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Universidade de Oxford

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de University of Oxford)
Universidade de Oxford
University of Oxford
BERJAYA
Brasão de armas
Latim: Universitas Oxoniensis[1][2][3]
LemaDominus illuminatio mea (Latim)
"O Senhor é a minha luz"
Fundação1096 (930 anos)[4]
TipoPrivada
Universidade descentralizada
Afiliações
Orçamento anual£3,021 bilhões (2024/25)[5]
ChancelerLorde Hague de Richmond
Docentes5 744 (outuno 2024)[6]
Estudantes26 800 (2025)[7]
Graduação12 460 (2025)[7]
Pós-graduação13 755 (2025)[7]
LocalizaçãoOxford, Inglaterra
51° 45′ 18″ N, 1° 15′ 18″ O
CampusCidade universitária
Cores     Azul Oxford[8]
Página oficialox.ac.uk
BERJAYA
Mapa

A Universidade de Oxford (em inglês: University of Oxford) é uma universidade colegiada de pesquisa localizada em Oxford, na Inglaterra. Há indícios de atividades de ensino desde 1096,[4] o que a torna a universidade mais antiga do mundo de língua inglesa e a segunda universidade mais antiga do mundo em funcionamento contínuo.[4][9][10] Ela cresceu rapidamente a partir de 1167, quando Henrique II proibiu os estudantes ingleses de frequentarem a Universidade de Paris.[4] Após a intensificação dos conflitos entre os estudantes e os habitantes de Oxford, alguns acadêmicos fugiram para nordeste, em direção a Cambridge, onde fundaram a Universidade de Cambridge em 1209.[11] As duas universidades compartilham muitas características e são conjuntamente conhecidas como Oxbridge.[12]

A Universidade de Oxford é formada por 43 colégios — dos quais 36 são colégios dotados de carta régia (entidades independentes), quatro são salões privados permanentes, pertencentes a organizações religiosas, e três são sociedades controladas pela universidade[13][14] — e por diversos departamentos acadêmicos organizados em quatro divisões.[15] Os colégios controlam sua própria composição e suas atividades. A vida social dos estudantes normalmente se concentra entre os integrantes do mesmo colégio, e todos os alunos pertencem a um deles.[13] Oxford não possui um campus principal; seus edifícios e instalações estão espalhados pelo centro e por outras áreas da cidade. O ensino de graduação consiste em aulas expositivas, tutoriais em pequenos grupos nos colégios e salões, seminários, trabalhos de laboratório e orientação oferecida pelas faculdades e pelos departamentos centrais da universidade. O ensino de pós-graduação é oferecido de forma predominantemente centralizada.

Oxford administra o Museu Ashmolean, o mais antigo museu universitário do mundo; a Oxford University Press, a maior editora universitária do mundo; e o maior sistema de bibliotecas acadêmicas do Reino Unido.[16] No exercício financeiro encerrado em 31 de julho de 2025, a universidade registrou receita consolidada total de 3,02 bilhões de libras esterlinas, dos quais 801,3 milhões vieram de bolsas e contratos de pesquisa.[5]

Oxford formou numerosos ex-alunos notáveis, entre eles 31 primeiros-ministros do Reino Unido[17] e muitos chefes de Estado e de governo de várias partes do mundo.[18] Desde October 2025 76 laureados com o Nobel, quatro agraciados com a Medalha Fields e seis vencedores do Prêmio Turing estudaram, trabalharam ou exerceram bolsas de visita na Universidade de Oxford. Seus ex-alunos conquistaram 160 medalhas olímpicas.[19] A universidade oferece diversas bolsas, entre elas a Bolsa de Estudos Rhodes, um dos programas internacionais de bolsas de pós-graduação mais antigos do mundo.

História

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O Mob Quad do Merton College, o mais antigo quadrângulo da universidade, construído entre 1288 e 1378
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Em 1605, Oxford era uma cidade murada, com vários colégios situados fora das muralhas; o norte está na parte inferior do mapa

Fundação

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O Balliol, um dos colégios mais antigos de Oxford

A data de fundação da Universidade de Oxford é desconhecida.[20]

Embora nenhuma bula papal oficial tenha criado Oxford, a universidade surgiu no século XII como parte do sistema educacional católico da Europa Ocidental. Apesar disso, uma tradição erudita observável no século XVI alegava que ela havia sido fundada muito antes, no século VII, pelo arcebispo Teodoro de Tarso (668–690). Essa alegação não possui respaldo documental, ao menos nos registros sobreviventes.[21]

O ensino inicial foi ministrado por clérigos como Theobald de Étampes, e o currículo se concentrava na teologia e no direito canônico, refletindo as raízes eclesiásticas da instituição. A maioria dos estudiosos pertenceu ao clero até a Reforma.[22][23][24]

No século XIV, o cronista Ranulf Higden escreveu que a universidade havia sido fundada no século IX por Alfredo, o Grande;[25] atualmente, a história é considerada apócrifa, embora tenha sido aceita até o século XVIII.[26] Sabe-se que já existia alguma forma de ensino em Oxford em 1096, mas não está claro quando a universidade propriamente dita surgiu.[4] O erudito Theobald de Étampes lecionou em Oxford no início do século XII.[27]

A universidade passou por rápido crescimento a partir de 1167, quando o rei Henrique II de Inglaterra, em meio a tensões com a França e a Igreja, proibiu seus súditos de estudar na Universidade de Paris. A ordem do rei levou muitos estudiosos a retornarem e estabelecerem uma comunidade acadêmica próspera em Oxford.[4] O historiador Geraldo de Gales proferiu aulas para esses estudiosos em 1188, e o primeiro estudante estrangeiro conhecido, Emo da Frísia, chegou em 1190. O dirigente da universidade possuía o título de chanceler pelo menos desde 1214, e os mestres foram reconhecidos como uma universitas, ou corporação, em 1231.[4][28] A universidade recebeu uma carta régia em 1248, durante o reinado de Henrique III.[29] Após disputas entre estudantes e moradores de Oxford em 1209, alguns acadêmicos fugiram da violência para Cambridge, onde posteriormente formaram a Universidade de Cambridge.[11][30]

Os estudantes se associavam de acordo com suas origens geográficas, formando duas "nações universitárias": a do Norte, composta pelos nortenhos ou Boreales, entre os quais estavam os ingleses oriundos das terras ao norte do Rio Trent e os escoceses; e a do Sul, formada pelos sulistas ou Australes, que incluíam ingleses do sul do Trent, irlandeses e galeses.[31][32] Nos séculos posteriores, a origem geográfica continuou a influenciar as afiliações estudantis quando a participação em um colégio ou salão acadêmico se tornou habitual em Oxford. Além disso, integrantes de muitas ordens religiosas, incluindo dominicanos, Franciscanos, Carmelitas e Agostinianos, estabeleceram-se em Oxford em meados do século XIII, adquiriram influência e mantiveram casas ou salões para estudantes.[33] Na mesma época, benfeitores particulares fundaram colégios como comunidades acadêmicas autônomas. Entre os primeiros fundadores estava William de Durham, que em 1249 dotou o University College,[33] e John Balliol, pai de um futuro rei dos escoceses; o Balliol College recebeu seu nome.[31] Outro fundador, Walter de Merton, Lorde Chanceler da Inglaterra e posteriormente bispo de Rochester, elaborou uma série de regulamentos para a vida colegial;[34][35] o Merton College tornou-se, assim, um modelo para instituições semelhantes em Oxford[36] e em Cambridge. A partir de então, um número crescente de estudantes passou a morar nos colégios, em vez de salões e casas religiosas.[33]

