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Tundra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
BERJAYA Nota: Para outros significados, veja Tundra (desambiguação).

Tundra é um bioma no qual a baixa temperatura e estações de crescimento curtas impedem o desenvolvimento de árvores altas. Existem três tipos de tundra: tundra ártica,[1] tundra alpina[1] e tundra antártica.[2] Numa tundra, a vegetação é composta por arbustos, ciperáceas, gramíneas, musgos e líquenes. Nalgumas tundras existem árvores dispersas, geralmente baixas. O ecótono entre a tundra e a floresta é denominado linha de árvores. A etimologia de "tundra" em russo: тундра, vem da variante Sámi Quildim, tūndâr ("terras altas", "região montanhosa sem árvores"), na Peninsula de Kola, Murmansk.[3]

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Distribuição do clima de tundra no mundo.

O clima de tundra ou clima túndrico geralmente se enquadra na classificação climática de Köppen no tipo ET. Isso significa que o clima túndrico é um tipo de clima em que pelo menos um mês deve apresentar uma temperatura média alta o suficiente para derreter a neve, ou seja 0 °C, mas nenhum mês do ano pode apresentar temperatura média acima de 10 °C. O clima túndrico é um clima de transição entre o clima subártico e o clima glacial. É uma região de terrenos quase nivelados, e quase desprovidos de árvores.[4] Climas polares como a tundra são caracterizados por temperaturas muito baixas e condições geralmente secas. As temperaturas nunca aumentam acima de 10 °C durante o verão.[4] A tundra localizada perto do Círculo Polar Ártico e Antártico, experimenta momentos em que o Sol nunca nasce acima do horizonte.[4]

O clima túndrico é em média mais quente que o clima glacial EF, onde o gelo e neve são permanentes, e mais frio que os climas subárticos designados Dfd, Dwd e Dsd. Em regra geral, os climas de tundra são hostis à vegetação lenhosa, mesmo onde os invernos são relativamente amenos para os padrões polares, como na Islândia.

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Nuuk, capital da Groenlândia, é uma cidade localizada na fronteira das regiões de clima túndrico e subártico Dfc

Apesar da diversidade potencial de climas na categoria ET envolvendo precipitação, temperaturas extremas e estações chuvosas e secas relativas, essa categoria raramente é subdividida. As chuvas e nevões são geralmente leves devido à baixa pressão de vapor da água na atmosfera fria, mas, como regra geral, a evapotranspiração potencial é extremamente baixa, permitindo terreno encharcado e pântanos mesmo em locais com precipitação típica de desertos em latitudes baixas e médias. A quantidade de biomassa de tundra nativa depende mais da temperatura local do que da quantidade de precipitação.[4]

Distribuição do clima túndrico

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Iqaluit, capital do território canadense de Nunavut, é uma cidade de clima túndrico
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La Rinconada, no Peru, também tem clima túndrico

A região climática da tundra ocorre entre 60 e 75 ° de latitude,[5] principalmente ao longo da costa ártica da América do Norte, incluindo o norte do Alasca, norte dos Territórios do Noroeste e de Nunavut, noroeste do Quebec, norte de Labrador e ao longo das margens da Groenlândia.[4] Na Europa, o clima de tundra é encontrado em partes do litoral da Islândia, centro-sul, e norte da Noruega e Svalbard, extremo norte da Finlândia, Suécia, e extremo norte da Rússia europeia, nos Alpes envolvendo partes da Alemanha, Áustria, Eslovênia, França, Itália, Liechtenstein, Mónaco e Suíça, nos Pirenéus entre a França, Espanha e Andorra, nas Montanhas Făgăraș da Romênia e em outros pontos altos da Europa. Na Ásia, o clima túndrico é visto em pontos altos da China, como no Tibete e na cordilheira Transimalaia, na fronteira entre a China e no Nepal, incluindo o Monte Everest, e no litoral ártico da Sibéria.[4]

No Hemisfério Sul, o clima túndrico é bem mais raro, mas pode ser encontrado em boa parte da cordilheira dos Andes, em pontos altos da Colômbia e na Terra do Fogo entre Chile e Argentina.[4]

Tundra Ártica

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Definição e Extensão

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A tundra ártica ocorre no extremo Hemisfério Norte (Ártico), ao norte do cinturão da taiga. A palavra "tundra" geralmente se refere apenas às áreas onde o subsolo é permafrost, ou seja, solo permanentemente congelado. (Também pode se referir à planície sem árvores em geral, de modo que o norte da Lapónia estaria incluído). A tundra com permafrost abrange vastas áreas do norte da Rússia e do Canadá.[6] A tundra polar é o lar de vários povos que são, em sua maioria, pastores nômades de renas, como os Nganasan e os Nenets na área de permafrost (e os Sámi na Lapónia).

