1820, o azul da Prússia foi importado pelo Japão através do porto de Nagasaki. Era chamado bero-ai, ou azul de Berlim, e tornou-se popular porque não desbotava como o pigmento azul tradicional japonês ai-gami, produzido a partir da trapoeraba. O azul da Prússia foi utilizado tanto por Hokusai, em suas pinturas de ondas, quanto por Hiroshige.[24]
Em 1799, o químico francês Louis Jacques Thénard produziu um pigmento sintético de azul cobalto que se tornou extremamente popular entre os pintores.
Em 1824, a Societé pour l'Encouragement d'Industrie, na França, ofereceu um prêmio pela invenção de um azul ultramarino artificial capaz de rivalizar com a cor natural produzida a partir do lápis-lazúli. O prêmio foi conquistado em 1826 pelo químico Jean Baptiste Guimet, que se recusou a revelar a fórmula da cor. Em 1828, outro cientista, Christian Gmelin, então professor de química em Tübingen, descobriu o processo e publicou sua fórmula. Isso deu início a uma nova indústria de fabricação de azul ultramarino artificial, que posteriormente substituiu quase por completo o produto natural.[25]
Em 1878, a empresa química e de corantes alemã Badische Anilin- und Soda-Fabrik (BASF), dirigida pelo químico Adolf von Baeyer, sintetizou o índigo.[26] O produto substituiu rapidamente o índigo natural, eliminando vastas plantações dedicadas a seu cultivo. Atualmente, é o azul dos jeans. Com o avanço da química orgânica, foi descoberta uma sucessão de corantes azuis sintéticos, entre eles o azul de indantrona, ainda mais resistente ao desbotamento durante a lavagem ou sob a luz solar, e a ftalocianina de cobre. O trabalho da BASF com o azul de indantrona foi um subproduto de seus 17 anos de pesquisa sobre a síntese do índigo e da versão "Indigo Pure BASF", que seria produzida comercialmente antes de o azul de indantrona se tornar mais popular.[27]
- O Menino Azul (1770), com corantes de lápis-lazúli, índigo e cobalto,[28]
- A Grande Onda de Kanagawa ilustra o uso do azul da Prússia
- Fábrica de corante índigo sintético na Alemanha, em 1890.
Corantes para tecidos e alimentos
[editar | editar código][29] O pastel-dos-tintureiros e a anileira-verdadeira eram utilizados no passado, mas, desde o início do século XX, todo o índigo é sintético. Produzido em escala industrial, o índigo é o azul dos jeans. Os corantes azuis são compostos orgânicos, tanto sintéticos quanto naturais.
Em alimentos, o corante triarilmetano azul brilhante FCF é utilizado em doces. Prossegue a busca por corantes azuis naturais e estáveis adequados à indústria alimentícia.[29]
Diversos alimentos com sabor de framboesa são tingidos de azul. Isso foi feito para diferenciá-los dos alimentos com sabor de morango, melancia e cereja.[30] A empresa ICEE utilizou o Azul n.º 1 em seus produtos ICEE de framboesa azul.
- Iogurte congelado de framboesa azul com gotas de chocolate branco, coco e cerejas.
- Balas de goma azuis da Haribo com sabor de framboesa.
- Bala Jolly Rancher Hard Candy Stix com sabor de framboesa azul.
- Estrutura química do índigo, um corante azul produzido em larga escala. Os jeans azuis contêm de 1 a 3% desse composto orgânico em massa.
- Estrutura química do C.I. Acid Blue 9, corante comumente utilizado em doces.
Pigmentos para pintura e vidro
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Os pigmentos azuis eram produzidos a partir de minerais, especialmente o lápis-lazúli e seu parente próximo, o azul ultramarino. Esses minerais eram triturados, moídos até se transformarem em pó e depois misturados a um aglutinante de secagem rápida, como a gema de ovo, na pintura a têmpera, ou a um óleo de secagem lenta, como o óleo de linhaça, na pintura a óleo. Dois pigmentos azuis inorgânicos, porém sintéticos, são o azul cerúleo — principalmente estanato de cobalto(II): Co
2SnO
4 — e o azul da Prússia — azul Milori: principalmente Fe
7(CN)
18. O cromóforo do vidro e dos esmaltes azuis é o cobalto(II). Diversos sais de cobalto(II), como o carbonato de cobalto ou o aluminato de cobalto(II), são misturados à sílica antes da queima. O cobalto ocupa posições que, de outro modo, seriam preenchidas por silício.
