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Piroxenito

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
BERJAYA

O piroxenito é uma rocha ígnea ultrabásica de textura fanerítica que se define essencialmente pela predominância absoluta de minerais do grupo das piroxenas, como a enstatite, o hipersteno, o diópsido ou o diálage, devendo conter entre 90 a 100% destes silicatos na sua composição modal para ser classificada como tal. Estas rochas são formadas principalmente em ambientes plutónicos profundos, resultando frequentemente da cristalização fracionada e da acumulação gravítica de cristais num reservatório magmático, ou como parte integrante de complexos acamadados onde se alternam com outras rochas ultramáficas como peridotitos e gabros. Devido à sua composição química, o piroxenito é extremamente pobre em sílica e rico em magnésio e ferro, apresentando cores que variam tipicamente entre o verde-escuro, o bronze e o preto, com uma densidade elevada que reflete a estrutura compacta dos seus constituintes minerais originais.[1][2][3][4][5][6][7]

A génese dos piroxenitos está intimamente ligada à dinâmica do manto terrestre e à evolução de grandes intrusões máficas, ocorrendo frequentemente como diques ou camadas distintas dentro de peridotitos mantélicos ou na base de sequências ofiolíticas que representam fatias da antiga crosta oceânica. No manto superior, o piroxenito pode formar-se através da reação entre o fundido basáltico e o peridotito circundante, criando zonas de heterogeneidade química que desempenham um papel crucial na génese de novos magmas, uma vez que o piroxenito tem um ponto de fusão inferior ao da lherzolita dominante. Esta característica torna-os componentes essenciais para compreender a reciclagem de materiais da crosta através da subducção, já que muitos piroxenitos mantélicos são interpretados como restos metamorfizados de basaltos oceânicos que foram transportados para o interior da Terra e posteriormente reincorporados no fluxo convectivo do manto.

Do ponto de vista da classificação petrológica, os piroxenitos são subdivididos com base na natureza específica das piroxenas presentes, distinguindo-se os ortopiroxenitos, compostos quase exclusivamente por ortopiroxenas, dos clinopiroxenitos, onde predominam as clinopiroxenas como a augite. Frequentemente, estas rochas contêm minerais acessórios importantes que fornecem pistas sobre as condições de pressão e temperatura da sua formação, tais como o olivino, a granada, a magnetite, a ilmenite e a espinela, sendo que a presença de granada em certas variedades indica uma origem em profundidades consideráveis, típicas de zonas de alta pressão no manto. Embora visualmente semelhantes a alguns peridotitos, os piroxenitos distinguem-se quimicamente pela ausência ou extrema escassez de olivino, o que altera significativamente as suas propriedades reológicas e o seu comportamento durante processos de fusão parcial ou metamorfismo regional.

A importância económica e científica do piroxenito é vasta, sendo estas rochas frequentemente hospedeiras de depósitos minerais valiosos, incluindo elementos do grupo da platina, crómio, níquel e cobalto, que se concentram durante os processos de segregação magmática que dão origem à rocha. Além disso, o estudo detalhado das inclusões de piroxenito encontradas em xenólitos trazidos à superfície por erupções vulcânicas de natureza alcalina permite aos geólogos mapear a composição e a evolução térmica do manto litosférico subjacente aos continentes. Como tal, o piroxenito funciona como uma janela laboratorial para os processos físico-químicos que ocorrem a dezenas de quilómetros de profundidade, sendo fundamental para os modelos atuais que tentam explicar a diferenciação geoquímica da Terra e a formação da crosta terrestre ao longo do tempo geológico.

Referências

  1. Le Maitre, R. W.; Streckeisen, A.; Zanettin, B.; Le Bas, M. J.; Bonin, B.; Bateman, P., eds. (2002). Igneous Rocks: A Classification and Glossary of Terms: Recommendations of the International Union of Geological Sciences Subcommission on the Systematics of Igneous Rocks 2 ed. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-61948-6. Consultado em 11 de abril de 2026
  2. Morimoto, N. (1 de setembro de 1988). «Nomenclature of Pyroxenes». Mineralogy and Petrology (em inglês). 39 (1): 55–76. ISSN 1438-1168. doi:10.1007/BF01226262
  3. Winter, John D. (2014). Principles of igneous and metamorphic petrology 2. ed., Pearson new internat. ed ed. Harlow: Pearson Education. ISBN 978-1-292-02153-9
  4. Philpotts, Anthony R.; Ague, Jay J. (6 de janeiro de 2022). «Principles of Igneous and Metamorphic Petrology». Cambridge Aspire website (em inglês). Consultado em 11 de abril de 2026
  5. https://pubs.geoscienceworld.org/minersoc/books/book/952/An-Introduction-to-the-Rock-Forming-Minerals
  6. «Piroxenito - Materiais Didáticos». 22 de julho de 2020. Consultado em 11 de abril de 2026
  7. http://bjg.siteoficial.ws/1990/35.pdf