The Immaculate Collection
The Immaculate Collection | ||||
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| Álbum de grandes êxitos de Madonna | ||||
| Lançamento | 9 de novembro de 1990 | |||
| Gravação | 1983–1990 | |||
| Gênero(s) | ||||
| Duração | 73:32 | |||
| Formato(s) | ||||
| Gravadora(s) | ||||
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| Cronologia de Madonna | ||||
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| Singles de The Immaculate Collection | ||||
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The Immaculate Collection é o primeiro álbum de grandes sucessos da cantora estadunidense Madonna, lançado em 9 de novembro de 1990 pelas gravadoras Sire e Warner Bros.. A intérprete teve uma prolífica década de 1980, acumulando grandes sucessos a nível mundial e batendo recordes de vendas; com o término de sua turnê Blond Ambition World Tour, em agosto de 1990 e o iminente descanso, ela decidiu encerrar sua primeira década musical com o lançamento de um álbum de grandes sucessos. Além de quinze de suas canções exitosas, o produto inclui duas faixas inéditas, "Justify My Love" e "Rescue Me", trabalhadas respectivamente com Lenny Kravitz e Shep Pettibone. As canções originais foram remasterizadas com o uso do QSound, uma tecnologia de áudio nova à época, que dava aspectos tridimensionais às faixas.
Com uma forte campanha publicitária, o lançamento da coletânea foi acompanhado do VHS homônimo, uma caixa especial intitulada The Royal Box e o EP The Holiday Collection, contendo "Holiday" e três canções não inclusas no trabalho, editado somente para a Europa. Reedições também foram realizadas subsequentemente. Quatro singles foram lançados de The Immaculate Collection. "Justify My Love", nona liderança de Madonna na parada Billboard Hot 100, contou com um polêmico videoclipe que, após ser censurado e banido pela MTV por seu forte teor sexual, tornou-se o VHS single mais vendido da história. "Rescue Me" alcançou a nona posição na referida tabela, tendo forte aceitação das rádios antes de seu lançamento comercial.
The Immaculate Collection foi aclamado pela crítica especializada, com fortes elogios direcionados à seleção musical e também à mixagem QSound. Resenhistas a consideraram uma retrospectiva definitiva da música da década de 1980 e uma grande exibição da carreira de Madonna, cobrindo sua evolução como artista e compositora. Em retrospecto, o trabalho foi incluído em vários guias musicais e listas de melhores álbuns de todos os tempos, como a dos 500 melhores da Rolling Stone, além de ter sido eleito o melhor álbum americano de todos os tempos da revista Blender, e constar em diversas listagens direcionadas a coletâneas. Diversos colunistas notaram o impacto crítico e comercial da obra na carreira de Madonna, reconhecendo-o como um responsável em consolidá-la como ícone popular; homenagens e influências diretas da compilação foram também observadas.
Um grande sucesso comercial, The Immaculate Collection é o álbum mais vendido da carreira de Madonna, um dos mais vendidos por uma mulher, e a coletânea mais comercializada por um artista solo, com uma estimativa superior a 30 milhões de cópias. Liderou as paradas na Argentina, Austrália, Canadá, Finlândia, Irlanda e Reino Unido; neste último, foi o mais comprado de 1990 e manteve por 20 anos o recorde de mais duradoura liderança feminina na tabela de álbuns, constando no posto por nove semanas. Com grande longevidade nas paradas musicais, recebeu diversas certificações ao redor do mundo, como a de diamante da francesa Syndicat National de l'Édition Phonographique (SNEP) e da norte-americana Recording Industry Association of America (RIAA), catorze platinas da australiana Australian Recording Industry Association (ARIA), e treze platinas da britânica British Phonographic Industry (BPI).
Antecedentes
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Madonna assinou um contrato discográfico com a Sire Records em 1982, lançando seu primeiro single, "Everybody", em outubro daquele ano.[1] Seu álbum de estreia epônimo foi lançado no ano seguinte e, a partir do lançamento de "Holiday", a maioria das faixas de trabalho da cantora obtiveram grande sucesso nas paradas, a ponto dela se tornar a cantora com mais canções a liderar e a entrar nas dez primeiras colocações nas paradas tanto dos Estados Unidos como no Reno Unido.[2][3] De igual maneira, os álbuns correspondentes também reverberaram na cultura popular, com altas vendagens ao redor do mundo e debates de questões socias, além da forte presença dos vídeos. O biógrafo David James afirmou que, em julho de 1983, época do lançamento do disco de estreia, "poucos poderiam prever que marcaria o início de uma assombrosa carreira discográfica".[4]
Ao final de 1990, com pouco mais de sete anos de carreira, Madonna já constava dentre os artistas mais exitosos da história, com 54 milhões de álbuns e 26 milhões de singles vendidos em todo o mundo.[2] Com o término da turnê Blond Ambition World Tour em agosto daquele ano, a cantora decidiu fazer um balanço de sua trajetória; com uma "incrível biblioteca de sucessos" já acumulados, ela decidiu que seu projeto seguinte seria encerrar sua primeira década de carreira com o lançamento de seu primeiro álbum de grandes sucessos, pensado especialmente para a temporada natalina.[5] A cantora estava "decidida a dar tudo de si" com o novo produto, segundo o autor Mark Bego. J. Randy Taraborrelli, autor de Madonna: An Intimate Biography, observou que um álbum de grandes êxitos já estava pronto àquela altura, servindo como um "marco orgulhoso" de sua carreira, que ascendeu progressivamente desde a sua estreia.[6][7][8] A historiadora Mary Gabriel notou que, em todos os sentidos, o ano de 1990 "parecia o final de uma era e o começo de uma nova".[8]
Desenvolvimento
[editar | editar código]Descrita como uma "fusão perfeita" de música pop "energética" e dance-pop, The Immaculate Collection contém, em ordem cronológica, quinze singles de Madonna lançados durante os primeiros sete anos de sua carreira, entre 1983 e 1990, oito dos quais alcançaram o primeiro lugar nas paradas em vários países.[9][10][11] Escolhida pela própria cantora, inclui "Holiday", "Lucky Star" e "Borderline" de Madonna (1983); "Like a Virgin", "Material Girl" e "Into the Groove" de Like a Virgin (1984); "Crazy for You" da trilha sonora do filme Vision Quest (1985); "Live to Tell", "Papa Don't Preach", "Open Your Heart" e "La isla bonita" de True Blue (1986); "Like a Prayer", "Express Yourself" e "Cherish" de Like a Prayer (1989); e "Vogue", da trilha sonora I'm Breathless (1990), correspondente ao filme Dick Tracy.[10][12][13][14] Devido à "prolificidade" da artista na década de 1980, não havia espaço suficiente para incluir outros singles que alcançaram "grande sucesso", então músicas como "Dress You Up" (1985), "True Blue" (1986) ou "Who's That Girl" (1987) — que lideraram as paradas musicais em ambos os lados do Atlântico no verão de 1987 — não entraram na coletânea.[3][15][16][17]
"Algumas pessoas preferem usar o QSound como primeiro passo na mixagem . Eu gostei de usá-lo como último passo, porque primeiro consegui uma boa mixagem estéreo onde tudo soava bem, e depois apliquei o efeito aos elementos que eu queria ouvir fora do espectro estéreo."
