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Georges Chikoti

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Georges Chikoti
BERJAYA
Nascimento16 de junho de 1955
Cachiungo
CidadaniaAngola
Alma mater
Ocupaçãodiplomata, geógrafo, político
Cargo(s)
Secretary General of the Organisation of African, Caribbean and Pacific States (desde 2020)
AntecessorPatrick Gomes
embaixador de Angola na Bélgica (2018–2020)
AntecessorMaria Elizabeth Simbrão de Carvalho
Ministro das Relações Exteriores (2010–2017)
AntecessorAssunção dos Anjos
SucessorManuel Domingos Augusto

Georges Rebelo Pinto Chikoti (Cachiungo, 16 de junho de 1955) é um geógrafo, diplomata, professor universitário e político angolano. Foi, de março de 2020 a fevereiro de 2025, o Secretário-Geral da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP).[1] Foi, ainda, Ministro das Relações Exteriores de Angola de 2010 a 2017.

Chikoti é poliglota, dominando fluentemente o português,[2] o francês,[2] o inglês,[2] o umbundo[3] e o bemba,[3] possuíndo ainda bom domínio do espanhol[2] e do suaíli.[2]

Biografia

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Georges Rebelo Pinto Chikoti nasceu em 16 de junho de 1955 na vila de Dondi, no município de Cachiungo, na província do Huambo, Angola.[3] Seu pai era o destacado nacionalista Mateus Chikoti, que foi militante da União das Populações de Angola (UPA).[4] Chikoti passou grande parte da sua infância na Zâmbia, retornando a Angola em 1975.[4] Foi, inclusive, no período em terras zambianas, na Escola de Masala, em Andola, entre 1965 e 1975, que fez seus estudos primários e secundários.[2]

Afiliou-se à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) em 1975 e tornou-se um dos assessores de confiança de Jonas Savimbi.[4] Em 1977 o partido lhe enviou para Abijã, na Costa do Marfim, para concluir inicialmente sua formação liceal, que ocorreu em 1978 no Liceu Clássico de Abijã.[2] Entre 1978 e 1983 graduou-se em história-geografia pela Universidade de Abijã (atual Universidade Félix Houphouët-Boigny).[2] Ainda concluiu pela mesma universidade, entre 1983 e 1985, um mestrado em geografia econômica.[2] No período, tornou-se um dos principais articuladores internacionais da UNITA na África Ocidental francófona.[4] Mudou-se para Paris onde, entre 1985 e 1986, concluiu um doutorado em estudos superiores pela Universidade Paris-Est-Créteil-Val-de-Marne.[2]

Enquanto estava na França recebeu ordem de Savimbi para retornar a Angola, porém decide ignorar a ordem pois a relação de ambos já estava desgastada neste período por falta de liberdades democráticas na liderança da UNITA.[4][5] Assim, em 1987, Chikoti decidiu emigrar para o Canadá por esta nação ter pouca influência da UNITA e de seus aliados.[5] Passou a trabalhar no Banco Imperial Canadense de Comércio em Toronto até 1989.[2] No mesmo ano, passou a trabalhar como professor assistente no Instituto de Relações Internacionais e Cooperação da Universidade de Ottawa, lecionando nesta instituição até 1991.[2] Pela mesma universidade, especializou-se em geopolítica e relações exteriores no período.[3] Ao mesmo tempo, atuou como consultor da Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (CIDA).[3]

Em 1990, enquanto ainda vivia no Canadá, passou a integrar um grupo de intelectuais dissidentes da UNITA, apoiadores da chamada "Ala do Planalto" (ou do Huambo), que fazia oposição a Jonas Savimbi.[6] Estava no grupo que incluía Sousa Jamba, Dinho Chingunji, Dias Kanombo, Lindo Kanjunju e André Yamba Yamba, que haviam se refugiado no exterior para evitar perseguições no seio do partido.[6] Em seguida liderou, com Assis Malaquias e Dinho Chingunji, a fundação do Fórum Democrático Angolano (FDA), uma tendência política no seio da UNITA de ruptura com Savimbi.[5][4]

Em 1991, Chikoti foi um dos primeiros membros da UNITA que estabeleceu-se em Luanda após os Acordos de Bicesse.[4] Chikoti optou por converter a tendência FDA em partido após o unânime repúdio internacional à UNITA e à Savimbi pelas mortes de Wilson dos Santos,[6][7] Tito Chingunji[8][6] e Ana Paulino Savimbi.[9] Assim, lançou em Portugal, no final de 1991, o FDA como partido, que atraiu muitos antigos apoiantes da UNITA.[4] O FDA foi oficialmente legalizado em Angola em 14 de abril de 1992.[4] Em 1991 o presidente José Eduardo dos Santos o convidou e Chikoti aceitou trabalhar como Vice-Ministro das Relações Exteriores, no que seria um protótipo do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (oficialmente lançado em 1992).[2]