Tintas
[editar | editar código]O azul de metila é o pigmento azul predominante nas tintas utilizadas em canetas.[31] A produção de cianótipos envolve a formação de azul da Prússia in situ.
Compostos inorgânicos
[editar | editar código]Certos íons metálicos formam caracteristicamente soluções ou sais azuis. De alguma importância prática, o cobalto é utilizado para produzir esmaltes e vidros de azul intenso. Nesses materiais, ele substitui íons de silício ou alumínio. O cobalto é o cromóforo azul dos vitrais, como os das catedrais góticas, e da porcelana chinesa desde a dinastia Tang. O cobre(II) (Cu2+) também produz diversos compostos azuis, incluindo o sulfato de cobre(II) (CuSO4.5H2O), um algicida comercial. De modo semelhante, sais e soluções de vanadila costumam ser azuis, como o sulfato de vanadila.
Na natureza
[editar | editar código]Céu e mar
[editar | editar código]Quando a luz solar atravessa a atmosfera, os comprimentos de onda azuis são espalhados mais amplamente pelas moléculas de oxigênio e nitrogênio, fazendo com que mais luz azul chegue aos olhos. Esse fenômeno é denominado dispersão de Rayleigh, em homenagem a lorde Rayleigh, e foi confirmado por Albert Einstein em 1911.[32][33]
O mar parece azul principalmente pela mesma razão: a água absorve os comprimentos de onda mais longos da luz vermelha e reflete e dispersa a luz azul, que chega aos olhos do observador. Quanto maior a profundidade, mais escuro se torna o azul. Em mar aberto, apenas cerca de 1% da luz penetra até a profundidade de 200 metros (ver ambiente subaquático e zona eufótica).
A cor do mar também é influenciada pela cor do céu, refletida pelas partículas presentes na água, bem como pelas algas e pela vegetação aquática, que podem deixá-lo esverdeado, ou pelos sedimentos, que podem fazê-lo parecer marrom.[34]
Quanto mais distante está um objeto, mais azul ele geralmente parece aos olhos. Por exemplo, montanhas distantes costumam parecer azuis. Esse é o efeito da perspectiva atmosférica: quanto mais longe do observador se encontra o objeto, menor é o contraste entre ele e a cor do fundo, normalmente azul. Em uma pintura cujas diferentes partes da composição sejam azuis, verdes e vermelhas, o azul parecerá mais distante, enquanto o vermelho parecerá mais próximo do observador. Quanto mais fria é uma cor, mais distante ela parece.[35] A luz azul é mais espalhada pelos gases da atmosfera do que os outros comprimentos de onda, daí a expressão "planeta azul".
- Halo azul da Terra visto do espaço
- Outro exemplo de dispersão de Rayleigh
- O mar
Minerais
[editar | editar código]- Pigmento azul ultramarino natural
Algumas das gemas mais desejadas são azuis, entre elas a safira e a tanzanita. Os compostos de cobre(II) são caracteristicamente azuis, assim como muitos minerais que contêm cobre.
A azurita (Cu
3(CO
3)
2(OH)
2)''";, de cor azul intensa, foi utilizada durante a Idade Média, mas é um pigmento instável, que perde a cor especialmente em condições secas. O lápis-lazúli, extraído no Afeganistão há mais de três mil anos, era empregado em joias e ornamentos e, posteriormente, triturado e pulverizado para ser utilizado como pigmento. Quanto mais era moído, mais clara se tornava sua cor azul. O azul ultramarino natural, produzido pela moagem do lápis-lazúli até formar um pó fino, era o melhor pigmento azul disponível na Idade Média e no Renascimento. Era extremamente caro e, na arte do Renascimento italiano, costumava ser reservado às vestes da Virgem Maria.