—Pettibone sobre o uso da tecnologia QSound em The Immaculate Collection.[18]
Incluindo singles de diferentes álbuns, The Immaculate Collection mistura baladas pop "alegres e divertidas" com faixas adequadas para "dançar na boate", bem como canções um tanto "melancólicas" e "misteriosas" e outras que são "impregnadas" de insinuações sexuais, então, para os fãs de pop daquela época, poderia ser considerado mais uma "trilha sonora", de acordo com Emily Blevins, do Tulsa World.[19] Em uma análise do trabalho de Madonna, e em particular do conteúdo da compilação, Kocku von Stuckrad, um dos editores de Kabbalah and Modernity: Interpretations, Transformations, Adaptations (2010), observou que, desde seus primórdios, a cantora projetou uma imagem ambivalente ao combinar a figura de uma "santa e virgem" com a de uma "pecadora inclinada à promiscuidade", uma dualidade que, para o autor, era especialmente "evidente" nas canções da compilação.[20] Da mesma forma, o estudioso Georges-Claude Guilbert, em seu livro Madonna as Postmodern Myth (2002), sugeriu que álbuns como The Immaculate Collection brincam com as duas imagens da "Virgem" e da "Prostituta".[21]
As quinze canções foram remasterizadas pelos engenheiros Goh Hotoda, Michael Hutchinson e Shep Pettibone.[22][23] Pettibone já havia trabalhado com Madonna em remixes de vários de seus singles, no desenvolvimento do álbum You Can Dance (1987) e na composição e produção de "Vogue".[3][24] A remasterização utilizou a tecnologia de gravação QSound, que transformou o som estéreo convencional em um sistema tridimensional completo sem a necessidade de qualquer hardware especial, como equipamentos especiais ou alto-falantes adicionais, mas sim um sistema estéreo padrão de dois alto-falantes.[25][26][27][28] Considerado um "novo sistema de som revolucionário", o QSound foi concebido em 1980 por Don Lowe e John Leespor, da empresa canadense Archer Communications Inc., sediada em Calgary, e levou mais de nove anos para ser aperfeiçoado.[25][29] A tecnologia aprimorou o efeito estéreo, fazendo com que os sons parecessem se projetar de sua fonte em vez de do alto-falante. Para alcançar esse efeito, um computador executando um software especial era conectado ao equipamento de produção padrão em um estúdio durante o processo final de gravação, ou seja, a etapa de mixagem de um álbum.[25][26] Dessa forma, o sistema ia "além do estéreo normal" e criava a ilusão de que a música ou os efeitos sonoros "emanavam de dezenas de fontes", como se viessem de qualquer lugar em uma sala, da esquerda para a direita, da frente para trás, de cima para baixo e até mesmo de trás da cabeça do ouvinte.[28][29][30] The Immaculate Collection tornou-se o primeiro álbum lançado a usar o QSound.[31][32][33]
Para o álbum de compilação, Pettibone trabalhou com o sistema em Manhattan, com visitas frequentes de Madonna,[25][34] que havia expressado entusiasmo pelo processo.[25][34] A tecnologia foi usada na sala de controle como uma unidade externa aplicada a um instrumento ou faixa vocal específica e forneceu seu próprio operador de computador para gerenciar o sistema. Uma das duas unidades deste sistema continha o computador e o equipamento de processamento, enquanto a outra abrigava seis conversores digital-analógico.[18] Em uma entrevista à Billboard, ele explicou que não funcionava com todos os instrumentos e que o processamento, feito no domínio digital, era melhor aplicado às frequências baixas e médias; nesse aspecto, colocava o instrumento fora de fase com o resto da gravação, dando a impressão de que estava em sua própria posição fora da mixagem estéreo: "Dá um som tridimensional se você se sentar diretamente em frente às caixas de som, com elas ligeiramente anguladas em sua direção. Se você não estiver sentado no centro, apenas tem um efeito de amplificação de ondulação no som; isso a torna mais proeminente".[18] O processo permitiu ao ouvinte ouvir instrumentos como congas no ouvido direito, sintetizadores no esquerdo e a voz de Madonna entrando e saindo em ambos os lados, tudo a vários metros de distância das caixas de som.[25] Além disso, o uso do QSound na reverberação para expandir a percussão incidental é perceptível.[35] Um crítico descreveu como a artista começa "firmemente" no centro, mas então sua voz se desloca para a esquerda e ressoa acompanhada por vocais de apoio que parecem vir de trás da cabeça do ouvinte.[36] Sobre seu trabalho nas músicas da coletânea, o produtor elaborou:
Bem, na verdade, alteramos um pouco algumas músicas, mas a maioria delas mantivemos em sua forma original. Como "Holiday", "Lucky Star" e assim por diante; essas eram todas as produções originais. A remixagem serviu apenas para criar o QSound e fazer com que a música envolvesse você quando a ouvisse em um determinado ponto em frente às caixas de som. [...] Não foi fácil. Mas, novamente, era uma daquelas coisas em que [...] pensamos, "depressa, isso tinha que sair semana passada". Era uma corrida contra o tempo.[24]
No geral, não há modificações "drásticas" nas remasterizações; elas são "sutis e despretensiosas" e, como resultado, as músicas "se destacam perfeitamente" ao lado das originais.[23] A única mudança é que, ao comparar as versões discos de Madonna com as versões aprimoradas pelo QSound, seus vocais e instrumentos soam "notavelmente mais encorpados e definidos" em The Immaculate Collection, de acordo com Stephen Holden, do The New York Times.[37] Dessa forma, a tecnologia possibilitou perceber melhor os sinos em "Holiday", a seção de violoncelo em "Papa Don't Preach", o triângulo sintetizado em "Material Girl" e os vocais de apoio em "Like a Prayer".[38] Várias músicas são mais rápidas do que suas versões originais, e algumas terminam mais cedo, enquanto outras fluem perfeitamente umas para as outras.[39][40] Além disso, o produtor retrabalhou e criou novas mixagens para "Into the Groove", "Express Yourself" e "Like a Prayer".[3] "Lucky Star" começa com um sintetizador vibrante que "parece dar duas voltas na sua cabeça", e você pode até ouvir a voz dela perguntando "O que você está olhando?" no início de "Vogue" como se estivesse atrás do ouvinte.[nota 1][28] Pettibone, Hotoda e Hutchinson tiveram apenas algumas semanas para aperfeiçoar a mixagem do álbum, e todo o processo de produção acabou levando um mês e meio.[3][41] Depois de ouvir os resultados, a cantora disse: "Finalmente, algo comparável aos pequenos sons na minha cabeça".[25] Pettibone, por sua vez, afirmou que a ideia era que o som ficasse "mais estéreo" e "ainda melhor", para que o ouvinte pudesse perceber aspectos das músicas que nunca tinha ouvido antes.[25] Apesar disso, ele descreveu o projeto de Madonna como um "teste de laboratório" para o QSound, visto que havia espaço para melhorias, e observou que "demos-lhes muitos feedbacks sobre o que pensávamos que poderia e deveria fazer".[18] Segundo Anthony Gitter, porta-voz da Archer Communications, o disco utilizou o processo de uma forma "sutil" que não refletia as "amplas capacidades da tecnologia".[30]
Novo material
[editar | editar código]Como o público de Madonna já possuía as músicas incluídas na coletânea em outros álbuns, ela procurou dar aos seus fãs um "estímulo", pois eles queriam ouvir "algo novo e fresco".[7][42] Para esse fim, e para dar um impulso a coletânea e incentivá-los a "compra-la", ela gravou duas músicas inéditas que, segundo David Sinclair, do jornal britânico The Times, eram "uma grande mudança em relação ao material animado que a lançou ao estrelato".[5][43] A notícia dessas novas faixas foi anunciada pelo jornalista Larry Flick na edição de 13 de outubro de 1990 da revista Billboard.[44] Intituladas "Justify My Love" e "Rescue Me", essas músicas concluíram o álbum.[13]

"Justify My Love" foi composta por Lenny Kravitz e Ingrid Chavez, uma poetisa de Minneapolis que coestrelou o filme Graffiti Bridge (1990) com Prince, e produzida por Kravitz e André Betts.[45][46] Chavez e Kravitz já haviam tido um relacionamento, e ela tirou a maior parte da letra de uma carta de amor que havia escrito para ele algum tempo atrás, mas nunca enviado.[46][47] Ela o conheceu enquanto ele filmava Graffiti Bridge; ele criou o título da música e, junto com Betts, a base instrumental.[46] O desenvolvimento provou ser "surpreendentemente simples", já que Betts havia "criado uma batida" e Kravitz compôs uma linha de sintetizador; durante a gravação, Chavez cantou a letra, descrita como uma epístola para Kravitz, em uma única tomada.[48][49] Ele considerou a música "perfeita" para Madonna, com quem era amigo, então apresentou a demo a ela em Nova Iorque; depois de ouvi-la várias vezes, ela concordou em gravá-la, e ambos começaram a trabalhar na faixa no dia seguinte.[50] Em julho de 1991, meses após o lançamento da música, Chavez, que não havia sido creditada, entrou com um processo federal contra Kravitz, alegando que havia escrito toda a letra, mas que fora persuadida a renunciar à autoria e a três quartos de seus direitos autorais em troca de quinhentos dólares.[45][46][47] A compositora argumentou que Kravitz havia escrito apenas o título e que Madonna "mudou uma linha"; ela também mencionou que concordaram em não incluir seu nome por razões "pessoais e profissionais" na época, pois temia que a esposa do músico suspeitasse que eles estavam tendo um caso.[46][47] No final de janeiro de 1992, eles chegaram a um acordo extrajudicial; embora os termos do acordo financeiro não tenham sido divulgados ao público, ela recebeu crédito oficial e uma parte dos direitos autorais.[45][48] Betts também entrou com um processo contra o músico, alegando que lhe haviam prometido crédito de co-produtor e metade dos royalties, mas ele só recebeu crédito de produtor associado e não foi pago pelo seu trabalho.[47]
