Final da Copa do Mundo FIFA de 1994
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O Rose Bowl sediou a final. | |||||||
| Evento | Copa do Mundo FIFA de 1994 | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| |||||||
| depois da prorrogação Brasil venceu por 3–2 na disputa de pênaltis | |||||||
| Data | 17 de julho de 1994 | ||||||
| Local | Rose Bowl, Pasadena | ||||||
| Árbitro | Sándor Puhl | ||||||
| Público | 94 194[1] | ||||||
| Tempo | 38 °C (100 °F)[2] | ||||||
A final da Copa do Mundo da FIFA de 1994 foi a partida final da Copa do Mundo da FIFA de 1994, a décima quinta edição da Copa do Mundo, principal torneio de futebol organizado pela FIFA envolvendo seleções masculinas de suas associações. Ela foi realizada no Rose Bowl, em Pasadena, Califórnia, Estados Unidos, em 17 de julho de 1994, e foi disputada por Brasil e Itália. A competição teve 24 países como seus participantes; entre eles, os Estados Unidos e a Alemanha se classificaram automaticamente por serem país sede e o atual campeão do torneio, respectivamente. As outras 22 seleções se classificaram após eliminatórias organizadas pelas seis confederações da FIFA. No torneio, todas as seleções disputaram uma fase de grupos, das quais dezesseis equipes se classificaram para a fase eliminatória. A caminho da final, o Brasil terminou em primeiro lugar no Grupo B, com duas vitórias e um empate; no mata-mata, venceu os Estados Unidos nas oitavas de final, Países Baixos nas quartas de final e Suécia na semifinal. A Itália, por sua vez, terminou na terceira colocação do Grupo E e se classificando por ter sido uma das melhores terceiras colocadas dos grupos da Copa. Nas oitavas, venceram a Nigéria, depois a Espanha nas quartas e a Bulgária na semifinal. Ambas as equipes estavam em busca do seu tetracampeonato de Copa do Mundo. A final aconteceu diante de pouco mais de 94 mil torcedores e foi apitada pelo húngaro Sándor Puhl.
Em uma partida que foi disputada sobre um sol de 38 °C (100 °F) na Califórnia, o placar não saiu do zero. Após noventa minutos de jogo no tempo normal e mais trinta minutos de prorrogação, o jogo terminou empatado sem gols, fazendo desta a primeira final de Copa do Mundo decidida nos pênaltis. Na disputa por pênaltis, o Brasil venceu por 3–2, converteu suas cobranças com Romário, Branco e Dunga (Márcio Santos desperdiçou sua cobrança), enquanto a Itália marcou com Demetrio Albertini e Alberico Evani, mas errou com Franco Baresi, Daniele Massaro e Roberto Baggio; essa última cobrança finalizou o placar em 3–2 para a Seleção Brasileira e garantindo seu quarto título de Copa do Mundo. Romário recebeu a Bola de Ouro como melhor jogador do torneio, enquanto Roberto Baggio recebeu a Bola de Prata.
A conquista marcou o primeiro título mundial do Brasil em 24 anos, encerrando um jejum que durava desde a Copa do Mundo de 1970. A decisão também entrou para a história por ter sido a primeira final de Copa do Mundo decidida por disputa de pênaltis. Após a conquista, os jogadores brasileiros homenagearam o piloto Ayrton Senna, morto meses antes do torneio, exibindo uma faixa com os dizeres "Senna... aceleramos juntos, o tetra é nosso". Essa foi, contando até a edição de 2026, o confronto mais recente entre Brasil e Itália em Copas do Mundo.