Em 1333–1334, uma tentativa de alguns estudiosos insatisfeitos de Oxford de fundar uma nova universidade em Stamford, no condado de Lincolnshire, foi bloqueada pelas universidades de Oxford e Cambridge, que apresentaram uma petição ao rei Eduardo III.[37] Depois disso, até a década de 1820, não foi permitida a fundação de novas universidades na Inglaterra, nem mesmo em Londres; Oxford e Cambridge mantiveram, portanto, um duopólio incomum entre os grandes países da Europa Ocidental.[38][39]

Renascimento

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Gravura da Christ Church, de 1742

O novo conhecimento do Renascimento exerceu grande influência sobre Oxford a partir do final do século XV. Entre os estudiosos da universidade nesse período estavam William Grocyn, que contribuiu para a revitalização dos estudos da língua grega,[40] e John Colet, destacado estudioso da teologia bíblica.[41]

Com a Reforma Inglesa e o rompimento da comunhão com a Igreja Católica, acadêmicos católicos recusantes de Oxford fugiram para a Europa continental, estabelecendo-se sobretudo na Universidade de Douai.[42] O método de ensino em Oxford foi transformado, passando da metodologia escolástica medieval para a educação renascentista, embora as instituições ligadas à universidade tenham perdido terras e receitas. Como centro de ensino e erudição, a reputação de Oxford declinou durante o Iluminismo; as matrículas caíram e o ensino foi negligenciado.[43]

Em 1636, William Laud, chanceler e Arcebispo da Cantuária, codificou os estatutos da universidade.[44] Em sua maior parte, eles permaneceram como os regulamentos de governo da instituição até meados do século XIX. Laud também foi responsável pela concessão de uma carta que assegurava privilégios à Oxford University Press e fez contribuições importantes à Biblioteca Bodleiana, a principal biblioteca da universidade. Desde a formação da Igreja da Inglaterra como igreja oficial até 1866, pertencer a ela era requisito para obter o grau de bacharel em artes, e os dissidentes religiosos ingleses só puderam ser promovidos a mestres em artes a partir de 1871.[45] Durante a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), a universidade foi um centro do partido realista, enquanto a cidade apoiava a causa adversária dos parlamentares.[46]

Emblema do Colégio Invisível inglês do século XVII
Emblema do Colégio invisível inglês do século XVII

O Wadham College, fundado em 1610, foi o colégio de graduação de sir Christopher Wren. Ele integrou um grupo de cientistas experimentais de Oxford na década de 1650, o Clube Filosófico de Oxford, que incluía Robert Boyle e Robert Hooke. O grupo, por vezes associado ao "Colégio invisível" de Boyle, realizava reuniões regulares em Wadham sob a orientação do diretor do colégio, John Wilkins, e formou o núcleo que mais tarde fundaria a Royal Society.[47]

Período moderno

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Estudantes

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Em 1827, foi realizada uma ampla revisão dos estatutos da universidade, alguns deles com mais de quinhentos anos. Entre as alterações esteve a eliminação da exigência de que os estudantes jurassem inimizade a Henry Symeonis, morador de Oxford considerado culpado pelo assassinato de um estudante em meados do século XIII.[48]

Antes das reformas do início do século XIX, o currículo de Oxford era notoriamente restrito e pouco prático. Sir Spencer Walpole, historiador da Grã-Bretanha contemporânea e alto funcionário público que não havia frequentado uma universidade, afirmou: "Poucos médicos, poucos advogados e poucas pessoas destinadas ao comércio jamais sonharam em seguir uma carreira universitária." Ele citou os comissários da Universidade de Oxford, que em 1852 declararam: "A educação ministrada em Oxford não era de natureza a favorecer o progresso na vida de muitas pessoas, exceto daquelas destinadas ao ministério religioso."[49] Apesar disso, Walpole argumentou:

Entre as muitas deficiências que acompanhavam a educação universitária havia, contudo, uma coisa boa: a educação que os estudantes de graduação davam a si mesmos. Era impossível reunir mil ou mil e duzentos dos melhores jovens da Inglaterra, oferecer-lhes a oportunidade de se conhecerem e plena liberdade para viverem à sua maneira sem desenvolver, nos melhores entre eles, admiráveis qualidades de lealdade, independência e autocontrole. Se o estudante médio levava da universidade pouca ou nenhuma aprendizagem que lhe fosse útil, levava consigo um conhecimento dos homens, respeito pelos colegas e por si próprio, reverência pelo passado e um código de honra para o presente que necessariamente lhe seriam úteis. Tivera oportunidades [...] de conviver com homens, alguns dos quais certamente alcançariam as posições mais elevadas no Senado, na Igreja ou na advocacia. Poderia ter se relacionado com eles nos esportes, nos estudos e talvez em sua sociedade de debates; e quaisquer vínculos assim formados teriam sido úteis na época e poderiam tornar-se fonte de satisfação em sua vida posterior.[50]

Entre os estudantes matriculados em 1840, 65% eram filhos de profissionais liberais, sendo 34% filhos de ministros anglicanos. Após a graduação, 87% ingressaram em profissões liberais, incluindo 59% no clero anglicano. Entre os matriculados em 1870, 59% eram filhos de profissionais liberais, dos quais 25% eram filhos de ministros anglicanos. Depois da graduação, 87% tornaram-se profissionais liberais, incluindo 42% como clérigos anglicanos.[51][52]

M. C. Curthoys e H. S. Jones sustentam que a ascensão do esporte organizado foi uma das características mais marcantes e distintivas da história das universidades de Oxford e Cambridge no fim do século XIX e início do XX. Esse desenvolvimento foi herdado do atletismo predominante em escolas públicas britânicas como Eton, Winchester, Shrewsbury e Harrow.[53]

Todos os estudantes, independentemente da área escolhida, eram obrigados a passar pelo menos o primeiro ano preparando-se para um exame fortemente concentrado em línguas clássicas. Os estudantes de ciências consideravam isso particularmente oneroso e defendiam um diploma científico separado, que eliminasse o estudo do grego dos cursos obrigatórios. O conceito de bacharelado em ciências já havia sido adotado por outras universidades europeias — a Universidade de Londres o implementara em 1860 —, mas uma proposta apresentada em Oxford em 1880 para substituir o requisito clássico por uma língua moderna, como alemão ou francês, não teve êxito. Após considerável disputa interna sobre a estrutura do currículo de artes, em 1886 o "exame preliminar de ciências naturais" foi reconhecido como parte habilitante do exame do primeiro ano.[54]

No início de 1914, a universidade abrigava cerca de três mil estudantes de graduação e aproximadamente cem de pós-graduação. Durante a Primeira Guerra Mundial, muitos estudantes e fellows ingressaram nas forças armadas. Em 1918, quase todos os fellows serviam uniformizados, e a população estudantil residente havia caído para 12% do total anterior à guerra.[55] O Registro de Serviço da Universidade informa que, no total, 14.792 membros da instituição serviram no conflito e 2.716 deles, ou 18,36%, morreram.[56] Nem todos os membros da universidade que serviram na Grande Guerra lutaram pelos Aliados: existe um memorial aos integrantes do New College que serviram nas forças armadas alemãs, com a inscrição: "Em memória dos homens deste colégio que, vindo de uma terra estrangeira, entraram na herança deste lugar e, ao retornarem, lutaram e morreram por seu país na guerra de 1914–1918." Durante os anos de guerra, os edifícios universitários foram transformados em hospitais, escolas de cadetes e campos de treinamento militar.[55]