Descrita como uma música trip hop com influências de hip-hop, "Justify My Love" usa um sample que havia aparecido anteriormente em "Security in the First World" da banda americana Public Enemy, que, por sua vez, é baseada em um dos ritmos de bateria que Clyde Stubblefield criou para "Funky Drummer" (1970), um dos clássicos de James Brown.[48][51][52][53][54] Ela foi considerada um "caso atípico" no cânone de Madonna, já que o som se distanciava do "pop animado" de seus projetos anteriores e, de acordo com a historiadora Mary Gabriel, representou sua primeira incursão vocal "na sexualidade de uma mulher madura".[8][51][55] Dentro dessa estrutura, a intérprete emprega a técnica da palavra falada e "sussurra" sobre uma batida de hip-hop "hipnótica e minimalista".[51][55] A letra é uma "ode ao sadomasoquismo", na qual a narradora implora ao seu amante que "justifique seu amor" em um tom "tão íntimo" que o ouvinte "se sente como um intruso".[8][51]
A composição e a produção da faixa mais acelerada "Rescue Me" foram feitas por Madonna e Pettibone.[24][56] Anthony Shimkin, assistente de Pettibone que também colaborou com a cantora em alguns remixes dos singles de Like a Prayer e em "Vogue", afirmou ter participado da criação da faixa; na verdade, foi a primeira vez que ele compôs para a artista, mas não foi creditado.[57] Dos gêneros dance pop e gospel-house, adiciona um toque ambiente com a flauta e um som R&B e house.[53][55][58] Como em "Justify My Love", a intérprete emprega spoken word, bem como um estilo soul e interpolações de suspiros.[59] Começa com o som de trovão e chuva que parece "vir do céu, mesmo se você estiver sentado em casa", e o denso arranjo musical inclui muitos coros; Perto do final, Madonna canta os versos finais com uma voz gutural enquanto os instrumentos desaparecem, deixando apenas os vocais de apoio e, em seguida, o som de trovões e chuva.[5][28] Descrita como "confessional", a letra é uma declaração sobre o poder do amor e faz uso frequente da metáfora do afogamento, bem como referências a "Stop Her on Sight (S.O.S.)" (1966), de Edwin Starr, e "Respect" (1967), de Aretha Franklin, quando ela fala sobre enviar um SOS ao seu amado.[5][60] Madonna trabalharia com Betts, Pettibone e Shimkin novamente em seu próximo álbum de estúdio, Erotica (1992).[53] Ambas as canções representavam a nova direção musical e temática que a cantora exploraria nos anos seguintes: "Fria, atmosférica, centrada no sadomasoquismo e outras formas de jogo de poder sexual".[15]
"Can't Get Over You" foi originalmente composta por Madonna e seu frequente colaborador Stephen Bray com a intenção de ser incluída no álbum de compilação como a terceira música inédita, embora tenha sido deixada de fora da lista de faixas.[61][62] Mais tarde, foi interpretada por Nick Scotti, um ator, modelo e cantor americano, cuja gravação foi produzida e remixada por Pettibone e contou com Madonna nos vocais de apoio.[61][63] A versão de Scotti, caracterizada como uma música funk, foi renomeada para "Get Over" e apareceu em seu álbum de estreia homônimo, lançado em 1993, embora já tivesse aparecido na trilha sonora do filme Nothing but Trouble (1991).[61][64][65][66] Foi lançada como single e alcançou o número 33 na parada Dance Club Songs.[67][68] A demo original que Madonna gravou permanece inédita.[61]
Título
[editar | editar código]Originalmente, a coletânea se chamaria Ultra Madonna, mas a Warner Bros. rejeitou a ideia por medo de gerar confusão com Ultra Naté, uma artista popular de música dance da mesma gravadora.[69] O título The Immaculate Collection é um jogo de palavras que alude à Imaculada Conceição,[10][70][71] um dogma da Igreja Católica que afirma que Maria, a mãe de Jesus, nasceu livre do pecado original;[72][nota 2] esta "imaculada concepção" tornou-se uma narrativa sagrada da divindade tanto de Deus quanto da própria Maria.[74] A artista capitalizou o interesse do público em geral pela figura da Virgem Maria para dar esse nome ao álbum.[75] De fato, em The Everything Mary Book (2006), os autores Jenny e John Schroedel sugeriram que era "possível que Madonna tenha ganhado popularidade em parte porque a sociedade está repleta de sentimentos contraditórios sobre a Virgem Maria e a sexualidade".[75] Além disso, ela se inspirou em suas "batalhas recentes" com a Santa Sé; a esse respeito, segundo Marlene Targ Brill, na America in the 1990s (2010), o título foi uma resposta ao então Papa João Paulo II, depois que ele pediu a proibição de um dos shows "sexualmente explícitos" que ela havia realizado na Itália naquele mesmo ano durante a Blond Ambition World Tour.[34][72]
Segundo a autora Rikky Rooksby, o título "indubitavelmente enfureceu os paroquianos", mas também atraiu comentários e análises de acadêmicos e jornalistas. Christopher H. Partridge, em The Lyre of Orpheus: Popular Music, the Sacred, and the Profane (2013), argumentou que, ao longo de sua carreira, a artista criada no catolicismo construiu sua persona "transgressora" e suas performances de palco em torno de uma ambivalência em relação à sua fé; nesse sentido, ele observou que o título, as ilustrações e o conteúdo da coletânea brincavam com o significado teológico tradicional da virgindade e o justapunham a um significado relacionado à promiscuidade sexual.[5][76] De acordo com o editor Matthew Rettenmund, em seu livro Encyclopedia Madonnica (1995), o álbum foi "genialmente nomeado" como mais uma referência ao catolicismo na carreira da cantora, embora ele tenha acrescentado que também aludia à sua posição como uma "deusa do pop".[77][78] Paul Zach, do jornal singapuriano The New Paper, não achou o nome "surpresa", já que ela havia "tentado anteriormente reforçar sua imagem secular com símbolos sagrados".[54] Carl Olson, autora de An Introduction to Religion and Religious Themes in Rock Music (2011), observou que se referia não apenas à Mãe de Deus, mas também à própria Madonna, enquanto o Professor Chester Gillis, no livro Catholic Faith in America (2003), mencionou que ela "nunca deixa passar uma referência religiosa".[79][80] Em uma análise mais ampla das canções, vídeos e filmes da cantora, John Evan Seery, autor de Political Theory for Mortals: Shades of Justice, Images of Death (1996), sugeriu que era um reflexo de temas como "resistência ao cristianismo".[81] Num artigo de jornal sobre a mudança do papel da religião na sociedade americana, David Briggs, um escritor da Associated Press, sublinhou a ironia de uma artista chamada Madonna, adornada com um crucifixo, se aproveitando de imagens religiosas com títulos como The Immaculate Collection.[82]
Direção artística
[editar | editar código]Primeira página
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A capa de The Immaculate Collection não apresenta Madonna; em vez disso, várias fotografias em preto e branco da cantora, tiradas pelo fotógrafo americano Herb Ritts, foram incluídas no encarte.[14][83][84] Essas imagens foram tiradas pelo fotógrafo durante uma sessão de fotos que a artista fez para a edição de junho de 1990 da revista Interview.[85] Ritts, que havia formado uma longa amizade com ela, já havia desenhado as capas de True Blue (1986), You Can Dance (1987) e Like a Prayer (1989), além de dirigir o videoclipe de "Cherish", e o álbum de compilação foi seu último projeto com a cantora.[84][86][87] Inicialmente, uma das imagens da sessão, na qual Madonna aparecia com uma franja preta espetada e um chapéu coco, foi destinada a servir como capa do álbum, mas ela a rejeitou porque sentia que a fazia parecer com "Mike Tyson". Embora a Warner Bros. preferisse esta à "imagem provocativa" em que ela estava agarrando sua virilha, no final, chegou-se a um acordo para a capa "simples" existente na qual seu "rosto famoso" não aparecia.[78]
Em outra fotografia incluída no encarte, Madonna aparece com cabelo preto e curto posando em frente a um mictório de banheiro masculino, o que, segundo a revista argentina Pelo, causou "um alvoroço na imprensa sensacionalista".[88][89] Essa imagem já havia sido usada anteriormente em um anúncio de quatro páginas no The New Paper, como parte da campanha promocional da coletânea da Warner Music Singapore, gerando reclamações de vários leitores.[90] Paul Zach, do mesmo jornal, considerou que ela havia "se rebaixado" a esse novo visual com uma aparência "ainda mais sórdida do que o habitual, embora a sordidez não seja novidade para Madonna".[54] Um repórter do The Straits Times considerou que esta e as outras fotografias faziam parte de uma "jogada" da cantora, que teria "se aproveitado" das imagens de Ritts — que haviam sido tiradas algum tempo antes —, para apresentá-las como parte de um novo visual para o álbum. Além disso, o jornalista preferiu seu estilo loiro ao da "morena do mictório".[91] Glen Sansone, do CMJ New Music Report, também ficou insatisfeito com a capa, chamando-a de "a mais feia" da semana. Ele também observou que, apesar de ser sua coletânea de maiores sucessos, apresentando a maioria das músicas mais "essenciais" de sua carreira, "sua capa sem sentido e sem vida, com seu fundo azul pálido e fotos nauseantes de Madonna parecendo mais pretensiosa e horrenda do que nunca, deveria fazer com que mais aspirantes a artistas buscassem novos modelos a seguir".[92]
Design e notas