Levou o FDA a participar das eleições gerais em Angola em 1992.[10] O FDA conseguiu reunir 12038 votos e assegurou um assento na Assembleia Nacional.[10] Porém, dado o tamanho diminuto de seu partido e a proximidade com o governo, optou por levar a agremiação a se dissolver e integrar-se ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), com Chikoti ascendendo eventualmente ao seu Comité Central.[4]

Em 1994, foi oficialmente nomeado embaixador efetivo no corpo diplomático angolano.[4] Representou o governo angolano, como Vice-Ministro das Relações Exteriores, em várias conferências e cúpulas internacionais.[2] Também chefiou a delegação angolana em várias sessões da Comissão Consultiva Bilateral EUA-Angola em Luanda e Washington em 1999-2000. Permaneceu como Vice-Ministro das Relações Exteriores até 2008.[2] Entre 2008 e 2010 foi Assessor para Assuntos de Cooperação Internacional da Presidência da República de Angola.[2]

Tornou-se Ministro das Relações Exteriores de Angola em 2010, ocupando o cargo até 2017.[2] Durante seu mandato Angola opôs-se à intervenção militar na Líbia em 2011. Ele disse em 29 de março de 2011, em Luanda, que o Governo angolano defendia o diálogo para a resolução do impasse líbio em vez de uma intervenção militar. Falando à imprensa sobre o referido assunto, Chikoti disse que qualquer intervenção militar poderia contribuir para o agravamento do problema.[11]

Após deixar o ministério, foi nomeado, em 2018, Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Angola para a Bélgica e Luxemburgo, e Chefe da Missão Permanente de Angola para a União Europeia.[2]

Em março de 2020 Chikoti foi eleito Secretário-Geral da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP),[2] ocupando o cargo até fevereiro de 2025, quando foi substituído pelo político chadiano Moussa Saleh Batraki.[1]

Vida pessoal

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É casado, desde 2011, com a militar, advogada e política Alda Juliana Paulo Sachiambo "Mana Aninha" Chikoti, que foi deputada pela UNITA e figura feminina de grande relevo no partido.[12][13] Há o curioso fato de que Georges Chikoti é membro do MPLA enquanto que Alda Chikoti é membra da UNITA.[5]

Referências

  1. 1 2 «Biography of his Excellency Moussa Saleh Batraki» (PDF). OEACP. Fevereiro de 2025
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 «Curriculum Vitae: Georges Rebelo Pinto Chikoti - Secretary-General of the African, Caribbean and Pacific Group of States» (PDF). Organisation of African, Caribbean and Pacific States. 2020
  3. 1 2 3 4 5 «Georges Chikoti eleito Secretário-geral do ACP». Embaixada da República de Angola em Portugal. 2020
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 «Quem é George Chikoty, o novo ministro das Relações Exteriores». Angonoticias. 21 de novembro de 2010. Cópia arquivada em 2 de abril de 2018
  5. 1 2 3 4 Alex Vines (20 de fevereiro de 2012). «Interwiew: Angola's External Relations in Africa - HE Georges Rebelo Chikoti» (PDF). Chatham House
  6. 1 2 3 4 «A saga dos Chingunji». Nação Ovimbundo. 7 de julho de 2009
  7. Meredith, Martin (2005). The Fate of Africa: From the Hopes of Freedom to the Heart of Despair: A History of 50 Years of Independence. [S.l.: s.n.]
  8. Brittain, Victoria (1998). Death of Dignity: Angola's Civil War. [S.l.: s.n.] pp. 17–19
  9. «As mulheres como o calcanhar de aquiles de Jonas Savimbi». Nação Ovimbundo. 7 de setembro de 2009
  10. 1 2 «29-30 September 1992 National Assembly Election». African Elections Database. 10 de outubro de 2012
  11. «Posição da República de Angola sobre a Guerra Civil da Líbia». Blog do MIREX. 29 de março de 2011
  12. «Alda Juliana: a mulher que foi considerada aspirante à presidência da UNITA». UNITA Boa Esperança. 22 de abril de 2020
  13. «Alda Sachiambo defende tese». Portal de Angola. 9 de março de 2013