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Presidente dos Estados Unidos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Presidente americano)
BERJAYA Nota: Para uma lista detalhada dos presidentes, veja Lista de presidentes dos Estados Unidos.
Presidente dos Estados Unidos
President of the United States
BERJAYA
BERJAYA
BERJAYA
No cargo
Donald Trump
desde 20 de janeiro de 2025
Estilo
Tipo
AbreviaçãoPOTUS
Membro de
ResidênciaCasa Branca
LugarWashington, D.C.
Nomeado porColégio eleitoral ou via sucessão
Duração4 anos, com direito a uma reeleição
Instrumento constituinteConstituição dos Estados Unidos
Criado em4 de março de 1789[6][7]
Primeiro titularGeorge Washington[8]
SucessãoLinha de sucessão
ViceVice-presidente
SalárioUS$ 400 000 anuais[9]
Websitewhitehouse.gov

Presidente dos Estados Unidos (POTUS)[a] é o título que recebe o chefe de Estado e chefe de governo dos Estados Unidos, o mais alto cargo político do país por influência e reconhecimento. O presidente lidera o poder executivo do governo federal e é um dos dois membros eleitos do poder executivo (o outro sendo o vice-presidente).[10] Entre outros poderes e responsabilidades, o Artigo II da Constituição dos Estados Unidos encarga o presidente à "fiel execução" da lei federal, torna-o comandante em chefe das forças armadas, autoriza-o a nomear oficiais executivos e judiciais com o conselho e consentimento do Senado e permite ao presidente conceder indultos ou moratórias. Nos tempos contemporâneos, o presidente também é visto como uma das figuras políticas mais poderosas do mundo, como o líder da única superpotência global remanescente.[11][12][13][14] Como líder do país com o maior PIB, o presidente possui significativo poder nacional e internacional, exercendo o chamado hard e soft power pelo mundo.

O presidente é eleito pelo povo indiretamente, através do Colégio Eleitoral para um mandato de quatro anos, com um limite de dois mandatos (consecutivos ou não) imposto pela Vigésima Segunda Emenda Constitucional, ratificada em 1951. Sob este sistema, a cada estado é atribuído um número de votos eleitorais proporcional ao tamanho da delegação conjunta do estado em ambas as câmaras do Congresso. Ao Distrito de Colúmbia são também concedidos votos eleitorais, segundo a 22ª Emenda. Eleitores em quase todos os estados escolhem, através de um sistema de pluralidade de votação, um candidato presidencial, o qual recebe todos os votos eleitorais do estado. Uma maioria absoluta de votos eleitorais é necessária para tornar-se presidente; se nenhum candidato obtiver uma maioria, a escolha é dada à Câmara dos Representantes, a qual vota pela delegação do estado. A eleição para presidente se dá sempre, de acordo com a constituição dos Estados Unidos, na primeira terça-feira de novembro do último ano de mandato de um presidente. A posse do novo presidente ocorre no dia 20 de janeiro do ano seguinte às eleições, às 12 horas, tradicionalmente no Capitólio.

O Artigo II da Constituição estabelece o poder executivo do governo federal e confere tais poderes ao presidente. O poder inclui a execução e aplicação da lei federal e a responsabilidade de nomear funcionários federais executivos, diplomáticos, reguladores e judiciais. Com base nas disposições constitucionais que autorizam o presidente a nomear e receber embaixadores e concluir tratados com potências estrangeiras e nas leis subsequentes promulgadas pelo Congresso, a presidência moderna tem a responsabilidade primária na condução da política externa dos Estados Unidos. Dentre as principais funções inerentes ao cargo, o presidente comanda as forças armadas mais poderosa do mundo e a com maior orçamento, em posse também do segundo maior arsenal nuclear do globo.

O presidente também desempenha um papel de liderança na legislação federal e na formulação de políticas domésticas. Como parte do sistema de "pesos e contrapesos", o Artigo I, Seção 7 da Constituição Federal dá ao Presidente o poder de sancionar ou vetar legislações federais. Como os presidentes modernos também são normalmente vistos como líderes de seus partidos políticos, a formulação de políticas importantes é significativamente moldada pelo resultado das eleições presidenciais, com os presidentes desempenhando um papel ativo na promoção de suas prioridades políticas para membros do Congresso, que muitas vezes dependem eleitoralmente do presidente.[15] Nas últimas décadas, presidentes tem usado de forma mais comum as ordens executivas, regulamentações de agências federais e indicações judiciais para moldar a política doméstica. Muitos estudiosos e analistas políticos tem criticado a expansão dos poderes do presidente, chamando a atual postura do cargo como uma Presidência Imperial.

Desde a adoção da Constituição, 45 indivíduos foram eleitos ou sucedidos ao cargo de presidente, servindo um total de 58 mandatos de quatro anos. Grover Cleveland serviu dois mandatos não consecutivos e é contado como 22.º e 24.º presidente.[10] Por causa disso, todos os presidentes após o 23.º têm sua listagem oficial acrescentada de uma unidade. Donald Trump é o 47.º e atual presidente, após sua tomada de posse em 20 de janeiro de 2025. O salário presidencial anual é de 400 000 dólares.[16]

História e desenvolvimento

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Em julho de 1776, as Treze Colônias, representadas no Segundo Congresso Continental, na Filadélfia, adotaram por unanimidade a Declaração de Independência dos Estados Unidos, na qual as colônias se declararam Estados soberanos independentes e não mais submetidos ao domínio britânico.[17] A afirmação foi feita na Declaração de Independência, redigida predominantemente por Thomas Jefferson e adotada por unanimidade em 4 de julho de 1776 pelo Segundo Congresso Continental. Reconhecendo a necessidade de coordenar estreitamente seus esforços contra os britânicos,[18] o Congresso Continental iniciou simultaneamente o processo de elaboração de uma constituição que uniria os estados. Houve longos debates sobre diversas questões, incluindo representação e votação, bem como os poderes exatos que seriam concedidos ao governo central.[19] O Congresso concluiu, em novembro de 1777, os trabalhos sobre os Artigos da Confederação, destinados a estabelecer uma união perpétua entre os estados, e os enviou aos estados para ratificação.[17]

Nos termos dos Artigos, que entraram em vigor em 1.º de março de 1781, o Congresso da Confederação era uma autoridade política central sem poder legislativo. Podia aprovar suas próprias resoluções, determinações e regulamentos, mas não leis, e não podia cobrar impostos nem impor aos cidadãos regulamentações comerciais locais.[18] Esse desenho institucional refletia como os americanos acreditavam que o sistema britânico deposto da Coroa e do Parlamento deveria ter funcionado em relação ao domínio real: como um órgão supervisor das questões que diziam respeito a todo o império.[18]

Os estados já não estavam submetidos a uma monarquia e atribuíram ao Congresso algumas antigas prerrogativas reais — como declarar guerra e receber embaixadores —; as prerrogativas restantes ficaram a cargo dos respectivos governos estaduais. Os membros do Congresso elegiam um presidente dos Estados Unidos reunidos em Congresso para presidir suas deliberações como um moderador neutro. Sem relação e muito diferente do cargo posterior de presidente dos Estados Unidos, tratava-se de uma função em grande parte cerimonial, sem poderes executivos além de presidir um órgão parlamentar.[20]

Em 1783, o Tratado de Paris garantiu a independência de cada uma das antigas colônias. Com a paz estabelecida, cada estado voltou-se para seus próprios assuntos internos.[17] Em 1786, os americanos consideravam suas fronteiras continentais sitiadas e frágeis, enquanto suas economias enfrentavam crises à medida que estados vizinhos fomentavam rivalidades comerciais entre si. Viram sua moeda forte fluir para mercados estrangeiros para pagar importações, seu comércio no Mediterrâneo ser atacado por piratas do Norte da África e suas dívidas da Guerra de Independência, financiadas no exterior, permanecerem sem pagamento e acumulando juros.[17] A agitação civil e política se aproximava. Acontecimentos como a Conspiração de Newburgh e a Rebelião de Shays demonstraram que os Artigos da Confederação não estavam funcionando e, sobretudo, que era necessário um governo nacional mais forte, dotado de um poder executivo efetivo.

Após a resolução bem-sucedida de disputas comerciais e pesqueiras entre a Virgínia e Maryland na Conferência de Mount Vernon, em 1785, a Virgínia convocou uma conferência comercial entre todos os estados, marcada para setembro de 1786 em Annapolis, Maryland, com o objetivo de resolver antagonismos comerciais interestaduais mais amplos. Quando a convenção fracassou por falta de comparecimento, em razão das desconfianças da maioria dos demais estados, Alexander Hamilton, de Nova Iorque, liderou os delegados de Annapolis em um apelo por uma convenção que propusesse revisões aos Artigos, a ser realizada na primavera seguinte na Filadélfia. As perspectivas para a nova convenção pareciam sombrias até que James Madison e Edmund Randolph conseguiram assegurar a presença de George Washington na Filadélfia como delegado da Virgínia.[17][21]

Quando a Convenção Constitucional se reuniu em maio de 1787, as 12 delegações estaduais presentes — Rhode Island não enviou delegados — trouxeram consigo a experiência acumulada de diversos arranjos institucionais entre os poderes legislativo e executivo de seus respectivos governos estaduais. A maioria dos estados mantinha um poder executivo fraco, sem poder de veto ou de nomeação, eleito anualmente pelo legislativo para um único mandato, compartilhando poder com um conselho executivo e contraposto por um legislativo forte.[17] Nova Iorque constituía a maior exceção, com um governador unitário forte, dotado de poderes de veto e nomeação, eleito para um mandato de três anos e elegível a um número indefinido de reeleições.[17] Foi por meio das negociações a portas fechadas na Filadélfia que surgiu a presidência definida na Constituição dos Estados Unidos.