Antecedentes
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A Copa do Mundo FIFA de 1994 foi a décima quinta edição da Copa do Mundo, o torneio principal da FIFA envolvendo seleções masculinas. Ela foi sediada nos Estados Unidos durante 17 de junho e 17 de julho de 1994.[3][4] A competição contou com 24 times, com as seleções dos Estados Unidos classificados automaticamente como país-sede, e também a Alemanha, que se classificou por ter vencido a edição anterior.[5] Os 22 times restantes se classificaram através de eliminatórias que foram disputadas entre março de 1992 e novembro de 1993, organizadas pelas seis confederações continentais de futebol afiliadas à FIFA.[6] Após todas as vagas da Copa do Mundo serem preenchidas, os 24 times classificados foram divididos em seis grupos de quatro times.[5] Na fase de grupos, todas as seleções de cada grupo jogariam contra si uma vez; as duas melhores seleções de cada grupo, assim como os quatro melhores terceiros colocados dos seis grupos, avançariam à fase de mata-mata.[5]
A final foi realizada no Estádio Rose Bowl, na cidade de Pasadena, na Califórnia, parte da área metropolitana da cidade de Los Angeles.[7] Com uma capacidade de 102 mil pessoas, era o maior estádio selecionado para a Copa do Mundo, e já tinha sido sede da final na modalidade de futebol nos Jogos Olímpicos de 1984 e cinco Super Bowls.[7] A bola para o jogo foi a Adidas Questra, que foi apresentada no início da Copa do Mundo.[8] A bola era mais leve dos que as usadas anteriormente. O jornalista canadense Scott McKeen a descreveu como tendo sido "projetada para criar um pouco mais de entusiasmo para o futebol, numa terra onde tem pouco entusiasmo para futebol".[9] O controle da bola foi elogiado pelos atacantes das seleções no torneio, mas foi criticada por goleiros, que afirmaram que ela era "imprevisível".[8]
Ambas as seleções eram, na época, tricampeões mundiais. O Brasil venceu as edições de 1958, 1962 e 1970, enquanto a Itália conquistou as de 1934, 1938 e 1982.[3] O vencedor seria a primeira nação a vencer o torneio internacional pela quarta vez.[10] Brasil e Itália já haviam se enfrentado quatro vezes anteriormente na história da Copa do Mundo: a primeira delas, nas semifinais da edição de 1938, os europeus venceram os sul-americanos por 2–1. 32 anos depois, na final da edição de 1970, os brasileiros venceram por 4–1. Em 1978, o Brasil novamente venceu a Itália, desta vez por 2–1, na disputa do terceiro lugar; quatros anos depois, na edição de 1982, a Azzurra derrotou a Seleção Canarinho por 3–2 na fase de grupos, uma partida que foi conhecida posteriormente como "Tragédia do Sarriá".[11] Esta foi a segunda vez que Brasil e Itália se confrontaram numa final de Copa do Mundo, fazendo desta final a segunda disputada por equipes que já haviam se confrontado em outras finais de Copa do Mundo; as outras foram envolvendo Argentina e Alemanha, que já haviam se enfrentado nas finais de 1986 e 1990.[12][13]
A Seleção Brasileira começou o torneio como principal favorita, com especialistas e casas de apostas apontando-a como o time mais provável de vencer. Comentaristas citaram os jogadores considerados "estrelas" da equipe, como o meio-campista Raí e o centroavante Romário, além das condições climáticas quentes, as quais eles disseram que favoreceriam os times latino-americanos.[14] A Itália também foi listada antes do torneio como um dos times mais prováveis de ganhar a competição, embora alguns comentaristas afirmaram que ela teria mais dificuldades baseado nos últimos resultados antes do torneio e uma dificuldade do time em se adaptar ao estilo preferido de ataque do técnico Arrigo Sacchi.[15] Na edição anterior, o Brasil foi eliminado nas oitavas de final, perdendo para a Argentina, enquanto a Itália, que sediou a competição, terminou em terceiro lugar, vencendo a Inglaterra na disputa do terceiro lugar depois de perder nos pênaltis para a própria Argentina na semifinal.[16]
Caminhos até a final
[editar | editar código]Brasil
[editar | editar código]| Adversário | Resultado | |
|---|---|---|
| 1 | 2–0 | |
| 2 | 3–0 | |
| 3 | 1–1 | |
| OF | 1–0 | |
| QF | 3–2 | |
| SF | 1–0 |