[editar | editar código]The Immaculate Collection foi embalado em uma capa dupla com um logotipo "vulgar" em turquesa e dourado.[78] O design foi obra de John e Jeri Heiden, da Warner Bros.; Jeri, que também foi responsável pela direção de arte, já havia trabalhado com Madonna em Like a Virgin, True Blue, You Can Dance e Like a Prayer.[14][93][94] O encarte continha os créditos de cada uma das dezessete músicas, bem como as letras de "Justify My Love" e "Rescue Me".[14] Os autores Jenny e John Schroedel observaram que as cores azul e dourada usadas no fundo e no logotipo eram consistentes com algumas das cores associadas à iconografia tradicional da Virgem Maria.[75]
Entretanto, o jornalista Gene Sculatti, considerado um dos escritores de notas de encarte de álbuns "mais prolíficos" da indústria, foi encarregado de escrever as notas do encarte de The Immaculate Collection.[23][95] Nelas, ele descreve os primórdios de Madonna, o "subsequente alvoroço" que se seguiu à sua carreira e como suas canções "literalmente abalaram o mundo". As notas concluem com um comentário que, segundo o biógrafo Daryl Easlea, destaca o "entusiasmo mal disfarçado de todos os envolvidos no projeto".[23] Madonna continuou a fazer referência ao catolicismo em The Immaculate Collection e, no livreto, dedicou o disco ao Papa, a quem chamou de "minha inspiração divina", embora tenha sido esclarecido que ela estava, na verdade, se referindo a seu irmão, Christopher Ciccone, cujo apelido era, precisamente, "o Papa".[49][71][96][97][98]
Lançamento
[editar | editar código]Os primeiros relatos sobre o lançamento de um novo álbum de compilação de Madonna intitulado The Immaculate Collection, juntamente com o anúncio da incorporação da tecnologia QSound, apareceram entre meados e o final de outubro de 1990 em publicações como Billboard, Hits, Radio & Records e The Straits Times.[27][44][99][100] Originalmente planejado para lançamento no dia 29 daquele mês, foi finalmente lançado em 9 de novembro pela Sire e Warner Bros. Records.[69][101][102][103] O material estava disponível nos formatos físicos de vinil, cassete duplo, cassete digital compacto e CD.[104][105][106] No Reino Unido, foi lançado no dia 12 daquele mês pela empresa WEA, enquanto nos Estados Unidos foi lançado um dia depois, no dia 13.[5][83][107][108] Neste último país, a Billboard informou que, embora a coleção tenha sido publicada pela Warner Bros., a gravadora não havia assinado um acordo de longo prazo com a Archer Communications, proprietária da QSound.[31] Na Austrália e na Europa, o lançamento do CD ocorreu em 16 de novembro, enquanto no Japão foi lançado no dia seguinte sob o título Ultra Madonna: Greatest Hits (do japonês ウルトラ・マドンナ~グレイテスト・ヒッツ).[109][110][111][112][113]
O lançamento da compilação foi acompanhado por uma fita VHS de mesmo nome, também lançada em 13 de novembro nos Estados Unidos, que continha doze dos videoclipes "mais importantes" de Madonna, de 1983 a 1990, em ordem cronológica, bem como a performance de "Vogue" nos MTV Video Music Awards.[2][114][115][116] Em 4 de dezembro, a Warner Bros. lançou um caixa de edição limitada especialmente projetado, intitulado The Royal Box, que continha um CD ou cassete do álbum em um digipak revestido de tafetá azul, uma cópia da fita VHS, um pôster colorido dobrado de Madonna executando "Vogue" no MTV Awards e cinco cartões-postais em preto e branco.[105][117][118] Alan Jones, da revista Music Week, elogiou o título "apropriado" e o considerou o melhor lançamento do ano.[119] O pacote foi lançado no Reino Unido em meados de janeiro do ano seguinte, mas foi retirado das lojas no dia do lançamento, tornando-se quase imediatamente um item de colecionador "cobiçado"; em poucas semanas, seu preço triplicou em relação ao preço original de US$ 72 no varejo.[120] Um EP de edição limitada chamado The Holiday Collection foi lançado na Europa em junho de 1991.[121] Este material incluía a música "Holiday", bem como "True Blue" (1986), "Who's That Girl" e "Causing a Commotion" (1987), que haviam sido omitidas da lista de faixas da coletânea.[122][123]
Campanha publicitária
[editar | editar código]O álbum foi lançado em meio a uma "campanha publicitária mundial".[23] Nos Estados Unidos, foi promovido com um anúncio de página inteira na edição de 10 de novembro de 1990 da Billboard, que anunciava sua disponibilidade em vários formatos físicos e explicava o uso do QSound.[2] Vários pôsteres e outdoors distribuídos por todo o país apresentavam o slogan "Que obra-prima!"; na Irlanda, o slogan foi alterado para "Suas orações foram atendidas. Em breve", mas logo foi proibido.[124][125] No Reino Unido, a WEA gastou meio milhão de libras naquela que foi sua maior campanha promocional até então, visando conquistar "um em cada dois compradores de discos".[126] A promoção naquele país incluiu uma "campanha televisiva concisa", com um comercial de trinta segundos produzido pela Quick on the Draw, que começou a ser exibido em 19 de novembro. Além disso, a campanha conjunta da WEA com as redes varejistas Our Price e Woolworth levou a mensagem nacionalmente por mais duas semanas, ajudando a impulsionar as vendas do álbum.[83] Tony McGuinness, então chefe de marketing da WEA, explicou que a grande visibilidade da artista permitiu que a empresa respeitasse um orçamento realista. Ele também comentou que o comercial de televisão tinha sido "a pedra angular de toda a campanha", acrescentando: "Todo o material de imprensa e de loja surgiu do anúncio, o que é incomum por si só, porque normalmente os anúncios de televisão derivam da capa do álbum".[83] Em 7 de dezembro, o programa de artes Omnibus exibiu Madonna: Behind The American Dream, um olhar por trás das câmeras da Blond Ambition World Tour que serviu tanto como uma prévia do documentário Truth or Dare quanto como um anúncio estendido para The Immaculate Collection.[23]
Singles
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"Justify My Love" foi lançado como o primeiro single de The Immaculate Collection, em 6 de novembro de 1990, nos Estados Unidos.[48] Passou duas semanas consecutivas em primeiro lugar na Billboard Hot 100, no início de 1991, tornando Madonna a artista feminina com o maior número de músicas nesse posto, com nove, na história da parada até então.[127][128] Em todo o mundo, "Justify My Love" também liderou as paradas em muitos países, incluindo Canadá, Finlândia e os cinco primeiros em muitos outros, incluindo Austrália, Itália e Espanha.[129][130][131][132][133] Jean-Baptiste Mondino, que já havia trabalhado com Madonna em "Open Your Heart" (1986), dirigiu o videoclipe da música, que foi filmado em preto e branco em Paris, França.[134] Considerado o "mais controverso de todos os tempos", o enredo, uma homenagem ao filme A Baía dos Anjos (1963), estrelado por Jeanne Moreau, retrata as fantasias eróticas da cantora e seu amado — interpretado por seu então parceiro, o modelo Tony Ward — durante um encontro em um hotel na cidade francesa; essas fantasias incluíam voyeurismo, bissexualidade, travestismo, sadomasoquismo leve e múltiplos parceiros.[48][135] Descrito pela artista como uma "celebração do sexo" e da "honestidade", a estreia mundial estava originalmente programada para ir ao ar na MTV em 1º de dezembro como parte de um especial de 48 horas dedicado à artista intitulado "Madonnathon". No entanto, quando os executivos da emissora assistiram à gravação completa em 26 de novembro, anunciaram no dia seguinte que haviam cancelado a transmissão devido ao seu conteúdo explícito, tornando-se o primeiro vídeo rejeitado pelo canal.[134][136] A emissora emitiu um comunicado expressando respeito pela artista, mas afirmando que o vídeo "simplesmente não era para nós" e se recusou a comentar mais.[137][138] Devido à proibição, em 11 de dezembro foi lançado em VHS, o primeiro formato comercialmente disponível,[139] e se tornou o single em vídeo mais vendido da história,[135] com mais de um milhão de cópias,[3][48] metade delas distribuídas apenas nos Estados Unidos.[140] Hoje, é lembrada como uma das maiores controvérsias da carreira da artista.[48]
Inicialmente, não havia planos para lançar "Rescue Me", então um videoclipe oficial também não foi filmado; no entanto, sua execução contínua em estações de rádio levou a Sire e a Warner Bros. a decidirem lançá-lo para venda.[141][142] Dessa forma, nos Estados Unidos foi o segundo single do álbum e foi comercialmente disponibilizado em 23 de fevereiro de 1991, enquanto no Reino Unido foi o terceiro e foi lançado em 1º de abril daquele ano, com "Spotlight" — de seu álbum de remixes You Can Dance (1987) — como lado B.[141][143][144] Comercialmente, ficou entre os dez primeiros em nações como Canadá,[145] Estados Unidos —onde foi seu 22.º top 10 de um total de vinte e três entradas—,[127] Irlanda[146] e Reino Unido.[147]
Crítica profissional
[editar | editar código]| Críticas profissionais | |
|---|---|
| Avaliações da crítica | |
| Fonte | Avaliação |
| AllMusic | |
| Blender | |
| Robert Christgau | A+[149] |
| Entertainment Weekly | A[150] |
| Mojo | favorável[151] |
| Q | |
| Rolling Stone | |
| Sputnikmusic | |