Plantas e fungos
[editar | editar código]- Primula acaulis
- Glória-da-manhã (Ipomoea acuminata)
- Vaccinium corymbosum
- Flor azul de delfínio
- Flor azul de tremoço, Lupinus pilosus
Grandes esforços têm sido dedicados às flores azuis e à possibilidade de utilizar corantes azuis naturais como corantes alimentícios.[29] Em geral, as cores azuis das plantas são produzidas por antocianinas, "o maior grupo de pigmentos solúveis em água amplamente encontrado no reino vegetal".[37] Nas poucas plantas que utilizam coloração estrutural, cores brilhantes são produzidas por estruturas localizadas no interior das células. A coloração azul mais brilhante conhecida em um tecido vivo é encontrada nos frutos de aparência marmorizada de Pollia condensata, nos quais uma estrutura espiral de fibrilas de celulose dispersa a luz azul. O fruto do quandong (Santalum acuminatum) pode parecer azul em razão do mesmo efeito.[29]
Animais
[editar | editar código]- Os azulões-índigo têm penas iridescentes.
- Saliências faciais azuis de um mandril
- O peixe-mandarim é uma das poucas espécies animais que possuem pigmento azul
Animais com pigmentação azul são relativamente raros.[38] Entre os exemplos estão borboletas do gênero Nessaea, nas quais o azul é produzido pela pterobilina.[39] Outros pigmentos azuis de origem animal incluem a forcabilina, utilizada por outras borboletas dos gêneros Graphium e Papilio — especificamente P. phorcas e P. weiskei —, e a sarpedobilina, utilizada por Graphium sarpedon.[40] Organelas com pigmentação azul, conhecidas como "cianossomos", existem nos cromatóforos de pelo menos duas espécies de peixes, o peixe-mandarim e o peixe-dragão-pitoresco.[41] Mais comumente, a cor azul dos animais é uma coloração estrutural, efeito de interferência óptica induzido por escamas ou fibras organizadas de dimensões nanométricas. Entre os exemplos estão a plumagem de aves como o gaio-azul e o azulão-índigo,[42] as escamas de borboletas como a borboleta-morfo,[43] as fibras de colágeno da pele de algumas espécies de macacos e gambás,[44] e as células iridóforas de alguns peixes e anfíbios.[45][46]
Olhos
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Os olhos azuis não contêm pigmento azul. A cor dos olhos é determinada por dois fatores: a pigmentação da íris[47][48] e a dispersão da luz pelo meio túrbido do estroma da íris.[49] Nos seres humanos, a pigmentação da íris varia do castanho-claro ao preto. A aparência dos olhos azuis, verdes e cor de avelã resulta da dispersão de Tyndall da luz no estroma, efeito óptico semelhante ao responsável pela cor azul do céu.[49][50] As íris das pessoas de olhos azuis contêm menos melanina escura do que as das pessoas de olhos castanhos, o que significa que absorvem menos luz azul de curto comprimento de onda, que, em vez disso, é refletida para o observador. A cor dos olhos também varia de acordo com as condições de iluminação, especialmente nos olhos de tonalidade mais clara.
Os olhos azuis são mais comuns na Irlanda, na região do mar Báltico e na Europa Setentrional,[51] e também são encontrados na Europa Oriental, na Europa Central e na Europa Meridional. Também ocorrem em partes da Ásia Ocidental, sobretudo no Afeganistão, na Síria, no Iraque e no Irã.[52] Na Estônia, 99% das pessoas têm olhos azuis.[53][54] Na Dinamarca, em 1978, apenas 8% da população tinha olhos castanhos; em razão da imigração, atualmente essa proporção é de cerca de 11%.[54] Na Alemanha, aproximadamente 75% das pessoas têm olhos azuis.[54]
Nos Estados Unidos, em 2006, uma em cada seis pessoas — 16,6% da população total — e 22,3% da população branca tinham olhos azuis, em comparação com cerca da metade dos norte-americanos nascidos em 1900 e um terço dos nascidos em 1950. Os olhos azuis estão se tornando menos comuns entre as crianças norte-americanas. Nos Estados Unidos, os homens têm de 3 a 5% mais probabilidade de possuir olhos azuis do que as mulheres.[51]
História
[editar | editar código]No mundo antigo
[editar | editar código]- Tigela de lápis-lazúli do Irã, do final do terceiro ao início do segundo milênio a.C. (Museu do Louvre)
- Cálice trípode de azul egípcio que imita o lápis-lazúli. Mesopotâmia meridional (1399–1200 a.C.)
