Arquitetura neobarroca
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A arquitetura neobarroca é uma corrente que se desenvolveu a partir da segunda metade do século XIX, paralelamente à neorrenascentista, retomando algumas características da arquitetura barroca.
Historiografia
[editar | editar código]No panorama europeu do século XX, o ressurgimento do interesse pelo barroco — tradicionalmente rejeitado como sinónimo de deformidade ou decadência — marca uma mudança profunda na sensibilidade contemporânea. O estilo passa a ser interpretado como o gérmen da modernidade. Esta tendência foi consolidada no congresso de Cerisy-la-Salle (1976), sob o lema: “Nous sommes entrés dans l’ère du baroque” (Entrámos na era do barroco)[1].
Nesta ótica, as "ruturas formais do barroco" foram conectadas às inovações das ciências e técnicas modernas. O conceito de neobarroco, explorado por teóricos como Gillo Dorfles e Omar Calabrese, passou a designar objetos culturais e espaciais caracterizados pela perda da integridade sistémica em favor da instabilidade, da polidimensonalidade e da mutabilidade[2]. As raízes desta redescoberta visual remontam à segunda metade do século XIX, influenciadas pelo princípio dionisíaco de Nietzsche — a tensão da arte em antítese com a serenidade apolínia. Na arquitetura, esta subversão culminou na valorização de formas anticlássicas, onde a exuberância decorativa da Art Nouveau e a obra de Antoni Gaudí surgem como manifestações fundamentais desta sensibilidade renovada.
A análise técnica mais rigorosa proveio de Heinrich Wölfflin, que em Renaissance und Barock (1888) definiu o barroco não como uma degenerescência, mas como a antítese do equilíbrio clássico. Wölfflin estabeleceu os traços distintivos deste estilo: movimento, procura da dissonância e a transição da forma fechada para a forma aberta[3]. Sobre esta base, Henri Focillon, em A Vida das Formas (1939), interpretou a categoria do barroco como uma fase necessária na evolução dos estilos. Para Focillon, o "estado barroco" é o momento em que as formas se expandem com particular vigor, proliferando livremente como um "monstro vegetal"[1].
Características e obras paradigmáticas
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O Neobarroco não levou a uma recuperação plena, no sentido da arquitetura revivalista, da linguagem de artistas como Gian Lorenzo Bernini, Francesco Borromini e Guarino Guarini. Isto fica evidente na Opera House de Paris, considerada a expressão máxima desta corrente.[4]. Foi projetado por Charles Garnier e construído entre 1861 e 1875 como parte do vasto planeamento urbano administrado por Barão Haussmann sob o império de Napoleão III. O teatro, embora remeta à renascentista italiana, apresenta um interior sumptuoso, fortemente articulado no sentido plástico (especialmente no foyer principal), tanto que no complexo a volumetria também emerge no perfil externo. Consequentemente, definir o teatro parisiense como neobarroco só é correto se o adjetivo for entendido no sentido de deslumbrante, grandioso e redundante, mas é impróprio se isso implicar a busca por elementos tipicamente barrocos.
Outro exemplo significativo é o Palácio da Justiça de Bruxelas, construído segundo um projeto de Joseph Poelaert a partir de 1866 e descrito pelos críticos como "a obra neobarroca mais pomposa e sobrecarregada do século XIX".[5].
Também merecem destaque a Opera House de Dresden (1878, com influências da arquitetura neorrenascentista, o Bode-Museum de Berlim (concluído em 1904), o Ashton Memorial em Lancaster (1907-1909) e o Palácio de Christiansborg em Copenhaga (primeira metade do século XX).
Na Itália, onde o estilo se enquadra no estilo Umbertino, é correto lembrar o Palácio da Justiça de Roma (atual sede da Suprema Corte de Cassação), projetada por Guglielmo Calderini por volta de 1884, para a qual convergem algumas reminiscências da Ópera de Garnier. Outro exemplo é o sede da Universidade Federico II de Nápoles, de Pierpaolo Quaglia e Guglielmo Melisurgo (1897 -1908).
Em comparação com outros estilos revivalistas (neoestilos) de meados do século XIX, as tendências neobarrocas manifestaram-se de forma menos definida e, na maioria dos casos, em conjugação com elementos do neogótico, do neorrococó e do neorrenascimento. Isto explica-se pelo facto de o estilo original do barroco italiano se ter formado no final do século XVI e início do XVII, baseando-se na reelaboração de elementos da arquitetura do classicismo romano do início do século XVI. Noutros países, como na Alemanha, Áustria e Chéquia do século XVIII, o estilo barroco teve uma origem distinta e outras características de desenvolvimento; incluía elementos do gótico tardio, de um maneirismo alemão peculiar e do rococó. Esta fusão específica é designada pelo termo "barroco alemão". Por conseguinte, no século XIX, o estilo neobarroco — sobretudo na arquitetura, no design de interiores e no mobiliário — orientado para diversos protótipos históricos, adquiriu um caráter eclético[6].