Entre as críticas mais favoráveis estão as de Martin C. Strong, autor de The Great Rock Discography (2000), que lhe atribuiu uma nota nove de dez e o chamou de "impressionante", e da Rolling Stone, que lhe concedeu cinco de cinco estrelas e o aclamou como "o padrão de referência para compilações de Madonna", bem como "um dos maiores álbuns de sucessos de todos os tempos".[155][156] Escrevendo na Blender, Tony Power, que lhe consagrou com as cinco estrelas permitidas, chamou-o de "perfeição" e creditou-lhe a invenção do "formato moderno de maiores sucessos com faixas bônus, tão amado pelas gravadoras".[16] Em uma análise da discografia da intérprete, Bill Lamb, do Live About, considerou-o como uma coleção "excepcional" e um dos "álbuns definitivos da música pop dos anos 1980".[157] Robert Christgau deu-lhe um "A+", a única vez que o crítico concedeu sua nota máxima a um álbum de Madonna. Em sua resenha, ele o percebeu como "o melhor disco de sua vida mortal", com "dezessete sucessos, mais da metade deles clássicos inesquecíveis [...] unificados pela praticidade plástica de sua voz e pela eletricidade sintética de seu ritmo".[149] Stephen Thomas Erlewine, do banco de dados AllMusic, sentiu que capturava tudo o que Madonna representava e destacou que ela era "uma das maiores artistas de singles da década de 1980". Apesar de observar que as músicas não estavam em suas versões originais, o editor comentou que ainda era uma "compra necessária" e a chamou de "a coisa mais próxima de uma retrospectiva definitiva".[148] David Browne, da revista britânica Entertainment Weekly, elogiou o trabalho de Pettibone por "aprimorar as músicas em vez de sobrecarregá-las", particularmente na textura de "Like a Prayer" e nos "acordes poderosos" de "Lucky Star".[150]
James Hannaham, da revista Spin, viu-o como prova de sua "ascensão de lolita pop à dama do universo", e a revista Black Radio Exclusive afirmou que ele narrava sua "carreira incrível" com todas as suas "grandes canções", tornando-o um "grande presente" para seus fãs.[158][159] JD Considine, do The Baltimore Sun, mencionou que seu maior valor era oferecer uma visão sobre sua carreira e sua "capacidade de transmitir uma ampla gama de emoções" por meio das canções. Ele acrescentou que "ela não é apenas uma estrela pop qualquer e [este] não é apenas um álbum de grandes sucessos": "Imaculado? Mais para impecável".[160] Um jornalista do Chicago Tribune afirmou que o projeto deixava claro que sua música se sustentava "muito bem sem os visuais" e oferecia "uma boa visão geral de [sua] carreira de oito anos". Além disso, ele destacou a evolução de sua voz, "inicialmente aguda como a de um esquilo", para um registro mais profundo e "mais sensual", enquanto sua música "se expandia para abranger uma gama mais ampla de ritmos e ideias". Ele concluiu: "Quer queiramos ou não, os seus singles foram a trilha sonora dos anos 80, captando a energia e os ritmos da cena underground e trazendo um pouco dessa travessura libertadora aos centros comerciais e subúrbios da juventude americana".[138] Michael Freedbergm, do periódico The Boston Phoenix, também comentou sobre o progresso da sua voz, que "não só ensinou uma geração de aspirantes a vendedores a cantar, mas também a expressar simultaneamente um apelo sexual pulsante e uma inocência descarada".[1] O jornal brasileiro Correio Braziliense destacou o sucesso comercial da intérprete em The Immaculate Collection, apesar de ser composta principalmente de músicas lançadas anteriormente, bem como o fato delas apresentarem o "estilo aeróbico popular que Madonna ajudou a estabelecer no mundo pós-disco".[161]
Em resenhas mais variadas, Jim Greer, da Spin, observou que o interessante na coletânea "é que você percebe o quanto ela evoluiu com tão poucas músicas e o quanto isso pouco importa".[162] O jornal brasileiro Tribuna da Imprensa analisou que Madonna estava recorrendo a uma de suas "estratégias de marketing inteligentes para arrancar alguns trocados extras dos bolsos de sua legião de fãs leais e cada vez maior". Sobre o álbum, sugeriu que ele poderia muito bem ser a trilha sonora do documentário Truth or Dare e afirmou que era "apenas para devotos".[163] Para editor do Stereogum, Tom Breihan, a obra era "ainda mais impressionante quando se pensa no que não foi incluído no álbum", especialmente a omissão de "Who's That Girl", que ele considerou "realmente importante" para a artista, visto que era a faixa-título do filme de mesmo nome e havia alcançado o primeiro lugar nos Estados Unidos.[164] Alfred Soto, da Stylus Magazine, observou que várias faixas que haviam sido "essenciais para entender seu domínio completo do mercado pop como meio de autoexpressão e canal para nossas emoções" foram ignoradas, incluindo "Angel" e "Dress You Up", dois singles de Like a Virgin que alcançaram o top cinco nos Estados Unidos.[165] Ainda mais negativos foram Wayne Robins, do Newsday, que opinou que era "nada mais do que um único disco com embalagem elaborada para justificar seu preço mais alto do que o normal".[166] Moira Noonan e Anne Feaster, autoras de Spiritual Deceptions in the Church and the Culture: A Comprehensive Guide to Discernment (2015), mencionaram que a música de The Immaculate Collection estava repleta de conteúdo "ofensivo", combinando o sagrado com o profano e sendo "afrontas deliberadas à Virgem Maria e a Jesus Cristo".[167]
Legado
[editar | editar código]Reconhecimento
[editar | editar código]É inegável a genialidade pop por trás dos primeiros quinze anos de sucessos da Sra. Ciccone. [...] Este álbum, brilhantemente compilado aqui em ordem cronológica, que faz jus a ABBA Gold como uma coleção de singles tão profundamente enraizados na consciência coletiva que você conhecerá todas as faixas.
— Resenha retrospectiva de Ross Bennett, da revista Mojo.[168]
Em análises retrospectivas, The Immaculate Collection foi considerado um dos "maiores álbuns de compilação da história do pop" e até mesmo o "mais incrível" de todos os tempos.[13][164][169][170] O The New York Times o nomeou um dos discos "definitivos" do século XX, e em 2020 a Rolling Stone o classificou em 138º lugar ao compilar os 500 maiores álbuns de todos os tempos.[171][172] O biógrafo Daryl Easlea observou que, juntamente com Red e Blue, dos The Beatles, Hot Rocks, dos The Rolling Stones, The Immaculate Collection "continua sendo um das maiores coletâneas de todos os tempos".[23] A jornalista Caroline Sullivan explicou que os motivos pelos quais recebeu tantos elogios da crítica foram, em parte, porque "ter todos os singles dos anos 80 em um só lugar evocava aquela década e seu domínio dentro dela", e porque possuir a coletânea "era como possuir um pedaço da história da cultura pop. E, claro, porque as músicas eram impecavelmente brilhantes".[173] Thomas J. Ferraro, em seu livro Feeling Italian: The Art of Ethnicity in America (2005), afirmou que, por pelo menos uma década, foi "a trilha sonora das noites de sábado", enquanto os autores Marian L. Salzman, Ira Matathia e Ann O'Reilly, em um comentário semelhante, sustentaram que se tornou "a playlist de festa e a fita de treino preferida para jovens de ambos os sexos em todo o mundo".[174][175] Tom Breihan, do Stereogum, reconheceu que ouvi-la do começo ao fim "é se maravilhar com uma carreira pop verdadeiramente magistral".[164] A Blender considerou-o o "ápice da genialidade" de Madonna, bem como o maior disco americano de sempre, enquanto Nick Levine, da Vice, o chamou de "a coisa mais próxima da perfeição que existe na música pop".[52][176] Para Taraborrelli, tinha sido mais do que uma "simples coleção" de canções populares da intérprete, pois "serviu como um marco valioso para uma carreira que, desde os seus primórdios profissionais, só se moveu numa direção: para cima".[10]

Outras publicações incluíram-no entre os melhores álbuns da artista, como a revista Dig!, o jornal The Daily Telegraph, que o considerou o ponto alto da sua carreira, e o livro de Ari Abramowitz, The Pockit Rockit Music Finder (2004).[58][60][177] A revista People chamou-o de a compilação com "o melhor nome de sempre", um sentimento partilhado por Peter Robinson do The Guardian, que afirmou ser um dos "melhores títulos de álbuns de grandes êxitos da história do pop".[170][178] Noutro artigo para o mesmo jornal, a biógrafa e jornalista Lucy O'Brien recomendou-o aos ouvintes que quisessem descobrir o catálogo anterior da cantora, uma vez que os seus sucessos dos anos 80 são "brilhantemente capturados" na compilação.[179] Nos Dance Aid Trust Awards de 1991, realizados no Reino Unido, The Immaculate Collection ganhou a categoria de Melhor Álbum de Dance; o prémio foi entregue à marca WEA, que o distribuiu no território.[180]
Para Robin Monica Alexander e Kelly Stitzel, em uma análise da discografia de Madonna para o portal Popdose, o projeto marcou uma "grande transição" em sua carreira, "tornando impossível até mesmo para os setores mais anti-pop ignorá-lo".[15] Robert Christgau afirmou que compilações como esta eram "impressionantes e provavelmente continuarão sendo, assim como Blonde on Blonde ou Live at the Apollo. Sua frescura brega, confiança pós-feminista, ritmo eletrônico centrado no prazer e o astuto equilíbrio entre aceitabilidade capturam tanto uma sensibilidade quanto uma era".[181] Louis Virtel, do HitFix, chamou-o de "uma coleção indispensável de perfeição pop" e o álbum "mais essencial" da cantora. Ele também enfatizou que era o "padrão para coletâneas de maiores sucessos, mais até do que HIStory, de Michael Jackson, ou ABBA Gold", porque as músicas abrangiam uma "ampla gama de estilos e temas", ao mesmo tempo que constituíam "uma declaração unificada de exuberância desenfreada e charme travesso".[182] De acordo com Douglas Wolk, da Pitchfork, "é o tipo de retrospectiva perfeita que os artistas pop sonham em alcançar".[183]
Impacto cultural
[editar | editar código]Em 1990, a produção de alguns desses sucessos podia soar um pouco datada, mas as canções em si eram atemporais. A versatilidade de Madonna foi recompensada com uma série de sucessos duradouros. [...] O mercado se manifestou de forma clara e inequívoca, reconhecendo que a música era tão agradável na segunda [audição] vez quanto na primeira.
