Alcaide
Alcaide foi um cargo associado à guarda, defesa e administração de castelos e fortificações na Península Ibérica. Na história de Portugal, a sua forma mais característica foi a de alcaide-mor, responsável por uma alcaidaria ou castelo, assistido ou substituído, em determinadas circunstâncias, por um alcaide-pequeno ou alcaide-menor.[1]
Não deve ser confundido com o castelhano alcalde. Embora ambos sejam arabismos, alcaide deriva de qā’id, «chefe» ou «comandante», enquanto alcalde deriva de qāḍī, «juiz».[2][3]
Etimologia
[editar | editar código]O termo deriva do árabe al-qā’id, com o sentido de «chefe» ou «comandante». Na língua portuguesa medieval, conservou uma forte associação a funções militares e à chefia de praças fortificadas.[2]
Portugal
[editar | editar código]Alcaide-mor
[editar | editar código]O alcaide-mor tinha a seu cargo a guarda do castelo e o seu provimento de gente, armas e abastecimentos. Segundo as Ordenações Manuelinas, competia-lhe ainda apresentar uma lista de candidatos da qual os juízes e vereadores escolheriam periodicamente o alcaide-pequeno.[1] O titular devia prestar homenagem pela posse do castelo e podia receber rendas e direitos ligados à alcaidaria. O cargo foi frequentemente exercido por membros da nobreza, mas a sua configuração variou segundo o período, a localidade e a entidade titular do castelo ou da jurisdição.[1]
A designação «mor» distinguia o titular principal do alcaide-pequeno. Este actuava inicialmente como substituto ou tenente do alcaide-mor, sobretudo durante a sua ausência, embora mais tarde pudesse assumir funções próprias no âmbito da justiça e da administração local.[4]
A importância efectiva da alcaidaria-mor começou a diminuir a partir do século XV. Depois do século XVII, o título subsistiu em muitos casos sobretudo como distinção honorífica, apesar de continuarem a existir alcaides-mores em diversas localidades.[1]
Comunidades muçulmanas
[editar | editar código]O termo teve também um uso particular nas comunidades muçulmanas existentes no Reino de Portugal. Até ao fim do século XV, o alcaide dessas comunidades era a sua autoridade máxima: representava-as perante os poderes cristãos e exercia internamente funções de juiz.[2]
Uso em castelhano
[editar | editar código]Em castelhano, alcaide conserva a mesma origem árabe de al-qā’id. Historicamente, designava o responsável pela guarda e defesa de um castelo ou fortaleza; em períodos posteriores, podia ser encarregado da administração de um sítio real. No uso moderno espanhol, também designa a pessoa responsável por uma prisão.[5]
O castelhano alcalde, por sua vez, é um cargo distinto. Pode designar uma autoridade municipal que preside ao ayuntamiento ou, historicamente, o equivalente a um juiz ordinário de uma povoação, o alcalde ordinário.[3]
Referências
[editar código]- 1 2 3 4 Angélica Ricci Camargo (março de 2013). «Alcaide-mor». Dicionário da Administração Pública Brasileira do Período Colonial. Arquivo Nacional. Consultado em 2 de julho de 2026
- 1 2 3 Barros, Maria Filomena Lopes de (dezembro de 2015). «The Muslim Minority in the Portuguese Kingdom (1170–1496)» (PDF). e-Journal of Portuguese History (em inglês). 13 (2): 22. Consultado em 2 de julho de 2026
- 1 2 «alcalde, desa». Diccionario de la lengua española (em espanhol). Real Academia Española. Consultado em 2 de julho de 2026
- ↑ «Alcaide-mor». eViterbo. CHAM — Centro de Humanidades. Consultado em 2 de julho de 2026
- ↑ «alcaide». Diccionario de la lengua española (em espanhol). Real Academia Española. Consultado em 2 de julho de 2026