O próprio termo "neobarroco" foi utilizado na história da arte com múltiplos significados, alguns dos quais já caíram em desuso. Por exemplo, no século XIX, o neobarroco incluía a obra de pintores românticos da primeira metade do século — como Théodore Géricault e Eugène Delacroix — com base na semelhança de traços externos na dinâmica das composições, inerentes aos estilos históricos do barroco na Itália e na Flandres. Nestes casos, o conteúdo ideológico dos diferentes estilos era ignorado. Contudo, "a expressão romântica e as qualidades barrocas de um estilo artístico não são a mesma coisa"[7]. A obra do paisagista inglês John Constable também foi erroneamente classificada como neobarroca, embora no Reino Unido a arte barroca, ideologicamente ligada à visão do mundo católica, não tenha tido uma difusão significativa.
Na historiografia de língua inglesa, utiliza-se mais frequentemente o termo "Baroque Revival". Em variantes histórico-regionais peculiares, o estilo neobarroco difundiu-se na Rússia (principalmente em São Petersburgo), nas regiões ocidentais do Império Russo, na Polónia, na Chéquia e, após 1880, nos EUA. Alguns historiadores consideram que também chegou a países da América Latina e até ao Extremo Oriente, no Japão e na China[8], embora esta última afirmação seja bastante controversa.
Entre 1852 e 1868, o arquiteto francês Hector-Martin Lefuel decorou os interiores do Louvre para o imperador Napoleão III num novo estilo que unia elementos do império e do barroco. O estilo arquitetónico da época do Segundo Império em França (1852–1870) caracteriza-se precisamente por esta fusão de sumptuosidade e historicismo. Por essa razão, na história da arte, é denominado ora como estilo do Segundo Império, ora como neobarroco[9].
O edifício da Ópera de Paris (Ópera Garnier, 1860–1875) constitui o exemplo mais característico deste estilo. Para o seu projeto, Charles Garnier baseou-se no estilo dos palácios venezianos renascentistas do século XVI, reforçou os elementos barrocos e acrescentou o pathos do estilo império do tempo de Napoleão I. Exemplos semelhantes encontram-se nos interiores dos palacetes (hôtels) da nobreza parisiense nos Campos Elísios, decorados por Garnier[10]. É revelador que o próprio arquiteto não tenha definido o estilo que inventou, autodenominando-se simplesmente um eclético ("aquele que escolhe").
Outro monumento característico do "segundo barroco" é a Igreja da Santíssima Trindade em Paris (Théodore Ballu, 1860–1863), que combina na sua aparência traços neogóticos, neorrenascentistas e barrocos. O conjunto do palácio e parque de Linderhof, na Baviera (1869–1879), foi concebido pelo rei Luís II e pelo arquiteto Georg von Dollmann como uma imitação de Versalhes, mas nele, de acordo com as tendências da época, fundiram-se de forma eclética elementos do classicismo, barroco, rococó e até o "estilo mourisco" (num pequeno pavilhão). No final do século XIX, na véspera do período da Arte Nova (Jugendstil), os investigadores notam uma nova, embora breve, vaga de estilo neobarroco, que recebeu o nome de "terceiro barroco"[11].
Itália
[editar | editar código]Em Itália, este fôlego visual foi acompanhado pela crítica de arte de Roberto Longhi, que reabilitou o tenebrismo de Caravaggio, focando-se na unidade dramática entre luz e sombra. Simultaneamente, no período entre as duas guerras, o interesse pela pintura de seiscentos difundiu-se nas artes figurativas, culminando na Escola Romana (com Mario Mafai e Scipione).
Scipione, ao analisar El Greco, definiu os princípios de uma estética neobarroca baseada no elogio do ímpeto deformador que rompe com a geometria clássica. Este estilo manifesta-se no cromatismo fluido e quente das suas obras, onde a atmosfera escura e lampejante dos céus romanos e o tonalismo bruno-avermelhado expressam o drama do efémero e a tensão entre medida e desmesura[1].
Rússia
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As tendências do neobarroco refletiram-se de forma peculiar na arquitetura de São Petersburgo em meados do século XIX. Estão ligadas ao crescimento do interesse pelo passado histórico dos séculos XVII e XVIII. No entanto, uma vez que na história da cultura e arte russa não houve etapas de Renascimento nacional e maneirismo nos mesmos moldes da época renascentista da Europa Ocidental, não poderia existir na arte russa um estilo barroco "pleno". As funções renascentistas foram assumidas pelo barroco russo do século XVII — em essência, um maneirismo num desenvolvimento curto e "comprimido"[12][13]. Consequentemente, no século XIX, também não se formou um estilo neobarroco completo.
