The Weavers
The Weavers | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Origem | Greenwich Village, Nova Iorque, Estados Unidos |
| Gênero(s) | Folk |
| Período em atividade | 1948–1952, 1955–1964, 1980 (reuniões ocasionais entre 1964 e 1980) |
| Gravadora(s) | Decca, Vanguard, Loom |
The Weavers foi um quarteto estadunidense de música folclórica sediado na região de Greenwich Village, em Nova Iorque, formado originalmente por Lee Hays, Pete Seeger, Ronnie Gilbert e Fred Hellerman. Fundado em 1948, o grupo interpretava canções folclóricas tradicionais de diversas partes do mundo, além de blues, música gospel, canções infantis, canções trabalhistas e baladas estadunidenses. O grupo vendeu milhões de discos no auge de sua popularidade, incluindo a primeira canção folclórica a alcançar o primeiro lugar nas paradas de música popular, sua gravação de "Goodnight, Irene", de Lead Belly.
Apesar de sua popularidade, os Weavers foram incluídos em listas negras durante grande parte da década de 1950. Durante a Ameaça vermelha nos Estados Unidos, os integrantes do grupo foram monitorados pelo FBI e privados de oportunidades de gravação e de apresentações, enquanto Seeger e Hays foram convocados a depor perante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
Pete Seeger deixou o grupo em 1958. Sua função como tenor e tocador de banjo foi assumida sucessivamente por Erik Darling, Frank Hamilton e, por fim, Bernie Krause, até a dissolução do grupo em 1964. Seeger discutiu a história da música folclórica e o impacto dos The Weavers em uma entrevista concedida em abril de 1963 ao Folk Music Worldwide.[1]
História
[editar | editar código]Formação
[editar | editar código]Em 1940, Lee Hays e Pete Seeger cofundaram o Almanac Singers, que, além de interpretar canções folclóricas e baladas estadunidenses, promovia a paz e o isolacionismo nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, atuando em colaboração com a American Peace Mobilization (APM), organização apoiada pelo Partido Comunista dos Estados Unidos. O grupo interpretava diversas canções contrárias à entrada dos Estados Unidos na guerra. Em junho de 1941, quando a Alemanha invadiu a União Soviética, a APM mudou seu nome para American People's Mobilization e, seguindo a orientação do Partido Comunista, passou a defender a entrada dos Estados Unidos no conflito.[2][3] Os Almanac Singers apoiaram essa mudança e produziram diversas canções pró-guerra incentivando os Estados Unidos a lutar ao lado dos Aliados da Segunda Guerra Mundial.[4] O grupo se dissolveu após a entrada dos Estados Unidos na guerra.
Os The Weavers foram formados em novembro de 1948 por Hays, Seeger, Ronnie Gilbert e Fred Hellerman. Por sugestão de Hellerman,[5] o grupo adotou seu nome a partir da peça Die Weber (The Weavers, 1892), de Gerhart Hauptmann, uma obra que retrata a revolta dos tecelões da Silésia de 1844 e que contém a frase: "Não suportarei isso por mais tempo, aconteça o que acontecer."
Início da carreira
[editar | editar código]Após um período em que tiveram dificuldade para conseguir trabalho remunerado, o grupo obteve um contrato estável e bem-sucedido no clube de jazz Village Vanguard. Isso levou à sua descoberta pelo arranjador e líder de orquestra Gordon Jenkins, bem como à assinatura de contrato com a Decca Records.[6] O grupo alcançou grande sucesso em 1950 com sua gravação de "Goodnight, Irene", de Lead Belly, lançada com a canção de 1941 "Tzena, Tzena, Tzena" como lado B, que também se tornou um grande sucesso comercial.[7] A gravação permaneceu durante 13 semanas na primeira posição das paradas musicais, tornando-se o primeiro arranjo de uma canção folclórica a alcançar esse feito.[8] A gravação permaneceu durante 13 semanas na primeira posição das paradas musicais, tornando-se o primeiro arranjo de uma canção folclórica a alcançar esse feito. "Goodnight, Irene" vendeu um milhão de cópias em 1950.[9] Pete Seeger escreveu posteriormente que as vendas totais foram de cerca de dois milhões de discos.[10][11] Seguindo o estilo da época, essas e outras gravações iniciais dos Weavers receberam acompanhamento de violinos e arranjos orquestrais. Em seu sucesso "Lonesome Traveler", escrito por Lee Hays, por exemplo, o grupo foi acompanhado por Jenkins e sua orquestra.
