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The Wayback Machine - http://web.archive.org/web/20260411181732/https://www.infobibos.com.br/Artigos/2007_1/MilhoMT/Index.htm

SISTEMAS PRODUTIVOS DE MILHO NO ESTADO DO MATO GROSSO

 

por Clayton Giani Bortolini

 

1.      HIST�RICO DO MILHO NO ESTADO

O cultivo do milho, em escala comercial no Estado do Mato Grosso, pode ser considerado atividade recente. O in�cio da explora��o agr�cola desse Estado na d�cada de 70 trouxe para o Mato Grosso agricultores e pecuaristas de diversas regi�es do pa�s, especialmente do Sul. O cultivo da soja foi o objetivo principal do agricultor quando de sua vinda para o Mato Grosso, por�m, por necessidades e busca de novas alternativas, in�meras esp�cies agr�colas foram avaliadas, dentre elas o milho.

Devido a sua grande utiliza��o e import�ncia na alimenta��o animal e humana, seu cultivo sempre foi realizado, por�m, em pequena escala. O maior incentivador da produ��o do milho � com certeza a produ��o animal, a qual necessita de grandes quantidades desse importante gr�o. Com o surgimento de agroind�strias no Sul do Estado matogrossense, na d�cada de 80 e 90 gerou-se uma demanda de milho, incentivando sua produ��o. As produtividades do milho observadas inicialmente foram baixas, devido � falta de pesquisas regionais que tivessem tecnologias adaptadas para essa cultura, j� que as condi��es de ambiente para o cultivo do milho eram diferentes daquelas observadas na Regi�o Sul do Brasil, de onde o agricultor conhecia os m�todos de produ��o.

No in�cio da d�cada de 90, o Estado do Mato Grosso produzia menos de 700 mil toneladas do gr�os, com produtividade em torno de 40 sacas/ha, semelhante � da soja para aquela �poca, fato que limitava a produ��o de milho em escala maior de produ��o.

Devido ao baixo consumo local e especialmente pela dificuldade de exporta��o para outros Estados e pa�ses, ocasionados pelo prec�rio sistema de transporte da produ��o, observado at� hoje. O milho nos anos de 1994 e 1995 teve seu maior desest�mulo, quando os valores de comercializa��o do produto ficaram ao redor de R$ 3,00 a 4,00/ saca, o que vinha ainda agregado � falta de compradores. Esses fatores inibiram o crescimento do cultivo do milho no Mato Grosso, bem como o desenvolvimento de suas pesquisas.

No fim da d�cada de 90, com o crescimento da produ��o animal do Estado, especialmente da suinocultura, o milho passou a ter seu cultivo intensificado, por�m com mudan�a de sistema produtivo. Surgiu ent�o a safrinha do milho no Mato Grosso, alavancada pela produ��o do M�dio-Norte matogrossense, com �nfase no munic�pio de Lucas do Rio Verde.

Em  1999, a �rea de milho no Estado era de 554 mil hectares, mas com produtividade ainda na faixa dos 40 sacas/ha e produ��o de aproximada de 1.250 mil toneladas.

A institui��o de unidades de pesquisa voltadas ao desenvolvimento de tecnologias de safrinha impulsionou o cultivo do milho no Estado, transformando a safrinha como principal sistema de produ��o de milho em Mato Grosso. A valida��o de cultivares e a cria��o e adapta��o de tecnologias de manejo de cultivo com ajustes em �pocas de semeadura, manejo e plantas e espa�amentos entrelinhas do milho, sistemas de nutri��o e manejo de pragas e doen�as fez com que o Estado do Mato Grosso chegasse em 2004 a superar um milh�o de hectares da cultura, com maior enfoque no cultivo safrinha. A produtividade m�dia do Estado ficou em 60 sacas/ha, por�m com in�meras lavouras de safrinha na regi�o M�dio-Norte com produtividades acima de 100 sacas/ha.

Em 13 anos de cultivo do milho no Mato Grosso observou-se incremento de �rea na ordem de 330%, de produtividade em 50% e em produ��o de 450%. O maior produtor nacional de milho safrinha do Brasil, o munic�pio de Lucas do Rio Verde, situado na regi�o Centro-Norte matogrossense, produziu na safra 2002-2003, 50% da produ��o estadual do milho, e em torno de 10% da produ��o nacional. Deve ser observado que esse volume de Lucas do Rio Verde foi produzido em sua totalidade em cultivo safrinha.

O potencial de cultivo do milho no Mato Grosso � expressivo, por�m altamente limitado pela log�stica do transporte da produ��o, a qual onera de tal forma o custo da cultura que inviabiliza seu crescimento. Atualmente, o valor que se obt�m pela venda do milho no Centro-Norte do Estado � o mesmo que se gasta com o transporte at� a Regi�o Sul do Brasil, principal consumidor de milho.