O Brasil foi sorteado no grupo B da Copa, junto com Camarões, Rússia e Suécia.[17] O primeiro jogo foi em 20 de junho, no Stanford Stadium, na Califórnia, contra a Rússia.[18] A Seleção Brasileira abriu o placar aos 26 minutos, com Romário, e fez o segundo gol aos sete do segundo tempo, com Raí, cobrando pênalti.[18] Quatro dias depois, no mesmo local, os sul-americanos venceram a Seleção de Camarões por 3–0, com gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto.[18] Com a vitória, a equipe canarinho se classificou para a fase de mata-mata com uma rodada de antecedência.[18][19] O último jogo do Brasil na fase de grupos foi contra a Suécia, no Pontiac Silverdome, em Michigan, em 28 de junho. Kennet Andersson abriu o placar para o time europeu aos 23 minutos, mas Romário empatou a partida pouco depois da volta do intervalo. O jogo acabou empatado em 1–1, o suficiente para a Seleção Brasileira terminar na liderança de seu grupo.[18]
Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou os anfitriões Estados Unidos, que se classificaram em terceiro no grupo A.[17][18] O jogo ocorreu no dia 4 de julho, Dia da Independência Estadunidense, novamente no Stanford Stadium. O desempenho do Brasil durante a maior parte da partida foi descrito por Paul Wilson, repórter do jornal britânico The Guardian, como "totalmente pouco convincente para aspirantes a campeões", até que Bebeto marcou o único gol do jogo aos 72 minutos.[18][20] Ambas as equipes terminaram o jogo com um jogador a menos, após o brasileiro Leonardo ser expulso por uma cotovelada em Tab Ramos, e o estadunidense Fernando Clavijo receber o seu segundo cartão amarelo nos momentos finais da partida.[18][21][a] Nas quartas de final, a Seleção Brasileira encarou Países Baixos, no Cotton Bowl, em Dallas. Depois de um primeiro tempo sem gols, Romário abriu o placar aos 53 minutos; Bebeto fez o segundo gol dez minutos depois. O segundo gol brasileiro foi contestado pelos neerlandeses, que afirmaram que Romário estava em posição de impedimento quando o lateral-esquerdo Branco iniciou a jogada, mas o gol foi validado. Rob Witschge, meio-campista de Países Baixos, disse após a partida que o bandeirinha estava "absolutamente cego".[23] Os Países Baixos, então, reagiram e empataram a partida com gols de Dennis Bergkamp um minuto depois do gol de Bebeto, e de Aron Winter aos 76 minutos.[24] Cinco minutos depois, o Brasil novamente voltou à frente no placar com Branco, que acertou uma cobrança de falta e definiu a vitória brasileira em 3–2.[18][24] Nas semifinais, o time brasileiro enfrentaria a Suécia, no próprio Rose Bowl, na Califórnia, em 13 de julho.[18] O time europeu se defendeu ao longo do jogo e ficou com um jogador a menos aos 63 minutos, após o meio-campista Jonas Thern ser expulso após falta em Dunga.[25] O Brasil abriu o placar da partida aos 80 minutos, após Romário aproveitar cruzamento do lateral-direito Jorginho e cabecear a bola para fazer 1–0. O placar não se alterou até o fim da partida, e o Brasil se classificou para a final.[18]
Itália
[editar | editar código]| Adversário | Resultado | |
|---|---|---|
| 1 | 0–1 | |
| 2 | 1–0 | |
| 3 | 1–1 | |
| OF | 2–1 (pro) | |
| QF | 2–1 | |
| SF | 2–1 |
A Itália foi sorteada no Grupo E da Copa, junto com México, Irlanda e Noruega.[17] Segundo o jornal australiano The Sydney Morning Herald, a seleção italiana era uma das favoritas para ganhar a copa.[26] Começou sua caminhada no torneio em 18 de junho, enfrentando a Irlanda no Giants Stadium, em East Rutherford, Nova Jérsei. A Irlanda venceu por 1–0, com um gol marcado por Ray Houghton aos 11 minutos do primeiro tempo.[27] O segundo jogo da Seleção Italiana foi em 23 de junho, quando enfrentou a Noruega, novamente no Giants Stadium. O goleiro italiano Gianluca Pagliuca foi expulso aos 22 minutos de jogo, mas a Itália conseguiu se recuperar na partida e venceu por 1–0, com Dino Baggio marcando o único gol do jogo aos 69 minutos.[28] No último jogo da fase de grupos, a Itália enfrentou o México, no RFK Stadium, em Washington, DC. Daniele Massaro abriu o placar para os italianos pouco depois da volta do intervalo, mas o México empatou com Marcelino Bernal aos 57 minutos.