- Afresco de Polifemo e Galateia, de Pompeia, com uso de azul egípcio (século I a.C.) (Museu Metropolitano de Arte)
Já no sétimo milênio a.C., o lápis-lazúli era extraído nas minas de Sar-i Sang,[55] em Shortugai, e em outras minas da província de Badaquexão, no nordeste do Afeganistão.[56]
Artefatos de lápis-lazúli datados de 7570 a.C. foram encontrados em Bhirrana, o sítio mais antigo da Civilização do Vale do Indo.[57] O lápis-lazúli era altamente valorizado por essa civilização (7570–1900 a.C.).[57][58][59] Contas de lápis-lazúli foram encontradas em sepulturas neolíticas em Mehrgarh, no Cáucaso e até mesmo na Mauritânia.[60] A pedra foi utilizada na máscara funerária de Tutancâmon (1341–1323 a.C.).[61]
A palavra que designava o azul era relativamente rara em muitas formas da arte e da decoração antigas e até mesmo na literatura da Antiguidade. Os poetas da Grécia Antiga descreviam o mar como verde, marrom ou "da cor do vinho". A cor é mencionada diversas vezes na Bíblia Hebraica como tekhelet. Vermelhos, pretos, marrons e ocres são encontrados em pinturas rupestres do Paleolítico Superior, mas não o azul. A cor tampouco foi utilizada no tingimento de tecidos até muito depois do vermelho, do ocre, do rosa e do roxo. Isso provavelmente se deve à persistente dificuldade de produzir corantes e pigmentos azuis. Por outro lado, a raridade do pigmento azul tornava-o ainda mais valioso.[62]
Os primeiros corantes azuis conhecidos eram produzidos a partir de plantas — pastel-dos-tintureiros na Europa e índigo na Ásia e na África —, enquanto os pigmentos azuis eram obtidos de minerais, geralmente lápis-lazúli ou azurita, e exigiam maior processamento.[63] Os esmaltes azuis constituíam outro desafio, pois os primeiros corantes e pigmentos dessa cor não eram resistentes ao calor. Por volta de c. 2500 a.C., o esmalte azul egípcio foi introduzido na cerâmica e em muitos outros objetos.[64][65] Os gregos importavam o corante índigo da Índia, chamando-o indikon, e pintavam com azul egípcio. O azul não figurava entre as quatro cores primárias da pintura grega descritas por Plínio, o Velho — vermelho, amarelo, preto e branco. Para os romanos, era a cor do luto e também dos bárbaros. Segundo relatos, celtas e germanos tingiam o rosto de azul para assustar seus inimigos e pintavam o cabelo dessa cor quando envelheciam.[66] Os romanos utilizaram extensamente o índigo e o pigmento azul egípcio, como demonstram, em parte, os afrescos de Pompeia.
Os romanos possuíam numerosas palavras para designar variedades de azul, entre elas caeruleus, caesius, glaucus, cyaneus, lividus, venetus, aerius e ferreus. Contudo, duas palavras, ambas de origem estrangeira, mostraram-se mais duradouras: blavus, derivada do termo germânico blau, que posteriormente deu origem a bleu e blue; e azureus, derivada da palavra árabe lazaward, que deu origem a azure.[67]
O azul era amplamente utilizado na decoração das igrejas do Império Bizantino.[68] Em contraste, no mundo islâmico, ocupava uma posição secundária em relação ao verde, considerado a cor favorita do profeta Maomé. Em determinados períodos, em Al-Andalus e em outras partes do mundo islâmico, o azul era a cor usada por cristãos e judeus, pois somente os muçulmanos podiam vestir branco e verde.[69]
Na Idade Média
[editar | editar código]- Vitral da Basílica de Saint-Denis (1130–1140), colorido com azul cobalto
- Detalhe da Janela da Virgem Azul, na Catedral de Chartres (século XII)
- O Díptico de Wilton (1395–1399). A Virgem Maria era tradicionalmente representada de azul (século XIV)
Na arte e na vida europeias do início da Idade Média, o azul desempenhava um papel secundário. Isso mudou drasticamente entre 1130 e 1140, em Paris, quando o abade Suger reconstruiu a Basílica de Saint-Denis. Suger considerava a luz a manifestação visível do Espírito Santo.[70] Ele instalou vitrais coloridos com cobalto que, combinados com a luz dos vidros vermelhos, preenchiam a igreja com uma luminosidade violeta-azulada. A igreja tornou-se uma maravilha do mundo cristão, e a cor ficou conhecida como "bleu de Saint-Denis". Nos anos seguintes, vitrais azuis ainda mais elegantes foram instalados em outras igrejas, entre elas a Catedral de Chartres e a Sainte-Chapelle, em Paris.[71]