Duas comissões parlamentares, em 1852, emitiram recomendações para Oxford e Cambridge. Archibald Campbell Tait, ex-diretor da Rugby School, foi um integrante importante da Comissão de Oxford e desejava que a universidade seguisse o modelo alemão e escocês, no qual a cátedra ocupava posição central. O relatório imaginava uma universidade centralizada, administrada predominantemente por professores e faculdades, com ênfase muito maior na pesquisa. O quadro profissional deveria ser ampliado e mais bem remunerado. As restrições de ingresso dos estudantes deveriam ser eliminadas e mais oportunidades oferecidas às famílias pobres. O relatório pediu a ampliação do currículo, com honrarias concedidas em muitas áreas novas. As bolsas de graduação deveriam ser abertas a todos os britânicos, e as bolsas para fellows graduados, a todos os membros da universidade. Recomendou-se que os fellows fossem dispensados da obrigação de ordenação religiosa. Os estudantes também deveriam ter permissão para economizar morando na cidade, em vez de residirem em um colégio.[57][58]

O sistema de escolas de honra separadas para diferentes disciplinas começou em 1802, com Matemática e Literae Humaniores.[59] As escolas de "Ciências Naturais" e "Direito e História Moderna" foram acrescentadas em 1853.[59] Em 1872, a última delas havia sido dividida em "Jurisprudência" e "História Moderna". A Teologia tornou-se a sexta escola de honra.[60] Além desses graus de bacharelado com honras, era — e ainda é — oferecido o bacharelado de pós-graduação em Direito Civil (B.C.L.).[61]

Em meados do século XIX, Oxford sentiu o impacto do Movimento de Oxford (1833–1845), liderado, entre outros, pelo futuro cardeal John Henry Newman. As reformas administrativas do século XIX incluíram a substituição das provas orais por exames escritos de admissão, maior tolerância à dissidência religiosa e a criação de quatro colégios femininos. Decisões do Conselho Privado no século XX — a abolição do culto diário obrigatório, a separação da cátedra régia de hebraico da condição clerical e a destinação de legados teológicos dos colégios para outros fins — enfraqueceram a ligação com as crenças e práticas tradicionais. Além disso, embora a universidade historicamente enfatizasse o conhecimento clássico, seu currículo foi ampliado durante o século XIX para incluir estudos científicos e médicos.

Os graus de pós-graduação de bacharel em ciências e bacharel em letras — renomeados Master of Science e Master of Letters na década de 1970 — foram introduzidos em 1895, e a universidade começou a conceder doutorados de pesquisa em 1900, com os graus de doutor em letras e doutor em ciências.[62] Oxford foi a primeira universidade britânica a instituir o grau de Doutor em filosofia — abreviado DPhil — em 1917; ele foi concedido pela primeira vez em 1919 a Lakshman Sarup, do Balliol College.[63]

Educação feminina

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Primeiros colégios femininos
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Lady Margaret Hall, fundada em 1878
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Somerville College, fundado em 1879
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St Hugh's College, fundado em 1886

A universidade aprovou um estatuto em 1875 que permitia a realização de exames para mulheres em nível aproximadamente equivalente ao da graduação;[64] durante um breve período no início do século XX, isso permitiu que as chamadas "damas do vapor" recebessem graus ad eundem da Universidade de Dublin.[65] Em junho de 1878, foi criada a Associação para a Educação das Mulheres, com o objetivo de estabelecer futuramente um colégio feminino em Oxford. Entre seus membros de maior destaque estavam George Granville Bradley, T. H. Green e Edward Stuart Talbot. Talbot insistia em uma instituição especificamente anglicana, o que era inaceitável para a maioria dos demais integrantes. As duas partes acabaram se separando: o grupo de Talbot fundou a Lady Margaret Hall em 1878, enquanto Green fundou o Somerville College, não denominacional, em 1879.[66] Lady Margaret Hall e Somerville abriram as portas às primeiras 21 estudantes — 12 em Somerville e nove em Lady Margaret Hall — em 1879, que assistiam a aulas em salas situadas acima de uma padaria de Oxford.[64] Em 1879, havia ainda 25 estudantes que moravam em casa ou com amigos; esse grupo evoluiu para a Sociedade de Estudantes Domésticas de Oxford e, em 1952, para o St Anne's College.[67][68]

Essas primeiras três sociedades para mulheres foram seguidas por St Hugh's, em 1886,[69] e St Hilda's, em 1893.[70] Posteriormente, todos esses colégios tornaram-se mistos, começando por Lady Margaret Hall e St Anne's em 1979[71][67] e terminando com St Hilda's, que passou a admitir homens em 2008.[72] No início do século XX, Oxford e Cambridge eram amplamente vistas como bastiões do privilégio masculino;[73] contudo, a integração das mulheres em Oxford avançou durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1916, elas foram admitidas como estudantes de medicina em igualdade com os homens e, em 1917, a universidade assumiu a responsabilidade financeira pelos exames femininos.[55]

Em 7 de outubro de 1920, as mulheres passaram a poder ser admitidas como membros plenos da universidade e receberam o direito de obter graus acadêmicos.[74] Em 1927, os docentes criaram uma cota que limitava o número de alunas a um quarto do número de homens, norma que só foi abolida em 1957.[64] Além disso, durante esse período os colégios de Oxford eram de sexo único, de modo que o número de mulheres também era limitado pela capacidade de admissão dos colégios femininos. Somente em 1959 esses colégios receberam status colegial pleno.[75]

Em 1974, o Brasenose, Jesus, Wadham, o Hertford e St Catherine's tornaram-se os primeiros colégios anteriormente masculinos a admitir mulheres.[76][77] A maioria dos colégios masculinos admitiu suas primeiras alunas em 1979,[77] seguida pela Christ Church em 1980,[78] enquanto Oriel se tornou o último colégio masculino a admitir mulheres, em 1985.[79] A maioria dos colégios de pós-graduação de Oxford foi fundada como instituição mista no século XX, com exceção de St Antony's, criado como colégio masculino em 1950 e aberto a mulheres apenas em 1962.[80] Em 1988, 40% dos estudantes de graduação de Oxford eram mulheres;[81] em 2016, elas representavam 45% de todo o corpo discente e 47% dos alunos de graduação.[82][83]

Em junho de 2017, Oxford anunciou que, a partir do ano acadêmico de 2018, estudantes de história poderiam optar por realizar em casa uma prova de alguns cursos, com o objetivo de igualar as taxas de notas máximas concedidas a mulheres e homens.[84] No mesmo verão, as provas de matemática e ciência da computação foram ampliadas em quinze minutos, para verificar se as notas das estudantes melhorariam.[85][86]

O romance policial Gaudy Night, de Dorothy L. Sayers, uma das primeiras mulheres a obter um grau acadêmico em Oxford, se passa em grande parte no fictício colégio feminino Shrewsbury College, inspirado no Somerville College frequentado por Sayers,[87] e tem a educação das mulheres como tema central. O livro Bluestockings: A Remarkable History of the First Women to Fight for an Education, da historiadora social e ex-aluna de Somerville Jane Robinson, apresenta um relato muito detalhado e envolvente dessa história.[88]

Edifícios e instalações

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Panorama aéreo rolável da universidade em 2016

Principais instalações

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Átrio do Laboratório de Pesquisa em Química. Nos últimos anos, a universidade investiu intensamente em novas instalações no laboratório
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O Sheldonian Theatre, construído por Christopher Wren entre 1664 e 1668, recebe reuniões da congregação universitária, concertos e cerimônias de concessão de graus.