[29] O jogo acabou empatado em 1–1. Ao fim da fase de grupos, todas as quatro seleções do Grupo E estavam com quatro pontos e saldo de gols de zero. De acordo, então, com os critérios de desempate, o México, que tinha mais gols marcados, se classificou em primeiro, enquanto a Noruega, que menos gols fez, foi eliminada. A Irlanda e a Itália tinham dois gols marcados ambas, mas a Irlanda se classificou em segundo por ter vencido a Itália no confronto entre as duas equipes na fase de grupos. A Seleção Italiana ficou em terceiro, mas conseguiu se classificar por ter tido um dos melhores aproveitamentos entre as seleções que ficaram no terceiro lugar, com a sua classificação confirmada quando Camarões perdeu para a Rússia no fim do dia.[30]
A Nigéria foi o adversário da Itália nas oitavas de final. O jogo foi realizado em 5 de julho, no Foxboro Stadium, em Foxborough, Massachusetts.[31] A seleção africana abriu o placar aos 25 minutos, quando Finidi George cobrou um escanteio que foi rebatido pelo defensor Paolo Maldini, antes de Emmanuel Amunike chutar para o gol.[31] Aos 75 minutos, a Itália ficou com um jogador a menos, quando Gianfranco Zola cometeu falta em Augustine Eguavoen e foi expulso. Apesar disso, a seleção europeia igualou o marcador aos 88 minutos, com Roberto Baggio.[31] Com o placar em 1–1, o jogo foi para a prorrogação; Roberto Baggio fez seu segundo gol na partida aos 102 minutos, cobrando pênalti e assegurando uma vitória italiana por 2–1.[31][32] O jogo das quartas de final seria contra a Espanha, novamente em Foxborough, no dia 9 de julho. Dino Baggio botou a Itália à frente no placar aos 25 minutos, antes de José Luis Caminero igualar pouco antes dos 60 minutos. Pelo segundo jogo seguido, Roberto Baggio marcou nos momentos finais do jogo, garantindo uma nova vitória por 2–1 da Itália.[33] Nas semifinais, a Itália voltou ao Giants Stadium, desta vez, para enfrentar a Bulgária, em 13 de julho. A Seleção Búlgara era a considerada "sensação" da Copa, tendo eliminado seleções como a Argentina e Alemanha no caminho à semifinal. Entretanto, a Itália marcou dois gols rapidamente, antes dos trinta minutos de jogo, ambos com Roberto Baggio. A Bulgária diminuiu a diferença aos 44 minutos, com um pênalti cobrado por Hristo Stoichkov. O placar não se alterou até o fim da partida e a Itália garantiu sua presença em mais uma final de Copa do Mundo.[34]
Pré-jogo
[editar | editar código]Arbitragem
[editar | editar código]O árbitro escolhido pela FIFA para apitar a final foi o húngaro Sándor Puhl, de, na época, 39 anos. Os árbitros assistentes seriam Venancio Zarate Vazquez, do Paraguai, e Mohammed Fanaei, do Irã.[35][36] Puhl foi escolhido entre 24 candidatos para apitar a partida e foi anunciado oficialmente dois dias antes da decisão. O húngaro não havia apitado jogos de Copa do Mundo até a edição de 1994; ele trabalhou como bandeirinha até 1988 antes de se tornar árbitro principal no ano seguinte.[35] Puhl foi eleito pela IFFHS como o melhor árbitro do mundo por quatro anos consecutivos, entre 1994 e 1997.[36][37] A respeito de futebol de clubes, Puhl apitou a partida de ida da final da Copa da UEFA de 1992–93, entre Borussia Dortmund e Juventus, e também a final da Liga dos Campeões da UEFA de 1996–97, também entre os dois times.[38] Durante a fase de grupos da Copa do Mundo, Puhl apitou três jogos, além da partida entre Itália e Espanha nas quartas de final. Nesta partida, o árbitro foi alvo de críticas por não ter visto uma cotovelada do italiano Mauro Tassotti no espanhol Luis Enrique.[39] Em uma entrevista em 2019, Puhl comentou sobre a decisão do torneio: "Todos os jogos são importantes para um árbitro de futebol, mas a final da Copa do Mundo [de 1994] foi o auge da minha carreira".[36] Em 21 de maio de 2021, a Federação Húngara de Futebol anunciou a morte de Puhl, aos 65 anos; a causa não foi divulgada.[40]
Escalações