No século XII, a Igreja Católica Romana determinou que os pintores da Itália — e, consequentemente, do restante da Europa — representassem a Virgem Maria de azul, cor que passou a ser associada à santidade, à humildade e à virtude. Nas pinturas medievais, o azul era utilizado para atrair a atenção do observador para a Virgem Maria. Pinturas do mítico rei Artur passaram a representá-lo vestido de azul. O brasão dos reis da França tornou-se um escudo azur ou azul-claro, salpicado de flores-de-lis douradas. O azul saiu da obscuridade e tornou-se a cor da realeza.[72]
Do Renascimento ao século XVIII
[editar | editar código]O azul passou a ser utilizado de modo mais amplo a partir do Renascimento, quando os artistas começaram a pintar o mundo com perspectiva, profundidade, sombras e luz proveniente de uma única fonte. Nas pinturas renascentistas, os artistas procuravam criar harmonias entre o azul e o vermelho, clareando o azul com tinta branca à base de chumbo e acrescentando sombras e realces. Rafael dominava essa técnica e equilibrava cuidadosamente os vermelhos e os azuis para que nenhuma cor predominasse na composição.[73]
O azul ultramarino era o azul mais prestigioso do Renascimento e custava mais do que o ouro. Mecenas abastados encomendavam obras com os azuis mais caros disponíveis. Em 1616, Richard Sackville encomendou a Isaac Oliver um retrato seu com três azuis diferentes, incluindo pigmento ultramarino nas meias.[74]
- Retrato de Richard Sackville (1616), com três azuis caros, incluindo azul ultramarino nas meias
- Vaso de porcelana da dinastia Ming, pintado com azul cobalto sob esmalte transparente (século XV) (Museu Metropolitano de Arte)
- Placa de cerâmica de Delft pintada com azul cobalto (1683) (Rijksmuseum, Amsterdã)
- Retrato do rei Luís XIV com trajes de coroação, por Hyacinthe Rigaud (c. 1700) (Museu do Louvre)
- Urna de Josiah Wedgwood (década de 1780) (Museu Metropolitano de Arte)
- Rainha Maria I de Portugal (final do século XVIII)
Uma indústria de fabricação de cerâmica refinada azul e branca surgiu no século XIV em Jingdezhen, na China, utilizando porcelana chinesa branca decorada com padrões de azul cobalto importado da Pérsia. Inicialmente, essas peças eram produzidas para a família do imperador da China; posteriormente, passaram a ser exportadas para todo o mundo, com desenhos adaptados aos temas e gostos europeus. O estilo azul chinês também foi adotado por artesãos neerlandeses da cerâmica de Delft e por artesãos ingleses de Staffordshire nos séculos XVII e XVIII. No século XVIII, porcelanas azuis e brancas eram produzidas por Josiah Wedgwood e outros artesãos britânicos.[75]
Séculos XIX e XX
[editar | editar código]- Beau Brummell (1776–1840) introduziu o precursor do terno azul moderno
- Rainha Maria II de Portugal com vestido azul e bordado a ouro (1835)
- Garimpeiro da Califórnia usando jeans azuis (1853)
- Isabel, Princesa Imperial do Brasil, com vestido azul-claro (1853)
- Policiais de Nova Iorque em 1871
O início do século XIX testemunhou o surgimento do precursor do moderno terno azul de negócios, criado por Beau Brummell (1776–1840), que ditava a moda na corte londrina. O período também viu a invenção dos jeans azuis, vestimenta de trabalho que se tornou extremamente popular, criada em 1853 por Jacob W. Davis, que utilizou rebites metálicos para reforçar roupas de trabalho de denim azul nos campos auríferos da Califórnia. A invenção foi financiada pelo empresário de São Francisco Levi Strauss e difundiu-se por todo o mundo.[76]
- Noite Estrelada Sobre o Ródano (1888), de Van Gogh. O azul foi utilizado para criar uma disposição de espírito ou atmosfera: céu azul cobalto e água em cobalto ou ultramarino.
