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Gabriel Mariano

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José Gabriel Lopes da Silva
Pseudónimo(s)Gabriel Mariano
Nascimento
Morte
18 de fevereiro de 2002 (73 anos)

NacionalidadePortuguesa e Cabo-verdiana
Alma materFaculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
OcupaçãoJuiz, poeta, contista e ensaista
PrémiosPrémio de Literatura Africana 1976
Magnum opusVida e morte de João Cabafume

José Gabriel Lopes da Silva, conhecido como Gabriel Mariano, (Vila de Ribeira Grande, 18 de maio de 1928 - Lisboa, 18 de fevereiro de 2002) foi um juiz, poeta, contista e ensaísta cabo-verdiano[1][2].

Biografia

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Nasceu na Ilha de Santo Antão. Estudou na Ilha de Santiago e na Ilha de São Vicente (Cabo Verde), tendo nesta última, ainda aluno do ensino secundário no Liceu Gil Eanes, criado, com Jorge Pedro Barbosa e outros seus condiscípulos, o periódico literário «Restauração». Em 1947, nos Açores, tem a sua estreia literária, com dois poemas, publicados na revista «A Ilha», de Ponta Delgada, seguindo-se, em 1948, o início da sua colaboração na «Claridade», do Mindelo. Ainda na juventude compôs marchas e sambas para o Carnaval. Do arquipélago atlântico, para prosseguir a sua formação académica, viajou para Lisboa, então capital do Império Português, licenciando-se em Direito, tendo estudado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Em ambas as cidades foi sócio da Casa dos Estudantes do Império e ganho o primeiro prémio do conto nos Jogos Florais da Universidade de Lisboa (1957) e da Universidade de Coimbra (1958), bem como sido, em Lisboa, um dos fundadores do “Suplemento Cultural”, separata do «Cabo Verde», da cidade da Praia, editada na capital portuguesa e que seria proibida pelas autoridades do regime político ditatorial, autoritário, autocrata, corporativista e repressivo da liberdade de expressão então vigente em Portugal. Terminado o curso, foi conservador dos registos civil e predial, primeiro em São Tomé e Príncipe e depois em Cabo Verde. Aí a sua intensa atividade cultural e postura foi considerada subversiva para o regime ditatorial do ”Estado Novo” e, em 1965, foi compulsivamente transferido, em jeito de degredo, para Moçambique, de onde, em 1971, transitou para Angola, como Juiz de direito, primeiro em Silva Porto e, seguidamente, em Benguela. Com o fim da Guerra do Ultramar e a independência das colónias portuguesas, regressou a Portugal, tendo sido colocado nos tribunais das comarcas de Mafra e Sintra[3][4][5][6][7][8].

Com a instauração da democracia e o derrube do regime ditatorial operado pela "revolução dos cravos" (1974), que, entre outras liberdades, trouxe o desmantelamento da polícia política e da milícia de voluntários nacionalista e anticomunista existentes durante o Estado Novo, foi, em 1976 e Lisboa, juiz instrutor da Comissão de extinção da PIDE/DGS e Legião Portuguesa[9].

Publicou poemas, romances e livros de ensaio, tanto em português como em crioulo. Está representado em diversas antologias e suas letras foram musicadas, entre outros, por Jacinto Estrela, Aníbal Monteiro e Ramiro Mendes[10][11]. É frequentemente mencionado e citado em obras de referência literária[12][13][14][15][16][17].

São de destacar, entre muitas, as seguintes:

  • A Mestiçagem: seu papel na formação da sociedade caboverdeana (ensaio publicado no "Suplemento Cultural", 1958)
  • Do Funco ao Sobrado ou o Mundo que o Mulato Criou (ensaio publicado em «Colóquios Cabo-Verdianos» da Junta de Investigações Científicas do Ultramar, 1959)
  • 12 Poemas de Circunstâncias (1965)
  • Amor e partida na poesia crioula de Eugénio Tavares ou inquietação amorosa
  • Capitão Ambrósio
  • Inquietação e serenidade. Aspectos da insularidade na poesia de Caboverde
  • Nome de casa e nome de igreja
  • O Rapaz Doente (1963)
  • Osvaldo Alcântara - O Caçador de heranças ou inquietação social
  • Uma Introdução à Poesia de Jorge Barbosa
  • Vida e Morte de João Cabafume (contos, Via Editora, 1976)[18]
  • Cultura Caboverdeana (ensaios, editora Vega, 1991)
  • Ladeira Grande (antologia poética, editora Vega, 1993)
  • Manifesto crioulo: a verdade de Baltasar e o nosso tesouro (Chiado Editora, 2015)[19]
  • Prémio de Literatura Africana em 1976 pelo livro de contos Vida e Morte de João Cabafume.