1789–1933

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George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos

Como primeiro presidente do país, George Washington estabeleceu muitas das normas que viriam a definir o cargo.[22][23] Sua decisão de se retirar após dois mandatos ajudou a dissipar os temores de que o país se transformasse em uma monarquia e estabeleceu um precedente que só seria rompido em 1940 e, mais tarde, tornado permanente pela Vigésima Segunda Emenda. Ao final de sua presidência, os partidos políticos já haviam se desenvolvido,[24] e John Adams derrotou Thomas Jefferson em 1796, na primeira eleição presidencial verdadeiramente disputada.[25] Depois que Jefferson derrotou Adams em 1800, ele, James Madison e James Monroe cumpriram dois mandatos cada um, dominando por fim a política nacional durante a Era dos Bons Sentimentos, até que o filho de Adams, John Quincy Adams, venceu a eleição de 1824 após a divisão do Partido Democrata-Republicano.

A eleição de Andrew Jackson em 1828 marcou a primeira vez, 40 anos após a eleição de Washington, em que alguém de fora da elite da Virgínia e de Massachusetts chegou à presidência.[26] A democracia jacksoniana procurou fortalecer a presidência em detrimento do Congresso, ao mesmo tempo que ampliava a participação popular enquanto o país se expandia rapidamente para o oeste. Seu sucessor, Martin Van Buren, contudo, tornou-se impopular após o Pânico de 1837,[27] e a morte de William Henry Harrison, seguida das relações ruins entre John Tyler e o Congresso, levou a um novo enfraquecimento do cargo.[28]

Incluindo Van Buren, nos 24 anos entre 1837 e 1861, seis mandatos presidenciais foram ocupados por oito homens diferentes, nenhum dos quais cumpriu dois mandatos.[29] O Senado desempenhou um papel importante nesse período, com o chamado Grande Triunvirato de Henry Clay, Daniel Webster e John C. Calhoun exercendo funções centrais na formulação da política nacional nas décadas de 1830 e 1840, até que os debates sobre a escravidão começaram a dividir o país na década de 1850.[30][31]

A liderança de Abraham Lincoln durante a Guerra Civil levou os historiadores a considerá-lo um dos maiores presidentes do país.[b] As circunstâncias da guerra e o domínio republicano do Congresso tornaram o cargo muito poderoso.[32][33] A reeleição de Lincoln em 1864 foi a primeira de um presidente desde a de Jackson, em 1832. Após o assassinato de Lincoln, seu sucessor, Andrew Johnson, perdeu todo o apoio político[34] e quase foi destituído do cargo.[35] O Congresso permaneceu poderoso durante a presidência de dois mandatos do general da Guerra Civil Ulysses S. Grant. Após o fim da Era da Reconstrução, Grover Cleveland foi o primeiro presidente democrata eleito desde antes da guerra, concorrendo em três eleições consecutivas — 1884, 1888 e 1892 — e vencendo duas delas. Em 1900, William McKinley tornou-se o primeiro presidente em exercício a ser reeleito desde Grant, em 1872.

Após o assassinato de McKinley por Leon Czolgosz, em 1901, Theodore Roosevelt tornou-se uma figura dominante na política americana.[36] Os historiadores consideram que Roosevelt alterou permanentemente o sistema político ao fortalecer a presidência,[37] com realizações importantes como o desmembramento de trustes, a conservação ambiental, reformas trabalhistas, a elevação do caráter pessoal a uma importância comparável à das questões políticas e a escolha pessoal de seu sucessor, William Howard Taft. Na década de 1910, Woodrow Wilson conduziu o país à vitória na Primeira Guerra Mundial, embora sua proposta de criação da Sociedade das Nações tenha sido rejeitada pelo Senado.[38] Warren G. Harding, embora popular durante o mandato, teria seu legado manchado por escândalos, sobretudo o Escândalo de Teapot Dome,[39] enquanto Herbert Hoover rapidamente se tornou muito impopular por não conseguir aliviar a Grande Depressão.[40]

Presidência imperial

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O presidente Franklin D. Roosevelt faz um discurso radiofônico em 1933.

A ascensão de Franklin D. Roosevelt em 1933 aprofundou a tendência em direção ao que o historiador Arthur M. Schlesinger Jr. caracterizou como a presidência imperial.[41] Apoiado por enormes maiorias democratas no Congresso e pelo apoio popular a grandes mudanças, o New Deal de Roosevelt ampliou drasticamente o tamanho e o alcance do governo federal, inclusive por meio de um número maior de agências executivas.[42]:211–12 O quadro presidencial, tradicionalmente pequeno, foi muito ampliado, e o Gabinete Executivo do Presidente foi criado em 1939; nenhum de seus integrantes exige confirmação pelo Senado.[42]:229–231

A reeleição sem precedentes de Roosevelt para um terceiro e um quarto mandatos, a vitória dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e a expansão da economia nacional contribuíram para consolidar o cargo como uma posição de liderança mundial.[42]:269 Seus sucessores, Harry S. Truman e Dwight D. Eisenhower, cumpriram dois mandatos cada um, enquanto a Guerra Fria levou a presidência a ser vista como a do "líder do mundo livre",[43] ao passo que John F. Kennedy foi um líder jovem e popular que se beneficiou da ascensão da televisão na década de 1960.[44][45]

Depois que Lyndon B. Johnson perdeu apoio popular em razão da Guerra do Vietnã e a presidência de Richard Nixon desmoronou com o Caso Watergate, o Congresso aprovou uma série de reformas destinadas a reafirmar sua autoridade.[46][47] Entre elas estavam a Resolução dos Poderes de Guerra, promulgada em 1973 apesar do veto de Nixon,[48][49] e a Lei de Controle Orçamentário e de Retenção de Verbas do Congresso de 1974, que procurava fortalecer os poderes fiscais do Congresso.[50] Em 1976, Gerald Ford reconheceu que "o pêndulo histórico" havia se deslocado em direção ao Congresso, levantando a possibilidade de uma erosão "perturbadora" de sua capacidade de governar.[51] Ford não conseguiu ser eleito para um mandato completo, e seu sucessor, Jimmy Carter, não conseguiu se reeleger. Ronald Reagan, que havia sido ator antes de iniciar sua carreira política, empregou seu talento como comunicador para ajudar a afastar a agenda americana das políticas do New Deal e aproximá-la de uma ideologia mais conservadora.[52][53]

Após a Guerra Fria, os Estados Unidos tornaram-se a principal potência incontestável do mundo.[54] Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama cumpriram dois mandatos cada um. Enquanto isso, o país tornou-se gradualmente mais polarizado politicamente, levando à ascensão de congressistas cada vez mais polarizados, sobretudo depois das eleições de meio de mandato de 1994, nas quais os republicanos assumiram o controle da Câmara pela primeira vez em 40 anos, e do emprego rotineiro de obstruções legislativas no Senado.[55] Assim, presidentes recentes passaram a recorrer cada vez mais a ordens executivas, regulamentações de agências e nomeações judiciais para implementar políticas importantes, em detrimento da legislação e do poder do Congresso.[56] As eleições presidenciais do século XXI refletiram essa polarização contínua: nenhum candidato, exceto Obama em 2008, venceu por mais de cinco pontos percentuais do voto popular; além disso, dois candidatos — George W. Bush, em 2000, e Donald Trump, em 2016 — venceram no Colégio Eleitoral apesar de perderem o voto popular.[c] Bush, em 2004, e Trump, em 2024, foram posteriormente reeleitos, vencendo tanto no Colégio Eleitoral quanto no voto popular.

Críticas à evolução da presidência

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Os Pais Fundadores do país esperavam que o Congresso, o primeiro poder do governo descrito na Constituição, fosse o poder predominante; não esperavam um departamento executivo forte.[57] O poder presidencial, porém, mudou ao longo do tempo, o que levou a alegações de que a presidência moderna se tornou excessivamente poderosa,[58][59] sem controles, desequilibrada[60] e de natureza "monárquica".[61]

Em 2008, a professora Dana D. Nelson afirmou acreditar que os presidentes dos trinta anos anteriores haviam trabalhado em direção ao "controle presidencial indiviso do poder executivo e de suas agências".[62] Ela criticou os defensores da teoria do poder executivo unitário por ampliarem "os muitos poderes executivos já existentes e não sujeitos a controle — como ordens executivas, decretos, memorandos, proclamações, diretrizes de segurança nacional e declarações presidenciais na assinatura de leis — que já permitem aos presidentes implementar uma parcela considerável da política externa e interna sem ajuda, interferência ou consentimento do Congresso".[62] Bill Wilson, integrante do conselho da Americans for Limited Government, considerou que a presidência ampliada era "a maior ameaça de todos os tempos à liberdade individual e ao governo democrático".[63]

Poderes legislativos

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A Seção 1 do Artigo I da Constituição confere ao Congresso todo o poder de legislar, enquanto a Cláusula 2 da Seção 6 do Artigo I impede que o presidente — e todos os demais ocupantes de cargos do poder executivo — seja simultaneamente membro do Congresso. Ainda assim, a presidência moderna exerce poder considerável sobre a legislação, tanto em razão de disposições constitucionais quanto de desenvolvimentos históricos posteriores.

Assinatura e veto de projetos de lei

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O presidente Lyndon B. Johnson assina a Lei dos Direitos Civis de 1964 na Casa Branca, em 2 de julho de 1964, enquanto Martin Luther King Jr. e outras pessoas observam.