Em razão do agravamento da Ameaça vermelha nos Estados Unidos no início da década de 1950, o empresário do grupo, Pete Cameron, aconselhou seus integrantes a não interpretarem suas canções de conteúdo político mais explícito e a evitarem apresentações em locais e eventos considerados "progressistas". [12]Por esse motivo, alguns admiradores da música folclórica criticaram o grupo por amenizar suas convicções e comercializar seu estilo musical. Os Weavers, porém, acreditavam que essa estratégia valia a pena para levar suas canções a um público mais amplo e evitar o tipo de comprometimento político explícito que havia contribuído para o fim dos Almanac Singers. A nova abordagem mostrou-se bem-sucedida, resultando em numerosas apresentações e em um aumento da procura pelas gravações do grupo.[12]
Os concertos de sucesso e as gravações de grande repercussão dos Weavers contribuíram para apresentar a novos públicos clássicos do revival da música folclórica, como "On Top of Old Smoky", interpretada com a participação de Terry Gilkyson, "So Long, It's Been Good to Know Yuh", composta por Woody Guthrie em 1935 e lançada como lado B de "Lonesome Traveler", que alcançou a quarta posição nas paradas em 1951, "Follow the Drinking Gourd", "Kisses Sweeter than Wine", a adaptação de Tony Saletan para "Michael, Row the Boat Ashore", "The Wreck of the John B" (também conhecida como "Sloop John B"), "Rock Island Line", "The Midnight Special", "Pay Me My Money Down", "Darling Corey" e "Wimoweh".[13] O grupo incentivava o público a cantar junto durante as apresentações e, por vezes, Seeger anunciava a letra antes de cada verso, seguindo a tradição conhecida como lining out.[14]
Existem relativamente poucas imagens em movimento dos Weavers. O grupo participou como atração musical convidada do filme de baixo orçamento Disc Jockey (1951) e, no mesmo ano, gravou cinco de seus sucessos para o produtor de televisão Lou Snader: "Goodnight, Irene", "Tzena, Tzena, Tzena", "So Long", "Around the World" e "The Roving Kind".[14]
Era McCarthy
[editar | editar código]Durante a Ameaça vermelha nos Estados Unidos da década de 1950, Pete Seeger e Lee Hays foram identificados como membros do Partido Comunista dos Estados Unidos pelo informante do FBI Harvey Matusow, que posteriormente retratou suas declarações. Ambos foram convocados a depor perante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos em 1955. Hays invocou os direitos garantidos pela Quinta Emenda à Constituição dos Estados Unidos,[15] que assegura o direito de não produzir provas contra si mesmo.[16] Seeger também se recusou a responder às perguntas, mas justificou sua posição com base na Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, tornando-se a primeira pessoa a fazê-lo após a condenação dos Hollywood Ten em 1950. Seeger foi considerado culpado de desacato e submetido a restrições judiciais enquanto recorria da decisão, mas sua condenação foi anulada por questões processuais em 1961.[17]
Como Seeger figurava entre os artistas incluídos em Red Channels, publicação que mantinha uma lista negra de profissionais da indústria do entretenimento, todos os integrantes dos Weavers passaram a ser monitorados pelo FBI e ficaram impedidos de se apresentar na televisão e no rádio durante a era do Macartismo. Apesar da enorme popularidade do grupo, a Decca Records rescindiu seu contrato de gravação e retirou seus discos de catálogo em 1953.[18] Suas gravações deixaram de ser executadas pelas emissoras de rádio, reduzindo significativamente sua receita com direitos autorais. Organizações de direita e anticomunistas também protestavam contra suas apresentações e pressionavam os promotores de eventos. Como consequência, a viabilidade econômica do grupo diminuiu rapidamente e, em 1952, os Weavers se dissolveram.[9] Após a separação, Pete Seeger prosseguiu em carreira solo, embora, assim como os demais integrantes, continuasse a sofrer os efeitos da inclusão em listas negras.