Referências

  1. «Formação acadêmica e a ocupação de cargos públicos em Cabo Verde: Reconstrução da trajetória dos ministros no período democrático (1991 a 2015) - tese de doutorado de Maria Filomena Moreira Semedo» (PDF). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2019. p. 65 e 187. Consultado em 25 de março de 2026
  2. «Cabo Verde as ilhas da morabeza» (PDF). Yola. p. 48. Consultado em 26 de março de 2026
  3. «Gabriel Mariano - Caminho Longe Poesia Cabo-Verde». Toma aí um poema. 2022. Consultado em 25 de março de 2026
  4. «Gabriel Mariano». António Miranda. 2015. Consultado em 25 de março de 2026
  5. «Gabriel Mariano». Infopédia – Dicionários Porto Editora. Consultado em 14 de março de 2026
  6. «Gabriel Mariano». Escritas. Consultado em 25 de março de 2026
  7. «José Gabriel Lopes da Silva MARIANO». Barros Brito. 2006. Consultado em 14 de março de 2026
  8. «Gabriel Mariano por Luís Romano». Universidade de São Paulo. Consultado em 25 de março de 2026
  9. «Carta notificando Mário Soares de ter sido indicado como testemunha nos autos de corpo de delito contra Jaime Augusto Gomes da Silva, ex-inspetor da PIDE/DGS, e solicitando marcação para ser ouvido. Remetente: José Gabriel Lopes da Silva Mariano, Juiz Instrutor do Serviço de Coordenação de Extinção da PIDE/DGS e LP». Casa comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso. 17 de novembro de 1976. Consultado em 14 de março de 2026
  10. «LITERATURA CABO-VERDIANA: a identidade cultural em obras literárias da segunda metade do século XX por Renan de Miranda Andrade» (PDF). Universidade Federal de Ouro preto. 2018. p. 7, 8, 63, 65, 66, 79 e 83. Consultado em 25 de março de 2026
  11. «Gabriel Mariano». Cabo Verde a música. 2020. Consultado em 25 de março de 2026
  12. CHABAL, Patrick (1996). The Post-colonial Literature of Lusophone Africa. [S.l.]: Hurst. p. 185. ISBN 9781850652519. Consultado em 25 de março de 2026
  13. ARAUJO, Norman (1966). A Study of Cape Verdean Literature. [S.l.]: Boston College. p. 193 e 198. Consultado em 25 de março de 2026
  14. STUDIES, American Council of Learned Societies, International Council for Philosophy and Humanistic Studies ] (1962). Diogenes. [S.l.]: Berghahn Books. p. 53 e 54. Consultado em 25 de março de 2026
  15. DARTMOUTH, University of Massachusetts Dartmouth (2003). Portuguese Literary & Cultural Studies. [S.l.]: Center for Portuguese Studies and Culture. p. 483. Consultado em 25 de março de 2026
  16. Seasons of Harvest - Essays on the Literatures of Lusophone Africa. [S.l.]: Africa World Press, Donald Burness, Niyi Afolabi. 2003. p. 18 e 26. ISBN 9780865438453. Consultado em 25 de março de 2026
  17. PACHECO, Patrice Mendes (2008). Navegando pela Estética Literária de Árvore & Tambor: proposta para uma leitura do texto poético (PDF). [S.l.]: Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. p. 29 e 101. ISBN 978-989-95426-9-3. Consultado em 26 de março de 2026
  18. MARIANO, Gabriel (2001). Vida e morte de João Cabafume. Lisboa: Vega. p. 2.ª edição. ISBN 972-699-231-1. Consultado em 25 de março de 2026
  19. MARIANO, Gabriel (2015). Manifesto crioulo: a verdade de Baltasar e o nosso tesouro. Lisboa: Chiado Editora. ISBN 978-989-51-4721-2. Consultado em 25 de março de 2026