O poder legislativo mais importante do presidente decorre da Cláusula de Apresentação, que lhe confere o poder de vetar qualquer projeto de lei aprovado pelo Congresso. Embora o Congresso possa derrubar um veto presidencial, isso exige uma maioria de dois terços em ambas as câmaras, geralmente muito difícil de alcançar, exceto no caso de leis bipartidárias com amplo apoio. Os elaboradores da Constituição temiam que o Congresso procurasse ampliar seu próprio poder e possibilitasse uma "tirania da maioria"; por isso, conceder poder de veto ao presidente, eleito indiretamente, era considerado uma importante limitação ao poder legislativo.

Embora George Washington acreditasse que o veto deveria ser utilizado apenas quando um projeto de lei fosse inconstitucional, hoje ele é empregado rotineiramente quando o presidente discorda do conteúdo político de uma proposta. O veto — ou sua ameaça — evoluiu, portanto, de modo a tornar a presidência moderna uma parte central do processo legislativo americano.

Especificamente, nos termos da Cláusula de Apresentação, depois que um projeto de lei é apresentado pelo Congresso, o presidente dispõe de três opções:

  1. Assinar o projeto no prazo de dez dias, excluídos os domingos. O projeto torna-se lei.
  2. Vetar o projeto dentro do prazo mencionado e devolvê-lo à câmara do Congresso em que teve origem, apresentando suas objeções. O projeto não se torna lei, a menos que ambas as câmaras do Congresso votem pela derrubada do veto por uma maioria de dois terços.
  3. Não tomar nenhuma medida dentro do prazo mencionado. O projeto torna-se lei como se o presidente o tivesse assinado, salvo se o Congresso estiver suspenso naquele momento; nesse caso, não se torna lei, situação conhecida como veto de bolso.

Em 1996, o Congresso tentou ampliar o poder de veto presidencial por meio da Lei do Veto de Itens Específicos. A lei autorizava o presidente a sancionar qualquer projeto de despesas e, simultaneamente, excluir determinados itens de gasto, sobretudo novas despesas, verbas discricionárias ou novos benefícios fiscais limitados. O Congresso poderia então aprovar novamente aquele item específico. Caso o presidente vetasse a nova proposta, o Congresso poderia derrubar o veto pelo procedimento comum, com uma maioria de dois terços em ambas as câmaras. Em Clinton v. City of New York, 524 U.S. 417 (1998), a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou inconstitucional essa alteração legislativa do poder de veto.

Definição da agenda

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O presidente Donald Trump profere o Discurso sobre o Estado da União de 2018 perante o Congresso.

Durante a maior parte da história americana, os candidatos à presidência buscaram a eleição com base em uma agenda legislativa prometida. A Cláusula 2 da Seção 3 do Artigo II exige que o presidente recomende ao Congresso as medidas que considere "necessárias e convenientes". Isso é feito por meio do Discurso sobre o Estado da União, previsto constitucionalmente e que costuma apresentar as propostas legislativas do presidente para o ano seguinte, bem como por outras comunicações formais e informais com o Congresso.

O presidente pode participar da elaboração de leis sugerindo, solicitando ou até insistindo que o Congresso aprove normas que considere necessárias. Além disso, pode tentar moldar uma proposta durante o processo legislativo por meio da influência exercida sobre membros individuais do Congresso.[64] Os presidentes possuem esse poder porque a Constituição não determina quem pode redigir propostas legislativas; contudo, ele é limitado pelo fato de que apenas membros do Congresso podem apresentá-las formalmente.[65]

O presidente ou outros integrantes do poder executivo podem redigir propostas e, em seguida, pedir a senadores ou representantes que as apresentem ao Congresso. O presidente também pode tentar levar o Congresso a alterar uma proposta ameaçando vetá-la caso as mudanças solicitadas não sejam realizadas.[66]

Promulgação de regulamentos

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Muitas leis aprovadas pelo Congresso não tratam de todos os detalhes possíveis e delegam, expressa ou implicitamente, poderes de execução a uma agência federal competente. Como chefe do poder executivo, o presidente controla uma vasta rede de agências que podem emitir regulamentos com pouca supervisão do Congresso.

No século XX, críticos alegaram que um número excessivo de poderes legislativos e orçamentários que deveriam pertencer ao Congresso havia passado às mãos dos presidentes. Um deles afirmou que os presidentes podiam nomear um "exército virtual de 'czares' — cada um deles totalmente irresponsável perante o Congresso, mas incumbido de liderar importantes iniciativas políticas da Casa Branca".[67] Os presidentes também foram criticados por emitirem declarações de assinatura ao sancionar leis do Congresso, explicando como interpretavam uma lei ou pretendiam executá-la.[62] A Ordem dos Advogados dos Estados Unidos criticou essa prática como inconstitucional.[68] O comentarista conservador George Will escreveu sobre um "poder executivo cada vez mais inchado" e o "eclipse do Congresso".[69]

Convocação e adiamento do Congresso

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Para permitir que o governo aja rapidamente diante de uma grande crise interna ou internacional surgida quando o Congresso não está reunido, a Seção 3 do Artigo II da Constituição autoriza o presidente a convocar uma sessão extraordinária de uma ou de ambas as câmaras. Desde que John Adams exerceu esse poder pela primeira vez, em 1797, o presidente convocou o Congresso em sua totalidade para uma sessão extraordinária em 27 ocasiões. Harry S. Truman foi o último a fazê-lo, em julho de 1948, durante a chamada Sessão do Dia do Nabo.[70][71]

Além disso, antes da ratificação da Vigésima Emenda, em 1933, que antecipou de dezembro para janeiro a data de reunião do Congresso, presidentes recém-empossados convocavam rotineiramente o Senado para confirmar nomeações ou ratificar tratados. Na prática, esse poder caiu em desuso na era moderna, pois o Congresso atualmente permanece formalmente em sessão durante todo o ano, reunindo-se em sessões pro forma a cada três dias mesmo quando, em tese, está em recesso. De modo correspondente, o presidente está autorizado a adiar o Congresso caso a Câmara e o Senado não concordem quanto à data de encerramento da sessão; nenhum presidente jamais precisou exercer esse poder.[70][71]

Poderes executivos

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Basta dizer que o presidente é constituído o único depositário dos poderes executivos dos Estados Unidos, e que tanto os poderes que lhe são confiados quanto os deveres que lhe são impostos são verdadeiramente extraordinários.

Nixon v. General Services Administration, 433 U.S. 425 (1977) (Rehnquist, J., em voto dissidente)

O presidente é o chefe do poder executivo do governo federal e está constitucionalmente obrigado a "zelar para que as leis sejam fielmente executadas".[72] O poder executivo possui mais de quatro milhões de funcionários, incluindo os integrantes das forças armadas.[73]

Poderes administrativos

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Os presidentes realizam nomeações políticas. Um presidente que assume o cargo pode fazer até 4 mil nomeações, das quais 1.200 precisam ser confirmadas pelo Senado dos Estados Unidos. Embaixadores, integrantes do Gabinete e diversos titulares de cargos públicos estão entre as funções preenchidas por nomeação presidencial com confirmação do Senado.[74][75]

O poder do presidente de demitir integrantes do poder executivo é há muito uma questão política controversa. Em geral, o presidente pode destituí-los livremente.[76] O Congresso, contudo, pode limitar e restringir a autoridade presidencial para demitir membros de agências reguladoras independentes e determinados funcionários executivos inferiores por meio de lei.[77]

Para administrar a crescente burocracia federal, os presidentes gradualmente se cercaram de várias camadas de assessores, que acabaram organizadas no Gabinete Executivo do Presidente dos Estados Unidos. Dentro dele, o círculo mais próximo de assessores do presidente e seus assistentes integra o Gabinete da Casa Branca.

O presidente também possui o poder de administrar as operações do governo federal mediante a emissão de diferentes tipos de diretrizes, como proclamações presidenciais e ordens executivas. Quando exerce legalmente uma das responsabilidades presidenciais conferidas pela Constituição, o alcance desse poder é amplo.[78] Ainda assim, essas diretrizes estão sujeitas à revisão judicial pelos tribunais federais dos Estados Unidos, que podem considerá-las inconstitucionais. O Congresso pode revogar uma ordem executiva por meio de legislação.

Relações exteriores

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O presidente George H. W. Bush e o presidente soviético Mikhail Gorbatchov assinam o Acordo sobre Armas Químicas de 1990 na Casa Branca.

A Cláusula 4 da Seção 3 do Artigo II exige que o presidente "receba embaixadores". Essa disposição, conhecida como Cláusula de Recepção, foi interpretada como uma indicação de que o presidente possui amplos poderes em matéria de política externa[79] e como fundamento de sua autoridade exclusiva para conceder reconhecimento a um governo estrangeiro.[80] A Constituição também autoriza o presidente a nomear embaixadores dos Estados Unidos e a propor e conduzir principalmente a negociação de acordos entre o país e outras nações. Depois de receberem o conselho e consentimento do Senado dos Estados Unidos — por uma maioria de dois terços —, esses acordos tornam-se vinculantes com força de lei federal.

Embora as relações exteriores sempre tenham constituído um elemento importante das responsabilidades presidenciais, os avanços tecnológicos ocorridos desde a adoção da Constituição ampliaram o poder do presidente. Antigamente, os embaixadores dispunham de autoridade considerável para negociar de forma independente em nome dos Estados Unidos; atualmente, os presidentes reúnem-se rotineiramente e de maneira direta com líderes estrangeiros.

Comandante-em-chefe

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O presidente Abraham Lincoln preservou com êxito a União durante a Guerra Civil Americana. Nesta imagem, aparece ao centro com o general George B. McClellan, à esquerda, e soldados em Antietam, em 3 de outubro de 1862.