—Palavras de J. Randy Taraborrelli.[184]
Nick C. Levine, da revista Dazed, afirmou que a coletânea consolidou o status de "ícone" de Madonna e "destilou os primórdios de sua carreira em uma série de singles que definiram uma era".[185] A biógrafa Mary Cross, que considerou o álbum como "uma espécie de jornada musical por sua carreira até o momento", indicou que, em retrospectiva, ele "consolidou sua história e status como um ícone pop americano".[11] Da mesma forma, Stephen Thomas Erlewine afirmou que ele capturou a era em que ela era a "figura definidora da cultura popular americana", e Mark Savage, da BBC, declarou que ele "selou" sua reputação como artista.[186][187] Similarmente, a Rhino Records escreveu que seu status como uma das "artistas femininas de maior sucesso da história" é "imediatamente compreendido simplesmente ao ouvir The Immaculate Collection", que eles consideraram "uma parte essencial de qualquer coleção de música popular".[188] De acordo com Alwyn W. Turner, em The Rough Guide to Rock (2003), a coletânea "demonstrou o quanto ela havia evoluído" e reafirmou seu status como a "melhor artista de singles da década de 1980".[189] Em sua biografia da cantora, Erwan Chuberre afirmou que o álbum foi "uma excelente maneira de responder aos detratores perenes da estrela que ainda duvidavam da força de sua carreira".[190] Thomas Harrison, autor de Music of the 1980s (2011), opinou que ele demonstrou a capacidade de Madonna de "mudar efetivamente seu estilo visual, transformando-se em uma infinidade de personagens que melhor se adequavam à sua visão musical".[191]
Por outro lado, na opinião de Melissa West, uma das editoras de Women and Music in America Since 1900: An Encyclopedia (2002), o projeto iniciou o período "mais sexualmente rebelde" de sua carreira, marcado pelos lançamentos do livro Sex e do álbum Erotica, ambos em 1992.[40][192] De acordo com Derek Gibson, do Campus Chronicle, o material demonstrou que "ela ainda conseguia provocar controvérsia e vender milhões de discos no processo".[193] Dan McCahon, da equipe da biblioteca de música da American University em Washington D. C., elogiou a coleção "pela sua amplitude de temas e estilo", que demonstrou "a versatilidade de Madonna e sua capacidade camaleônica de se reinventar e ter sucesso a cada novo lançamento".[194] Para O'Brien, foi o álbum de "definitivo" para festas e aquele que estabeleceu a tradição de lançar remixes dançantes de todos os singles futuros da artista.[9] Em entrevista à Albumism, Matthew Hocter explicou que a curiosidade em torno da coletânea "valeu a pena" porque "cativou o interesse dos ouvintes" com sucessos de seu "impressionante repertório dos anos 1980". Ele elaborou sobre o impacto do álbum:
É incrível pensar que The Immaculate Collection abrange apenas sete anos da carreira da cantora, mas esses primeiros sete anos também são uma parte crucial de uma década que viu muitas mudanças e estava prestes a abraçar muitas outras. Este álbum representa muito mais do que uma coleção de sucessos indulgentes; é um diário musical que destaca o momento cultural que Madonna iniciou, desenvolveu e conquistou. Este é o momento em que as letras de empoderamento feminino assumiram o controle absoluto, e sua facilitadora, Madonna, provou repetidamente por que merecia o título de "Rainha do Pop".[195]
O editor Robert Matthew-Walker destacou o sucesso do álbum no Reino Unido durante um período de "profunda recessão no varejo".[13] De fato, o recorde "histórico" de vendas semanais da coletânea, um dos mais altos da história do país, conseguiu "salvar um Natal fraco" para os varejistas independentes.[196] Após a recepção positiva do sistema QSound nas faixas, foi relatado que inúmeros artistas incorporaram a tecnologia em seus novos singles e álbuns, incluindo Bon Jovi, Stevie Nicks, Pink Floyd, Sting, Wilson Phillips, Janet Jackson e Paula Abdul.[28][35][197][198] Para Harrison, o que o diferenciava de outras coletâneas era a inclusão de faixas remixadas, o que representava um ponto "significativo" para a artista, que sempre buscou se manter atualizada e renovar todo o seu trabalho.[191]
Homenagens e influências
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Em 2004, a cervejaria JW Lees, sediada em Manchester, lançou a Material Girl Ale, uma cerveja com Madonna como temática, cuja garrafa apresentava o mesmo logotipo da The Immaculate Collection. Seu lançamento comercial coincidiu com a visita da cantora à cidade como parte de sua Re-Invention World Tour.[199] No ano seguinte, no outono de 2005, a artista de vídeo sul-africana Candice Breitz homenageou a cantora e a cultura pop com uma exposição chamada "Queen (A Portrait of Madonna)", na qual trinta fãs italianos de Madonna interpretaram cada música de The Immaculate Collection a cappella.[200] O projeto começou em Milão, onde Breitz reuniu um grupo de fãs de diferentes idades, raças e orientações sexuais para cantar o álbum de compilação do início ao fim, no que ela chamou de "retratos dos efeitos de uma pessoa famosa".[201][202] Durante as filmagens, que ocorreram no Jungle Sound Studios, naquela cidade em julho de 2005, cada participante usava pequenos fones de ouvido e ocupava uma das trinta telas de televisão dispostas em uma grade de 5x6.[201][203][204] As performances foram projetadas em sincronia, música por música, nos monitores empilhados, resultando em uma única obra na qual a gravação de vídeo e a trilha sonora de cada performance foram atribuídas a um monitor separado.[204][205] A "mágica" da instalação residia na conexão "sentida e emocional" que cada artista demonstrava com as letras, melodias e harmonias de Madonna, enquanto em faixas como "Vogue" e "Cherish", as vozes individuais se combinavam para criar um efeito sonoro e visual "extraordinariamente espontâneo e desinibido".[201] Breitz descreveu as gravações como "espontâneas e extremamente íntimas".[201] A exposição foi apresentada em 2005 na galeria White Cube em Londres e, em julho de 2013, no museu de arte SCAD em Savannah, Califórnia.[200][201] A obra foi considerada um exemplo de "estudos sociológicos vigorosos e comoventes", com foco no "enorme impacto emocional" de The Immaculate Collection e na capacidade da música pop de "transcender fronteiras culturais e diferenças linguísticas".[202][205]
Segundo Mark Elliott, da Dig!, The Immaculate Collection estabeleceu o padrão para todos os álbuns de maiores sucessos subsequentes e é o "melhor dos melhores, pelo qual todos os outros devem ser julgados".[3] De fato, contribuiu para o desenvolvimento da coletânea seguinte de Madonna: GHV2 (2001) foi comercializado como uma continuação de The Immaculate Collection e compreende seus sucessos de 1992 a 2001.[206][207] A edição de dois discos de Celebration (2009), um álbum "relativamente completo", incluiu todas as faixas de Immaculate, com exceção de "Rescue Me", e em 2022, Finally Enough Love: 50 Number Ones foi lançado.[3][183] A influência do material também se refletiu — segundo Mikael Wood, do Los Angeles Times — no álbum de remixes Club Future Nostalgia (2020), da cantora britânica Dua Lipa; o autor observou que, assim como o disco de Madonna, cujas músicas foram "fragmentadas e rearranjadas para se assemelharem a uma incrível sessão de boate", o de Lipa incluía "canções pop cuidadosamente elaboradas como matéria-prima para uma nova criação vibrante".[208] Em uma nota sobre o impacto da coletânea, James Rose, da publicação australiana Daily Review, reconheceu que ela contava "uma das principais histórias na evolução das artistas mulheres na música popular" e acrescentou:
The Immaculate Collection é uma história em si mesma. É a história das mulheres e da música pop na década que antecedeu 1990. Madonna era uma potência criativa que transformava e inventava estilos à medida que avançava. Musicalmente, ela pode ser subestimada; como compositora, letrista e produtora pop, ela se destacou. Em termos de canções, não há uma única faixa fraca. Immaculate Collection é história da música pop, uma linha do tempo viva de uma era. E um álbum verdadeiramente grandioso.[209]
Lista de faixas
[editar | editar código]| The Immaculate Collection – Edição padrão | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Produtor(es) | Duração | |
| 1. | "Holiday" |
| John "Jellybean" Benitez | 4:04 | |
| 2. | "Lucky Star" | Madonna | Reggie Lucas | 3:39 | |
| 3. | "Borderline" | Reggie Lucas | Lucas | 4:00 | |
| 4. | "Like a Virgin" |
| Nile Rodgers | 3:11 | |
| 5. | "Material Girl" |
| Rodgers | 3:53 | |
| 6. | "Crazy for You" |
| Benitez | 3:45 | |
| 7. | "Into the Groove" |
|
| 4:10 | |
| 8. | "Live to Tell" |
|
| 5:19 | |
| 9. | "Papa Don't Preach" |
|
| 4:11 | |
| 10. | "Open Your Heart" |
|
| 3:48 | |
| 11. | "La Isla Bonita" |
|
| 3:48 | |
| 12. | "Like a Prayer" |
|
| 5:51 | |
| 13. | "Express Yourself" |
|
| 4:04 | |
| 14. | "Cherish" |
|
| 3:52 | |
| 15. | "Vogue" |
|
| ||
| 16. | "Justify My Love" |
|
| 5:35 | |
| 17. | "Rescue Me" |
|
| 5:31 | |
| Duração total: | 73:34 | ||||
| The Immaculate Collection – Edição do iTunes Store[210] | |||
|---|---|---|---|
| N.º | Título | Duração | |
| 2. | "Lucky Star" (remix dos Estados Unidos) | 7:15 | |
| 3. | "Borderline" (remix) | 5:17 | |
| 11. | "La Isla Bonita" (remix) | 3:47 | |
| Duração total: | 78:27 | ||
- Notas
- A - denota produtores adicionais
- B - denota escritores adicionais
- C - denota produtores executivos
- D - denota produtores associados
- Todas as canções foram remixadas por Shep Pettibone usando a tecnologia QSound, exceto "Justify My Love" e "Rescue Me".
