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17 de dezembro de 2023

UMA REFLEXÃO SOBRE A VIDA

 

BERJAYA
Rio Guaíba - Porto Alegre RS / Brasil


                                              UMA REFLEXÃO SOBRE A VIDA

                                     - Taís U. Luso de Carvalho


      Não sei qual a razão, mas quando rimos sem travas, brota em nosso rosto toda a alegria do mundo.  Quando somos acometidos de um ataque de riso, daqueles difíceis de parar,  quando percebemos que a "coisa" disparou, mais rimos. Pode ser constrangedor, mas delicioso.

Porém, quando emergimos de uma grande tristeza, vem um choro sentido, e tudo se torna tão dramático que mais parece o fim dos tempos. O fim do mundo. Tapamos o rosto com as mãos, procuramos esconder as lágrimas, tentando esconder as nossas profundezas. Mas assim somos: rimos escancaradamente, mas choramos com constrangimento. Dói mostrar a dor que por hora sentimos. Parece que algumas dores vêm para humilhar. Para acabar com nossa autoestima.

Mas certas emoções são tristemente lindas. Os poetas sabem disso, e nos tocam muito colocando em versos as tristezas e agonias do mundo. Nossas emoções também se fazem presentes através da música. Umas nos remetem à euforia, mas outras, à introspecção - momentos mais contidos. E ao escutá-las sinto-me enternecida e tomada por um sentimento que me eleva, momentos só meus. Não escuto música com o objetivo de me alegrar, não sou triste. Mas minha alma pede melodias que me sensibilizem, que me afaguem, que me deixem tranquila.

Fantasie, de Chopin tornou-se um suporte para minhas dúvidas, minhas indagações perante o desconhecido. Beethoven, Vivaldi, Mozart, Bach e tantos outros me completam.

Vim para frente da tela escrever um texto diferente desse, mas escutando Adeste Fidelis, Nessun Dorma, as Ave-Marias de Gounod, de Shubert, de Donati, dei uma volta, e não saiu o texto que tinha em mente. Travei. Essas melodias me fazem perceber o quanto pequena sou diante de tanta complexidade nessa imensidão em que vivemos. São nesses momentos que esqueço das maldades do mundo e penso na genialidade humana, das maravilhas de que somos capazes. E por tudo isso, já bate uma saudade do tempo, bate uma saudade da minha outra metade que o tempo já levou.

São nesses momentos, de plena sintonia, que penso o que não deveria pensar: gostaria que tudo parasse, e que nossas vidas não fossem finitas. E lamento termos nascido com essa cruel percepção de finitude. E essa agonia só acontece conosco, porque somos os únicos racionais.

Lembro do último ano de vida de meu pai, homem de uma fé inabalável, e lembro do dia que o encontrei chorando…

– Paizinho… se sabes para onde vais, e que o paraíso é maravilhoso ao lado de Deus, por que choras, pai?

– Choro por deixar vocês, filha...

E choramos juntos; fiquei sem saber mais nada. Na época, eu não tinha a noção do que seria uma perda desse porte.

Mas, enfim, nada temos a fazer a não ser lutarmos pela felicidade, enquanto a vida perdurar. É o mínimo que temos a fazer.


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( editado 2016) 

Boas Festas a todos os queridos amigos e leitores, que o Novo Ano - 2024 - traga a todos nós muita saúde,  paz e felicidade! Meu carinho e um abraço a todos!




 Adeste Fideles / por  Helene Fischer 





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4 de dezembro de 2023

DE LONGE TUDO PARECE PERFEITO ...

 

BERJAYA


      - Tais Luso de Carvalho


Quando passeio pelos bairros da minha cidade, meus olhos vão descobrindo alguns terraços cheios de flores, janelas com cortinas de crochê e bebedouros para os bem-te-vis. Um encanto! E a cada dia que faço esses passeios parece que esses terraços e jardins são mais festivos,  que existem pessoas muito felizes naquelas casas. O sol, as flores, os bem-te-vis... Naturalmente,  imagino e fantasio a vida de cada um daqueles recantos vistos com alegria de quem apenas passa.

O que estarão fazendo os moradores daquelas casas e apartamentos? Serão realmente felizes? É difícil imaginar que por detrás daqueles jardins encantados, daqueles terraços floridos possa existir alguém triste, solitário e com uma montanha de problemas. Mas existem; as flores e os bem-te-vis podem estar escondendo uma outra realidade, que eu não imagino no seu interior.