Por isso, mesmo em São Petersburgo, a cidade mais europeia do Império Russo, o período do historicismo e dos neoestilos do século XIX começou com a reprodução ou, como se dizia então, a "renovação na forma original" de monumentos do período do "barroco petrino" e de edifícios "ao gosto do conde Bartolomeo Rastrelli" do século XVIII. Estes modelos não representam a arquitetura barroca no sentido clássico, mas sim uma fusão peculiar da arquitetura renascentista, barroca e maneirista dos países do Norte da Europa e, no período de Isabel (Elisaveta), uma combinação fantasiosa de elementos do classicismo, barroco e rococó francês (Barroco Elisabetano)[14].
No estilo do "segundo barroco", foram decorados alguns interiores do Palácio de Inverno após o incêndio de 1837, sob a direção geral do arquiteto Vasily Stasov. Até a escadaria principal (Escadaria do Jordão) do palácio (obra de Rastrelli), reconstruída por Stasov, adquiriu traços barrocos que anteriormente não possuía. O estilo autêntico de Rastrelli de meados do século XVIII é classicista-barroco-rocaille e, segundo alguns investigadores, até mais rococó do que barroco[15]. Além disso, em meados do século XIX, predominava a opinião de que o "estilo bárbaro do conde Rastrelli" não era suficientemente refinado, exigindo modernização e "recriação"[16][17].
Os traços neobarrocos são evidentes no interior da Catedral de Santo Isaac em São Petersburgo (Auguste de Montferrand, 1818–1858), no Palácio Mariinsky, construído em estilo neorrenascentista por Andrei Stackenschneider (1839–1844), e na obra principal do "segundo barroco": o Palácio Beloselsky-Belozersky (1846–1848) na Perspetiva Nevsky da capital russa. Nas fachadas deste palácio, Stackenschneider seguiu a composição geral do Palácio Stroganov, erguido por Bartolomeo Rastrelli também na Perspetiva Nevsky um século antes. Contudo, a plasticidade poderosa da decoração de Rastrelli transformou-se, em Stackenschneider, numa ornamentação refinada, mas minuciosa e tipicamente alemã ("seca"), o que foi avaliado positivamente pela crítica da época como uma melhoria do estilo. A rigidez gráfica e a fragmentação distinguem, por norma, qualquer neoestilo do seu protótipo histórico. O mesmo acontece com muitos outros monumentos neobarrocos em São Petersburgo de meados e da segunda metade do século XIX.
Uma nova vaga de retrospetivismo no início do século XX, durante o período da Arte Nova e de um movimento artístico baseado na ideia de reviver os monumentos do barroco petrino como algo inerente a São Petersburgo desde a sua fundação, recebeu o nome de "renascimento de São Petersburgo"[18].
Alemanha
[editar | editar código]Sob a influência do wilhelminismo, o neobarroco representativo tornou-se o estilo predominante para edifícios públicos no Império Alemão, como edifícios governamentais, palácios da justiça ou bibliotecas. Exemplos incluem a Staatsbibliothek Unter den Linden, o Palácio da Justiça em Munique ou o edifício do Tribunal do Reich. Também as construções residenciais e a arquitetura de moradias (villas) por volta da virada do século orientaram-se frequentemente pelo neobarroco. No entanto, ocorriam frequentemente sobreposições ecléticas com outros estilos, como o Neorrenascimento. O Neoclassicismo e a Arte Nova (Jugendstil) substituíram progressivamente o neobarroco por volta de 1905. Quase já não utilizado em novas construções em 1910, o surgimento do Modernismo Clássico após a Primeira Guerra Mundial pôs fim definitivo ao neobarroco.
Na Áustria, a sua utilização tinha uma conotação "patriótica", uma vez que remetia ao florescimento cultural e à expansão política do início do século XVIII. Na sua fase tardia, o estilo coexistiu com a Arte Nova, a qual influenciou parcialmente. Em Viena, na Áustria, o Burgtheater foi concluído em 1888 neste estilo. Na Bélgica, destaca-se a igreja de São Josse, em Saint-Josse-ten-Noode, e, nos Estados Unidos, a igreja de São Francisco Xavier, em Manhattan, Nova Iorque.
França
[editar | editar código]O neobarroco é um estilo arquitetónico nascido em França em meados do século XIX que retoma a modenatura (proporções e disposições dos elementos de ornamentação) da arquitetura barroca.
O seu exemplo mais célebre em França é a Ópera Garnier, em Paris. Pode-se igualmente citar o Teatro do Capitólio de Toulouse, reconstruído e decorado em 1923 por Paul Pujol neste estilo.
