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Vibrio

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaVibrio
Vibrio cholerae
Vibrio cholerae
Classificação científica
Domínio: Bacteria
Reino: Eubacteria
Filo: Proteobacteria
Classe: Proteobacteria Gama
Ordem: Vibrionales
Família: Vibrionaceae
Género: Vibrio
(Pacini, 1854)
Espécies

V. aerogenes
V. aestuarianus
V. agarivorans
V. albensis
V. alginolyticus
V. brasiliensis
V. calviensis
V. campbellii
V. chagasii
V. cholerae
V. cincinnatiensis
V. coralliilyticus
V. crassostreae
V. cyclitrophicus
V. diabolicus
V. diazotrophicus
V. ezurae
V. fischeri
V. fluvialis
V. fortis
V. furnissii
V. gallicus
V. gazogenes
V. gigantis
V. halioticoli
V. harveyi
V. hepatarius
V. hispanicus
V. ichthyoenteri
V. kanaloae
V. lentus
V. litoralis
V. logei
V. mediterranei
V. metschnikovii
V. mimicus
V. mytili
V. natriegens
V. navarrensis
V. neonatus
V. neptunius
V. nereis
V. nigripulchritudo
V. ordalii
V. orientalis
V. pacinii
V. parahaemolyticus
V. pectenicida
V. penaeicida
V. pomeroyi
V. ponticus
V. proteolyticus
V. rotiferianus
V. ruber
V. rumoiensis
V. salmonicida
V. scophthalmi
V. splendidus
V. superstes
V. tapetis
V. tasmaniensis
V. tubiashii
V. vulnificus
V. wodanis

V. xuii

Vibrio, (vulgarmente traduzido como vibrião) é um género de bactérias que se caraterizam pela sua forma de bastonetes curvos, como vírgulas, que tomam a forma letra S quando formam pares[1]. Inclui várias espécies causadoras de intoxicações alimentares e infeções em tecidos moles (vibriose). O contágio processa-se geralmente pela ingestão água ou marisco contaminado cru ou mal cozinhado. Sendo espécies altamente tolerantes ao sal, encontraram-se com frequência em ambientes de água salgada[2] (espécies halofílicas), embora também se encontrem outras em água doce[3]. São bacilos gram-negativos[4], altamente móveis através de um único flagelo polar ou lateral, com ou sem bainha. São oxidase positivos e anaeróbios facultativos e reduzem nitratos a nitritos[5]. Não formam esporos.[6][7] . A estrutura da sua membrana assemelha-se à de outros bacilos gram-negativos[8][9].As espécies de Vibrio possuem tipicamente dois cromossomas, o que é invulgar nas bactérias.[10][11] Cada cromossoma tem uma origem de replicação distinta e independente,[12] e têm sido preservados em conjunto ao longo da evolução do género."[13] Filogenias recentes foram construídas com base num conjunto de genes (análise de sequenciamento de múltiplos loci).[14]

A espécie mais conhecida é o Vibrio cholerae, a bactéria causadora da cólera. Esta espécie produz uma enterotoxina — uma substância tóxica que ataca o sistema intestinal —, que é o fator principal para o desenvolvimento e gravidade da doença.[15]. Existem diversas estirpes de distribuição mundial, especialmente na Ásia, América Latina e regiões com condições sanitárias inadequadas e difícil acesso a água potável, embora se verifique um aumento de registos em áreas tradicionalmente não afetadas[16][17]

O Vibrio parahemolyticus é a principal causa de gastroenterites[18], seguindo-se outras espécies halofílicas. O V. vulnificus pode causar infecções de feridas expostas a água contaminada, gastroenterites e bacteremias de consequências potencialmente letais[19]. Entre outras espécies de importância médica, estão o V. mimicus, V. damsela, V. alginolyticus, V. fluvialis, V. metschnikovii, e o V. hollisae.[20]