Mas gosto de ver, são momentos de ilusão, uma vez que me afasta da violência da cidade, das encrencas entre as pessoas e me permite pensar que a vida se apresenta maravilhosa por mais tempo. Deve ser o poder das flores.

Percebi que só tive esta ilusão porque supervalorizei o que estava longe. O que é inacessível e desconhecido aos outros, torna-se misterioso, parece perfeito.

Fico curiosa com biografias de grandes nomes e tenho interesse pelos aspectos ocultos de grandes vultos, de cientistas e pensadores que fizeram a história da humanidade. Os ídolos nunca são nossos iguais: precisam ficar no patamar da nossa admiração, protegidos da curiosidade humana, envoltos num mistério que nos fascina. No momento que se desnudam aos nossos olhos, a coisa muda.

Por isso, não gostaria de adentrar nos terraços dos belos apartamentos, nos jardins das casas. Continuarei olhando as flores, os bem-te-vis e pensarei, por momentos, que o caminho que tracei para passear é um percurso lindo, alegre e que alimenta meus sonhos num mundo imaginado. Depois volto à realidade, pronta para levar o dia, com seu lado alegre e outro nem tanto, afinal, não é aqui o Paraíso.




BERJAYA




25 de novembro de 2023

ISSO É DE UTILIDADE PÚBLICA!

 

BERJAYA



                - Tais Luso de Carvalho


     Ontem foi um dos dias que resolvi enlouquecer. Mas enlouquecer consciente! Pois bem...

Uma loja de departamentos, de uma rede muito conhecida no Brasil, há mais de 4 semanas me telefonava, diariamente, perguntando por uma tal de Juralva: queria falar com a Juralva sobre seu débito. Dizia eu, nas 4 semanas, que aqui não morava e nunca existiu uma Juralva. Mas não adiantou, a mulher queria a Juralva a qualquer preço. Não dava mais para ouvir a voz daquela mulher, eu já estava de saco cheio.

Lembro que perguntei algumas informações, e a pior telefonista do mundo respondeu:

- Não podemos dar maiores detalhes.

- Mas escuta... eu não quero detalhes, eu...

- Não podemos dar maiores detalhes, senhora.

- Mas como o meu telefone foi parar aí?

- Não podemos dar detalhes.

- Mas o que vou fazer?? Eu não conheço a Juralva!

- Não sabemos, senhora...

- Mas...

E a infeliz, desligou. Mas espera, aquilo não seria uma gravação? Não, não era.

Telefonei para outro setor da loja e pedi que tirassem meu telefone do cadastro, houve um engano... Mas, não! Não podiam dar detalhes! Enlouqueci pelo fato de não me escutarem. Até quando iria essa coisa enlouquecedora?

O que poderia eu fazer? Primeiro pensei em não me estressar, manter-me calmíssima, este foi o primeiro passo. E pensei uma coisinha que deu resultado e compartilho com vocês: podem usar, é de graça! Mas, quando isso ocorrer, anotem o número da chamada.

Tocou o telefone. Era do 0x11 de São Paulo... o próprio:

- Alooooou, por favor, a Juralva...

Apressei-me a responder:

- Aqui é do Hospício São Pedro de Porto Alegre:

disque 1, para Internação;

disque 2, para Marcação de Consulta;

disque 3, para Enfermaria;

disque 4, para falar com um louco...

Além de eu ter lavado a alma vi que a mulher sumiu ! Nunca mais tive o "prazer" de atendê-la!

Mas depois disso fiquei um tanto curiosa: será que acharam a Juralva? O que aconteceu? Pensei em discar para o 0x11 e perguntar se encontraram a Juralva!

Dizem que a curiosidade é a cura para o tédio...

Deus que me livre...



BERJAYA




15 de novembro de 2023

CARLOS DRUMMOND - AMAR


BERJAYA
Escultura em bronze, Carlos Drummond, Av Atlantica - Rio de Janeiro


AMAR         

                                         - Carlos Drummond de Andrade



Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer,

amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?



Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal, senão

rodar também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?



Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o áspero,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, 

e uma ave de rapina.



Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.



Amar a nossa falta mesma de amor, e na

secura nossa

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a

sede infinita.




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Fonte: Carlos Drummond de Andrade, 1902 – 1987

A Palavra mágica / 13ªed. Rio de Janeiro – São Paulo

- pág 43 / Record. 2007








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2 de novembro de 2023

DO SONHO À REALIDADE

BERJAYA

 

DO SONHO À REALIDADE

                                    - Taís Luso de Carvalho



É claro que não tem como vivermos em estado de poesia, mas sonhar é preciso! E o que é sonhar, afinal, senão o melhor, o mais prazeroso estado d'alma?