Reunião e reconstituição posterior
[editar | editar código]Em dezembro de 1955, o grupo reuniu-se para realizar um concerto com ingressos esgotados no Carnegie Hall.[9] A apresentação foi um enorme sucesso. Uma gravação de parte do espetáculo, The Weavers at Carnegie Hall, foi lançada em 1957 pela gravadora independente Vanguard Records, o que levou à assinatura de um contrato com a empresa. (Faixas adicionais do concerto de 1955 no Carnegie Hall foram incluídas no álbum The Weavers on Tour, também lançado em 1957.)[19] No final da década de 1950, a música folclórica passava por um período de crescente popularidade, enquanto o macartismo perdia força. Ainda assim, somente no auge da década de 1960 Seeger conseguiu superar sua inclusão em listas negras ao participar, em 1967, do programa de variedades da CBS The Smothers Brothers Comedy Hour, transmitido em rede nacional.[20]
Após o lançamento, em abril de 1957, do LP gravado no Carnegie Hall, os Weavers iniciaram uma turnê de um mês. Em agosto daquele ano, o grupo voltou a se reunir para uma série de sessões de gravação para a Vanguard.[9] À medida que os convites para apresentações solo de Seeger em universidades aumentavam, o cantor passou a sentir-se limitado pelos compromissos com o grupo. A Vanguard agendou uma sessão para 15 de janeiro de 1958 com o objetivo de gravar um single de rock and roll. O resultado desagradou aos integrantes e aumentou a frustração de Seeger. No mês seguinte, Gilbert, Hays e Hellerman decidiram, contra a vontade de Seeger, gravar um anúncio para uma empresa de cigarros. Contrário aos riscos do tabagismo e desanimado com o que considerava uma excessiva submissão do grupo a interesses comerciais, Seeger decidiu deixar os Weavers. Após cumprir o compromisso de gravar o jingle, desligou-se do grupo em 3 de março de 1958.[9]
Seeger recomendou Erik Darling, do grupo The Tarriers, como seu substituto.[9] Darling permaneceu na formação até junho de 1962, quando saiu para seguir carreira solo e, posteriormente, formar o trio de música folclórica The Rooftop Singers. Frank Hamilton, que substituiu Darling, permaneceu no grupo por nove meses e anunciou sua saída pouco antes das comemorações do décimo quinto aniversário dos Weavers, celebradas com dois concertos no Carnegie Hall em março de 1963.[9] O cantor folk Bernie Krause, que mais tarde se tornaria pioneiro na introdução do sintetizador Moog na música popular, foi o último músico a ocupar a chamada "cadeira de Seeger".[9] O grupo encerrou suas atividades em 1964, mas Gilbert, Hellerman e Hays reuniram-se ocasionalmente com Seeger ao longo dos dezesseis anos seguintes. Em 1980, Lee Hays, já doente e utilizando uma cadeira de rodas, convidou os integrantes originais dos Weavers para um último reencontro. O piquenique informal organizado por Hays deu origem a uma reunião profissional e a um retorno triunfal ao Carnegie Hall, em 28 de novembro de 1980, que se tornou a última apresentação completa do grupo. Sua derradeira aparição ocorreu em junho de 1981, durante o Clearwater Festival, em um encontro informal descrito como um "ensaio".[21]
Estilo musical
[editar | editar código]Em uma entrevista concedida em 1968, ao responder às alegações de que as gravadoras tinham dificuldade em classificar os Weavers, Seeger afirmou ao documentário radiofônico Pop Chronicles que se deveria "deixar isso para os antropólogos e os folcloristas. [...] Para você e para mim, o importante é uma canção, uma boa canção, uma canção verdadeira. [...] Chame isso do que quiser".[22]Após a morte de Hays, em 1981, foi lançado o documentário The Weavers: Wasn't That a Time! (1982). O filme narra a trajetória do grupo, incluindo os acontecimentos que culminaram em sua última reunião.[9] O crítico Roger Ebert atribuiu ao documentário a nota máxima de quatro estrelas em sua resenha para o Chicago Sun-Times e o incluiu entre os dez melhores filmes de 1982.