Referências

  1. Ryan, K.J.(ed). Sherri's Medical Microbiology - An Introduction to Infectious Diseases. USA: Appleton & Lange, third edition, 1994. ISBN 0-8385-8542-6
  2. Takemura, Alison F.; Chien, Diana M.; Polz, Martin F. (2014). «Associations and dynamics of Vibrionaceae in the environment, from the genus to the population level». Frontiers in Microbiology. 5. 38 páginas. ISSN 1664-302X. PMC 3920100Acessível livremente. PMID 24575082. doi:10.3389/fmicb.2014.00038Acessível livremente
  3. Venkateswaran, K.; Kiiyukia, C.; Takaki, M.; Nakano, H.; Matsuda, H.; Kawakami, H.; Hashimoto, H. (Outubro de 1989). «Characterization of toxigenic vibrios isolated from the freshwater environment of Hiroshima, Japan». Applied and Environmental Microbiology. 55 (10): 2613–2618. ISSN 0099-2240. PMC 203132Acessível livremente. PMID 2690736. doi:10.1128/aem.55.10.2613-2618.1989
  4. Paul, Sulav Indra; Rahman, Md. Mahbubur; Salam, Mohammad Abdus; et al. (15 de dezembro de 2021). «Identification of marine sponge-associated bacteria of the Saint Martin's island of the Bay of Bengal emphasizing on the prevention of motile Aeromonas septicemia in Labeo rohita». Aquaculture (em inglês). 545. Bibcode:2021Aquac.54537156P. ISSN 0044-8486. doi:10.1016/j.aquaculture.2021.737156
  5. Sobrinho, Aquários (16 de abril de 2018). «Redução de nitrato pela desnitrificação». Aquários Sobrinho. Consultado em 25 de junho de 2026. Cópia arquivada em 11 de abril de 2026
  6. Madigan, Michael; Martinko, John, eds. (2005). Brock Biology of Microorganisms 11th ed. [S.l.]: Prentice Hall. ISBN 978-0-13-144329-7
  7. Khan, Fazlurrahman; Tabassum, Nazia; Anand, Raksha; Kim, Young-Mog (1 de outubro de 2020). «Motility of Vibrio spp.: regulation and controlling strategies». Applied Microbiology and Biotechnology (em inglês). 104 (19): 8187–8208. PMID 32816086. doi:10.1007/s00253-020-10794-7
  8. HENRY, John B, (ed). Clinical Diagnosis & Management by Laboratory Methods. USA: Saunders, 20th Edition, 2001. ISBN 0-7216-8864-0.
  9. Mathieu-Denoncourt, Annabelle; Duperthuy, Marylise (3 de julho de 2025). «Functional Versatility of Vibrio cholerae Outer Membrane Proteins». Applied Microbiology (em inglês). 5 (3). 64 páginas. ISSN 2673-8007. doi:10.3390/applmicrobiol5030064. Cópia arquivada em 4 de julho de 2025
  10. Trucksis, Michele; Michalski, Jane; Deng, Ying Kang; Kaper, James B. (24 de novembro de 1998). «The Vibrio cholerae genome contains two unique circular chromosomes». Proceedings of the National Academy of Sciences (em inglês). 95 (24): 14464–9. Bibcode:1998PNAS...9514464T. PMC 24396Acessível livremente. PMID 9826723. doi:10.1073/pnas.95.24.14464Acessível livremente
  11. Okada, Kazuhisa; Iida, Tetsuya; Kita-Tsukamoto, Kumiko; Honda, Takeshi (15 de janeiro de 2005). «Vibrios Commonly Possess Two Chromosomes». Journal of Bacteriology (em inglês). 187 (2): 752–7. Bibcode:2005JBact.187..752O. PMC 543535Acessível livremente. PMID 15629946. doi:10.1128/JB.187.2.752-757.2005
  12. Rasmussen, Tue; Jensen, Rasmus Bugge; Skovgaard, Ole (2007). «The two chromosomes of Vibrio cholerae are initiated at different time points in the cell cycle». The EMBO Journal. 26 (13): 3124–3131. PMC 1914095Acessível livremente. PMID 17557077. doi:10.1038/sj.emboj.7601747
  13. Kirkup, Benjamin C.; Chang, LeeAnn; Chang, Sarah; et al. (1 de janeiro de 2010). «Vibrio chromosomes share common history». BMC Microbiology. 10. PMC 2875227Acessível livremente. PMID 20459749. doi:10.1186/1471-2180-10-137Acessível livremente
  14. Thompson FL, Gevers D, Thompson CC, et al. (2005). «Phylogeny and Molecular Identification of Vibrios on the Basis of Multilocus Sequence Analysis». Applied and Environmental Microbiology. 71 (9): 5107–5115. Bibcode:2005ApEnM..71.5107T. PMC 1214639Acessível livremente. PMID 16151093. doi:10.1128/AEM.71.9.5107-5115.2005
  15. Ravel R. Laboratório Clínico - Aplicações Clínicas dos Dados Laboratoriais. Rio de Janeiro, RJ: EditoraGuanabara Koogan SA, sexta edição, 1997.
  16. Vezzulli, Luigi (abril de 2023). «Global expansion of Vibrio spp. in hot water». Environmental Microbiology Reports. 15 (2): 77–79. ISSN 1758-2229. PMC 10103853Acessível livremente. PMID 36519781. doi:10.1111/1758-2229.13135. Cópia arquivada em 24 de junho de 2026
  17. Rahman, Engku Nur Syafirah Engku Abd (Novembro de 2024). «Global prevalence patterns and distribution of Vibrio cholerae: A systematic review and meta-analysis of 176,740 samples». Journal of Infection and Public Health. 17 (102558)
  18. Letchumanan, Vengadesh; Chan, Kok-Gan; Lee, Learn-Han (2014). «Vibrio parahaemolyticus: a review on the pathogenesis, prevalence, and advance molecular identification techniques». Frontiers in Microbiology. 5. 705 páginas. ISSN 1664-302X. PMC 4263241Acessível livremente. PMID 25566219. doi:10.3389/fmicb.2014.00705. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2025
  19. «Vibrio Vulnificus». Cleveland Clinic (em inglês). Consultado em 24 de junho de 2026. Cópia arquivada em 13 de junho de 2026
  20. Blake, P. A. (outubro de 1983). «Vibrios on the half shell: what the walrus and the carpenter didn't know». Annals of Internal Medicine. 99 (4): 558–559. ISSN 0003-4819. PMID 6625388. doi:10.7326/0003-4819-99-4-558
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