Um dos mais importantes poderes executivos é a função do presidente como comandante-em-chefe das Forças Armadas dos Estados Unidos. O poder de declarar guerra é constitucionalmente atribuído ao Congresso, mas o presidente tem a responsabilidade final pela direção e pelo emprego das forças armadas. O grau exato de autoridade que a Constituição confere ao presidente como comandante-em-chefe foi objeto de amplo debate ao longo da história: em diferentes momentos, o Congresso concedeu grande autoridade ao presidente e, em outros, tentou restringi-la.[81] Os elaboradores da Constituição tiveram o cuidado de limitar os poderes presidenciais em relação às forças armadas; Alexander Hamilton explicou isso no Federalista n.º 69:

O presidente será o comandante-em-chefe do Exército e da Marinha dos Estados Unidos. ... Isso equivaleria a nada mais do que o comando e a direção supremos das forças militares e navais ... enquanto [o poder] do rei britânico se estende à DECLARAÇÃO de guerra e ao LEVANTAMENTO e REGULAMENTAÇÃO de frotas e exércitos, todas [essas atribuições] ... caberiam ao poder legislativo.[82] [Ênfase no original.]

Na era moderna, conforme a Resolução dos Poderes de Guerra, o Congresso deve autorizar qualquer emprego de tropas por mais de 60 dias, embora esse processo dependa de mecanismos de acionamento que nunca foram utilizados, o que o torna ineficaz.[83] Além disso, o Congresso limita o poder militar presidencial por meio de seu controle sobre as despesas e a regulamentação militares. Historicamente, os presidentes iniciaram o processo de entrada em guerra,[84][85] mas críticos alegaram que houve vários conflitos sem declarações oficiais, entre eles a ação militar de Theodore Roosevelt no Panamá, em 1903,[84] a Guerra da Coreia,[84] a Guerra do Vietnã[84] e as invasões de Granada, em 1983,[86] e do Panamá, em 1989.[87]

A quantidade de detalhes militares tratados pessoalmente pelo presidente em tempos de guerra variou muito.[88] George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, estabeleceu firmemente a subordinação militar à autoridade civil. Em 1794, Washington empregou seus poderes constitucionais para reunir 12 mil milicianos e reprimir a Rebelião do Whiskey, um conflito na Pensilvânia Ocidental envolvendo agricultores e destiladores armados que se recusavam a pagar um imposto especial sobre bebidas destiladas. Segundo o historiador Joseph Ellis, essa foi a "primeira e única vez em que um presidente americano em exercício liderou tropas em campo", embora James Madison tenha assumido brevemente o controle de unidades de artilharia na defesa de Washington, D.C., durante a Guerra Anglo-Americana de 1812.[89] Abraham Lincoln esteve profundamente envolvido tanto na estratégia geral quanto nas operações cotidianas durante a Guerra Civil Americana, de 1861 a 1865; os historiadores elogiaram seu senso estratégico e sua capacidade de selecionar e incentivar comandantes como Ulysses S. Grant.[90]

O comando operacional atual das Forças Armadas é delegado ao Departamento de Defesa e normalmente exercido por intermédio do secretário de Defesa. O presidente do Estado-Maior Conjunto e os comandos combatentes auxiliam nas operações conforme o Plano de Comando Unificado, aprovado pelo presidente.[91][92][93]

Poderes judiciais

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O presidente Joe Biden com a juíza Ketanji Brown Jackson, sua indicada para a Suprema Corte, e a vice-presidente Kamala Harris, ao fundo, após a confirmação de Brown Jackson pelo Senado dos Estados Unidos em 2022.

O presidente tem o poder de indicar juízes federais, incluindo integrantes das cortes de apelações dos Estados Unidos e da Suprema Corte dos Estados Unidos. Essas indicações, contudo, exigem confirmação do Senado antes que os nomeados possam assumir seus cargos. Obter a aprovação do Senado pode constituir um grande obstáculo para presidentes que desejem orientar o Judiciário federal em determinada direção ideológica. Ao indicar juízes para os tribunais distritais dos Estados Unidos, os presidentes frequentemente respeitam a antiga tradição da cortesia senatorial. Os presidentes também podem conceder indultos e comutações de pena. Gerald Ford indultou Richard Nixon um mês após assumir o cargo. Os presidentes costumam conceder indultos pouco antes de deixar a presidência, como quando Bill Clinton indultou Patty Hearst em seu último dia no cargo; isso frequentemente gera controvérsia.[94][95][96]

Duas doutrinas relativas ao poder executivo desenvolveram-se de modo a permitir que o presidente o exerça com certo grau de autonomia. A primeira é o privilégio executivo, que permite ao presidente impedir a divulgação de comunicações dirigidas diretamente a ele no exercício de suas funções executivas. George Washington invocou o privilégio pela primeira vez quando o Congresso solicitou as anotações do juiz-chefe John Jay relativas a uma negociação impopular de tratado com a Grã-Bretanha. Embora não esteja previsto na Constituição nem em qualquer outra lei, o ato de Washington estabeleceu um precedente para o privilégio. Quando Nixon tentou invocar o privilégio executivo para não entregar ao Congresso provas exigidas por intimação durante o Caso Watergate, a Suprema Corte decidiu, em Estados Unidos v. Nixon, que o privilégio não se aplicava quando o presidente pretendia evitar uma ação penal. Quando Bill Clinton tentou invocá-lo em relação ao Escândalo Lewinsky, a Suprema Corte decidiu, em Clinton v. Jones, que o privilégio tampouco poderia ser utilizado em ações civis. Esses casos estabeleceram o precedente jurídico de que o privilégio executivo é válido, embora seu alcance exato ainda não tenha sido claramente definido. Além disso, os tribunais federais permitiram que essa proteção se estendesse a outros integrantes do poder executivo, mas a enfraqueceram no caso de comunicações do Executivo que não envolvam o presidente.[97]

O privilégio dos segredos de Estado permite que o presidente e o poder executivo retenham informações ou documentos durante a produção de provas em processos judiciais caso sua divulgação prejudique a segurança nacional. O precedente para o privilégio surgiu no início do século XIX, quando Thomas Jefferson se recusou a divulgar documentos militares no julgamento por traição de Aaron Burr, e novamente em Totten v. United States, quando a Suprema Corte rejeitou uma ação apresentada por um antigo espião da União.[98] O privilégio, contudo, só foi formalmente reconhecido pela Suprema Corte dos Estados Unidos em United States v. Reynolds, quando foi considerado um privilégio probatório de Common law.[99] Antes dos ataques de 11 de setembro, sua utilização havia sido rara, embora estivesse aumentando.[100] Desde 2001, o governo invocou o privilégio em mais casos e em fases mais iniciais dos litígios, provocando em algumas ocasiões o arquivamento das ações antes da análise de seu mérito, como na decisão do Tribunal de Apelações do Nono Circuito em Mohamed v. Jeppesen Dataplan, Inc..[99][101][102] Críticos afirmam que o privilégio passou a ser utilizado pelo governo para ocultar atos ilegais ou constrangedores.[103][104]

O grau em que o presidente possui pessoalmente imunidade absoluta contra processos judiciais é controverso e foi objeto de várias decisões da Suprema Corte. Em Nixon v. Fitzgerald (1982), foi rejeitada uma ação civil contra o então ex-presidente Richard Nixon baseada em atos oficiais. Em Clinton v. Jones (1997), decidiu-se que um presidente não possui imunidade contra ações civis referentes a atos praticados antes de assumir a presidência e que um processo por assédio sexual poderia prosseguir sem adiamento, mesmo contra um presidente em exercício. O Relatório Mueller de 2019 sobre a interferência russa na eleição presidencial de 2016 detalhou provas de possível obstrução de justiça, mas os investigadores não recomendaram a acusação de Donald Trump com base em uma política do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contrária ao indiciamento de um presidente em exercício. O relatório observou que o impeachment pelo Congresso estava disponível como solução. Em outubro de 2019, tramitava nos tribunais federais um processo sobre o acesso a declarações fiscais pessoais em uma ação penal apresentada contra Donald Trump pelo Promotor Distrital do Condado de Nova Iorque, que alegava violações da legislação estadual de Nova Iorque.[105]

Pareceres do Gabinete de Assessoria Jurídica emitidos em 1973 e 2000 proíbem internamente que o Departamento de Justiça processe um presidente, entendimento criticado por alguns juristas e apoiado por outros.[106]

Em sua defesa contra o processo criminal federal pela alegada tentativa de subverter a eleição de 2020, Trump argumentou, em janeiro de 2024, perante a Corte de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Colúmbia, que um presidente possui imunidade absoluta por atos criminosos praticados durante o mandato. No mês seguinte, um colegiado de três juízes decidiu por unanimidade contra Trump. Foi a primeira vez que uma corte de apelações examinou uma questão desse tipo sobre imunidade presidencial, pois nenhum outro presidente em exercício ou ex-presidente havia sido criminalmente indiciado.[107]

Em Trump v. United States, em 1.º de julho de 2024, a Suprema Corte decidiu que os presidentes possuem imunidade absoluta pelo exercício dos poderes centrais enumerados na Constituição, presunção de imunidade por outros atos oficiais e nenhuma imunidade por atos não oficiais. O caso foi devolvido aos tribunais inferiores para que determinassem quais atos da acusação criminal deveriam ser classificados como oficiais ou não oficiais.[108] Foi a primeira vez que os tribunais concederam imunidade criminal a um presidente.