Após a dissolução
[editar | editar código]Após a dissolução dos Weavers, Ronnie Gilbert realizou turnês pelos Estados Unidos como artista solo, enquanto Fred Hellerman trabalhou como engenheiro e produtor musical.[23] Gilbert também se apresentou e gravou com Holly Near e, posteriormente, em 1985, integrou o grupo HARP, formado por Holly Near, Arlo Guthrie, Ronnie Gilbert e Pete Seeger.[24][25]
O grupo foi incluído no Vocal Group Hall of Fame em 2001.[26] Em fevereiro de 2006, os Weavers receberam o Prêmio Grammy pelo Conjunto da Obra.[27] Representados por Ronnie Gilbert e Fred Hellerman, emocionaram o público ao relembrarem as perseguições políticas que sofreram durante a década de 1950. "Se você conseguir existir e manter seu rumo — não um rumo de obstinação cega e concepções equivocadas, mas de decência e bom senso — poderá sobreviver aos seus inimigos com sua honra e sua integridade preservadas", afirmou Hellerman.[28] Alguns comentaristas interpretaram a referência à "obstinação cega" como uma crítica velada àqueles que apoiavam de forma acrítica todas as ações do Partido Comunista.[29]
Lee Hays morreu em 1981, aos 67 anos de idade.[30] Sua biografia, Lonesome Traveler, escrita por Doris Willens, foi publicada em 1988.[31] Erik Darling morreu em 3 de agosto de 2008, aos 74 anos, em Chapel Hill, na Carolina do Norte, em decorrência de um linfoma.[32] Após uma longa carreira na música e no ativismo, Pete Seeger morreu aos 94 anos em 27 de janeiro de 2014, em Nova Iorque. Ronnie Gilbert morreu aos 88 anos em 6 de junho de 2015.[33] Fred Hellerman, último integrante fundador sobrevivente do grupo, morreu aos 89 anos em 1.º de setembro de 2016.[34]
Integrantes
[editar | editar código]- Ronnie Gilbert – contralto (1948–1952, 1955–1964, 1980; falecida em 2015)
- Lee Hays – baixo (1948–1952, 1955–1964, 1980; falecido em 1981)
- Fred Hellerman – barítono, violão (1948–1952, 1955–1964, 1980; falecido em 2016)
- Pete Seeger – tenor, banjo de braço longo (1948–1952, 1955–1958, 1980; falecido em 2014)
- Erik Darling – tenor, banjo (1958–1962; falecido em 2008)
- Frank Hamilton – tenor, violão (1962–1963)
- Bernie Krause – tenor (1963–1964)
Discografia
[editar | editar código]- Álbuns de estúdio
- Folk Songs of America and Other Lands (1951)
- We Wish You a Merry Christmas (1951)
- The Weavers at Carnegie Hall (1957)
- On Tour (1957)
- Folk Songs Around the World (1959)
- The Weavers at Home (1959)
- Travelling On With the Weavers (1959)
- The Weavers at Carnegie Hall Vol. 2 (1960)
- The Weavers' Almanac (1962)
- Weavers Gold Folk Songs By the Weavers (1962)
- Reunion at Carnegie Hall (1963)
- Reunion at Carnegie Hall, Part 2 (1965)
- Songs That Never Fade (1976)
- Together Again (1981)
- Kisses Sweeter Than Wine (1994)
- Kisses Sweeter Than Wine Vol. 1 (1995)
Referências
- ↑ «PETE SEEGER - Folk Music Worldwide, 1963 Interview» [PETE SEEGER – Entrevista ao Folk Music Worldwide, 1963]. Folk Music Worldwide. Consultado em 13 de julho de 2026
- ↑ «Radicals: Purely for Peace» [Radicais: Puramente pela paz]. Time. 14 de julho de 1941. Consultado em 13 de julho de 2026. Arquivado do original em 19 de outubro de 2012
- ↑ «American Peoples Mobilization Collected Records, 1940-1941» [Registros reunidos da American Peoples Mobilization, 1940–1941]. Peace Collection. Swarthmore College. Consultado em 13 de julho de 2026
- ↑ Stadler, Gustavus (2020). Woody Guthrie: An Intimate Life. Boston: Beacon Press. p. 48. ISBN 9780807018910
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Ligações externas
[editar | editar código]- «Pete Seeger interviewed» [Pete Seeger entrevistado]. Consultado em 13 de julho de 2026
- Weavers The Weavers (em inglês) no Discogs
- The Weavers no IMDb