A "maturidade" nos ensina a querer apenas o que nos falta, tranquilidade, alegria, calor humano, saúde e paz. Mais alguma coisa? Já não mais, não temos mais o direito de pensar bobagens, o supérfluo da vida. Chegou a hora do desapego  de coisas irrelevantes. Lembro quando resolvi, há mais de 20 anos,  colecionar  com certo orgulho, centenas de corujas. Fui comprando e outras corujinhas fui ganhando a cada data importante. Era só coruja, terrível! Ninguém mais pensava: era coruja - direto! Bateu-me um desespero! Encheram-me de corujas como eu nunca havia imaginado. Chegou um dia que olhei para todas, para aquele armário alto e com espelho atrás que duplicava o número de corujas, de todos os tamanhos e formas, e me perguntei para que tudo aquilo, tanto trabalho? O que representavam no decorrer de anos, senão apenas enfeites em demasia? Refleti. Passado alguns anos, começou o meu desespero de tantos bichos e um desapego de muitas coisas, muitos enfeites que possuía - apenas o valor da matéria. Um exagero.

Passei a olhar mais profundo, a buscar em mim o importante, o mais saudável, os sentimentos de solidariedade, de compaixão, de amor. Correr em direção à felicidade não é coisa fácil, ela se apresenta em doses homeopáticas. Como passar por essa vida, ver tanta desgraça e me omitir, quando necessário é me doar?

A felicidade precisa ser cultivada, precisa de muitos cuidados e de carinho para permanecer conosco. Não será essa busca parecida com os poemas dos grandes Poetas, que nos deixaram os moldes do belo e da perfeição?

Seguirei nessa busca, mesmo sabendo que não atingirei o ideal, mas o caminho pode ficar mais bonito. Quem sabe mais colorido e mais leve.




André Proulx - Toselli Serenade





21 de outubro de 2023

O LADO FATAL - Lya Luft / poema 18

 

BERJAYA


O LADO FATAL - POEMA 18

                        - Lya Luft 



Morreu quem eu amava:

viver sem ele, como dói.

Um dia ele mandou fazer um par de alianças

de pesada prata, parecendo antigas;

gravou apenas nossos nomes, sem data e disse:

“Somos um só desde sempre.”


Ainda não acreditei em sua morte,

e talvez isso ainda me salve.

Levantar-me da cama cada dia é um ato heroico,

atender o telefone, tomar café.

Mas faço tudo isso: falo, ando, recebo visitas.

Compro móveis para a casa onde moro sem ele,

imaginando: será que ele vai gostar?

De algum secreto lugar me vem a força

para até sorrir se alguém me diz:

“Você hoje está com a cara ótima”.

Eu de castigo,

eu no escuro,

eu no nada.



BERJAYABERJAYA

         Lya Luft - O LADO FATAL - Poema 18 / pág. 47

Gaúcha de Santa Cruz / RS - a escritora Lya Luft iniciou aos 20 anos uma carreira de tradutora de literatura em alemão e inglês. Formada em Letras anglo-germânicas e com mestrados em Literatura Brasileira e Linguística Aplicada, Lya Luft trabalhou desde os 20 anos como tradutora de alemão e inglês. Já verteu para o português obras de autores consagrados como Virgínia Woolf, Günter Grass, Thomas Mann e Doris Lessing, além de ter recebido o prêmio União Latina de melhor tradução técnica e científica em 2001 pela tradução de Lete: Arte e Crítica do Esquecimento, de Harald Weinrich. Lya nasceu em Santa Cruz do Sul, em setembro de 1938 - RS. Falecimento: 30 de dezembro de 2021, Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Romancista, ensaísta, cronista e poeta, deixo aqui alguns de seus livros. 

As Parceiras / 1981 – A Asa Esquerda do Anjo / 1981 - O Ponto Cego / 1999 - Reunião de família / 1982 - O Quarto Fechado / 1984 - Mulher no Palco / 1984 - O Rio do Meio 1996 – Mar de Dentro / 2002 - Perdas e Ganhos / 2003 – Histórias do Tempo / 2000 - Pensar é Transgredir / 2004 - Histórias da Bruxa Boa / 2004.  

                        Colunista da Revista Veja.