A universidade é uma "universidade urbana", pois não possui um campus principal; seus colégios, departamentos, alojamentos e demais instalações estão distribuídos pelo centro de Oxford e por outras áreas da cidade. A Área de Ciências, onde se situa a maioria dos departamentos científicos, é a zona que mais se assemelha a um campus. No noroeste da cidade encontra-se o Radcliffe Observatory Quarter, uma área de dez acres, ou quatro hectares.

Entre os edifícios emblemáticos da universidade estão a Radcliffe Camera, o Sheldonian Theatre, utilizado para concertos, palestras e cerimônias universitárias, e as Examination Schools, onde são realizados exames e algumas aulas. A Igreja Universitária de Santa Maria Virgem era usada para cerimônias da universidade antes da construção do Sheldonian.

Em 2012–2013, a universidade construiu o controverso empreendimento Castle Mill, com um hectare — 400 m × 25 m — e blocos residenciais estudantis de quatro ou cinco andares com vista para Cripley Meadow e o histórico Port Meadow, obstruindo a visão das torres do centro da cidade.[89] O empreendimento foi comparado à construção de "um arranha-céu ao lado de Stonehenge".[90]

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Setembro no Jardim Botânico de Oxford

Os Parques Universitários formam uma área verde de 70-acre (28 ha) no nordeste da cidade, perto de Keble College, Somerville College e Lady Margaret Hall. O local é aberto ao público durante o dia. Existem ainda diversos espaços abertos pertencentes aos colégios e acessíveis ao público, incluindo Bagley Wood e, em especial, Christ Church Meadow.[91]

O Jardim Botânico de Oxford, situado na High Street, é o jardim botânico mais antigo do Reino Unido. Ele contém mais de oito mil espécies vegetais diferentes em 1,8 ha (4+12 acres). Trata-se de uma das maiores coleções de plantas mais diversificadas e compactas do mundo, com representantes de mais de 90% das famílias de plantas superiores. O Harcourt Arboretum ocupa 130-acre (53 ha), a seis milhas (9,7 km) ao sul da cidade, e inclui bosques nativos e 67 acres (27 hectares) de pradarias. A universidade também possui os Wytham Woods, com 1 000-acre (4,0 km2), utilizados em pesquisas de Zoologia e mudanças climáticas.[92]

Organização

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Os colégios organizam o ensino tutorial dos estudantes de graduação, e os integrantes de cada departamento acadêmico estão distribuídos por muitos colégios. Embora alguns apresentem especializações disciplinares — como o Nuffield College, voltado às ciências sociais —, essas são exceções; a maioria possui uma comunidade diversificada de estudantes e acadêmicos de numerosas áreas. As bibliotecas são oferecidas em todos esses níveis: pela universidade central, por meio da Biblioteca Bodleiana; pelos departamentos, mediante bibliotecas próprias, como a Biblioteca da Faculdade de Inglês; e pelos colégios, cada um dos quais mantém uma biblioteca multidisciplinar para seus membros.[93]

Administração central

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Wellington Square tornou-se sinônimo da administração central da universidade

O chefe formal da universidade é o chanceler, cargo assumido em 2025 por Lorde Hague de Richmond.[94] Como ocorre na maioria das universidades britânicas, porém, o chanceler é uma figura titular e não participa da administração cotidiana. Ele é eleito pelos membros da Convocation, órgão formado por todos os diplomados da universidade, e pode permanecer no cargo até morrer.[95]

A vice-chanceler, atualmente Irene Tracey,[96] é a dirigente de facto da universidade. Há cinco pró-vice-chanceleres com responsabilidades específicas.[97]

Dois procuradores universitários, eleitos anualmente e em sistema de rodízio entre quaisquer dois colégios, atuam como ouvidores internos e asseguram que a universidade e seus membros cumpram os estatutos. O cargo abrange a disciplina e as reclamações estudantis, além da supervisão dos procedimentos universitários.[98] Os professores da universidade são coletivamente chamados de professores estatutários da Universidade de Oxford. Eles exercem influência especial sobre os programas de pós-graduação. Entre eles estão os titulares das cátedras Chichele e o professor Drummond de Economia Política.

Oxford é uma "universidade pública" por receber parte de seus recursos do governo, mas também é uma "universidade privada" por ser inteiramente autônoma e, em teoria, poder tornar-se totalmente privada se rejeitar o financiamento público.[99]

Colégios

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Tom Quad, na Christ Church
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Pátio principal do Worcester College
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Christ Church, Oxford

Para ser membro da universidade, todo estudante e a maior parte do pessoal acadêmico também deve pertencer a um colégio ou salão. Existem 39 colégios e quatro salões privados permanentes, cada qual responsável por sua composição e dotado de estrutura e atividades internas próprias.[13] Nem todos oferecem todos os cursos, mas em geral abrangem uma ampla variedade de disciplinas.

Os 39 colégios são:

‡ Esses três não possuem carta régia e são oficialmente departamentos da universidade, e não colégios independentes.

Os salões privados permanentes foram fundados por diferentes denominações cristãs. Uma diferença entre um colégio e um salão é que os colégios são administrados por seus fellows, enquanto a administração de um salão pertence, ao menos em parte, à denominação cristã correspondente. Os quatro salões são:

Os salões e colégios integram a Conferência dos Colégios, que representa seus interesses comuns, discute questões compartilhadas e permite ações coletivas quando necessário, como nas relações com a universidade central.[100][101] A conferência foi criada por recomendação da Comissão Franks, em 1965.[102]

Os membros docentes dos colégios, isto é, fellows e tutores, são coletiva e informalmente chamados de dons, embora a própria universidade raramente empregue o termo. Além de alojamento e refeitórios, os colégios oferecem atividades sociais, culturais e recreativas aos membros. Eles são responsáveis por admitir estudantes de graduação e organizar seu ensino; na pós-graduação, essa responsabilidade cabe aos departamentos.

Finanças

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Salão de refeições da Christ Church; o salão é uma característica importante dos colégios típicos de Oxford e oferece um lugar para refeições e convívio.
Finanças da Universidade de Oxford: principais estatísticas (bilhões de libras esterlinas)
Exercício financeiro encerrado em 31 de julho
20242023
Receita total do grupo universitário, excluindo os colégios3,0542,829
Despesa total no ano[103]2,2632,581
Principais fontes de receita[103]
Mensalidades e contratos educacionais0,5510,5042
Verbas de órgãos financiadores0,22470,2292
Bolsas e contratos de pesquisa0,77890,789
Serviços editoriais0,74680,753
Receita de investimentos0,19720,1805
Doações e fundos patrimoniais0,2380,1869
Ativos ao fim do ano
Fundos patrimoniais da universidade, excluindo os colégios1,9121,678
Ativos líquidos totais[103]6,3885,385
Fundos patrimoniais totais dos colégios6,7966,388
Ativos líquidos totais dos colégios[104]8,7388,176

O patrimônio combinado de 8,708 bilhões de libras esterlinas faz de Oxford a universidade com o maior fundo patrimonial do Reino Unido.[103] O número referente aos colégios não representa todos os ativos que eles mantêm, pois suas contas não incluem o custo ou o valor de muitas instalações principais ou bens históricos, como obras de arte e bibliotecas.[105]

