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| Rio Guaíba - Porto Alegre RS / Brasil |
UMA REFLEXÃO SOBRE A VIDA
Não sei qual a razão, mas quando rimos sem travas, brota em nosso rosto toda a alegria do mundo. Quando somos acometidos de um ataque de riso, daqueles difíceis de parar, quando percebemos que a "coisa" disparou, mais rimos. Pode ser constrangedor, mas delicioso.
Porém, quando emergimos de uma grande tristeza, vem um choro sentido, e tudo se torna tão dramático que mais parece o fim dos tempos. O fim do mundo. Tapamos o rosto com as mãos, procuramos esconder as lágrimas, tentando esconder as nossas profundezas. Mas assim somos: rimos escancaradamente, mas choramos com constrangimento. Dói mostrar a dor que por hora sentimos. Parece que algumas dores vêm para humilhar. Para acabar com nossa autoestima.
Mas certas emoções são tristemente lindas. Os poetas sabem disso, e nos tocam muito colocando em versos as tristezas e agonias do mundo. Nossas emoções também se fazem presentes através da música. Umas nos remetem à euforia, mas outras, à introspecção - momentos mais contidos. E ao escutá-las sinto-me enternecida e tomada por um sentimento que me eleva, momentos só meus. Não escuto música com o objetivo de me alegrar, não sou triste. Mas minha alma pede melodias que me sensibilizem, que me afaguem, que me deixem tranquila.
Fantasie, de Chopin tornou-se um suporte para minhas dúvidas, minhas indagações perante o desconhecido. Beethoven, Vivaldi, Mozart, Bach e tantos outros me completam.
Vim para frente da tela escrever um texto diferente desse, mas escutando Adeste Fidelis, Nessun Dorma, as Ave-Marias de Gounod, de Shubert, de Donati, dei uma volta, e não saiu o texto que tinha em mente. Travei. Essas melodias me fazem perceber o quanto pequena sou diante de tanta complexidade nessa imensidão em que vivemos. São nesses momentos que esqueço das maldades do mundo e penso na genialidade humana, das maravilhas de que somos capazes. E por tudo isso, já bate uma saudade do tempo, bate uma saudade da minha outra metade que o tempo já levou.
São nesses momentos, de plena sintonia, que penso o que não deveria pensar: gostaria que tudo parasse, e que nossas vidas não fossem finitas. E lamento termos nascido com essa cruel percepção de finitude. E essa agonia só acontece conosco, porque somos os únicos racionais.
Lembro do último ano de vida de meu pai, homem de uma fé inabalável, e lembro do dia que o encontrei chorando…
– Paizinho… se sabes para onde vais, e que o paraíso é maravilhoso ao lado de Deus, por que choras, pai?
– Choro por deixar vocês, filha...
E choramos juntos; fiquei sem saber mais nada. Na época, eu não tinha a noção do que seria uma perda desse porte.
Mas, enfim, nada temos a fazer a não ser lutarmos pela felicidade, enquanto a vida perdurar. É o mínimo que temos a fazer.
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( editado 2016)
Boas Festas a todos os queridos amigos e leitores, que o Novo Ano - 2024 - traga a todos nós muita saúde, paz e felicidade! Meu carinho e um abraço a todos!


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