- A Conversa, de Henri Matisse (1908–1912)
Reconhecendo a força emocional do azul, muitos artistas tornaram-no o elemento central de suas pinturas nos séculos XIX e XX. Entre eles estavam Pablo Picasso, Pavel Kuznetsov e o grupo artístico Rosa Azul, bem como Kandinsky e a escola Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul).[77] Henri Matisse expressou emoções profundas com a cor: "Um certo azul penetra sua alma".[78] Na segunda metade do século XX, pintores do movimento expressionista abstrato empregaram azuis para inspirar ideias e emoções. O pintor Mark Rothko afirmou que a cor era "apenas um instrumento"; seu interesse estava "em expressar emoções humanas: tragédia, êxtase, condenação e assim por diante".[79]
Na sociedade e na cultura
[editar | editar código]Uniformes
[editar | editar código]- O azul-marinho recebeu esse nome por causa do uniforme dos oficiais da Marinha Real Britânica
- Agentes da Administração de Segurança dos Transportes
- Policial ucraniano em Donetsk
- Policiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
No século XVII, o príncipe-eleitor de Brandemburgo, Frederico Guilherme I da Prússia, escolheu o azul da Prússia como nova cor dos uniformes militares prussianos, pois era produzido com pastel-dos-tintureiros, uma cultura local, em vez do índigo, produzido pelas colônias da Inglaterra, rival de Brandemburgo. A cor foi usada pelo Exército alemão até a Primeira Guerra Mundial, com exceção dos soldados da Baviera, que vestiam azul-celeste.[80]
Em 1748, a Marinha Real Britânica adotou uma tonalidade azul-escura no uniforme dos oficiais.[76] Inicialmente conhecida como marine blue, hoje a cor é chamada de azul-marinho.[81] A milícia organizada por George Washington escolheu o azul e o bege-amarelado, cores do Partido Whig britânico. O azul permaneceu como a cor do uniforme de campanha do Exército dos Estados Unidos até 1902 e continua sendo a cor do uniforme de gala.[82]
No século XIX, as forças policiais do Reino Unido, entre elas a Polícia Metropolitana e a Polícia da Cidade de Londres, também adotaram uniformes azul-marinho. Tradições semelhantes foram adotadas na França e na Áustria.[83] Por volta da mesma época, a cor também passou a ser utilizada nos uniformes dos oficiais do Departamento de Polícia da Cidade de Nova Iorque.[76]
Gênero
[editar | editar código]O azul é utilizado para representar pessoas do sexo masculino. Iniciada como tendência em meados do século XIX e aplicada principalmente às roupas, a associação do azul ao gênero tornou-se mais difundida a partir da década de 1950. A cor passou a ser associada aos homens após a Segunda Guerra Mundial.[84]
- Placa de banheiro em um Boeing 767-300 da All Nippon Airways, que utiliza rosa para o gênero feminino e azul para o masculino.
- Bolo que utiliza o azul para representar o sexo masculino.