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Esta seria a terceira final seguida de Copa do Mundo em que algum jogador não teria condições de jogo.[41] Arrigo Sacchi não pôde contar com o defensor Alessandro Costacurta, que estava suspenso.[42][43] Já do lado brasileiro, o único desfalque certo era o do lateral-esquerdo Leonardo, suspenso pela agressão a Tab Ramos nas oitavas de final.[44] Ambos Brasil e Itália chegaram à final com dúvidas a respeito de suas escalações. A respeito da Seleção Brasileira, Márcio Santos queixou-se de dores em sua virilha antes da partida, mas que isso não o tiraria da decisão.[42] A Itália, por sua vez, tinha a dúvida se Roberto Baggio teria condições de jogo. Substituído no segundo tempo do jogo anterior, o meio-campista teve sua distensão no músculo da coxa confirmada pelos exames posteriores à semifinal. Andrea Ferretti, médico da Seleção Italiana, comentou sobre a presença de Baggio na final: "Possivelmente, só vamos conseguir avaliar suas condições de jogo horas antes da partida." Caso o meio-campista não jogasse, os cotados para sua vaga eram Daniele Massaro, Gianfranco Zola e Giuseppe Signori.[42] Além disso, Dino Baggio e Demetrio Albertini também acusavam dores musculares, enquanto Franco Baresi havia se recuperado em tempo recorde após a lesão do menisco que aconteceu no jogo contra a Noruega, ainda na primeira fase.[45]
Cerimônia de abertura
[editar | editar código]No Estádio Rose Bowl, antes da final, a cantora estadunidense Whitney Houston, que entrou em campo com Pelé, foi a artista principal para a cerimônia de abertura da decisão.[46] Houston cantou cinco de seus sucessos, e teve o apoio de 2,5 mil figurantes.[46] Pouco depois da apresentação terminar, o saxofonista Kenny G tocou o hino estadunidense no estádio.[46] Presentes no estádio estavam figuras importantes do país, como o vice-presidente Al Gore, o ex-presidente George H. W. Bush, e o ex-secretário de estado Henry Kissinger. Além deles, astros do cinema estavam no estádio, como o ator Dustin Hoffman.[46]
Partida
[editar | editar código]Primeiro tempo
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O Brasil deu a saída de bola às 12:30 do horário local, em frente a um público de pouco mais de 94 mil pessoas presentes e a temperatura em torno de 38 °C (100 °F).[1][2][47] Segundo o portal esportivo brasileiro Trivela, o primeiro tempo foi caracterizado por muitas faltas e jogadas firmes.[46] O meio-campista brasileiro Mazinho foi o primeiro atleta a receber um cartão amarelo no jogo, após falta cometida em cima de Nicola Berti aos três minutos de jogo.[48][49] Aos onze minutos, o Brasil teve sua primeira chance de gol, com Romário, que recebeu cruzamento de Dunga pelo lado direito e cabeceou entre os zagueiros, mas o goleiro Pagliuca fez a defesa.[48][50] Aos dezesseis, Romário lançou Bebeto na ponta esquerda; o atacante tentou realizar um passe de volta para Romário, mas a bola bateu em Maldini e foi para escanteio.[46][48][51] A Itália teve a chance mais perigosa do jogo até então, um minuto depois: Baresi lançou a bola do campo de defesa, Massaro dominou, escapou dos zagueiros brasileiros, invadiu a área e chutou de perna direita, mas Taffarel conseguiu fazer a defesa.[48][52] Aos 21 minutos, o Brasil foi forçado a fazer a primeira substituição no jogo, ao colocar Cafu em campo, no lugar de Jorginho, que sentiu dores.[46][48][53] Três minutos depois, Branco cobrou falta da esquerda em direção ao gol; Pagliuca não conseguiu defender e a bola sobrou para Mazinho, que tentou chutar para o meio da área, mas o meio-campista se atrapalhou e a bola acabou saindo pela linha de fundo.[46][48][54] A Itália também precisou fazer uma substituição no primeiro tempo, aos 34 minutos, ao substituir Roberto Mussi por Luigi Apolloni.[46][48][55] O Brasil teve mais duas chances antes do fim do primeiro tempo: aos 37, com Romário, que arriscou um chute da entrada da área, e aos 42, com Branco, que cobrou falta; ambas as tentativas foram defendidas por Pagliuca.[46][48][56][57]
Segundo tempo