Créditos
[editar | editar código]Todo o processo de elaboração de The Immaculate Collection atribui os seguintes créditos:[14][211]
- Gravação: Waterfront Studios, Unique Recording Studio e Axis Studios (Nova Iorque)
- Remasterização: Right Track Studios e Sound Works (Nueva York)
- Masterização: Sterling Sound (Nova Iorque)
Intérpretes e músico
[editar | editar código]- Madonna: artista principal, vocais, coros
- Lenny Kravitz: coros
- Catherine Russell: coros
- Dian Sorel: coros
- Lillias White: coros
- Peter Schwartz: teclados
Composição e produção
[editar | editar código]- André Betts: produtor associado
- Andy Cardenas: gravação
- Billy Steinberg: composição
- Brian Elliot: composição
- Bruce Gaitsch: composição
- Craig Kostich: produção executiva
- Curt Frasca: assistente de engenharia
- Curtis Hudson: composição
- David Domanich: gravação
- Gardner Cole: composição
- Goh Hotoda: mixagem
- Henry Hirsch: gravação
- Ingrid Chavez: composição
- John "Jellybean" Benitez: composição, produção
- Joey Moskowitz: programação
- John Bettis: composição
- John Partham: assistente de engenharia
- Jon Lind: composição
- Josh Cuervokas: gravação
- Lenny Kravitz: composição, produção
- Lisa Stevens: composição
- Lolly Grodner: assistente de engenharia
- Madonna: composição, produção
- Michael Hutchinson: mixagem
- Mike Stoller: composição
- Nile Rodgers: produção
- P. Dennis Mitchell: engenharia
- Patrick Leonard: composição, produção
- Peter Schwartz: programação
- Peter Brown: composição
- Peter Rafelson: composição
- Reggie Lucas: composição, produção
- Rob Mounsey: arranjo
- Robert Rans: composição
- Shep Pettibone: composição, produção, mixagem
- Stephen Bray: composição, produção
- Ted Jensen: masterização
- Tom Kelly: composição
Design e administração
[editar | editar código]- Herb Ritts: fotografia
- Jeri Heiden: direção de arte, design
- John Heiden: design
- Gene Sculatti: notas de álbum
- Shep Pettibone: coordenação
- Jane Brinton: coordenação
- Freddy DeMann: gerenciamento
Desempenho comercial
[editar | editar código]Considerado um "sucesso estrondoso", The Immaculate Collection alcançou resultados comerciais "excelentes", chegando ao primeiro lugar nas paradas musicais de vários países ao redor do mundo e se tornando o álbum de Madonna com vendas mais rápidas até hoje.[5][13][49] Apenas três meses após seu lançamento, havia vendido 6,6 milhões de cópias internacionalmente, um número que aumentou para sete milhões em julho de 1991, onze milhões em abril de 1992, quando foi relatado que Madonna havia fundado sua própria empresa de entretenimento, Maverick, e 22 milhões em novembro de 2001, quando seu segundo álbum de maiores sucessos, GHV2, foi lançado.[212][213][214][206][207] As últimas atualizações da mídia estimam vendas mundiais em 30 milhões,[3][22][23] tornando-o o álbum mais vendido de sua carreira,[215] a coletânea de maiores sucessos mais vendida por uma cantora solo — um recorde reconhecido no Guinness Book of World Records —,[9] e um dos álbuns mais comprados de todos os tempos.[17][209]
Nos Estados Unidos, The Immaculate Collection entrou na parada Billboard 200, em 1º de dezembro de 1990, na 32.ª posição, representando a melhor estreia daquela semana.[217] Após subir para a 12.ª colocação na edição seguinte, Paul Grein, da Billboard, previu que o disco tinha chances de ser a primeira coletânea de maiores sucessos a alcançar o primeiro lugar na parada em mais de uma década.[218] No entanto, apesar de um "grande aumento" nas vendas durante a temporada de festas de fim de ano, o material começou a competir pelo topo com To the Extreme e Please Hammer Don't Hurt 'Em, dos rappers Vanilla Ice e MC Hammer, respectivamente, que permaneciam nas duas primeiras posições.[219] Finalmente, em 26 de janeiro de 1991, alcançou o segundo lugar, atrás de To the Extreme, que estava em sua décima segunda semana consecutiva no cume. Grein relatou que este foi o segundo disco consecutivo de Madonna, depois de I'm Breathless, a alcançar o segundo lugar atrás de um artista de rap.[220][nota 3] No entanto, foi o sétimo álbum de Madonna a entrar no top 10 da parada,[nota 4] bem como a coletânea de maiores sucessos com a melhor posição nas paradas dos Estados Unidos desde Greatest Hits, de Kenny Rogers, que havia alcançado o primeiro lugar em 1980.[216] As vendas foram impulsionadas pela controvérsia em torno do videoclipe de "Justify My Love" e seu subsequente lançamento em VHS, em dezembro de 1990, bem como pela estreia do documentário Madonna: Truth or Dare, em meados de 1991, que impulsionou o álbum para o vigésimo segundo lugar após mais de seis meses no mercado.[222][223] Teve um desempenho regular e consistente na parada, permanecendo por um total de 141 semanas consecutivas, até 25 de setembro de 1993.[221][224] No entanto, depois que a revista aboliu em novembro de 2009 a regra que impedia álbuns com mais de dezoito meses de aparecerem no ranking, ele reentrou em várias ocasiões;[225] Por exemplo, em fevereiro de 2014, após a apresentação da artista na 56.ª edição dos Grammys,[226] em setembro de 2015, com 4 mil unidades vendidas, e em janeiro de 2016, quando subiu para o número 49 — sua posição mais alta desde setembro de 1991 —, com 10 mil cópias vendidas após uma promoção na Google Play.[227][228] Com 148 semanas, é o seu segundo álbum com o maior número de semanas acumuladas na parada, depois de Madonna (1983).[221]

The Immaculate Collection foi o último disco de Madonna a aparecer na segmentada Top R&B/Hip-Hop Albums, alcançando o número 81 na edição de 26 de janeiro de 1991.[230] Foi um dos lançamentos mais populares da temporada de festas, bem como um dos lançamentos de maior sucesso da Time Warner no quarto trimestre de 1990 e no primeiro trimestre de 1991.[231][232][233] Também foi o álbum musical mais vendido da Warner Bros. Music Publications em janeiro de 1991.[234] Em abril de 1995, quando ultrapassou seis milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos, a Billboard relatou que ele havia se tornado o álbum de maiores sucessos mais vendido da década de 1990.[235] Naquele momento, dividiu com Greatest Hits (1967), de Patsy Cline, o recorde de coletânea mais comercializada por uma artista feminina em solo estadunidense, embora Madonna a tenha superado em março de 2000, após a Recording Industry Association of America (RIAA) certificá-la com nove discos de platina reconhecendo a compra de nove milhões de exemplares.[229][236] Em outubro de 2001, foi certificado diamante (10x platina) após vender dez milhões de réplicas; esta foi a segunda obra de Madonna a receber diamante no país, depois de conquistá-lo em 1999 com Like a Virgin, seu segundo álbum de estúdio.[237][238] De acordo com a RIAA, foi o décimo disco feminino mais vendido na história dos EUA.[239] Finalmente, em maio de 2023, recebeu onze certificados de platina, representando 11 milhões de unidades equivalentes a álbuns no país.[240] Deve-se notar que, desse total, 5 992 000 cópias foram contabilizadas pelo sistema de informações Nielsen SoundScan desde o início de suas operações em 1991 até o final de dezembro de 2016.[241] A esse número, somam-se 1,46 milhão de réplicas compradas até fevereiro de 2003 em clubes de música por correspondência, como o BMG Music Club, que a SoundScan não contabiliza.[242][243]
No Canadá, The Immaculate Collection entrou na tabela da revista RPM, em 1º de dezembro de 1990, na 12ª posição; isso representou a maior estreia daquela semana e do ano, bem como o sexto álbum da intérprete a entrar no top 20.[244][245][246] Na edição seguinte, já havia sido certificado como platina e subido para o 5º lugar, o que representou o maior salto para um álbum em sua segunda semana durante 1990 e superou AC/DC, New Kids on the Block e Depeche Mode, cujos lançamentos mais recentes haviam alcançado o 6º lugar em sua segunda atualização.[29][247] Assim como nos Estados Unidos, houve uma disputa acirrada pelo 1º lugar entre Madonna e To the Extreme, de Vanilla Ice; embora este último tivesse alcançado o topo da parada, na edição de 19 de janeiro de 1991, The Immaculate Collection o desbancou do posto, onde permaneceu por seis edições consecutivas.[248][249] Foi o primeiro álbum número um de 1991 na RPM, bem como o primeiro de uma artista feminina a começar o ano nessa posição desde 1979, e o primeiro da artista a alcançar esse posto desde True Blue (1986).[250][251] No total, permaneceu na parada por quarenta semanas, fazendo sua última aparição em 14 de setembro na posição 98, e terminou como o quadragésimo disco mais comprado em 1990 e o nono em 1991.[252][253] Em outubro de 2003, a então Canadian Recording Industry Association (CRIA) certificou-o sete vezes platina, por vendas de 700 mil cópias no país.[254] Na América Latina, obteve resultados comerciais favoráveis. Por exemplo, na Argentina, estreou em primeiro lugar e, posteriormente, a Cámara Argentina de Productores de Fonogramas y Videogramas (CAPIF) certificou-o seis vezes platina, representando 360 mil unidades faturadas no país.[255][256] No Brasil, embora não tenha entrado em nenhuma parada oficial, foram adquiridos 310 mil exemplares até outubro de 1993; posteriormente, recebeu duas certificações de platina da organização Pro-Música Brasil após ultrapassar meio milhão de cópias.[257][258] Já no México, também não apareceu em nenhuma parada na época de seu lançamento, mas conseguiu vender 800 mil réplicas até novembro de 2001.[259] Na semana de 18 a 24 de junho de 2012, alcançou o número 65 na parada compilada pela Asociación Mexicana de Productores de Fonogramas y Videogramas (AMPROFON).[260]