Papéis de liderança

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Chefe de Estado

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Como chefe de Estado, o presidente representa o governo dos Estados Unidos perante seu próprio povo e representa a nação perante o restante do mundo. Por exemplo, durante a visita de Estado de um chefe de Estado estrangeiro, o presidente normalmente recebe uma Cerimônia de Chegada de Estado no Gramado Sul, costume iniciado por John F. Kennedy em 1961.[109] Mais tarde, naquela noite, o presidente oferece um jantar de Estado na Sala de Jantar de Estado.[110]

BERJAYA
O presidente Woodrow Wilson faz o primeiro arremesso cerimonial no Dia de Abertura de 1916.
BERJAYA
O presidente Bill Clinton passa em revista guardas de honra no Palácio de Buckingham durante uma visita de Estado ao Reino Unido em 1995.

Como líder nacional, o presidente também desempenha muitas funções cerimoniais menos formais. Por exemplo, William Howard Taft iniciou em 1910 a tradição de fazer o primeiro arremesso cerimonial no Griffith Stadium, em Washington, D.C., no Dia de Abertura dos Washington Senators. Todos os presidentes desde Taft, com exceção de Jimmy Carter, fizeram ao menos um primeiro arremesso ou lançamento cerimonial no Dia de Abertura, no Jogo das Estrelas, ou na World Series, geralmente em meio a grande publicidade.[111] Todos os presidentes desde Theodore Roosevelt exerceram a presidência honorária dos Boy Scouts of America.[112]

Outras tradições presidenciais estão associadas aos feriados americanos. Em 1878, Rutherford B. Hayes iniciou na Casa Branca a primeira corrida de ovos para crianças da região.[113] A partir de 1947, durante o governo de Harry S. Truman, todos os anos, no Dia de Ação de Graças, um peru doméstico vivo é apresentado ao presidente durante a Apresentação Nacional do Peru de Ação de Graças, realizada na Casa Branca. Desde 1989, quando o costume de "indultar" o peru foi formalizado por George H. W. Bush, o animal é levado para uma fazenda, onde vive pelo restante de sua vida natural.[114]

As tradições presidenciais também envolvem a função do presidente como chefe de governo. Desde James Buchanan, muitos presidentes que deixam o cargo tradicionalmente aconselham seus sucessores durante a transição presidencial.[115] Ronald Reagan e seus sucessores também deixaram uma mensagem privada na mesa do Salão Oval, no dia da posse, para o presidente que assumiria o cargo.[116]

A presidência moderna faz do presidente uma das principais celebridades do país. Alguns argumentam que as imagens da presidência tendem a ser manipuladas pelos responsáveis pelas relações públicas do governo e pelos próprios presidentes. Um crítico descreveu a presidência como uma "liderança propagandeada", dotada de um "poder fascinante em torno do cargo".[117] Os responsáveis pelas relações públicas do governo organizaram cuidadosamente oportunidades fotográficas de presidentes sorridentes diante de multidões sorridentes para as câmeras de televisão.[118]

Um crítico descreveu a imagem pública de John F. Kennedy como cuidadosamente construída "em ricos detalhes" e baseada "no poder do mito" em torno do episódio do PT-109,[119] e escreveu que Kennedy compreendia como empregar imagens para promover suas ambições presidenciais.[120] Em consequência disso, alguns comentaristas políticos afirmaram que os eleitores americanos têm expectativas irrealistas em relação aos presidentes: esperam que o presidente "conduza a economia, derrote os inimigos, lidere o mundo livre, conforte as vítimas de tornados, cure a alma nacional e proteja os tomadores de empréstimos contra taxas ocultas de cartões de crédito".[121]

Chefe de partido

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O presidente Ronald Reagan profere seu discurso de aceitação na Convenção Nacional Republicana de 1984.

O presidente é geralmente considerado o chefe e porta-voz de facto de seu partido político. Com o surgimento de primárias vinculativas na maioria dos estados, os candidatos à presidência normalmente contam com o apoio da maioria absoluta ou relativa dos eleitores de seu partido. Como toda a Câmara dos Representantes e pelo menos um terço do Senado são eleitos simultaneamente com o presidente, o êxito eleitoral dos candidatos de um partido costuma estar interligado ao desempenho de seu candidato presidencial.

O efeito de arrasto eleitoral, ou sua ausência, também costuma afetar os candidatos do partido nos níveis estadual e local. Contudo, são frequentes as tensões entre o presidente e outros integrantes do partido; presidentes que perdem apoio significativo da bancada partidária no Congresso são geralmente considerados mais fracos e menos eficazes. Além disso, como os Estados Unidos não adotam um sistema parlamentarista, os partidos dos presidentes não necessariamente possuem maioria em uma ou em ambas as câmaras do Congresso, nem entre os governadores ou nas assembleias legislativas de muitos estados.

Líder global

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Com a ascensão dos Estados Unidos como superpotência no século XX e a manutenção da maior economia mundial pelo país no século XXI, o presidente é geralmente visto como um líder global e, por vezes, como a figura política mais poderosa do mundo. A posição dos Estados Unidos como principal membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte e suas fortes relações com outras nações ricas ou democráticas, como as que integram a União Europeia, deram origem à designação do presidente como o "líder do mundo livre".

Processo de escolha

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Elegibilidade

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A Cláusula 5 da Seção 1 do Artigo II da Constituição estabelece três requisitos para o exercício da presidência. Para ser presidente, uma pessoa deve:

Mesmo quem satisfaz esses requisitos fica impedido de exercer a presidência em qualquer uma das seguintes condições:

  • Nos termos da Cláusula 7 da Seção 3 do Artigo I, ter sofrido impeachment, sido condenado e ficado impedido de exercer outros cargos públicos, embora exista debate jurídico sobre se a cláusula de inabilitação também abrange a presidência; as únicas pessoas anteriormente inabilitadas por essa disposição foram três juízes federais.[123][124]
  • Nos termos da Seção 3 da Décima Quarta Emenda, nenhuma pessoa que tenha jurado apoiar a Constituição e depois se rebelado contra os Estados Unidos pode exercer qualquer cargo. Essa inabilitação, contudo, pode ser removida por dois terços dos votos em cada câmara do Congresso.[125] Também existe debate sobre se a redação da cláusula permite a inabilitação para a presidência ou se seria necessário primeiro um processo judicial fora do Congresso, embora haja precedentes de aplicação da emenda além de seu objetivo original de excluir os confederados dos cargos públicos depois da Guerra Civil.[126]
  • Nos termos da Vigésima Segunda Emenda, ninguém pode ser eleito presidente mais de duas vezes. A emenda também estabelece que, se uma pessoa elegível exercer a presidência ou a presidência interina por mais de dois anos de um mandato para o qual outra pessoa elegível foi eleita presidente, a primeira só poderá ser eleita presidente uma vez.[127][128]

Experiência anterior

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Não há exigências quanto a cargos anteriormente ou simultaneamente ocupados pelo presidente ou pelos candidatos à presidência. Contudo, todos os presidentes, exceto Donald Trump, foram governadores, senadores dos Estados Unidos ou membros da Câmara dos Representantes, generais ou integrantes do Gabinete.

A profissão anterior mais comum entre os presidentes é a advocacia, exercida por 27 dos 45 homens que ocuparam o cargo.[129] Vários futuros presidentes abandonaram os estudos ou o exercício do direito antes da presidência. Nunca houve requisito de propriedade para a presidência ou outros cargos federais, mas, nos primeiros anos da república, existiam requisitos patrimoniais para votar ou para ocupar alguns dos cargos que serviam de caminho até a presidência, sobretudo os governos estaduais. Antes da Guerra Civil, era comum que os presidentes fossem homens de considerável patrimônio: os presidentes do Norte tendiam a possuir pequenas fazendas, enquanto vários presidentes do Sul eram proprietários de plantações e de pessoas escravizadas.[130][131] Embora vários presidentes posteriores tenham vindo da extrema pobreza, outros, como os Roosevelt, John Kennedy e Donald Trump, pertenciam a famílias detentoras de grandes fortunas.[130]

Dos 45 homens que exerceram a presidência, 33 — incluindo todos desde 1953 e todos, exceto um, desde 1901 — possuíam diploma de bacharelado. Entre eles, 16 presidentes obtiveram um bacharelado ou diploma de pós-graduação em instituições da Ivy League.

Campanhas e nomeação

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O presidente Jimmy Carter, à esquerda, debate com o candidato republicano Ronald Reagan em 28 de outubro de 1980, durante a campanha presidencial americana de 1980.

A campanha presidencial moderna começa antes das eleições primárias, utilizadas pelos dois principais partidos políticos para reduzir o número de concorrentes antes de suas convenções nacionais de nomeação, nas quais o candidato mais bem-sucedido se torna o candidato presidencial do partido. Normalmente, o candidato à presidência escolhe um candidato à vice-presidência, e essa escolha é formalmente ratificada pela convenção.

Os candidatos participam de debates transmitidos nacionalmente pela televisão. Embora esses debates em geral sejam restritos aos candidatos democrata e republicano, candidatos de um terceiro partido podem ser convidados, como ocorreu com Ross Perot nos debates de 1992. Os candidatos percorrem o país para explicar suas posições, convencer os eleitores e solicitar contribuições. Grande parte do processo eleitoral moderno concentra-se na conquista dos estados-pêndulo por meio de visitas frequentes e campanhas publicitárias nos meios de comunicação de massa.

Eleição

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Mapa dos Estados Unidos que mostra o número de votos eleitorais atribuído a cada estado e ao Distrito de Colúmbia para as eleições presidenciais de 2024 e 2028, conforme o censo dos Estados Unidos de 2020. São necessários 270 votos eleitorais para obter maioria entre os 538 possíveis.