[editar | editar código]Aos sete minutos, Bebeto aproveitou cruzamento de Zinho da esquerda e arriscou uma cabeçada de dentro da área italiana, para a defesa de Pagliuca. Entretanto, o atacante brasileiro estava impedido e o lance foi anulado.[46][48][58] Aos dezenove, Donadoni arriscou um arremate de perna esquerda, mas Taffarel defendeu em dois tempos.[46][48][59] Dez minutos depois, Mauro Silva arriscou um chute de fora da área. Pagliuca se atrapalhou na hora de realizar a defesa e deixou a bola escapar; ela bateu levemente na trave e o goleiro a recuperou.[46][48][60] Aos 36, Donadoni fez jogada pela direita e cruzou; Roberto Baggio recebeu a bola, e da marca do pênalti, arriscou um chute, mas a bola foi acima do gol defendido por Taffarel.[46][48][61] O segundo tempo terminou sem maiores chances de gol, e a partida foi para a prorrogação.[46][48]
Prorrogação
[editar | editar código]Aos três minutos, Cafu recebeu lançamento de Dunga na direita e cruzou em direção à pequena área italiana; Pagliuca não alcançou a bola e Bebeto, com o gol aberto, não conseguiu chutar a bola corretamente, dando tempo para que o goleiro se recuperasse no lance, mesmo após dividida com Romário.[46][48][62] A Itália respondeu no lance seguinte; Roberto Baggio chutou de fora da área e Taffarel espalmou a bola a escanteio.[46][48][63] Aos nove, Zinho recebeu passe de Bebeto dentro da área e chutou de perna esquerda. Pagliuca fez a defesa e Apolloni afastou a bola para escanteio no rebote.[46][48][64] Pouco tempo antes do final do primeiro tempo, Alberico Evani arriscou um chute de perna esquerda de fora da área, mas a bola passou longe do gol brasileiro.[46][48][65] Aos três minutos do segundo tempo, Cafu recebeu passe de Bebeto dentro da área e cruzou rasteiro, buscando Romário; o centroavante tentou um arremate, mas, como estava desequilibrado, não conseguiu dar direção à bola e a mandou para fora.[46][48][66] Aos oito, Roberto Baggio tabelou com Massaro e tinha espaço, mas seu chute foi fraco e Taffarel defendeu sem dificuldades.[46][48][67] Viola realizou a última tentativa antes do fim da partida; ele recebeu a bola na entrada da área, escapou da marcação e finalizou de perna esquerda, mas a bola foi para fora.[46][48][68]
Disputa por pênaltis
[editar | editar código]Esta foi a primeira vez que uma Copa do Mundo foi decidida em uma disputa por pênaltis.[69] Baresi foi o primeiro jogador a realizar a sua cobrança e o primeiro a desperdiçá-la; o zagueiro italiano mandou a bola sobre o gol.[46][48][70] Márcio Santos também errou sua cobrança ao chutar à meia altura no canto direito, para defesa de Pagliuca.[46][48][71] Albertini abriu o placar para a Itália ao chutar no canto superior direito; Taffarel pulou para o canto esquerdo.[46][48][72] Romário converteu sua cobrança ao também cobrar no canto superior direito. A bola chegou a resvalar na trave, mas foi para as redes.[46][48][73] Evani e Branco converteram seus respectivos pênaltis e mantiveram o placar empatado.[46][48][74] Massaro foi o próximo italiano a cobrar e o segundo a desperdiçar sua cobrança; ele cobrou no canto esquerdo, onde Taffarel pulou e realizou a defesa.[46][48][75] Dunga então botou o Brasil em vantagem ao converter sua cobrança.[46][48][76] No que tornou-se um momento marcante na história de Copas do Mundo, Roberto Baggio cobrou seu pênalti sobre o gol de Taffarel, finalizando o placar em 3–2 para o Brasil e garantindo o quarto título mundial da Seleção Brasileira.[46][48][77][78]
Detalhes
[editar | editar código]| 17 de julho de 1994 | Brasil |
0 – 0 (pro) | Rose Bowl, Pasadena | |
| 12:30 (UTC−7) |
Relatório (FIFA) | Público: 94 194[1] Árbitro: |
| Penalidades | |||
| Márcio Santos Romário Branco Dunga |
3 – 2 |
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Bandeirinhas:[35][79]
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Regulamento
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Estatísticas
[editar | editar código]Referência:[80]
| Geral | Brasil | Itália |
|---|---|---|
| Gols marcados | 0 | 0 |
| Posse de Bola | 58% | 42% |
| Finalizações | 24 | 7 |
| Finalizações a gol | 10 | 3 |
| Escanteios | 5 | 3 |
| Impedimentos | 8 | 3 |
| Faltas cometidas | 18 | 17 |
| Cartões amarelos | 2 | 2 |
Pós-jogo e reações