Em terras britânicas, The Immaculate Collection vendeu 340 mil cópias nos seus primeiros sete dias de lançamento, a segunda maior quantia de estreia registada até então,[17][261] e, em 24 de novembro de 1990, debutou diretamente no topo da UK Albums Chart, representando o 418.º álbum a alcançar esse posto na história da tabela.[262] Com isto, Madonna ultrapassou Kate Bush e Barbra Streisand e tornou-se a primeira artista solo feminina a emplacar quatro projetos na liderança, tendo alcançado anteriormente este feito com Like a Virgin, True Blue e Like a Prayer.[263][264] As compras aumentaram durante as cinco semanas seguintes, um facto que o repórter Alan Jones enfatizou dada a queda nas vendas de álbuns nesse ano em comparação com 1989.[265] De facto, na sua quinta semana, tinha vendido um quarto de milhão de cópias, segundo a editora WEA; Jones previu que ultrapassaria um milhão entre o Natal e o Ano Novo, menos de dois meses após o seu lançamento.[266] Liderou a tabela durante a semana do Natal de 1990, quando atingiu um pico "impressionante" de 345 mil cópias distribuídas, o segundo maior número registado na história do país até então, apenas atrás de Bad, de Michael Jackson, que tinha alcançado 350 mil em 1987.[265][267] No total, permaneceu em primeiro lugar durante 9 edições consecutivas, quando em 26 de janeiro de 1991 foi substituído por MCMXC aD, da banda alemã Enigma.[268] Isso representou o maior tempo de permanência de sua carreira no topo da parada, superando as seis semanas de True Blue (1986),[265] bem como o maior tempo de permanência para um álbum feminino, um recorde que ela manteve por 21 anos até o lançamento de 21, de Adele, que passou 10 semanas consecutivas em 2011.[269] Além disso, a cantora aumentou o número de semanas no topo ao longo de sua carreira para um total de 16, a maior quantidade para uma mulher depois de ultrapassar Streisand.[270] Assim como nos Estados Unidos, as vendas da compilação foram impulsionadas após a estreia do documentário Truth or Dare, o que levou ao seu retorno à terceira posição, na edição de 10 de agosto de 1991, seu melhor desempenho desde janeiro daquele ano.[271][272]
Apesar do lançamento tardio,[265] foi o disco de vinil mais vendido de 1990 e o segundo álbum mais vendido no geral — atrás apenas de …But Seriously, de Phil Collins—,[273][274] alcançando cinco certificações de platina até então e vendendo mais de 1,25 milhão de unidades, superando seu trabalho anterior, True Blue (1986), e se tornando o disco de maior sucesso de sua carreira.[265][273] Além disso, considerando todo o seu catálogo, Madonna foi a terceira artista mais vendida do ano, com 1,86 milhão de álbuns, atrás de Collins e Elton John; Paul Gambaccini, um dos autores do livro British Hit Albums (1992), chegou a nomeá-la a "estrela feminina mais notável do ano".[270][275] De acordo com Dave McAleer, em The All Music Book of Hit Albums (1995), seu sucesso comercial contribuiu para que as vendas totais de álbuns da cantora em todo o mundo ultrapassassem cinquenta milhões.[276] Ficou em terceiro lugar entre os álbuns de dance-pop de maior sucesso no Reino Unido, depois de Thriller e Bad, de Michael Jackson, e, em 1991, era o terceiro CD mais comprado na história do país, com 1,5 milhão de cópias comercializadas.[277][278][279] Terminou como o sétimo disco mais comprado da década, com 2,5 milhões de unidades, e permaneceu nas paradas por um total de 363 semanas, 28 delas entre os dez primeiros, com múltiplas reentradas de abril de 1992 a agosto de 2022.[280][281] Na época, foi o álbum mais vendido por uma artista feminina na história do Reino Unido, um feito registrado na edição de 1999 do Guinness Book of World Records.[282] Anos depois, em novembro de 2006, ainda dettinha esse feito e ocupava o décimo lugar no geral, com números atualizados de 3,36 milhões.[283] Finalmente, em agosto de 2022, a British Phonographic Industry (BPI) certificou-o com treze platinas, representando 3,9 milhões de unidades equivalentes.[284] Continua sendo a compilação mais comercializada por uma artista feminina e por uma artista solo, bem como a quarta no geral, depois de Greatest Hits e Greatest Hits II, de Queen, e ABBA Gold, de ABBA.[285][286] É também o lançamento mais comprado de Madonna, o terceiro álbum mais vendido por uma artista feminina — atrás de 21 de Adele e Back to Black, de Amy Winehouse — e, até novembro de 2019, o décimo segundo mais adquirido na história do país.[287][288]
Ao redor da Europa, alcançou o primeiro lugar na Finlândia e na Irlanda, enquanto chegou até o terceiro lugar na parada pancontinental European Top 100 Albums, que compila as vendas de álbuns em dezesseis países da Europa, a coletânea teve a melhor estreia da semana, entrando no sexto posto em 1º de dezembro; em 22 de dezembro, subiu para o terceiro lugar, atrás de The Very Best of Elton John e Serious Hits… Live!, de Elton John e Phil Collins, respectivamente.[289][290] Permaneceu na parada por um total de quarenta e seis edições e terminou como o nono disco mais vendido de 1991 no continente.[291][292] Na França, vendeu 1,1 milhão de cópias até março de 2012, tornando-se o segundo disco mais adquirido de Madonna no país, depois de True Blue, com 1,3 milhão.[293]
Na Austrália, estreou em primeiro lugar na parada ARIA Charts, em 2 de dezembro de 1990, tornando-se o terceiro projeto de Madonna no posto, depois de True Blue e I'm Breathless.[109][294] Passou cinco atualizações não consecutivas em primeiro lugar, três delas em dezembro de 1990, e por mais duas edições em janeiro do ano seguinte.[295][296] Reentrou na parada várias vezes, de 1991 a 2016, e passou um total de 96 semanas lá.[109] Ficou em nono lugar entre os CDs mais comprados no país durante o período de 1986 a 2006 e, em janeiro de 2013, era o vigésimo maior sucesso na história australiana, com 880 mil cópias adquiridas até então.[297][298] Em 2025, foi certificado quatorze vezes platina pela Australian Recording Industry Association (ARIA) por vendas de 980 mil unidades equivalentes.[299] Na Nova Zelândia, estreou em 12.º lugar na parada em 25 de novembro de 1990 e alcançou o 3.º em 27 de janeiro do ano seguinte. Permaneceu um total de 28 atualizações no gráfico, 10 delas entre os 10 primeiros, e ficou em 30.º lugar entre os mais bem sucedidos de 1991.[300][301] Em março de 2009, a Recorded Music NZ (RMNZ) concedeu-lhe sete certificações de platina em reconhecimento às 105 mil cópias consumidas no território.[302] Na tabela japonesa Oricon, estreou em 26 de novembro de 1990, em oitavo lugar, com 36 690 cópias vendidas nos primeiros sete dias e, em 3 de dezembro, subiu para o quinto posto. Permaneceu na parada por um total de vinte e seis semanas, sete delas entre os dez primeiros e, no final de 1991, havia vendido pouco mais de 400 mil unidades, das quais 364 780 foram compradas naquele ano.[303] Em fevereiro de 1998, a Recording Industry Association of Japan (RIAJ) certificou-o com platina quádrupla por vendas de 800 mil exemplares.[112]
Tabelas semanais
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Tabelas anuais[editar | editar código]
Tabelas de década[editar | editar código]
Vendas e certificações[editar | editar código]
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Ver também
[editar | editar código]Notas
- ↑ No original: "What are you lookin' at".
- ↑ A Imaculada Conceição de Maria é uma doutrina de origem apostólica proclamada como dogma em 1854 pelo Papa Pio IX, mediante a bula Ineffabilis Deus.[73]
- ↑ A trilha sonora I'm Breathless havia alcançado a segunda posição na Billboard 200 em junho de 1990, abaixo de Please Hammer Don't Hurt 'Em, de MC Hammer.[220]
- ↑ Depois de Madonna (1983), Like a Virgin (1984), True Blue (1986), Who's That Girl, Like a Prayer (1989) e I'm Breathless.[221]
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Em outras línguas
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