O presidente é eleito indiretamente pelos eleitores de cada estado e do Distrito de Colúmbia por meio do Colégio Eleitoral, órgão de eleitores formado a cada quatro anos com a finalidade exclusiva de eleger o presidente e o vice-presidente para mandatos simultâneos de quatro anos. Conforme a Cláusula 2 da Seção 1 do Artigo II, cada estado tem direito a um número de eleitores igual ao tamanho de sua delegação total nas duas câmaras do Congresso. A Vigésima Terceira Emenda estabelece que o Distrito de Colúmbia tem direito ao número que teria se fosse um estado, mas nunca a mais eleitores do que o estado menos populoso.[132]

Atualmente, todos os estados e o Distrito de Colúmbia escolhem seus eleitores por votação popular.[133] Em todos os estados, exceto dois, o partido cuja chapa presidencial e vice-presidencial obtém a maioria simples dos votos populares no estado tem toda a sua lista de candidatos a eleitor escolhida como os eleitores daquele estado.[134] Maine e Nebraska divergem desse sistema de "o vencedor leva tudo", atribuindo dois eleitores ao vencedor em todo o estado e um ao vencedor de cada distrito congressional.[135][136]

Na primeira segunda-feira após a segunda quarta-feira de dezembro, cerca de seis semanas depois da eleição, os eleitores reúnem-se nas respectivas capitais estaduais e em Washington, D.C., para votar no presidente e, em uma cédula separada, no vice-presidente. Em geral, votam nos candidatos do partido que os nomeou. Embora não exista disposição constitucional ou lei federal que os obrigue a fazê-lo, o Distrito de Colúmbia e 32 estados possuem leis que exigem que seus eleitores votem nos candidatos com os quais estão comprometidos.[137][138] A constitucionalidade dessas leis foi confirmada em Chiafalo v. Washington (2020).[139]

Após a votação, cada estado envia ao Congresso um registro certificado de seus votos eleitorais. Os votos dos eleitores são abertos e contados em uma sessão conjunta do Congresso, realizada na primeira semana de janeiro. Caso um candidato tenha recebido uma maioria absoluta dos votos eleitorais para presidente — atualmente 270 de 538 —, ele é declarado vencedor. Caso contrário, a Câmara dos Representantes deve reunir-se para eleger o presidente por meio de uma eleição contingente, na qual os representantes votam por delegação estadual, com cada estado dispondo de um único voto, e escolhem entre os três candidatos que obtiveram mais votos eleitorais para presidente. Para vencer, o candidato deve receber os votos da maioria absoluta dos estados, atualmente 26 de 50.[133]

Houve duas eleições presidenciais contingentes na história do país. Um empate de 73 a 73 votos eleitorais entre Thomas Jefferson e seu correligionário democrata-republicano Aaron Burr na eleição de 1800 tornou necessária a primeira. Ela foi conduzida conforme o procedimento original estabelecido pela Cláusula 3 da Seção 1 do Artigo II da Constituição, que determinava que, se duas ou três pessoas recebessem a maioria e o mesmo número de votos, a Câmara dos Representantes escolheria uma delas como presidente; o segundo colocado se tornaria vice-presidente.[140] Em 17 de fevereiro de 1801, Jefferson foi eleito presidente na 36.ª votação, e Burr foi eleito vice-presidente. Depois disso, o sistema foi reformulado pela Décima Segunda Emenda a tempo de ser utilizado na eleição de 1804.[141]

Vinte e cinco anos mais tarde, a escolha do presidente voltou a caber à Câmara quando nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos 261 votos eleitorais — 131 — na eleição de 1824. Nos termos da Décima Segunda Emenda, a Câmara deveria escolher um presidente entre os três candidatos com mais votos eleitorais: Andrew Jackson, John Quincy Adams e William H. Crawford. Realizada em 9 de fevereiro de 1825, essa segunda e mais recente eleição contingente resultou na eleição de John Quincy Adams na primeira votação.[142]

Nos termos da Vigésima Emenda, o mandato de quatro anos do presidente e do vice-presidente começa ao meio-dia de 20 de janeiro do ano seguinte à eleição presidencial anterior.[143] Os primeiros mandatos presidenciais e vice-presidenciais a começarem nessa data, conhecida como dia da posse, foram os segundos mandatos do presidente Franklin D. Roosevelt e do vice-presidente John Nance Garner, em 1937.[144] Anteriormente, a posse ocorria em 4 de março. Em razão da mudança da data, o primeiro mandato de ambos — de 1933 a 1937 — foi reduzido em 43 dias.[145]

Antes de exercer os poderes do cargo, o presidente deve recitar o juramento presidencial, previsto na Cláusula 8 da Seção 1 do Artigo II da Constituição. Esse é o único componente da cerimônia de posse exigido pela Constituição:

Juro solenemente (ou afirmo) que exercerei fielmente o cargo de presidente dos Estados Unidos e que, na medida de minha capacidade, preservarei, protegerei e defenderei a Constituição dos Estados Unidos.[146]

Tradicionalmente, os presidentes colocam uma das mãos sobre uma Bíblia ao prestar o juramento e acrescentam "Que Deus me ajude" ao final.[147][148] Embora o juramento possa ser administrado por qualquer pessoa legalmente autorizada a fazê-lo, os presidentes são tradicionalmente empossados pelo juiz-chefe dos Estados Unidos.[146]

Permanência no cargo

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Limite de mandatos

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O presidente William McKinley e seu candidato a vice-presidente, o governador de Nova Iorque Theodore Roosevelt, c.1900.
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Franklin D. Roosevelt venceu o recorde de quatro eleições presidenciais, em 1932, 1936, 1940 e 1944, antes da entrada em vigor da Vigésima Segunda Emenda, em 1951, que estabeleceu o limite de dois mandatos.

Quando o primeiro presidente, George Washington, anunciou em seu Discurso de Despedida que não concorreria a um terceiro mandato, estabeleceu o precedente de "dois mandatos e saída". O precedente tornou-se tradição depois que Thomas Jefferson adotou publicamente o princípio uma década mais tarde, durante seu segundo mandato, assim como seus dois sucessores imediatos, James Madison e James Monroe.[149] Apesar da forte tradição de dois mandatos, Ulysses S. Grant buscou a nomeação para um terceiro mandato não consecutivo na Convenção Nacional Republicana de 1880, mas não foi bem-sucedido.[150]

Em 1940, após conduzir o país durante a Grande Depressão e concentrar-se no apoio às nações aliadas dos Estados Unidos em guerra contra as Potências do Eixo, Franklin Roosevelt foi eleito para um terceiro mandato, rompendo o antigo precedente. Quatro anos mais tarde, com os Estados Unidos envolvidos na Segunda Guerra Mundial, foi novamente reeleito apesar do declínio de sua saúde física; morreu em 12 de abril de 1945, 82 dias após o início do quarto mandato.[151]

Em resposta à duração sem precedentes da presidência de Roosevelt, a Vigésima Segunda Emenda foi ratificada em 1951. Ela impede que qualquer pessoa seja eleita presidente mais de duas vezes, ou mais de uma vez se tiver exercido por mais de dois anos — 24 meses — um mandato de quatro anos para o qual outra pessoa havia sido eleita. Harry S. Truman, que era presidente quando a emenda foi submetida aos estados pelo Congresso, ficou isento de suas limitações. Sem a isenção, não poderia ter concorrido a um segundo mandato completo em 1952, candidatura que buscou brevemente, pois havia cumprido quase todo o mandato não concluído de Franklin Roosevelt de 1945 a 1949 e fora eleito para um mandato completo de quatro anos iniciado em 1949.[151]

Vacâncias e sucessão

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Nos termos da Seção 1 da Vigésima Quinta Emenda, ratificada em 1967, o vice-presidente torna-se presidente em caso de destituição, morte ou renúncia do presidente. Houve diversas mortes e apenas uma renúncia; nenhum presidente jamais foi destituído do cargo.

Antes da ratificação da Vigésima Quinta Emenda, que esclareceu a questão da sucessão, a Cláusula 6 da Seção 1 do Artigo II apenas estabelecia que o vice-presidente assumiria os "poderes e deveres" da presidência em caso de destituição, morte, renúncia ou incapacidade do presidente.[152] Essa disposição deixava ambíguo se o vice-presidente realmente se tornaria presidente em caso de vacância ou se apenas exerceria interinamente a presidência,[153] o que poderia resultar em uma eleição suplementar. Após a morte do presidente William Henry Harrison, em 1841, o vice-presidente John Tyler declarou que havia sucedido ao próprio cargo, recusou-se a aceitar documentos dirigidos ao "presidente interino" e acabou tendo sua posição aceita pelo Congresso.