O fundo patrimonial da universidade central, juntamente com parte dos fundos dos colégios, é administrado pelo escritório de gestão patrimonial integralmente pertencente à universidade, o Oxford University Endowment Management, criado em 2007.[106] A universidade mantinha investimentos consideráveis em empresas de combustíveis fósseis.[107] Em abril de 2020, contudo, comprometeu-se a retirar os investimentos diretos nessas empresas e a exigir que os investimentos indiretos nelas fossem submetidos aos Princípios Oxford Martin.[108][109]

A universidade esteve entre as primeiras do Reino Unido a arrecadar recursos por meio de uma grande campanha pública. A segunda campanha, lançada em maio de 2008, recebeu o nome "Oxford Thinking – The Campaign for the University of Oxford".[110] Ela busca apoiar três áreas: cargos e programas acadêmicos, assistência estudantil e edifícios e infraestrutura.[111] Após superar a meta original de 1,25 bilhão de libras em março de 2012, o objetivo foi elevado para três bilhões.[112]

Críticas ao financiamento

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A universidade recebeu críticas por algumas de suas fontes de doações e financiamento. Em 2017, chamaram atenção doações históricas, entre elas as dez mil libras recebidas pelo All Souls College do traficante de escravizados Christopher Codrington em 1710[113] e as cem mil libras deixadas ao Oriel College no testamento do imperialista Cecil Rhodes, em 1902.[114][115] Em 1996, a universidade recebeu uma doação de vinte milhões de libras de Wafic Saïd, envolvido no acordo de armas Al-Yamamah,[116][117] e, em 2019, aceitou 150 milhões de libras do empresário e bilionário norte-americano Stephen A. Schwarzman.[118] A universidade defendeu suas decisões afirmando que "leva em consideração questões jurídicas, éticas e reputacionais".

A instituição também foi criticada, como mencionado anteriormente, por aceitar doações de empresas de combustíveis fósseis. Recebeu 21,8 milhões de libras do setor entre 2010 e 2015,[119] 18,8 milhões entre 2015 e 2020[120][121] e 1,6 milhão entre 2020 e 2021.[122]

Em 2021, a universidade aceitou seis milhões de libras do Alexander Mosley Charitable Trust. O ex-piloto Max Mosley declarou ter criado o fundo para "abrigar a fortuna que herdou" de seu pai,[123] Oswald Mosley, fundador de dois grupos de extrema-direita: o Union Movement e a União Britânica de Fascistas.[124]

Afiliações

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Oxford integra o Grupo Russell de universidades britânicas voltadas à pesquisa e é considerada parte do agrupamento informal de universidades que forma o "triângulo dourado" do sudeste da Inglaterra. Internacionalmente, é membro do Europaeum, da Liga de Universidades Europeias de Pesquisa e da Aliança Internacional de Universidades de Pesquisa.[125]

Perfil acadêmico

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Admissões

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Percentual de estudantes oriundos de escolas públicas em Oxford e Cambridge[126][127]

Como ocorre na maioria das universidades britânicas, os candidatos à graduação se inscrevem pelo sistema UCAS. Entretanto, os candidatos à Universidade de Oxford, assim como aqueles aos cursos de medicina e odontologia e os candidatos à Universidade de Cambridge, devem cumprir o prazo antecipado de 15 de outubro.[128] Segundo o Sutton Trust, Oxford e Cambridge recrutam alunos de graduação de maneira desproporcional em oito escolas, responsáveis por 1.310 vagas de Oxbridge durante três anos, em contraste com 1.220 vagas provenientes de outras 2.900 escolas.[129]

Para permitir uma avaliação mais individualizada, os candidatos à graduação não podem se inscrever simultaneamente em Oxford e Cambridge no mesmo ano. As únicas exceções são os candidatos a bolsas de organista[130] e aqueles que pleiteiam um segundo curso de graduação.[131] Oxford apresenta a menor taxa de ofertas de todas as universidades do Grupo Russell.[132]

A maioria dos candidatos escolhe se inscrever em um colégio específico. Os candidatos à graduação se beneficiam da colaboração entre os colégios, cujo objetivo é garantir que os melhores estudantes obtenham uma vaga na universidade, independentemente da preferência inicial. Os candidatos à pós-graduação admitidos pela universidade têm lugar garantido em algum colégio, mesmo quando o colégio preferido não dispõe de vaga.[133]

A pré-seleção para a graduação se baseia nas notas já obtidas e previstas, nas referências escolares e, em determinadas disciplinas, em provas escritas de admissão ou trabalhos enviados pelo candidato. Aproximadamente 60% dos candidatos são pré-selecionados, embora a proporção varie conforme a disciplina. Quando muitos candidatos pré-selecionados para uma área escolhem o mesmo colégio, alguns dos que indicaram essa instituição podem ser redistribuídos aleatoriamente para colégios com menor procura naquela disciplina. Os colégios então convidam os candidatos para entrevistas e lhes fornecem alimentação e alojamento durante cerca de três dias em dezembro. A maioria dos candidatos à graduação é entrevistada individualmente por acadêmicos de mais de um colégio. Em 2020, as entrevistas passaram a ser realizadas pela internet,[134] e continuarão nesse formato pelo menos até 2027.[135]

As ofertas de graduação são enviadas no início de janeiro e normalmente vêm de um colégio específico. Um em cada quatro candidatos aprovados recebe uma oferta de um colégio ao qual não havia se inscrito. Alguns cursos podem fazer "ofertas abertas", nas quais o candidato só é destinado a um colégio no dia da divulgação dos resultados do A Level, em agosto.[136][137]

A universidade foi criticada pela quantidade de estudantes admitidos provenientes de escolas particulares;[138] por exemplo, a rejeição de Laura Spence em 2000 provocou amplo debate.[139] Em 2016, 59% das ofertas de Oxford destinadas a estudantes do Reino Unido foram feitas a alunos de escolas públicas, embora cerca de 93% de todos os estudantes britânicos e 86% daqueles com mais de dezesseis anos estudassem nesse tipo de escola.[140][141][142] Contudo, 64% dos candidatos britânicos vinham de escolas públicas, e a universidade observa que esses alunos se candidatam de forma desproporcional a disciplinas muito concorridas.[143] A proporção de admitidos oriundos de escolas públicas tem aumentado. Entre 2015 e 2019, eles representaram, respectivamente, 55,6%, 58,0%, 58,2%, 60,5% e 62,3% do total anual de estudantes britânicos admitidos.[144] Oxford gasta mais de seis milhões de libras por ano em programas de divulgação destinados a incentivar candidaturas de grupos sub-representados.[140]

Em 2018, o relatório anual de admissões revelou que oito colégios de Oxford haviam aceitado menos de três candidatos negros nos três anos anteriores.[145] O deputado trabalhista David Lammy declarou: "Isto é apartheid social e não representa de forma alguma a vida na Grã-Bretanha moderna."[146] Em 2020, Oxford elevou a proporção de estudantes negros, asiáticos e de outras minorias étnicas a níveis recordes.[147][148] O número de estudantes de graduação desses grupos aceitos naquele ano subiu para 684, ou 23,6% dos admitidos do Reino Unido, ante 558, ou 22%, em 2019; o número de estudantes negros foi de 106, equivalentes a 3,7% do total, contra oitenta, ou 3,2%, no ano anterior.[148][149] Dados da UCAS também indicaram que Oxford tem maior probabilidade que instituições comparáveis de fazer ofertas a estudantes de minorias étnicas e de condições sociais desfavorecidas.[147]