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Com a vitória, o Brasil conquistou seu quarto título de Copa do Mundo, tornando-se, assim, a primeira seleção a atingir tal feito.[3] Além disso, a equipe brasileira encerrou um período de 24 anos sem conquistas de Copa do Mundo, sendo o último na edição de 1970.[69] Ainda no campo de jogo, aproveitando os festejos pela conquista histórica, a equipe brasileira decidiu homenagear o piloto brasileiro de Fórmula 1 Ayrton Senna, que morreu cerca de dois meses antes em um acidente ocorrido no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola. A homenagem veio estampada no cartaz que dizia: "Senna...aceleramos juntos, o Tetra é nosso". Em uma entrevista em 2019, Américo Faria, ex-superintendente da CBF, comentou: "Essa faixa quem fez fui eu e ela está guardada comigo até hoje", revelou.[81] A conquista também simbolizou a redenção de Dunga perante parte da imprensa e da torcida brasileira. Criticado após a eliminação na Copa do Mundo de 1990 e frequentemente associado a um estilo de jogo mais pragmático, o volante levantou a taça como capitão da equipe tetracampeã, após receber o troféu do vice-presidente estadunidense, Al Gore.[82] Romário recebeu a Bola de Ouro como melhor jogador do torneio, enquanto Roberto Baggio ficou com a Bola de Prata.[83]
Esta foi, contando até a edição de 2026, a última vez que as duas seleções se enfrentaram em uma Copa do Mundo.[84] Na Copa do Mundo seguinte, na França, o Brasil novamente chegou à final; desta vez, entretanto, foi derrotada pela Seleção anfitriã e ficou com o vice-campeonato.[85] A Itália, por sua vez, foi eliminada nas oitavas de final, nos pênaltis, também pela Seleção Francesa.[86] Ambos Brasil e Itália voltariam a ser campeões mundiais no futuro. O Brasil conquistaria a edição de 2002, que foi realizada na Coréia do Sul e no Japão, enquanto a Itália venceria a edição seguinte, em 2006, que foi disputada na Alemanha.[3]
Brasil
[editar | editar código]Da parte dos jogadores, Taffarel dispensou as honras de "herói" por defender o pênalti de Daniele Massaro, afirmando que "defender pênalti é questão de sorte".[87] Bebeto exaltou o time brasileiro, dizendo que o elenco "nunca perdeu a fé e que sempre teve humildade para reconhecer os erros".[87] O treinador Carlos Alberto Parreira, por sua vez, comentou: "Não é todo dia que se ganha um título mundial. Só tenho a agradecer a este grupo e à comissão técnica (...) Estou muito feliz por poder oferecer o título ao povo brasileiro, especialmente àqueles que nos apoiaram", complementando que a Seleção Brasileira "tinha toda a confiança do mundo".[69][87] Em relação à comemoração da população brasileira em seu país, no Rio de Janeiro, uma explosão de fogos de artifício coloriu a capital carioca para celebrar a conquista. Em Salvador, cerca de cinquenta mil pessoas festejaram o tetracampeonato brasileiro, acompanhados por cinco trios elétricos. Os torcedores brasileiros situados em Belo Horizonte promoveram uma apresentação pirotécnica no céu da cidade assim que o título se confirmou; na Praça Sete, área central da cidade, cerca de vinte mil torcedores assistiram ao jogo em um telão montado pela prefeitura. Finalmente, em São Paulo, no Vale do Anhangabaú, cerca de 75 mil pessoas assistiram ao jogo, participando de uma festa comandada pelo cantor Jorge Ben Jor após o fim da partida.[88]
Após a conquista do tetracampeonato, a Seleção Brasileira foi recebida com grandes celebrações em seu retorno ao Brasil. Em Recife, primeira parada da delegação após a final, cerca de 1,5 milhão de pessoas acompanharam o desfile da equipe pelas ruas da cidade. Em Brasília, os jogadores foram homenageados pelo então presidente Itamar Franco no Palácio do Planalto.[89] Apesar das comemorações pelo tetracampeonato, o retorno da Seleção Brasileira também gerou repercussão devido ao grande volume de bagagens trazidas dos Estados Unidos por integrantes da delegação. O episódio, apelidado pela imprensa de “voo da muamba”, envolveu discussões com a Receita Federal durante o desembarque no Rio de Janeiro.[90] O bordão "É tetra!", popularizado durante a conquista pelo narrador brasileiro Galvão Bueno, tornou-se uma das frases mais associadas ao futebol brasileiro e passou posteriormente a ser utilizada em diferentes contextos esportivos e midiáticos. No vocabulário informal brasileiro, a frase tornou-se uma espécie de expressão de comemoração.[91]
Itália
