Zé Rodrix
Zé Rodrix | |
|---|---|
Zé Rodrix em 1972 | |
| Informações gerais | |
| Nome completo | José Rodrigues Trindade[1] |
| Nascimento | 25 de novembro de 1947 Rio de Janeiro, RJ, Brasil |
| Morte | 22 de maio de 2009 (61 anos)[1] São Paulo, SP Brasil[1] |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Gênero(s) | rock rural |
| Ocupação | compositor multi-instrumentista cantor publicitário escritor |
| Instrumento(s) | vocal piano teclado |
| Afiliação(ões) | Momento Quatro; Som Imaginário; Sá, Rodrix e Guarabyra; Secos & Molhados; Joelho de Porco |
José Rodrigues Trindade (Rio de Janeiro, 25 de novembro de 1947 — São Paulo, 22 de maio de 2009), conhecido artisticamente como Zé Rodrix, foi um cantor, compositor, multi-instrumentista, publicitário e escritor brasileiro.
Biografia
[editar | editar código]Ainda sob o nome Zé Rodrigues, iniciou sua carreira musical no ensino médio, integrando, com colegas do Colégio de Aplicação da UFRJ David Tygel, Maurício Maestro (sob o nome Maurício Mendonça) e Ricardo Villas (sob o nome Ricardo Sá), o grupo vocal Momento Quatro. Com esta formação, o grupo acompanhou Marília Medalha e Edu Lobo na apresentação de "Ponteio", vencedor do Festival da Record em 1967, além de ter gravado um compacto duplo e um LP pela gravadora Philips. Estudou no Conservatório Brasileiro de Música, desenvolvendo a característica da multi-instrumentalidade. Tocava piano, violão, guitarra, sanfona, flauta, bateria, saxofone e trompete.
Na década de 1970, participou da banda Som Imaginário, conjunto criado para acompanhar Milton Nascimento.[1] e que posteriormente gravou acompanhando diversos outros artistas como MPB-4, Taiguara, Marcos Valle, Gal Costa, Odair José, Carlinhos Vergueiro, Sueli Costa e Simone, entre outros, além de alçar carreira própria lançando quatro álbuns de estúdio. Rodrix participou do grupo até o lançamento do primeiro disco.
Desligou-se do Som Imaginário em 1971, venceu o Festival da Canção de Juiz de Fora, junto com Tavito, defendendo a canção "Casa no Campo", que se tornaria seu maior sucesso, principalmente após ser gravada por Elis Regina, e cujo trecho da letra ("compor muitos rocks rurais") batizou o estilo de música conhecido como rock rural.
Com influências regionalistas, tropicalistas, folk, country e rock, tocada pelo trio do qual faria parte logo em seguida, com Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra (Sá, Rodrix e Guarabyra).
Nessa época, compôs músicas como "Mestre Jonas", "Ama teu vizinho como a ti mesmo", "Blue Riviera", "O pó da estrada" (com Sá e Guarabyra), "Os anos 1960", "Pendurado no vapor", "Primeira canção da Estrada", dentre várias outras, além de um famoso jingle criado pelo trio, por encomenda da J. W. Thompson, para a Pepsi, notabilizado pelo verso: "só tem amor quem tem amor pra dar".
Zé Rodrix saiu do trio em 1973, após a gravação de dois álbuns, para seguir carreira solo e participações especiais em gravações de artistas diversos, como o disco de estreia do Secos & Molhados, no qual tocou piano, ocarina e sintetizador e para o qual compôs com Luhli a canção "Fala", última faixa do primeiro àlbum do grupo que projetou Ney Matogrosso. Rodrix dedilhava seu teclado moog após a orquestra e os outros instrumentos cessarem, técnica que só pode ser ouvida nos CDs relançados do grupo já na década de 1990, pois no vinil original esta música continha 15 segundos a menos.[2]
Lançou em 1976 seu primeiro LP solo bem-sucedido comercialmente, Soy Latino Americano, criado após sugestão de Roberto Livi, que teria lhe dito que começasse a cantar mais para o "povão".[3]
Passou a se dedicar mais na área da publicidade na década de 1980, mas em 1983, o músico passou a integrar o grupo Joelho de Porco, com o qual participou do Festival dos Festivais em 1985, ganhando o prêmio de melhor letra pela música "A última voz do Brasil".
Entre 1989 e 1996 assinou a direção musical dos espetáculos "Não fuja da Raia" e "Nas Raias da loucura", de Sílvio de Abreu, e do programa "Não fuja da Raia" (Rede Globo), estrelado por Cláudia Raia.