Em caso de dupla vacância, a Cláusula 6 da Seção 1 do Artigo II também autoriza o Congresso a declarar quem exercerá interinamente a presidência no "caso de destituição, morte, renúncia ou incapacidade tanto do presidente quanto do vice-presidente".[153] A Lei de Sucessão Presidencial de 1947, codificada como 3 U.S.C. § 19, estabelece que, se o presidente e o vice-presidente tiverem deixado seus cargos ou estiverem impedidos de exercê-los durante seus mandatos, a linha de sucessão presidencial segue a seguinte ordem: presidente da Câmara; depois, se necessário, presidente pro tempore do Senado; e, por fim, se necessário, os chefes elegíveis dos departamentos executivos federais que compõem o Gabinete presidencial.[154]

O Gabinete possui atualmente 15 integrantes, e o secretário de Estado ocupa o primeiro lugar na sucessão entre eles. Os demais secretários seguem a ordem de criação de seu departamento ou do departamento ao qual o atual sucedeu. As pessoas constitucionalmente inelegíveis para a presidência também ficam impedidas de assumir seus poderes e deveres por sucessão. Nenhum sucessor definido em lei foi até hoje chamado a exercer interinamente a presidência.[154]

Declarações de incapacidade

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Nos termos da Vigésima Quinta Emenda, o presidente pode transferir temporariamente os poderes e deveres presidenciais ao vice-presidente, que passa a ser o presidente em exercício, enviando ao presidente da Câmara e ao presidente pro tempore do Senado uma declaração de que está incapaz de desempenhar suas funções. O presidente reassume os poderes ao enviar uma segunda declaração de que voltou a estar apto. O mecanismo foi utilizado por Ronald Reagan uma vez, George W. Bush duas vezes e Joe Biden uma vez, em todos os casos antes de cirurgias.[155][156]

A Vigésima Quinta Emenda também prevê que o vice-presidente, juntamente com a maioria de determinados integrantes do Gabinete, pode transferir os poderes e deveres presidenciais ao vice-presidente mediante uma declaração por escrito ao presidente da Câmara e ao presidente pro tempore do Senado de que o presidente está incapaz de desempenhá-los. Caso o presidente declare em seguida que não existe tal incapacidade, reassume os poderes, salvo se o vice-presidente e o Gabinete apresentarem uma segunda declaração de incapacidade presidencial; nesse caso, o Congresso decide a questão. A retirada dos poderes do presidente exige maioria de dois terços em ambas as câmaras do Congresso.

Destituição

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A Seção 4 do Artigo II da Constituição permite destituir altos funcionários federais, incluindo o presidente, por "traição, suborno ou outros crimes de responsabilidade". A Cláusula 5 da Seção 2 do Artigo I autoriza a Câmara dos Representantes a atuar como um "grande júri", com poder para aprovar o impeachment desses funcionários por maioria dos votos.[157] A Cláusula 6 da Seção 3 do Artigo I autoriza o Senado a atuar como um tribunal, com poder para destituir os funcionários submetidos a impeachment mediante condenação por dois terços dos votos.[158]

Três presidentes sofreram impeachment pela Câmara dos Representantes: Andrew Johnson, em 1868; Bill Clinton, em 1998; e Donald Trump, em 2019 e 2021. Nenhum deles foi condenado pelo Senado. O Comitê Judiciário da Câmara conduziu uma investigação de impeachment contra Richard Nixon em 1973–1974 e encaminhou três artigos de impeachment à Câmara para decisão final. Nixon renunciou antes que a Câmara votasse sobre eles.[157]

Contorno da autoridade

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Em algumas ocasiões, foram adotadas medidas controversas, menos extremas do que a destituição, para lidar com a imprudência percebida do presidente ou com uma incapacidade prolongada. Em certos casos, funcionários deliberadamente deixaram de entregar mensagens ao presidente ou enviadas por ele, normalmente para evitar a execução de ordens ou impedir que ele as redigisse. Os exemplos vão desde o chefe de gabinete de Richard Nixon, que deixou de transmitir ordens ao Gabinete por causa do consumo excessivo de álcool pelo presidente, até funcionários que retiraram memorandos da mesa de Donald Trump.[159] Décadas antes da Vigésima Quinta Emenda, em 1919, o presidente Woodrow Wilson sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou parcialmente incapacitado. A primeira-dama Edith Wilson manteve a condição em segredo do público por algum tempo e, de maneira controversa, tornou-se a única controladora do acesso ao presidente, além de seu médico, auxiliando-o com documentos e decidindo quais informações eram "importantes" o suficiente para serem compartilhadas com ele.

Remuneração

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Histórico da remuneração presidencial
Ano
de instituição
SalárioSalário em dólares
de 2025
1789$25,000$675 604
1873$50,000$1 343 750
1909$75,000$2 687 500
1949$100,000$1 353 147
1969$200,000$1 755 898
2001$400,000$727 307
Fontes:[160][161][162]

Desde 2001, o salário anual do presidente é de 400 mil dólares, acompanhado de uma verba de 50 mil dólares para despesas, uma conta de viagem não tributável de 100 mil dólares e uma verba de 19 mil dólares para entretenimento. O salário presidencial é definido pelo Congresso e, nos termos da Cláusula 7 da Seção 1 do Artigo II da Constituição, qualquer aumento ou redução só pode entrar em vigor no mandato presidencial seguinte.[163][164]

Residência

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A Residência Executiva da Casa Branca, em Washington, D.C., é a residência oficial do presidente. O local foi escolhido por George Washington, e a pedra fundamental foi assentada em 1792. Todos os presidentes desde John Adams, em 1800, viveram ali. Em diferentes momentos da história dos Estados Unidos, o edifício foi chamado de "Palácio do Presidente", "Casa do Presidente" e "Mansão Executiva". Theodore Roosevelt oficializou o nome atual, Casa Branca, em 1901.[165] O governo federal paga os jantares de Estado e outras funções oficiais, mas o presidente arca com a lavagem a seco e a alimentação pessoais, de sua família e de seus convidados.[166]

Camp David, oficialmente denominado Instalação de Apoio Naval Thurmont, é um acampamento militar nas montanhas do Condado de Frederick, Maryland, que serve como residência campestre do presidente. Local de isolamento e tranquilidade, é amplamente utilizado para receber dignitários estrangeiros desde a década de 1940.[167]

A Casa de Hóspedes do Presidente, localizada ao lado do Eisenhower Executive Office Building no complexo da Casa Branca e do Parque Lafayette, serve como hospedaria oficial do presidente e, quando necessário, como sua residência secundária. Quatro casas interligadas do século XIX — Blair House, Lee House e os números 700 e 704 da Jackson Place —, com área conjunta superior a 70 000 pés quadrados (6 500 m2), compõem a propriedade.[168]

O principal meio de transporte aéreo de longa distância do presidente é um dos dois aviões idênticos Boeing VC-25, versões amplamente modificadas do Boeing 747, denominados Força Aérea Um quando o presidente está a bordo. Qualquer aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos na qual o presidente viaje recebe a designação "Air Force One" durante o voo. As viagens dentro do país normalmente utilizam apenas um dos dois aviões, enquanto as viagens internacionais empregam ambos, um como aeronave principal e outro como reserva. O presidente também pode utilizar aeronaves menores da Força Aérea, sobretudo o Boeing C-32, quando precisa viajar a aeroportos incapazes de receber um jato de grande porte. Qualquer aeronave civil em que o presidente esteja a bordo recebe durante o voo a designação Executive One.[169]

Para viagens aéreas de curta distância, o presidente dispõe de uma frota de helicópteros de diferentes modelos do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, designados Marine One quando ele se encontra a bordo de uma das aeronaves. Em geral, até cinco helicópteros voam juntos e trocam frequentemente de posição para ocultar de possíveis ameaças qual deles transporta o presidente.

Para viagens terrestres, o presidente utiliza o carro presidencial, uma limusina blindada projetada para se parecer com um sedã Cadillac (automóvel), mas construída sobre o chassi de um caminhão.[170][171] O Serviço Secreto dos Estados Unidos opera e mantém a frota de limusinas. O presidente também dispõe de dois ônibus blindados, utilizados principalmente em viagens de campanha e visitas itinerantes.[172]

Proteção

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O presidente Ronald Reagan acena após a sua posse como o 40.º presidente do país, em 20 de janeiro de 1981.

O Serviço Secreto dos Estados Unidos é responsável por proteger o presidente e a primeira família. Como parte da proteção, presidentes, primeiras-damas, seus filhos e outros familiares próximos, além de pessoas e locais importantes, recebem nomes de código do Serviço Secreto.[173] O uso desses nomes surgiu por motivos de segurança, em uma época em que comunicações eletrônicas sensíveis não eram rotineiramente encriptadas; atualmente, eles servem apenas a propósitos de brevidade, clareza e tradição.[174]

Pós-presidência

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BERJAYA
Da esquerda para a direita: os presidentes George H. W. Bush, Barack Obama, George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter no Salão Oval, em 7 de janeiro de 2009; Obama assumiu o cargo treze dias depois.

Atividades

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Alguns ex-presidentes tiveram carreiras importantes após deixar o cargo. Entre os exemplos de destaque estão o período de William Howard Taft como juiz-chefe dos Estados Unidos e o trabalho de Herbert Hoover na reorganização do governo após a Segunda Guerra Mundial. Dois ex-presidentes exerceram mandatos no Congresso depois de deixar a Casa Branca: John Quincy Adams foi eleito para a Câmara dos Representantes, onde permaneceu por 17 anos, e Andrew Johnson retornou ao Senado em 1875, embora tenha morrido pouco depois. Dois ex-presidentes voltaram à presidência: Grover Cleveland perdeu em 1888 e venceu em 1892, enquanto Donald Trump perdeu em 2020 e venceu em 2024. Alguns ex-presidentes permaneceram muito ativos, sobretudo nas relações internacionais, entre eles Theodore Roosevelt,[175] Herbert Hoover,[176] Richard Nixon[177] e Jimmy Carter.[178][179]

Presidentes anteriores voltaram às cidades de origem para liderar atividades beneficentes ou supervisionar o trabalho em suas fazendas e plantações, muitas das quais haviam sido negligenciadas durante seus mandatos. Thomas Jefferson fundou a Universidade da Virgínia durante sua pós-presidência e, após sua morte, foi sucedido como reitor por James Madison. Madison e James Monroe participaram da elaboração de uma versão da Constituição da Virgínia, enquanto John Tyler exerceu funções na elaboração da Constituição Confederada e no Congresso Confederado.