                                                               

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9 de outubro de 2023

AS DORES DO MUNDO

BERJAYA



AS DORES DO MUNDO

                                                                       - Taís Luso de Carvalho                                                        

               

Há tanta coisa preocupante nesse mundo e não vejo jeito de sairmos da mesmice. Na verdade estamos atolados no egoísmo, bastante informatizados, razoavelmente politizados, ansiosos e bem agressivos. Os humanos andam se atropelando e as coisas rolam como dá. Recentemente, as enchentes no Sul do Brasil nos mostraram pessoas solidárias e com grande amor ao próximo! Gestos que emocionam e que elevam o ser humano a um degrau superior.

Mas, há poucos dias, acordei de madrugada, liguei o rádio e que loucura! Surpreendente conflito: Palestina e Israel - Guerra no Oriente Médio!

Acordar assim, diante de um quadro desses foi assustador.

Quantas vezes acreditamos na possibilidade de um mundo melhor! Acreditamos que a bondade, o equilíbrio e a generosidade venceriam na luta por um mundo mais fraterno e solidário.

Depois de séculos de História e sofrimento, com tantas guerras absurdas, estamos aí de volta. Parece que não aprendemos nada! Ainda estamos estagnados. Muitos, ainda olham o quadro de horror e pouco fazem, deixam a boiada seguir.

Sintonizei melhor a rádio tentando entender a coisa mais de perto. Todos estavam perplexos com a explosão no Oriente Médio. De novo! Mas assim anda a vida nesse planeta, um dia os humanos explodirão com tudo. Do jeito que a coisa vai, é só aguardar.

Na tarde seguinte, caminhando um pouco pelo nosso bairro... tantas vidas sofridas, tantas mãos estendidas na frente dos supermercados, diante dos Bancos, das padarias, das cafeterias e dos luxuosos Templos de Deus. É; ali na entrada, a última esperança dos abandonados. O contraste do luxo com a miséria é triste, fez-me pensar o tamanho da injustiça. Tantas súplicas e o pouco dinheiro que damos, ao passarmos por eles, não minimiza coisa alguma. E aqueles que detém o poder, passeando por aí. Tudo muito lindo.

Então o que devo pensar? Quando falo de um mundo injusto e triste, algumas pessoas me dizem que tenho de olhar a vida com mais otimismo. Mas péra lá, não estou falando de mim, não estou pedindo nada e nem passando fome! Estou narrando um mundo hostil, injusto, desigual, interesseiro e desacreditado… Eu posso falar do mundo dos poderosos, sim!

O que digo, não tem repercussão alguma, mas se fizer algum barulho por aí, já está bom.



BERJAYA





30 de setembro de 2023

VOCÊ CONHECE O SEU TEMPERAMENTO?

BERJAYA
Arte Brasileira

 

<  TEMPERAMENTOS  >


       -  Taís Luso de Carvalho


    Ao detectarmos nosso temperamento, podemos ter uma noção de como melhorar o nosso convívio em sociedade, para um convívio mais equilibrado, menos conflitante, menos exigente e mais agradável. É um estudo sério, com participação de psiquiatras da PUCRS.

Segue abaixo, então, o Estudo da Pesquisa Bases Neurobiológicas e Tratamento de Transtornos Neuropsiquiátricos do Programa de Pós - Graduação em Biologia Molecular e Celular da PUCRS sob a orientação dos psiquiatras Gustavo Ottoni e Diogo Lara.

Temperamento é a natureza emocional da pessoa que define a qualidade de humor predominante nela ao longo da vida. O temperamento é basicamente definido por herança genética e influências externas, como criação e o ambiente onde se vive. É relativamente estável ao longo do tempo, mas pode variar um pouco com a idade ou experiências marcantes, como traumas, acontecimentos muito positivos, doenças ou uso de drogas.

Segundo os pesquisadores, o temperamento também é um indicador de predisposição a algumas doenças psiquiátricas, como depressão e bipolaridade. Quando os comportamentos extrapolam, passam a ser exagerados e começam a atrapalhar a vida social, nesse sentido, podem se tornar uma patologia.

Nem todos precisam de tratamento, as pessoas em geral se adaptam ao seu jeito de ser ao natural. É preciso tratamento quando se passa para o nível de doença e desequilíbrio. Nesses casos muitos precisam de terapia e medicamentos.

CONHEÇA OS TEMPERAMENTOS

1. EUTÍMICO:

Estável, previsível, equilibrado, com boa disposição e, em geral, sente-se bem consigo mesmo.

2. OBSSESSIVO:

Rígido, organizado, perfeccionista, exigente, lida mal com erros e dúvidas.