Em 1993 foi contemplado com o prêmio Kikito no Festival de Cinema de Brasília, pela trilha sonora do curta-metragem "Batiman e Robim".[4]

Em 2001 reuniu-se novamente com Sá e Guarabyra. O trio reestreou no palco do Rock in Rio III.[1] Logo após o lançamento do álbum "Outra Vez Na Estrada", com o trio, Zé conheceu o Clube Caiubi de Compositores, em São Paulo, e passou a desenvolver parcerias com novos autores da música brasileira, entre eles Sonekka e Reynaldo Bessa.[5]
Em dezembro de 2008, Zé Rodrix lançou um single ao lado de Sá e Guarabyra, chamado "Amanhece um outro dia". A canção foi tema de abertura da novela Revelação, exibida pelo SBT. Para promover a novela, o trio lançou a canção no programa da Hebe. A canção foi posteriormente também gravada com o trio no álbum "Amanhã" no início de 2009, seu derradeiro trabalho cujo lançamento ele não chegou a presenciar.
Zé Rodrix morreu às 00:45 do dia 22 de maio de 2009, após sentir-se mal e ser levado ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, cidade onde residia.[1]
A Trilogia do Templo
[editar | editar código]| Parte da série sobre |
| Maçonaria |
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No início da década de 2000 revelou que era maçom, chegando a lançar a trilogia denominada Trilogia do Templo, sobre a maçonaria.[5] A trilogia é composta dos títulos: Johaben: Diário de um Construtor do Templo, Zorobabel: reconstruindo o templo e Esquin de Floyrac: O fim do Templo. Sobre a trilogia, o escritor Luis Eduardo Matta afirmou no prefácio do terceiro volume: "Nunca, em toda a trajetória literária brasileira, um escritor se aventurou com tamanha obstinação por uma saga épica monumental como é o caso desta trilogia, que se debruça sobre os primórdios da maçonaria, uma das fraternidades iniciáticas mais antigas do mundo, mesclando erudição e fluência, onde realidade e ficção se confundem num incrível mosaico narrativo". Ainda de acordo com Matta, a Trilogia do Templo foi uma das mais fantásticas obras literárias produzidas no Brasil na primeira década do século XXI.[6]
Discografia
[editar | editar código]Com Momento4uatro
[editar | editar código]Com Som Imaginário
[editar | editar código]- 1970: Som Imaginário LP (Odeon)
Com Sá, Rodrix e Guarabyra
[editar | editar código]Solo
[editar | editar código]- 1973: I Acto (Odeon)
- 1974: Quem Sabe Sabe Quem Não Sabe Não Precisa Saber (Odeon)
- 1976: Soy Latino Americano (EMI-Odeon)
- 1975: Motel - Trilha Sonora Original do Filme (Continental)
- 1976: O Esquadrão da Morte - Trilha Sonora do Filme (RCA Victor)
- 1977: Quando Será? (EMI-Odeon)
- 1978: Hora Extra (EMI-Odeon)
- 1979: Sempre Livre (RCA Victor)
Com Joelho de Porco
[editar | editar código]Colaborações com outros artistas
[editar | editar código]Compactos
[editar | editar código]Cinematografia
[editar | editar código]- Cinematografia possivelmente incompleta
- 1972 - Salve-se Quem Puder - Rally da Juventude (trilha sonora)
- 1977 - As Granfinas e o Camelô (trilha sonora)
- 1979 - A Noiva da Cidade - Prefeito[7]
- 1983 - Plunct, Plact, Zuuum! - Habitante da Ilha
- 1984 - Oh! Rebuceteio (trilha sonora)
Referências
- 1 2 3 4 5 6 Folha Online - Morre o músico Zé Rodrix, aos 61 anos, em São Paulo Acessado em 22 de maio de 2009.
- ↑ Silva, Vinícius R. B.. "O doce & o amargo do Secos & Molhados: poesia, estética e política na música popular brasileira". Dissertação (Mestrado em Letras) Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2007. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp103551.pdf p.326.
- ↑ Barcinski 2014, p. 104.
- ↑ Disner, Elton. «1993». 52° Festival de Cinema de Gramado. Consultado em 16 de agosto de 2024
- 1 2 Folha Online - Saiba mais sobre a carreira do músico Zé Rodrix Acessado em 22 de maio de 2009
- ↑ Digestivo Cultural - Zé Rodrix: o escritor e o amigo Acessado em 25 de junho de 2009.
- ↑ Cinemateca Brasileira, A Noiva da Cidade [em linha]
Fontes
[editar | editar código]- Barcinski, André (2014). Pavões Misteriosos — 1974-1983: A explosão da música pop no Brasil. São Paulo: Editora Três Estrelas. ISBN 978-85-653-3929-2