O n�vel de tecnologia desenvolvido para o cultivo do milho pode ser considerado alto, devido ao trabalho de institui��es de pesquisa privadas, como a Funda��o Rio Verde, cujo objetivo � apoiar o crescimento da agricultura no Estado, o que tem sido  feito de forma  expressiva, demonstrada em seus diversos eventos de difus�o de tecnologias realizados a cada ciclo produtivo.

 

2. SISTEMAS DE PRODU��O DE MILHO NO MATO GROSSO

O principal sistema de produ��o de milho no Mato Grosso � o chamado de cultivo safrinha, com  implanta��o logo ap�s a colheita da soja, realizada em janeiro e fevereiro. O desenvolvimento de tecnologias de produ��o agr�cola juntamente com as condi��es de ambiente favor�veis possibilita a realiza��o de dois ciclos produtivos, que com certa estabilidade produtiva tem ocorrido crescimento de �rea cultivada.

O clima de Cerrado do Mato Grosso apresenta duas esta��es clim�ticas definidas - a das chuvas que compreende os per�odos de outubro a abril e a das secas, de maio a setembro. Pequenas varia��es regionais ocorrem com o per�odo chuvoso maior, que se estende at� maio, que, agregado � confian�a do produtor nas condi��es de clima, utilizam esse per�odo para a realiza��o de duas safras por ano agr�cola, gerando a safra, geralmente com a cultura da soja e a safrinha com o cultivo do milho. Em alguns anos, observam-se varia��es nas datas de in�cio e t�rmino das chuvas, fato que pode afetar a produtividade, especialmente do milho safrinha. Em geral, sua implanta��o at� meados de fevereiro apresenta pequena probabilidade de perda de produ��o por falta de chuva no fim do ciclo produtivo.

As  propriedades agr�colas, consideradas grandes em rela��o a outras regi�es do pa�s, com �reas de 400  at� 100.000 ha, predominando as de 700 a 2.000 ha, t�m estruturas pr�prias de m�quinas e equipamentos, que muitas vezes s�o superestimadas, ou seja, com �sobra de m�quinas�. Essa maior disponibilidade permite ao agricultor cultivar maior quantidade de �reas com duas safras por ano agr�cola, otimizando ainda mais as �reas produtivas em fun��o das condi��es de clima.

O desenvolvimento de cultivares de soja precoce, que possibilitam colheitas significativas de produtividade para materiais de ciclo total de 110 a 130 dias, favorece a produtividade do milho safrinha. Algumas cultivares de soja, quando utilizadas t�cnicas de cultivo da regi�o, podem ter sua colheita realizada at� aos 90 dias ap�s a semeadura.

A soja, implantada de fim de setembro at� fim de outubro, que possibilita sua colheita no m�s de janeiro e fevereiro, permite o cultivo do milho safrinha com bom potencial de produtividade. Uma pr�tica  utilizada na regi�o � a desseca��o da soja com herbicidas de contato como Paraquat e Diquat no est�dio R7 da soja, antecipando de 7 a 10 dias sua colheita, o que pode proporcionar de 3 a 15 sacas a mais de milho safrinha por hectare, dependendo da �poca de implanta��o e do clima do ano corrente.

A produtividade do milho � influenciada principalmente pela disponibilidade h�drica de cada ano agr�cola, j� que a finaliza��o de seu ciclo produtivo ocorre sem a presen�a de chuva. Em alguns anos, o fim do per�odo de chuvas  pode ocorrer de mar�o e abril, e desse modo, tem-se grandes perdas de produtividade. A freq��ncia dessa defici�ncia h�drica, de acordo com a m�dia hist�rica � ao redor de 20% a 25%. Semeaduras de milho ap�s 25 de fevereiro t�m maior risco de perda por defici�ncia h�drica, especialmente em certas regi�es do Estado e em solos deficientes de estrutura��o, fertilidade e com sistema de plantio direto deficiente em termos de produ��o de cobertura vegetal.

 

3. N�VEL DE TECNOLOGIA SAFRINHA

Nos primeiros anos de cultivo de milho safrinha na d�cada de 90, a produtividade observada era de 30 a 40 sacas/ha. Com a pesquisa informal, realizada pelo produtor, os n�meros foram sendo elevados aos poucos, por�m com a efetiva��o de pesquisas t�cnicas espec�ficas para a cultura, produtividades acima de 100 sacas/ha s�o observadas com grande freq��ncia em algumas regi�es do Estado. A informa��o t�cnica para alta produtividade para o sistema de safrinha � disponibilizada aos produtores do Estado, abrangendo todas as �reas do sistema de produ��o.