3. ANSIOSO:

Preocupado, cuidadoso, inseguro, apreensivo e não se arrisca.

4. CICLOTÍMICO:

Humor imprevisível e instável (altos e baixos), muda rapidamente ou de maneira desproporcional.

5. HIPERTÍMICO:

Sempre de bom humor, confiante, adora novidades, vai atrás do que quer até conquistar e tem forte tendência à liderança.

6. DEPRESSIVO:

Com tendência à tristeza e à melancolia, vê pouca graça nas coisas, tende a se desvalorizar, não gosta de mudanças e prefere ouvir a falar.

7. IRRITÁVEL:

Sincero, direto, irritado, explosivo e desconfiado.

8. EUFÓRICO:

Expansivo, falante, impulsivo, exagerado, intenso, não gosta de regras e rotinas.

9. DESINIBIDO:

Inquieto, espontâneo distraído, deixa as coisas para a última hora.

10. DISFÓRICO:

Tende a ficar tenso, ansioso, irritado e agitado ao mesmo tempo.

11. VOLÁTIL:

Dispersivo, inquieto desligado e desorganizado, precipitado, muda de interesse rapidamente, tem dificuldade em concluir tarefas,

12. APÁTICO:

Lento, desligado, desatento, não conclui o que começa.

HOMENS EUFÓRICOS:

O temperamento eufórico apareceu com mais frequência entre os homens. Pessoas que se enquadram nesse perfil são expansivas, falantes, impulsivas e não gostam de seguir regras ou rotinas. Tendem a infringir mais regras e ter comportamentos irresponsáveis como exceder o limite de velocidade dirigindo – afirma o psiquiatra Gustavo Ottoni.

MULHERES INSTÁVEIS:

Esse perfil ciclotímico ocorre mais em mulheres, segundo o psiquiatra integrante da equipe – Ottoni. Pode ser por causa da variação hormonal, devido ao ciclo menstrual que afeta comportamentos e emoções, porém não há uma resposta exata.

OS MAIS POSITIVOS:

Os perfis mais positivos são o Eutímico e o Hipertímico. As características desses temperamentos são as que menos apresentam riscos de desenvolvimento de patologias psiquiátricas.

Segundo o psiquiatra Diogo Lara, as pessoas que preferem a noite, geralmente se enquadram nos perfis mais instáveis, enquanto os que preferem a manhã tendem a ser mais regrados.

A pesquisa mostrou também que, quanto maior a preferência pela noite, menor é a capacidade de organização, cautela e foco. Isso só é amenizado nas últimas horas do dia, quando a pessoa apresenta maior energia. Essas características também estão associadas a maior criatividade, em geral, enquanto os matutinos são os tipos mais organizados, mais certinhos.

Até os 20 anos, há uma clara preferência pela noite, com baixa energia pela manhã. Essa preferência decai até os 40 anos. A partir dos 50 anos, a tendência é de que a pessoa sinta mais disposição nas primeiras horas do dia. Quanto mais energia se tem pela manhã, mais cedo se acorda. Claro que são dados populacionais, é um movimento de grupo. Alguns indivíduos podem ser noturnos a vida inteira – conclui o psiquiatra.


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1ª reedição  (Caderno Vida - ZH de 19.2.2011).




20 de setembro de 2023

UMA LAGARTIXA NO BANHEIRO


BERJAYA
Lagartixa-de-parede (Hemidactylus mabouia ) RS -
encontrada nos lares brasileiros.

                      

                         - Taís Luso de Carvalho


Adoro animais e brigo em defesa deles, principalmente pelos cachorros, gatos e cavalos, animais os quais fizeram parte da minha infância, juventude, casamento, filhos e por aí vai.

Os cachorros fizeram parte do crescimento dos nossos filhos. A convivência com esses animais fez tão bem a eles que hoje, adultos, não abrem mão de seus bichinhos de estimação. Então os pets e gatos fazem parte da família desde sempre.

Mas, tenho algumas restrições, ou melhor dizendo, tenho horror dos aracnídeos (todos tipos de aranhas), baratas, de alguns répteis e insetos que aqui não vou catalogar. Qualquer coisa que se arraste, ou que corra para se esconder e ficar me espiando, eu surto! E as lagartixas têm esse comportamento.

Minha vida com as tenebrosas baratas foi resolvida, me deixavam em pânico, porém há 20 anos não aparecem para uma visitinha aqui em casa, nenhuma espécie delas. Sou uma eterna vigilante. E as formigas,  também consegui despachar, mas com todo o carinho, admiração e compreensão pelo seu trabalho (risos). 