O Departamento de Educação classifica regularmente a universidade como uma instituição de "tarifa elevada". Nos últimos anos, o aluno médio admitido na graduação reuniu entre 163 e 166 pontos da tarifa UCAS nas três principais qualificações pré-universitárias, equivalentes a notas entre A*A*A e A*A*A* no A Level.[150] Segundo os padrões de ingresso de 2022–2023 publicados pela Agência de Estatísticas do Ensino Superior e utilizados nas classificações nacionais — que incluem uma variedade maior de qualificações além das três principais notas —, o estudante médio de Oxford alcançou 203 pontos, a quarta maior pontuação do Reino Unido.[151]

Ensino e graus acadêmicos

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O ensino de graduação se concentra no tutorial, no qual de um a quatro estudantes passam uma hora com um acadêmico discutindo o trabalho da semana, geralmente uma redação — em humanidades, na maioria das ciências sociais e em algumas ciências matemáticas, físicas e biológicas — ou uma lista de problemas — na maioria das ciências matemáticas, físicas e biológicas e em algumas ciências sociais. A própria universidade é responsável por aplicar os exames e conceder os graus. O ensino de graduação ocorre em três períodos acadêmicos de oito semanas: Michaelmas, Hilary e Trinity.[152] Oficialmente, esses intervalos são chamados de Full Term; o termo Term designa um período mais extenso, de pouca relevância prática. Internamente, as semanas começam aos domingos e são numeradas: a primeira é chamada de "primeira semana", a última de "oitava semana", e a numeração se estende às semanas anteriores e posteriores ao período letivo — por exemplo, a "semana zero" antecede o início das aulas.[153] Os estudantes de graduação devem estar residindo em Oxford a partir da quinta-feira da semana zero. Esses períodos letivos são mais curtos que os da maioria das outras universidades britânicas[154] e, somados, ocupam menos da metade do ano. Ainda assim, espera-se que os alunos realizem algum trabalho acadêmico durante as três férias, conhecidas como férias de Natal, de Páscoa e férias longas.

Bolsas e apoio financeiro

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A Rhodes House abriga o órgão que concede as bolsas Rhodes, frequentemente consideradas as bolsas acadêmicas de maior prestígio do mundo.

Os estudantes de Oxford dispõem de muitas possibilidades de auxílio financeiro. As Oxford Opportunity Bursaries, introduzidas em 2006, são bolsas baseadas na renda e abertas a qualquer estudante britânico de graduação, podendo chegar a 10.235 libras ao longo de um curso de três anos. Além disso, os colégios oferecem bolsas e fundos próprios. Na pós-graduação, existem numerosas bolsas ligadas à universidade e acessíveis a pessoas de origens diversas, desde as bolsas Rhodes até as mais recentes bolsas Weidenfeld.[155] Oxford também oferece a bolsa Clarendon, aberta a candidatos à pós-graduação de todas as nacionalidades.[156] Ela é financiada principalmente pela Oxford University Press, em associação com colégios e outras bolsas de parceria.[157][158] Em 2016, a universidade anunciou seu primeiro curso gratuito de economia pela internet, como parte de um programa de curso online aberto e massivo (MOOC), em parceria com uma rede universitária norte-americana.[159] O curso recebeu o nome From Poverty to Prosperity: Understanding Economic Development.

Os estudantes que obtêm bons resultados nos primeiros exames são recompensados por seus colégios com bolsas de estudo e exhibitions, normalmente originadas de antigos fundos patrimoniais, embora, desde a introdução das mensalidades, os valores disponíveis tenham se tornado meramente nominais. Os bolsistas e, em alguns colégios, os beneficiários de exhibitions podem usar uma beca de graduação mais volumosa; os commoners — originalmente aqueles que tinham de pagar pelas refeições e pelo alojamento — ficam restritos a uma veste curta e sem mangas. Em Oxford, portanto, o termo "bolsista" possui um sentido específico, além do significado geral de pessoa com capacidade acadêmica excepcional. No passado, existiam as categorias de noblemen commoners e gentlemen commoners, abolidas no século XIX. As bolsas "fechadas", disponíveis apenas a candidatos que satisfizessem condições específicas, como terem vindo de certas escolas, foram eliminadas nas décadas de 1970 e 1980.[160]

Bibliotecas

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Biblioteca Bodleiana

A universidade mantém o maior sistema de bibliotecas universitárias do Reino Unido.[16] Com mais de onze milhões de volumes distribuídos por 120 milhas (190 km) de estantes, o conjunto da Bodleiana é o segundo maior sistema de bibliotecas do país, atrás apenas da Biblioteca Britânica. A Bodleiana é uma biblioteca de depósito legal, o que lhe confere o direito de solicitar gratuitamente um exemplar de cada livro publicado no Reino Unido. Por isso, seu acervo cresce a uma taxa superior a três milhas — cinco quilômetros — de estantes por ano.[161]

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O Clarendon Building, que abriga muitos funcionários de alto escalão das Bibliotecas Bodleianas, foi anteriormente sede da administração central da universidade

O complexo conhecido como principal biblioteca de pesquisa da universidade, a Bodleiana, é composto pela biblioteca original no Old Schools Quadrangle, fundada por sir Thomas Bodley em 1598 e aberta em 1602,[162] pela Radcliffe Camera, pelo Clarendon Building e pela Weston Library. Um túnel sob a Broad Street liga esses edifícios; o Gladstone Link, aberto aos leitores em 2011, conecta a antiga Bodleiana à Radcliffe Camera.

O grupo Bibliotecas Bodleianas foi criado em 2000, reunindo a Biblioteca Bodleiana e algumas bibliotecas especializadas.[163] Atualmente, é formado por 28[164] bibliotecas, várias das quais resultaram da união de coleções antes separadas, entre elas a Sackler Library, a Biblioteca de Direito, a Biblioteca de Ciências Sociais e a Radcliffe Science Library.[163] Outro produto importante dessa colaboração foi um sistema integrado comum, o OLIS (Oxford Libraries Information System),[165] e sua interface pública, SOLO (Search Oxford Libraries Online), que oferece um catálogo eletrônico de todas as bibliotecas integrantes, bem como das bibliotecas dos colégios e de outras faculdades que não pertencem ao grupo, mas compartilham informações catalográficas.[166]

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A Biblioteca do Duque Humfrey na Biblioteca Bodleiana

Um novo depósito de livros foi inaugurado em South Marston, Swindon, em outubro de 2010.[167] Entre os projetos recentes também esteve a remodelação do edifício da Nova Bodleiana, rebatizado de Weston Library quando reabriu em 2015.[168][169] A reforma foi projetada para expor melhor os diversos tesouros da biblioteca — incluindo um First Folio de Shakespeare e uma Bíblia de Gutenberg —, além de receber exposições temporárias.