Solo e Paisagem

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A tundra ártica apresenta áreas de paisagem árida e permanece congelada durante a maior parte do ano.[7] O solo no local está congelado a uma profundidade de 25 a 90 cm, impossibilitando o crescimento de árvores. Em vez disso, a terra nua e por vezes rochosa só consegue sustentar certos tipos de vegetação ártica, compostas por plantas de baixo crescimento, como musgos, urzes e liquens.[8][9]

Clima e Estações

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Existem duas estações principais nas áreas de tundra polar: o inverno e o verão.[10]

  • Inverno: O clima é extremamente frio, escuro e ventoso, com uma temperatura média em torno de −28 °C, às vezes caindo para até −50 °C. No entanto, as temperaturas de frio extremo na tundra geralmente não caem tanto quanto as registradas nas áreas de taiga mais ao sul (por exemplo, as temperaturas mais baixas da Rússia, do Canadá e do Alasca foram registradas em locais ao sul da linha das árvores).
  • Verão: As temperaturas sobem um pouco e a camada superior do solo sazonalmente congelado derrete, deixando o chão muito encharcado. A tundra fica coberta de pântanos, lagos, turfeiras e riachos durante os meses quentes. Geralmente, as temperaturas diurnas no verão sobem para cerca de 12 °C, mas frequentemente podem cair para 3 °C ou até mesmo abaixo de zero.

As tundras árticas são, por vezes, alvo de programas de conservação de habitats. No Canadá e na Rússia, muitas dessas áreas são protegidas por meio de um plano de ação nacional para a biodiversidade.

A tundra ártica tende a ser ventosa, com ventos que frequentemente sopram a mais de 50–100 km/h. É também um deserto polar, com apenas cerca de 150–250 mm de precipitação por ano (o verão é tipicamente a estação de precipitação máxima). Embora a precipitação seja escassa, a evaporação também é relativamente mínima. Durante o verão, o permafrost descongela apenas o suficiente para permitir que as plantas cresçam e se reproduzam, mas como o solo abaixo está congelado, a água não consegue infiltrar-se mais profundamente, formando os lagos e pântanos característicos. Existe um padrão natural de acúmulo de material combustível e incêndios florestais que varia dependendo da natureza da vegetação e do terreno. Pesquisas no Alasca mostraram que os intervalos de retorno de incêndios variam tipicamente de 150 a 200 anos, com áreas de planície mais secas queimando com maior frequência do que as áreas montanhosas mais úmidas.[11]

Biodiversidade (Flora e Fauna)

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A biodiversidade das tundras é baixa: podem ser encontradas 1.700 espécies de plantas vasculares e apenas 48 espécies de mamíferos terrestres, embora milhões de aves migrem para lá todos os anos por causa dos pântanos.[12] Também existem algumas espécies de peixes. São poucas as espécies que apresentam grandes populações.

A tundra é amplamente desprovida de animais pecilotérmicos (de sangue frio), como rãs ou lagartos.

Atividade Humana e Recursos Naturais

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Devido ao clima rigoroso da tundra ártica, as regiões desse tipo têm registrado pouca atividade humana, embora às vezes sejam ricas em recursos naturais como petróleo, gás natural e urânio. Em tempos recentes, isso começou a mudar no Alasca, na Rússia e em algumas outras partes do mundo: por exemplo, o Distrito Autônomo de Yamalo-Nenets produz 90% do gás natural da Rússia.[16][17]

Vegetação

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A vegetação predominante é composta de líquens, musgos, ervas e arbustos baixos, devido às condições climáticas que as impedem de crescer. As plantas com raízes longas não podem se desenvolver pois o subsolo permanece gelado. Por outro lado, como as temperaturas são muito baixas, a matéria orgânica decompõe-se muito lentamente e consequentemente, o crescimento da vegetação é lento.

Uma adaptação que as plantas destas regiões desenvolveram é o crescimento em maciços, o que as ajuda a evitar o ar frio. Outra adaptação é que elas crescem junto ao solo, o que as protege dos ventos fortes. As folhas são pequenas, retendo a umidade com maior facilidade. Apesar das condições inóspitas, existe uma grande variedade de plantas que vivem na Tundra Ártica.