[editar | editar código]Responsáveis por dois dos três pênaltis italianos perdidos na decisão, Franco Baresi e Roberto Baggio comentaram sobre as suas cobranças após a partida. Baresi afirmou: "Pênaltis são como jogar na loteria. Acho que demos tudo o que podíamos. Nossas consciências estão limpas".[69] Baresi, inclusive, tornou-se o sexto jogador da história a conquistar as medalhas de bronze, prata e de ouro em Copas do Mundo.[92] Baggio, por sua vez, comentou que o cansaço foi o fator principal do seu erro na cobrança: "Eu sabia exatamente o que fazer e minha concentração estava perfeita. Só que eu estava tão cansado que eu chutei a bola forte demais."[93] O técnico italiano Arrigo Sacchi exaltou a participação da equipe na final: "[A perda dos pênaltis] não diminui em nada o mérito deles (Baggio e Baresi). Os times estavam muito cansados e vinham de um campeonato muito exigente fisicamente. Fizemos o nosso melhor, mas falhamos nos pênaltis."[69]
A derrota gerou ampla repercussão na imprensa esportiva italiana, especialmente a respeito do erro de Roberto Baggio em sua cobrança de pênalti. Entretanto, veículos como a La Gazzetta dello Sport exaltaram as atuações decisivas do meia-atacante, apelidando a trajetória da equipe italiana como "Mondiale del Codino" (Copa do rabo de cavalo, em referência ao penteado de Baggio).[94] Em relação ao povo italiano, segundo Janet Stobart, do jornal estadunidense Los Angeles Times, o que se viu nas ruas do país foi um "silêncio fúnebre", além de praças e ruas desertas e repletas de policiais, prontos para uma possível multidão comemorando o título, o que não ocorreu.[95] Havia, entretanto, entre figuras importantes do futebol italiano, um certo consenso de que a Itália havia conquistado um digno vice-campeonato. Paolo Rossi, ex-atacante italiano, campeão da Copa do Mundo de 1982, declarou: "O Brasil é uma equipe mais forte e a Itália [mereceu] um honroso segundo lugar, mas entristece ver uma final decidida nos pênaltis.[95] Gianni Rivera, também ex-jogador italiano, corroborou a opinião de Rossi sobre a disparidade entre as equipes, afirmando que "o resultado não foi inesperado".[95] Enzo Bearzot, técnico da mesma Itália campeã em 1982, afirmou que "Chegar à final já [seria] uma conquista notável para a Itália".[95]
Outros
[editar | editar código]O estilo de jogo apresentado pelas equipes na decisão gerou debates sobre pragmatismo e espetáculo no futebol, especialmente devido ao caráter defensivo e ao placar sem gols após 120 minutos. Entre os críticos estava Johan Cruijff, ex-futebolista neerlandês e, na época, treinador, que se queixou do futebol apresentado pelas duas equipes na decisão: "Uma final sem gol é o pior para o espetáculo. Uma final que acaba em cobrança de pênaltis depois que nenhuma das seleções foi capaz de marcar um só gol já é por si só o pior dos castigos para o espetáculo. (...) A partida foi ruim e não vale a desculpa de que dificilmente em uma final se pode ver bom futebol. O que acontece é que o Brasil jogou demasiadamente preocupado com seu rival e em nenhum momento conseguiu impor seu domínio de bola."[96] Em 2020, Tostão, ex-jogador brasileiro, elogiou a conquista da Seleção Brasileira, mas comentou sobre que o time "não fascinou", embora tenha sido eficiente.[97] Veículos internacionais deram destaque à conquista brasileira. Ron Harris, jornalista do Los Angeles Times, dos Estados Unidos, descreveu as celebrações no Brasil como "possivelmente a maior festa de um único dia do mundo".[98]
Em relação à audiência, a Copa do Mundo de 1994 foi transmitida para 188 países, registrando uma audiência acumulada de pouco mais de 32 bilhões de telespectadores ao longo do torneio.[99] Apenas na final, estimava-se que a audiência acumulada pelas emissoras de televisão tenha atingido 2 bilhões de pessoas no mundo todo.[100] No Brasil, a Rede Globo, principal detentora brasileira dos direitos televisivos da Copa do Mundo na época, registrou 53 pontos no Ibope na cidade de São Paulo.[101]
Ver também
[editar | editar código]Notas e referências
Notas
Referências
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Ligações externas
[editar | editar código]- Brazil v Italy | Final | 1994 FIFA World Cup USA™ | Full Match Replay (FIFA+) (em inglês). FIFA