Em 2004, a Bodleiana participou de um projeto de digitalização em massa com o Google.[170][171] Entre os importantes recursos eletrônicos hospedados pelo grupo está o Electronic Enlightenment Project, vencedor do Prêmio Digital de 2010 da Sociedade Britânica de Estudos do Século XVIII.[172]

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Interior do Pitt Rivers Museum

Oxford mantém diversos museus e galerias de acesso gratuito. O Museu Ashmolean, fundado em 1683, é o museu mais antigo do Reino Unido e o mais antigo museu universitário do mundo.[173] Possui importantes coleções de arte e arqueologia, incluindo obras de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Turner e Picasso, além de tesouros como a cabeça de maça do Rei Escorpião, o Mármore de Paros e a Joia de Alfredo. Também conserva "O Messias", um violino Stradivarius em estado impecável, considerado por alguns um dos melhores exemplares existentes.[174]

O Museu de História Natural da Universidade de Oxford abriga as coleções zoológicas, entomológicas e geológicas da universidade. Ele ocupa um grande edifício neogótico na Parks Road, na Área de Ciências.[175][176] Seu acervo inclui esqueletos de Tyrannosaurus rex e Triceratops, além dos restos mortais de dodô mais completos encontrados no mundo. O museu também abriga a cátedra Simonyi de Compreensão Pública da Ciência, atualmente ocupada por Marcus du Sautoy.[177]

Ao lado do Museu de História Natural encontra-se o Pitt Rivers Museum, fundado em 1884, que exibe as coleções arqueológicas e antropológicas da universidade, hoje com mais de quinhentos mil itens. O museu construiu recentemente um novo anexo de pesquisa; desde sua fundação, seus funcionários participam do ensino de antropologia em Oxford, pois, como condição de sua doação, o general Augustus Pitt Rivers determinou que a universidade criasse uma cátedra de antropologia.[178]

O Museu de História da Ciência ocupa, na Broad Street, o edifício construído especificamente como museu mais antigo ainda existente no mundo.[179] Seu acervo reúne quinze mil artefatos, da Antiguidade ao século XX, representando quase todos os aspectos da História da ciência. Na Faculdade de Música, em St Aldate's, encontra-se a Coleção Bate de Instrumentos Musicais, formada sobretudo por instrumentos da música clássica ocidental desde o período medieval. A Christ Church Picture Gallery conserva uma ampla coleção de pinturas e desenhos de mestres antigos.[180]

Publicações

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A Oxford University Press é a segunda editora universitária mais antiga do mundo e, atualmente, a maior em número de publicações.[181] Mais de seis mil livros novos são publicados anualmente,[182] incluindo numerosas obras de referência, profissionais e acadêmicas, como o Oxford English Dictionary, o Concise Oxford English Dictionary, a coleção Oxford World's Classics, o Oxford Dictionary of National Biography e o Concise Dictionary of National Biography.

Reputação e classificações

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Desempenho da Universidade de Oxford nas classificações nacionais durante os dez anos anteriores

Em razão de sua antiguidade[183][184] e de seu status social e acadêmico,[185][186] a Universidade de Oxford é considerada uma das instituições mais prestigiosas ou elitizadas da Grã-Bretanha[187][188] e, junto com a Universidade de Cambridge, forma uma dupla que ocupa posição superior às demais universidades britânicas nesse aspecto.[183][185][186][189]

Oxford aparece regularmente entre as cinco melhores universidades do mundo no Times Higher Education World University Rankings[190][191] e também nas classificações universitárias da revista Forbes.[192] Ocupou a primeira posição do Times Good University Guide por onze anos consecutivos,[193] e sua escola de medicina manteve o primeiro lugar na tabela "Clinical, Pre-Clinical & Health" do Times Higher Education World University Rankings durante sete anos consecutivos.[194] Em 2021, ficou em sexto lugar entre as universidades do mundo no SCImago Institutions Rankings.[195] O Times Higher Education também reconheceu Oxford como uma das "seis supermarcas" universitárias do mundo em sua classificação de reputação, ao lado da Universidade da Califórnia, Berkeley, da Universidade de Cambridge, da Universidade Harvard, do MIT e da Universidade Stanford.[196] A universidade ocupa o quarto lugar mundial na classificação da US News.[197] A Saïd Business School ficou em 13.º lugar no Global MBA Ranking do Financial Times.[198]

A universidade foi classificada em primeiro lugar no mundo no ranking de 2026 da revista Time.[199] Oxford ficou em 13.º lugar mundial em 2022 no Nature Index, que mede os maiores contribuintes para artigos publicados em 82 periódicos de destaque.[200][201] Segundo o Professional Ranking World Universities, ocupa a quinta posição mundial e a primeira da Grã-Bretanha na formação de diretores executivos,[202] além de ser a primeira no Reino Unido quanto à qualidade de seus diplomados, segundo recrutadores das principais empresas do país.[203]

No Complete University Guide de 2018, todas as 38 disciplinas oferecidas por Oxford apareceram entre as dez melhores do país, fazendo dela uma das duas únicas universidades britânicas multidisciplinares — junto com Cambridge — a ter 100% das disciplinas no grupo das dez primeiras.[204] Ciência da Computação, Medicina, Filosofia, Política e Psicologia ficaram em primeiro lugar no Reino Unido.[205]

De acordo com o QS World University Rankings by Subject, Oxford também ocupa a primeira posição mundial em quatro disciplinas de humanidades: língua e literatura inglesa, línguas modernas, Geografia e História. Fica ainda em segundo lugar mundial em Antropologia, Arqueologia, Direito, Medicina, Política e Estudos Internacionais e Psicologia.[206]

Vida estudantil

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Tradições

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Estudante de graduação da Universidade de Oxford usando subfusc durante a matrícula

O traje acadêmico é obrigatório em exames, cerimônias de matrícula, audiências disciplinares e visitas a autoridades universitárias. Um referendo entre os estudantes de Oxford, em 2015, registrou 76% de oposição a tornar o traje facultativo nos exames; 8.671 estudantes votaram, e a participação de 40,2% foi a maior já registrada em um referendo de associação estudantil no Reino Unido.[207] Os alunos interpretaram amplamente o resultado não tanto como uma decisão sobre tornar o subfusc opcional, mas como uma forma de impedir sua abolição gradual, pois, caso uma minoria comparecesse aos exames sem ele, os demais logo poderiam seguir o exemplo.[208] Em julho de 2012, as regras de vestimenta acadêmica foram alteradas para serem mais inclusivas às pessoas transgênero.[209]

O trashing é uma tradição na qual estudantes que acabaram de concluir seu último exame do ano são cobertos com bebidas alcoólicas, farinha e confetes. O aluno permanece com o traje acadêmico utilizado na prova. O costume começou na década de 1970, quando amigos dos estudantes que faziam os exames finais esperavam do lado de fora das Examination Schools, onde ocorrem as provas da maioria dos cursos.[210] Outras tradições e costumes variam conforme o colégio. Alguns realizam jantares formais seis vezes por semana, enquanto em outros eles acontecem apenas ocasionalmente ou nem sequer são realizados. Os bailes são grandes eventos organizados pelos colégios; os maiores, realizados a cada três anos na nona semana do período Trinity, são conhecidos como bailes de comemoração, e o código de vestimenta geralmente exige traje de gala. Muitos outros colégios promovem eventos menores ao longo do ano, chamados de bailes de verão ou festas.

Clubes e sociedades

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A câmara de debates da Oxford Union
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Remo na Eights Week, uma regata intercolegial anual

A Oxford Union, diferente da associação estudantil da universidade, é uma sociedade independente de debates que realiza encontros semanais e recebe palestrantes de destaque. Entre os grupos político-partidários estão a Associação Conservadora da Universidade de Oxford e o Clube Trabalhista da Universidade de Oxford. A maioria das áreas acadêmicas possui algum tipo de sociedade estudantil, como a Sociedade Científica.

Há dois jornais estudantis semanais: o independente Cherwell e o The Oxford Student, da associação estudantil. Outras publicações incluem a revista Isis, a satírica Oxymoron, a publicação de pós-graduandos Oxonian Review, a Oxford Political Review[211] e o jornal exclusivamente digital The Oxford Blue. A estação de rádio estudantil é a Oxide Radio.