Porém, não faz muito que apareceu por aqui, uma lagartixa no banheiro, entrou pela janela. Surtei. Para variar, Pedro, o defensor até das baratas (elas têm o direito à vida – como diz ele), disse para eu não matá-la porque ela iria embora. 

Ah, sim... bonito teu gesto de compaixão, mas vou dormir com uma lagartixa solta pela casa? Subir no meu pescoço?

- Elas são mansinhas, comportadas…

Fiquei pensando como tirar a lagartixa sem causar-lhe dano e nem “problemas emocionais”. Eu já não sabia em quem eu deveria me fixar, se no Pedro (me cuidando para não matar o bicho), ou na lagartixa desconfiada.

Peguei uma vasilha arredondada, e fui ter com o bichinho: pluft! Ficou enjaulada. Introduzi um papelão por baixo da vasilha, ela subiu, e levei a lagartixa à janela e a soltei no parapeito. Fechei a janela quase quebrando o vidro.  Fiquei cuidando e a perdi de vista, desconfio que entrou na janela da vizinha do andar debaixo.

Mas tirei o bichinho do meu domínio, sem traumas e com vida. Tudo numa boa, ela respeitando meu espaço e eu respeitando a sua vida.




BERJAYA




10 de setembro de 2023

SOLIDARIEDADE É AMOR ! ENCHENTE NO RGS

 

BERJAYA
Cidades do Vale do Taquari - RGS  / Ciclone extratropical



                   - Taís Luso de Carvalho


Ultimamente parece que muitos corações vão explodir de emoção. É o que fazem os atos de solidariedade. Esses atos são puro amor. Amar é quando nos despimos de tudo que é irrelevante e damos voz ao coração. Eu senti isso muito forte nas pessoas; amor, compaixão, solidariedade! Que maravilha é ver e sentir isso nas pessoas, pois hoje só vemos notícias de crimes, assaltos, egoísmos e guerras incompreensíveis, terror! Mas o amor existe.

Não há quem não se emocione muito quando um Ciclone invade dezenas de municípios, quase todo o meu Estado, o Rio Grande do Sul - no sul do Brasil. Vi de tudo, a pior tristeza e a maior solidariedade - juntas. Como sempre, povo ajudando muito  o próprio povo.  

Pessoas de todas as idades, jovens a idosos, saíram de outras cidades e foram ajudar as dezenas de municípios atingidos. São 46 mortes, mais de 46 pessoas ainda desaparecidos, 3193 desabrigados e 8282 desalojados e  900 feridos. 

Na cidade de Muçum, Roca Sales e outras não existe mais nada: foram-se com as águas, o hospital, farmácias, supermercado, Bancos, cemitério, lojas. Vários jornalistas sob muita emoção, rumaram aos inúmeros municípios, a fim de mostrar a tragédia e ajudar na arrecadação de alimentos, garrafas de água, colchões, material de limpeza etc. A água era tanta que cobriu prédios de dois andares. As regiões de “Roca Sales, Muçum, Lajeado, Estrela, Arroio do Meio, Encantado", entre tantas outras, foram das mais afetadas. Uma vaca e algumas suínos foram parar nos telhados das casas, mas já resgatados (foto). Cidades sem luz, sem internet, sem telefone. São 92 cidades atingidas.

Foi a primeira vez que vi uma jornalista, Cristina Ranzolin – RBS Porto Alegre, não conseguir esconder sua emoção após entrevistar um senhor da cidade de Muçum, que não aguentou a tragédia e virou de costas para chorar. Naquele momento, Cristina o  abraçou, muito comovida. E, naquele ponto da gravação, penso que todos que viram a cena, ficaram muito emocionados, difícil de segurar as lágrimas.

Agora, essa gente que perdeu tudo o que construiu durante uma vida toda, precisa acreditar; precisam da solidariedade de todos,  precisam do amor dos seus semelhantes.

Passei essas noites de insônia com aquelas imagens que me sensibilizaram muito, e aquelas imagens que vimos faz com que acreditemos no ser humano: sim, eu vi  que o amor existe!

Triste saber, agora, pelo serviço 'Clima Tempo', e outros serviços de meteorologia, que nesta semana, de 11 de setembro, virá novo ciclone.



BERJAYA
Vaca foi parar em cima do telhado da casa

BERJAYA


BERJAYA

Cidade no interior do Rio Grande do Sul
BERJAYA
cidade de Muçun

BERJAYA
Suínos em cima de telhado da casa





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