Os presidentes podem utilizar seus antecessores como emissários para transmitir mensagens privadas a outras nações ou como representantes oficiais dos Estados Unidos em funerais de Estado e outros acontecimentos estrangeiros importantes.[180][181] Richard Nixon realizou várias viagens ao exterior, inclusive à China e à Rússia, e foi elogiado como estadista veterano.[182] Durante sua pós-presidência, Jimmy Carter tornou-se um defensor mundial dos direitos humanos, mediador internacional e observador eleitoral, além de receber o Prêmio Nobel da Paz. Bill Clinton também atuou como embaixador informal, mais recentemente nas negociações que levaram à libertação das jornalistas americanas Laura Ling e Euna Lee pela Coreia do Norte.

Durante sua presidência, George W. Bush convocou os ex-presidentes George H. W. Bush e Clinton para auxiliar nos esforços humanitários após o sismo e tsunâmi do oceano Índico de 2004. O presidente Obama agiu de maneira semelhante ao pedir aos presidentes Clinton e George W. Bush que liderassem os esforços de ajuda ao Haiti depois que um sismo devastou o país em 2010. A relação de Clinton com os dois Bush não foi a primeira amizade entre ex-presidentes: Carter manteve amizade e correspondência com Gerald Ford, enquanto Jefferson e John Adams trocaram uma extensa correspondência durante suas pós-presidências.

Clinton permaneceu politicamente ativo depois do fim de seu mandato presidencial, trabalhando com sua esposa, Hillary, nas candidaturas presidenciais dela em 2008 e 2016, e com o presidente Obama em sua campanha de reeleição de 2012. Obama também permaneceu politicamente ativo depois de deixar o cargo, trabalhando com seu antigo vice-presidente, Joe Biden, na campanha eleitoral de 2020, e com a vice-presidente de Biden, Kamala Harris, em sua campanha eleitoral de 2024, depois que o presidente Biden desistiu de concorrer à reeleição.

Depois de perder a eleição presidencial de 2020, Trump permaneceu politicamente ativo e tornou-se um crítico contundente de seu sucessor e do Partido Democrata. Também enfrentou quatro processos criminais. Trump anunciou sua quarta candidatura à presidência em 2022, tornou-se pela terceira vez o candidato de seu partido e venceu um segundo mandato presidencial em 2024.

Pensão e outros benefícios

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A Lei dos Ex-Presidentes, promulgada em 1958, concede benefícios vitalícios aos ex-presidentes e às suas viúvas, entre eles pensão mensal, atendimento médico em instalações militares, seguro de saúde e proteção do Serviço Secreto; também fornece verbas para determinado número de funcionários e para despesas de escritório. A lei foi alterada várias vezes para aumentar as pensões presidenciais e as verbas destinadas ao quadro de funcionários. Ela exclui qualquer presidente destituído do cargo por impeachment.[183]

Segundo um relatório de 2008 do Serviço de Pesquisa do Congresso:[183]

Os chefes do Executivo que deixavam o cargo antes de 1958 frequentemente se aposentavam e passavam a exercer diversas ocupações, sem receber assistência federal. Quando o industrial Andrew Carnegie anunciou, em 1912, um plano de oferecer pensões anuais de 25 mil dólares aos ex-presidentes, muitos membros do Congresso consideraram impróprio que tal pensão fosse fornecida pelo dirigente de uma empresa privada. Naquele mesmo ano, foi apresentada pela primeira vez uma proposta para criar pensões presidenciais, mas ela não foi aprovada. Em 1955, o Congresso analisou uma proposta desse tipo em razão das limitações financeiras do ex-presidente Harry S. Truman para contratar funcionários de escritório.

A pensão foi aumentada várias vezes com a aprovação do Congresso. Os presidentes aposentados recebem uma pensão baseada no salário dos secretários do Gabinete do governo em exercício, que era de 199.700 dólares anuais em 2012.[184] Ex-presidentes que exerceram mandatos no Congresso também podem receber pensões congressionais.[185] A lei ainda concede aos ex-presidentes verbas de viagem e privilégios de franquia postal.

Antes de 1997, todos os ex-presidentes, seus cônjuges e seus filhos de até 16 anos eram protegidos pelo Serviço Secreto até a morte do presidente.[186][187] Em 1997, o Congresso aprovou uma lei que limitava essa proteção a, no máximo, dez anos após a saída do cargo.[188] Em 10 de janeiro de 2013, o presidente Obama sancionou uma lei que restaurou a proteção vitalícia do Serviço Secreto para ele, George W. Bush e todos os presidentes posteriores.[189] Um primeiro-cônjuge que se case novamente deixa de ter direito à proteção do Serviço Secreto.[188]

Produção literária

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Desde a publicação das Memórias Pessoais de Ulysses S. Grant, em 1885, a maioria dos presidentes — incluindo todos os que sobreviveram até o fim de seus mandatos, de Calvin Coolidge a Barack Obama — escreveu pelo menos uma autobiografia. Essas obras cumprem duas funções: assegurar a estabilidade financeira da primeira família — Clinton ganhou mais de 30 milhões de dólares com dois livros[190] — e defender ou reabilitar o legado presidencial.

Bibliotecas presidenciais e locais históricos

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As casas onde os presidentes dos Estados Unidos nasceram, viveram ou passaram férias foram frequentemente preservadas como museus-casa e incluídas entre os locais históricos nacionais ou no Registro Nacional de Lugares Históricos.

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Da esquerda para a direita: os presidentes Barack Obama, George W. Bush, Bill Clinton, George H. W. Bush e Jimmy Carter na inauguração da Biblioteca e Museu Presidencial George W. Bush, em Dallas, em 2013.

Todos os presidentes desde Herbert Hoover criaram um repositório conhecido como biblioteca presidencial para preservar e disponibilizar seus documentos, registros e outros materiais. As bibliotecas concluídas são transferidas aos Arquivos Nacionais e Administração de Documentos, que as mantêm; o financiamento inicial para construir e equipar cada biblioteca deve vir de fontes privadas, não federais.[191] Há atualmente treze bibliotecas presidenciais no sistema dos Arquivos Nacionais. Também existem bibliotecas presidenciais mantidas por governos estaduais, fundações privadas e instituições de ensino superior, entre elas:

Vários ex-presidentes supervisionaram a construção e a inauguração de suas próprias bibliotecas presidenciais. Alguns chegaram a organizar seu sepultamento nesses locais. Diversas bibliotecas presidenciais contêm os túmulos dos presidentes a que se dedicam:

Esses túmulos são abertos ao público. Em alguns casos, como o de Nixon, a biblioteca presidencial fica ao lado de uma das antigas residências do presidente; em outros, como nos casos de Lyndon Johnson e Jimmy Carter, a biblioteca e o local histórico ficam em cidades diferentes.

Afiliação política

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Os partidos políticos dominaram a política americana durante a maior parte da história do país. Embora os Pais Fundadores em geral rejeitassem os partidos por considerá-los divisivos e perturbadores, e embora sua ascensão não tivesse sido prevista quando a Constituição dos Estados Unidos foi redigida em 1787, partidos políticos organizados surgiram no país em meados da década de 1790. Eles evoluíram de facções políticas, que começaram a aparecer quase imediatamente após a criação do governo federal. Os apoiadores da administração Washington eram chamados de "pró-administração" e acabariam formando o Partido Federalista, enquanto seus opositores aderiram em grande parte ao nascente Partido Democrata-Republicano.[192]

Profundamente preocupado com a capacidade real dos partidos políticos de destruir a frágil unidade que mantinha o país coeso, Washington permaneceu sem filiação a qualquer facção ou partido durante seus oito anos na presidência. Foi e continua sendo o único presidente dos Estados Unidos que jamais pertenceu a um partido político.[193][194] Desde Washington, todos os presidentes americanos estavam filiados a um partido ao assumir o cargo e, desde 1869, todos pertenceram ao Partido Republicano ou ao Partido Democrata.[195][196]

Partido # Nome(s)
Republicano
19
Chester A. Arthur, George H. W. Bush, George W. Bush, Calvin Coolidge, Dwight D. Eisenhower, Gerald Ford, James A. Garfield, Ulysses S. Grant, Warren G. Harding, Benjamin Harrison, Rutherford B. Hayes, Herbert Hoover, Abraham Lincoln, William McKinley, Richard Nixon, Ronald Reagan, Theodore Roosevelt, William Howard Taft e Donald Trump
Democrata
15
Joe Biden, James Buchanan, Jimmy Carter, Grover Cleveland, Bill Clinton, Andrew Jackson, Lyndon B. Johnson, John F. Kennedy, Barack Obama, Franklin Pierce, James K. Polk, Franklin D. Roosevelt, Harry S. Truman, Martin Van Buren e Woodrow Wilson
Democrata-Republicano
4
John Quincy Adams, Thomas Jefferson, James Madison, e James Monroe
Whig
4
Millard Fillmore, William Henry Harrison, Zachary Taylor e John Tyler
Federalista
1
John Adams
União Nacional
1
Andrew Johnson
Nenhum
1
George Washington

Ver também

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Notas e referências

Notas

  1. POTUS é um acrônimo em inglês que significa "President of the United States" e é muito utilizado nos Estados Unidos para se referir ao presidente.
  2. Quase todos os estudiosos colocam Lincoln entre os três maiores presidentes do país, e muitos o classificam em primeiro lugar. Ver Classificações históricas dos presidentes dos Estados Unidos para uma compilação dos resultados de pesquisas.
  3. Ver Lista de eleições presidenciais dos Estados Unidos por margem no voto popular.

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Leitura adicional

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Ligações externas

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