- Roupa azul-bebê para recém-nascido do sexo masculino
Religião
[editar | editar código]- Cúpulas azuis da igreja dedicada a São Espiridão em Firostefani, na ilha de Santorini, Grécia
- Azul persa na Mesquita do Xá (século XVI), em Isfahan, Irã
- Azul no judaísmo: na Torá,[85] os israelitas receberam a ordem de colocar franjas, chamadas tzitzit, nas extremidades de suas vestes e de tecer nessas franjas um "fio azul retorcido (tekhelet)".[86] Na Antiguidade, esse fio azul era produzido com um corante extraído de um caracol mediterrâneo denominado hilazon. Maimônides afirmou que esse azul tinha a cor do "céu límpido ao meio-dia"; Rashi, a cor do céu ao entardecer.[87] Segundo vários sábios rabínicos, o azul é a cor da Glória de Deus.[88] Contemplar essa cor auxilia a meditação, oferecendo um vislumbre do "pavimento de safira, como o próprio céu em sua pureza", semelhante ao Trono de Deus.[89] (A palavra hebraica para glória.) Muitos objetos do Mishkan, o santuário portátil no deserto, como a menorá, diversos utensílios e a Arca da Aliança, eram cobertos com tecido azul quando transportados de um lugar para outro.[90]
- Azul no cristianismo: o azul é particularmente associado à Virgem Maria. Isso resultou de um decreto do papa Gregório I (540–601), que determinou que todas as pinturas religiosas deveriam contar uma história claramente compreensível a todos os observadores e que as figuras fossem facilmente reconhecíveis, especialmente Maria. Quando aparecia sozinha na imagem, sua roupa geralmente era pintada com o azul de melhor qualidade, o azul ultramarino. Quando aparecia com Cristo, sua vestimenta costumava ser pintada com um pigmento mais barato, para que não o ofuscasse.[91][92][93][94]
- Azul no hinduísmo: muitos deuses são representados com pele azul, sobretudo os associados a Vishnu, considerado o preservador do mundo e, portanto, intimamente ligado à água. Krishna e Rama, avatares de Vishnu, costumam ser representados com pele azul. Shiva, a divindade destruidora, também é representado em uma tonalidade azul-clara e recebe o nome de Nīlakaṇṭha, ou "o de garganta azul", por ter engolido veneno para salvar o Universo durante o Samudra Manthana, a agitação do oceano de leite. O azul é utilizado para representar simbolicamente o quinto chakra, o da garganta (Vishuddha).[95]
- Azul no siquismo: os guerreiros Akali Nihang vestem-se inteiramente de azul. Guru Gobind Singh também possui um cavalo ruão-azulado. O Sikh Rehat Maryada estabelece que o Nishan Sahib hasteado diante de cada gurdwara deve ser amarelo açafrão — Basanti, em panjabi — ou azul-acinzentado — correspondente ao atual azul-marinho e chamado Surmaaee em panjabi.[96][97]
Esportes
[editar | editar código]- Seleção sérvia de voleibol nos Jogos Olímpicos de 2012
- Jogador de basquete dos Blue Devils no Cassell Coliseum
Nos esportes, o azul aparece amplamente nos uniformes, em parte porque a maioria das seleções nacionais veste as cores de sua bandeira. Por exemplo, a seleção masculina de futebol da França é conhecida como Les Bleus ("Os Azuis"). Da mesma forma, as seleções da Argentina, da Itália e do Uruguai vestem camisas azuis.[98] A Confederação Asiática de Futebol e a Confederação de Futebol da Oceania utilizam texto azul em seus logotipos. A cor tem forte presença no beisebol — como no Toronto Blue Jays —, no basquete, no futebol americano e no hóquei no gelo. A Seleção Indiana de Críquete usa uniforme azul nas partidas de One Day International e, por isso, também é conhecida como "Homens de Azul".[99]
Política
[editar | editar código]- Bandeira da Organização das Nações Unidas, em tonalidade próxima do azul-celeste
- A bandeira da União Europeia utiliza o "azul reflex", um azul médio-escuro
- Mapa das eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2008 a 2020. Os estados que votam de modo consistente nos democratas são chamados de "estados azuis".
Diferentemente do vermelho ou do verde, o azul não era fortemente associado a um país, religião ou movimento político específico. Como cor da harmonia, foi escolhido para as bandeiras da Organização das Nações Unidas, da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte.[100] Na política, o azul é frequentemente utilizado como a cor dos partidos conservadores, em contraste com o vermelho associado aos partidos de esquerda.[101] Entre os partidos conservadores que utilizam a cor azul estão o Partido Conservador do Reino Unido,[102] o Partido Conservador do Canadá,[103] o Partido Liberal da Austrália,[104] o Partido Liberal do Brasil e o Likud, de Israel. Entretanto, em alguns países, o azul não está associado ao principal partido conservador. Nos Estados Unidos, o liberal Partido Democrata é associado ao azul, enquanto o conservador Partido Republicano é associado ao vermelho. Os estados norte-americanos vencidos pelo Partido Democrata em quatro eleições presidenciais consecutivas são chamados de "estados azuis", enquanto os vencidos pelo Partido Republicano são denominados "estados vermelhos".[105] A Coreia do Sul também utiliza esse modelo de cores: o Partido Democrático, de esquerda, usa o azul,[106] e o Partido do Poder Popular, de direita, usa o vermelho.
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