O estilo encontrou um desenvolvimento particular nos países germânicos no final do século XIX e no início do século XX. Esta é uma das razões pela qual o encontramos frequentemente, tanto na arquitetura profana como na religiosa, na Lorena e na Alsácia. O monumento mais importante, tanto pelas suas elevações como pela sua decoração exterior, é a Igreja de São Fridolino de Mulhouse, erguida entre 1902 e 1906 pelo arquiteto Ludwig Becker. Outras igrejas distinguem-se pela qualidade da sua decoração interior, como a igreja de São Maurício de Freyming-Merlebach, construída de 1911 a 1913 e ricamente decorada por Paul Geissler, com vitrais de Zettler de Munique. Pode-se também mencionar a torre-pórtico da igreja paroquial de Seingbouse, construída pelo arquiteto Schatz de Sarreguemines entre 1870 e 1873.
Galeria de imagens
[editar | editar código]Notas
[editar | editar código]- 1 2 3 Baroncini, D. (2014). "Il ritorno del barocco". In: Storia della civiltà europea a cura di Umberto Eco. Roma: Treccani.
- ↑ Calabrese, O. (1987). L'età neobarocca. Roma: Laterza.
- ↑ Wölfflin, H. (1888). Renaissance und Barock. Munique: Ackermann.
- ↑ p. 536 Renato De Fusco
- ↑ N. Pevsner, J. Fleming, H. Honor, Dicionário de Arquitetura, Torino, Einaudi, 2005 & entrada Poelaert, Joseph Dicionário de Arquitetura.
- ↑ Bazin G. L’Art Baroque et le Rococo. Londres: Thames & Hudson, 1964.
- ↑ Novo Dicionário Enciclopédico de Artes Visuais. Em 10 vols. — São Petersburgo: Azbuka-Klassika. — Vol. VI, 2007. — P. 132.
- ↑ James Stevens Curl. Neo-Baroque. A Dictionary of Architecture and Landscape Architecture. — Encyclopedia. Oxford University Press, 2000.
- ↑ Vlasov V. G. "O Segundo Império, ou 'estilo do Segundo Império'" // Vlasov V. G. Novo Dicionário Enciclopédico de Artes Visuais. Em 10 vols. — São Petersburgo: Azbuka-Klassika. — Vol. II, 2004. — Pp. 690–693.
- ↑ Parigi. — Florença: Casa Editrice Bonechi, 1996. — Pp. 89–92.
- ↑ Goryunov V. S., Tubli M. P. Arquitetura da Época da Arte Nova. Conceitos. Direções. Mestres. — São Petersburgo: Stroyizdat, 1992. — Pp. 77–93.
- ↑ Kovalenskaya N. N. História da Arte Russa do Século XVIII. — Moscovo-Leningrado: Iskusstvo, 1940. — P. 5.
- ↑ Vipper B. R. Arquitetura do Barroco Russo. — Moscovo: Nauka, 1978. — P. 10.
- ↑ Burdyalo A. V. Neobarroco na Arquitetura de São Petersburgo. Ecletismo. Arte Nova. Neoclassicismo. — São Petersburgo: Iskusstvo-SPb., 2002.
- ↑ Loktev V. I. "B. Rastrelli e os problemas do barroco na arquitetura" // O Barroco nas Culturas Eslavas. — Moscovo: Nauka, 1982. — Pp. 299–315.
- ↑ Krasovsky A. K. Arquitetura Civil. — São Petersburgo, 1851. — Pp. 13–15.
- ↑ Bashutsky A. P. Renovação do Palácio de Inverno em São Petersburgo. — São Petersburgo, 1839. — Pp. 76–78.
- ↑ Vlasov V. G. "Neoclassicismo na arquitetura da Arte Nova russa e da Europa Ocidental" // Vlasov V. G. A Arte da Rússia no Espaço da Eurásia. — Em 3 vols. — São Petersburgo: Dmitry Bulanin, 2012. — Vol. 3. — Pp. 358–359.
Bibliografia
[editar | editar código]- Renato De Fusco (1980). L'architettura dell'Ottocento. Torino: Garzanti. ISBN 978-600-150-056-5
- Renato De Fusco (1999). Mille anni d'architettura in Europa. Bari: Laterza. ISBN 978-88-420-4295-2 Parâmetro desconhecido
|cid=ignorado (ajuda) - Robin Middleton; David Watkin (2001). Electa, ed. Architettura dell'Ottocento. Milano: [s.n.] ISBN 88-435-2465-8
- Nikolaus Pevsner; John Fleming; Hugh Honour (2005). Dizionario di architettura. Turim: Einaudi. ISBN 978-88-06-18055-3 Parâmetro desconhecido
|cid=ignorado (ajuda) - David Watkin (1990). Storia dell'architettura occidentale 4 ed. Bologna: Zanichelli. ISBN 978-88-08-19862-4