As equipes dos colégios competem em torneios conhecidos como cuppers, termo também utilizado para algumas competições não esportivas. Recebem atenção especial as regatas intercolegiais de remo realizadas em cada período: Christ Church Regatta, Torpids e Summer Eights. Existem ainda equipes de nível mais elevado que representam toda a universidade. Também têm destaque os confrontos universitários anuais contra Cambridge, o mais famoso dos quais é a Boat Race, assistida por uma audiência televisiva de cinco a dez milhões de pessoas. Um blue é uma distinção concedida a quem compete por uma equipe universitária em determinados esportes.

Existem sociedades de música, teatro e outras artes tanto nos colégios quanto em toda a universidade, como a Sociedade Dramática da Universidade de Oxford e a Oxford Revue. A maioria dos colégios mantém coros em suas capelas. O Oxford Imps, grupo de comédia de improvisação, apresenta-se semanalmente no Jericho Tavern durante o período letivo.[212]

Entre os clubes privados para estudantes estão o Vincent's Club, voltado principalmente a esportistas,[213] e o Gridiron Club.[214] Também existem vários clubes de refeições estudantis acessíveis apenas por convite, entre eles o Bullingdon Club.

Associação estudantil e salas comuns

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A Associação de Estudantes da Universidade de Oxford, antes conhecida principalmente pela sigla OUSU e posteriormente rebatizada como Oxford SU,[215] representa os estudantes nas decisões da universidade, atua como sua voz no debate nacional sobre políticas de ensino superior e oferece serviços diretos ao corpo discente. Refletindo a natureza colegiada da Universidade de Oxford, a OUSU é ao mesmo tempo uma associação de mais de 21 mil estudantes individuais e uma federação das salas comuns dos colégios e de outras organizações afiliadas que representam grupos de alunos de graduação e pós-graduação.

A importância da vida colegial faz com que muitos estudantes considerem a JCR de seu colégio — Junior Common Room, para graduandos — ou a MCR — Middle Common Room, para pós-graduandos — mais importante que a OUSU. Cada JCR e MCR possui um comitê, com presidente e outros estudantes eleitos para representar os colegas perante as autoridades do colégio. Esses órgãos também organizam eventos e frequentemente administram orçamentos consideráveis, provenientes dos colégios e, por vezes, de outras fontes, como bares mantidos pelos próprios estudantes.

Ex-alunos notáveis

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Ao longo de sua história, um número considerável de ex-alunos de Oxford, conhecidos como oxonianos, destacou-se em numerosas áreas acadêmicas e não acadêmicas. Mais de setenta laureados com o Nobel estudaram ou lecionaram em Oxford, com prêmios conquistados nas seis categorias.[18] Mais informações sobre integrantes notáveis da universidade podem ser encontradas nos artigos dos colégios individuais. Uma pessoa pode estar associada a dois ou mais colégios como estudante de graduação, pós-graduação ou membro do quadro de funcionários.

Entre os ex-alunos notáveis estão três medalhistas Fields, dois reis britânicos e ao menos quinze monarcas de outros onze Estados soberanos — incluindo cinco monarcas reinantes —, 31 primeiros-ministros britânicos[17] e 35 presidentes e primeiros-ministros de outros dezenove países. Em julho de 2019, havia sete oxonianos no Gabinete do Reino Unido e dois no gabinete paralelo.

A universidade formou 291 membros do Parlamento britânico, sem contar os deputados que posteriormente se tornaram pares; onze integrantes do Parlamento Europeu, excluindo aqueles que também serviram em Westminster; doze lordes chanceleres, nove lordes chefes de justiça e 22 lordes da lei; dez senadores e dez representantes dos Estados Unidos, incluindo um presidente da Câmara, além de três governadores estaduais e quatro juízes associados da Suprema Corte dos Estados Unidos; e seis juízes da Suprema Corte do Canadá, além de um presidente do já extinto Tribunal Federal do Canadá.

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A Universidade de Oxford serve de cenário para numerosas obras de ficção. A instituição já era mencionada em obras literárias por volta de 1400, quando Chaucer, em Os Contos da Cantuária, fez referência a um "estudante de Oxenford".[216] Mortimer Proctor sustenta que o primeiro romance universitário foi The Adventures of Oxymel Classic, Esq; Once an Oxford Scholar, de 1768.[217] A obra é repleta de violência e libertinagem, com docentes desagradáveis e tolos transformando-se em presas fáceis para estudantes astutos.[218] Segundo Proctor, em 1900 "os romances sobre Oxford e Cambridge eram tão numerosos que claramente representavam um fenômeno literário notável".[219] Em 1989, haviam sido identificados 533 romances ambientados em Oxford, e o número continuou aumentando.[220]

Entre as obras literárias famosas estão Brideshead Revisited, de Evelyn Waugh, adaptado em 1981 como série televisiva, e a trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pullman, que apresenta uma versão da universidade situada em uma realidade alternativa e foi adaptada para o cinema em 2007, como A Bússola de Ouro, e para uma série da BBC em 2019.

Outros exemplos notáveis incluem:

  • Zuleika Dobson (1911), de Max Beerbohm, sátira sobre a vida na graduação;
  • Gaudy Night (1935), de Dorothy L. Sayers, ex-aluna do Somerville College, romance policial protagonizado por Lord Peter Wimsey;
  • os romances policiais Inspector Morse (1975–1999), de Colin Dexter, adaptados para a televisão como Inspector Morse (1987–2000), a série derivada Lewis (2006–2015) e a prequela Endeavour (2012–2023);
  • True Blue (1996), filme sobre o motim ocorrido na regata Oxford–Cambridge de 1987;
  • The History Boys (2004), peça de Alan Bennett, ex-aluno do Exeter College, sobre um grupo de estudantes de uma escola seletiva de Sheffield que, em 1983, se candidata a estudar história em Oxford e Cambridge. A peça estreou no National Theatre e foi adaptada para o cinema em 2006;
  • Posh (2010), peça de Laura Wade, e sua adaptação cinematográfica The Riot Club (2014), sobre um equivalente fictício do Bullingdon Club;
  • Testament of Youth (2014), drama baseado no livro de memórias Testament of Youth, escrito pela ex-aluna de Somerville Vera Brittain;
  • Guilty by Definition (2024), romance de estreia de Susie Dent;
  • Babel, or the Necessity of Violence (2022), de R. F. Kuang, romance de ficção especulativa sobre estudantes de Oxford em uma história alternativa.

Entre as obras de não ficção notáveis sobre Oxford está Oxford, de Jan Morris.[221]

Ver também

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Referências

  1. Record of the Jubilee Celebrations of the University of Sydney (em inglês). Sydney, New South Wales: William Brooks and Co. 2009. ISBN 9781112213304
  2. Records of The Tercentenary Festival of Dublin University (em inglês). Dublin, Irlanda: Hodges, Figgis & Co. 2016. ISBN 9781355361602
  3. Actes du Jubilé de 1909 (em francês). Genebra, Suíça: Georg Keck & Cie. 2016. ISBN 9781360078335
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  5. 1 2 «Financial Statements 2024/25» (PDF). University of Oxford. Consultado em 22 de dezembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 13 de abril de 2026
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  8. «The brand colour – Oxford blue». Ox.ac.uk. Consultado em 16 de agosto de 2013. Cópia arquivada em 24 de maio de 2013
  9. Sager, Peter (2005). Oxford and Cambridge: An Uncommon History. [S.l.: s.n.] p. 36
  10. «The top 50 universities by reputation». Times Higher Education. 3 de novembro de 2020. Consultado em 26 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 24 de outubro de 2021
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