Micrometeorologia
Micrometeorologia é o ramo da meteorologia que estuda os processos atmosféricos em pequena escala, geralmente próximos à superfície terrestre, abrangendo desde alguns centímetros até poucos quilômetros. Esse campo investiga as interações entre a atmosfera, o solo, a vegetação e os corpos d'água, com foco em fenômenos como troca de calor, umidade, gases e movimento do ar.
Definição e Historia
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Micrometeorologia é o ramo da meteorologia que se dedica ao estudo dos fenômenos e escoamentos atmosféricos de escala temporal inferior a 1 hora e espacial inferior a 1 km.[1][2][3] São exemplos de fenômenos de microescala desde uma rajada de vento que movimente as folhas e galhos de uma árvore, até os redemoinhos de poeira (dust devils) e tornados.
O lançamento da micrometeorologia como uma linha de pesquisa particular das ciências atmosféricas deve-se ao trabalho de muitos pioneiros nas primeiras décadas do século XX, entre eles: Rudolf Geiger, Prandtl e Pasquill.
Entre os tópicos de maior interesse da micrometeorologia encontra-se:
- a Camada Limite Atmosférica (CLA), também conhecida por Camada Limite Planetária (CLP);
- a turbulência atmosférica;
- a dispersão atmosférica de partículas e gases;
- a dinâmica e termodinâmica dos fenômenos da Camada Limite Atmosférica
- os fenômenos de troca de energia e massa na interface superfície-atmosfera. Entre eles, os fluxos de energia, momento e massa, o balanço de energia superficial, o balanço de água superficial, a evapotranspiração, etc.
- os modelos numéricos da turbulência atmosférica e da Camada Limite Atmosférica
Avanços tecnológicos
[editar | editar código]Micrometeorologia é uma área que continua avançando com o desenvolvimento de novas tecnologias e metodologias. Um dos tópicos mais recentes é o uso de métodos de aprendizado de máquina para melhorar a previsão de fenômenos de pequena escala, como rajadas de vento e turbulência atmosférica. Essas técnicas são capazes de lidar com o comportamento não-linear de variáveis atmosféricas, como ventos extremos associados a fenômenos de convecção profunda ou ondas gravitacionais, que são difíceis de modelar com abordagens tradicionais.[4]
Outro avanço está relacionado ao estudo do perfil vertical de rajadas de vento[5], especialmente relevante para turbinas eólicas e engenharia urbana. Isso permite prever com mais precisão como as rajadas impactam estruturas altas e o fornecimento de energia em redes, além de prever o desgaste de turbinas. Esses modelos são cada vez mais usados para caracterizar o comportamento do vento em diferentes altitudes, aumentando a eficiência na geração de energia e na construção de edificações resistentes ao vento.[6]
Além disso, o uso de modelos numéricos e simulações em alta resolução tem permitido melhorar o entendimento sobre a dispersão atmosférica e os fluxos de energia na interface superfície-atmosfera, essencial para estudos climáticos e ambientais. Esses modelos contribuem para um melhor controle e previsão dos fenômenos da Camada Limite Atmosférica (CLA), o que tem implicações para o gerenciamento de poluentes e estratégias agrícolas, além de fornecer informações mais detalhadas para a previsão de fenômenos como redemoinhos e tornados.
Referências
[editar | editar código]- Stull, R. B. (2000). Meteorology for Scientists and Engineers. Brooks/Cole – Thomson Learning. 502 pp.
- Sutton, O. G. (1953). Micrometeorology: A Study of Physical Processes in the Lowest Layers of the Earth's Atmosphere. R.E.K. Publishing (edição de 1977). 333 pp.
- Wallace, J. M.; Hobbs, P. V. (2006). Atmospheric Science: An Introductory Survey (2ª ed.). Academic Press. 483 pp.
- Monteith, J. L.; Unsworth, M. H. Principles of Environmental Physics. Academic Press.
- Oke, T. R. Boundary Layer Climates. Routledge.
- American Meteorological Society – Glossary of Meteorology.
- World Meteorological Organization (WMO) – Publicações sobre processos atmosféricos de superfície.
- Steppeler, Jürgen (julho de 2024). «Short Review of Current Numerical Developments in Meteorological Modelling». Atmosphere. doi:10.3390/atmos15070830.
- Sheridan, Peter (31 de julho de 2018). «Current gust forecasting techniques, developments and challenges». Advances in Science and Research. 15: 159–172. doi:10.5194/asr-15-159-2018.
Ver também
[editar | editar código]Ligações externas
[editar | editar código]- «Citation Style Guides» - Laboratório de Micrometeorologia do IAG-USP.
- «Citation Style Guides» - Laboratório de Micrometeorologia do Micrometeorologia-UFSM.
- ↑ Stull. 2000, Meteorology for scientists and engineers. Brooks/Cole -Thompson Lerarning. 502 pp. (livro-texto, manual).
- ↑ Sutton, O. G., 1953, Micrometeorology - A study of physical processes in the lowest layers of the Earth's atmosphere. (edition of 1977, R.E.K. Publ.), 333 pp.
- ↑ Wallace, J. M.; Hobbs, P. V., 2006, Atmospheric science - an introductory survey, second edition, Academic Press, 483 pp.
- ↑ Steppeler, Jürgen (julho de 2024). «Short Review of Current Numerical Developments in Meteorological Modelling». Atmosphere (em inglês) (7). 830 páginas. ISSN 2073-4433. doi:10.3390/atmos15070830. Consultado em 23 de outubro de 2024
- ↑ Steppeler, Jürgen (julho de 2024). «Short Review of Current Numerical Developments in Meteorological Modelling». Atmosphere (em inglês) (7). 830 páginas. ISSN 2073-4433. doi:10.3390/atmos15070830. Consultado em 23 de outubro de 2024
- ↑ Sheridan, Peter (31 de julho de 2018). «Current gust forecasting techniques, developments and challenges». Copernicus GmbH (em inglês): 159–172. doi:10.5194/asr-15-159-2018. Consultado em 23 de outubro de 2024