A maioria dos animais, sobretudo aves e mamíferos, apenas utilizam a tundra no curto verão, migrando para regiões mais quentes no inverno. Os animais que ali vivem permanentemente, como os ursos-polares, bois-almiscarados (Ovibos moschatus) (na América do Norte) e lobos árticos, desenvolveram as suas próprias adaptações para resistir aos longos e frios meses de inverno, como um pelo espesso, camadas de gordura sob a pele e a hibernação. Por exemplo, os bois-almiscarados apresentam duas camadas de pelo, uma curta e outra longa. Também possuem cascos grandes e duros, o que lhes permite quebrar o gelo e beber a água que se encontra por baixo.

Os répteis e anfíbios são poucos ou encontram-se completamente ausentes devido às temperaturas serem muito baixas.

A lebre-ártica, por exemplo, muda a cor do seu pelo no inverno e no verão. Isso ajuda o animal a camuflar-se. O cisne-da-tundra tem 25 000 penas, 80% das quais na cabeça e no pescoço.[18]

Tundra alpina

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A tundra alpina encontra-se em vários países e situa-se no topo das altas montanhas. É muito fria e ventosa e não tem árvores. Ao contrário da Tundra Ártica, o solo apresenta uma boa drenagem e não apresenta permafrost. Apresenta ervas, arbustos e musgos, tal como a tundra ártica. Encontram-se animais como as cabras da montanha, alces, marmotas (pequeno roedor), insetos (gafanhotos, borboletas, escaravelhos).

Ver também

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Referências

  1. 1 2 «The Tundra Biome». The World's Biomes. Consultado em 5 de março de 2006. Cópia arquivada em 16 de julho de 2023
  2. «Terrestrial Ecoregions: Antarctica». Wild World. National Geographic. Consultado em 2 de novembro de 2009. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2011
  3. Aapala, Kirsti. «Tunturista jängälle». Kieli-ikkunat. Consultado em 19 de janeiro de 2009. Arquivado do original em 1 de outubro de 2006
  4. 1 2 3 4 5 6 7 «Tundra Climate». www.earthonlinemedia.com. Consultado em 8 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 29 de outubro de 2023
  5. «Tundra climate». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 3 de junho de 2026
  6. «The tundra biome». ucmp.berkeley.edu (em inglês). Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 22 de julho de 2023
  7. «Tundra Biome». education.nationalgeographic.org (em inglês). Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 25 de abril de 2026
  8. «Biome: Tundra - NASA Science» (em inglês). 28 de agosto de 2020. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 17 de maio de 2026
  9. «The tundra biome». ucmp.berkeley.edu. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 12 de julho de 2026
  10. «Arctic Weather and Climate | National Snow and Ice Data Center». nsidc.org. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 19 de junho de 2026
  11. Higuera, Philip E.; Chipman, Melissa L.; Barnes, Jennifer L.; Urban, Michael A.; Hu, Feng Sheng (dezembro de 2011). «Variability of tundra fire regimes in Arctic Alaska: millennial-scale patterns and ecological implications». Ecological Applications. 21 (8): 3211–3226. ISSN 1051-0761. doi:10.1890/11-0387.1
  12. «IBA Site Listing». www.ibacanada.com. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
  13. «Where Are Arctic Mosquitoes Most Abundant in Greenland and Why? – Ecological Society of America». esa.org (em inglês). Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 28 de abril de 2025
  14. Alsworth, Mailing Address: 1 Park Place PO Box 227 Port; Us, AK 99653 Phone: 907 644-3626 Contact. «Tundra - Lake Clark National Park & Preserve (U.S. National Park Service)». www.nps.gov (em inglês). Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 3 de março de 2026
  15. «Blue Planet Biomes - Tundra Biome». blueplanetbiomes.org. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2025
  16. Forbes, Bruce C.; Stammler, Florian; Kumpula, Timo; Meschtyb, Nina; Pajunen, Anu; Kaarlejärvi, Elina (29 de dezembro de 2009). «High resilience in the Yamal-Nenets social–ecological system, West Siberian Arctic, Russia». Proceedings of the National Academy of Sciences. 106 (52): 22041–22048. PMC 2791666Acessível livremente. PMID 20007776. doi:10.1073/pnas.0908286106. Cópia arquivada em 22 de setembro de 2025
  17. Raynolds, Martha K.; Walker, Donald A.; Ambrosius, Kenneth J.; Brown, Jerry; Everett, Kaye R.; Kanevskiy, Mikhail; Kofinas, Gary P.; Romanovsky, Vladimir E.; Shur, Yuri; Webber, Patrick J. (abril de 2014). «Cumulative geoecological effects of 62 years of infrastructure and climate change in ice-rich permafrost landscapes, Prudhoe Bay Oilfield, Alaska». Global Change Biology. 20 (4): 1211–1224. ISSN 1365-2486. PMID 24339207. doi:10.1111/gcb.12500. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2025
  18. Páginas da Natureza, 5º ano. Editorial O Livro.