Um dos fatores que mais afeta a produtividade observada a cada ano, refere-se � quantidade de investimento financeiro que o produtor realiza a cada ano. Este � diretamente influenciado pela situa��o econ�mica de cada ano e suas tend�ncias de mercado do produto. Em anos de bons pre�os e expectativas de mercado, a quantidade de �rea com o milho safrinha � aumentada e o investimento no cultivo � maior, refletindo-se em maiores produtividades. Nesse caso, utilizam-se mais fertilizantes, tratamento de sementes com inseticidas, melhor controle de pragas, utiliza��o de h�bridos de maior potencial produtivo com os h�bridos simples, al�m de pr�ticas que elevam a produtividade. Em anos com mercado dif�cil, de baixo pre�o do produto, os investimentos s�o m�nimos, com sementes baratas, pouca aduba��o que em alguns casos at� n�o � realizada, manejo de plantas daninhas e pragas deficientes, o que prejudica a produtividade do milho safrinha.

A �poca de implanta��o do milho safrinha tamb�m � fator decisivo no n�vel de investimento no cultivo do milho. Quanto mais cedo for implantado o cultivo, menores s�o os riscos de perda por defici�ncia h�drica no fim do ciclo produtivo, e maiores os investimentos. Em anos de expectativas de pre�os baixos para a comercializa��o do milho, as �reas de implanta��o de milho mais tardias, de meados de fevereiro em diante s�o reduzidas drasticamente, afetando a produ��o total do Estado.

Considerando-se os fatores t�cnicos da produ��o do milho, os ganhos que a pesquisa agr�cola regional t�m proporcionado s�o de grande expressividade. Ajustes de espa�amento entre linhas do milho do antigo 90 cm para os modernos 45-50 cm proporcionam incrementos de produtividade de 10% at� 50% em rela��o aos sistemas convencionais de espa�amento de 90 cm, sendo t�o maior quanto mais desfavor�veis �s condi��es ambientais dentro de cada ano. Ajustes de popula��o de plantas, doses de nutrientes e tecnologias para o plantio direto proporcionam aumento de produtividade significativos, apoiando o crescimento do cultivo do milho safrinha no Estado do Mato Grosso.

A defini��o de tecnologias de produ��o, cultivares e sistemas de manejo de plantas e nutri��o s�o oferecidas aos produtores por interm�dio de eventos t�cnicos como cursos, palestras e dias de campo.

 

4. PERSPECTIVAS  DA PRODU��O DO MILHO

O futuro do milho no Estado do Mato Grosso tende a ser incrementado com o passar do anos, e ser� diretamente influenciado por diversos fatores que v�o acelerar ou reduzir a expans�o dessa cultura. Dentre eles, o principal � a forma��o de uma cadeia produtiva, na qual seja gerado um mercado consumidor com maior firmeza em n�vel regional, evitando a necessidade de transporte do gr�o at� locais distantes. A instala��o de agroind�strias de produ��o de su�nos, aves e bovinos, as quais j� est�o ocorrendo, ser�o com certeza as maiores incentivadores da expans�o do cultivo do milho no Estado.

Outro fator de grande import�ncia refere-se � quest�o log�stica, que, devido � grande defici�ncia de meios de transporte mais econ�micos da produ��o e pelas m�s condi��es de trafegabilidade das rodovias do Estado, especialmente as federais, acarretam alto custo do transporte, o maior limite para o crescimento do cultivo do milho no Mato Grosso. A melhoria das rodovias e a gera��o de novos meios de transporte, como as ferrovias e hidrovias auxiliariam de forma expressiva o crescimento do cultivo do milho no Estado.

A gera��o de tecnologias de cultivo do milho, especialmente para safra de ver�o , pode apoiar o crescimento expressivo dessa cultura no Estado. A necessidade da pesquisa � verificada com grande express�o quando se analisa o sistema produtivo do Estado, que conta atualmente com o monocultivo da soja. Para o sistema plantio direto verdadeiro, exige-se dentre outros fatores a rota��o de culturas. Esse fato tem �estimulado� o agricultor a avaliar com maior aten��o a possibilidade da introdu��o do milho na safra de ver�o em diversas propriedades do Estado. O aumento cont�nuo de pragas e doen�as na cultura da soja eleva significativamente seu custo de produ��o, tornando em muitos casos mais econ�mico o cultivo do milho na safra principal e, em algumas situa��es, indispens�vel, independentemente da quest�o econ�mica.

Outras tecnologias de produ��o geradas no Estado, como por exemplo a cria��o da �terceira safra� do ano pode incentivar o cultivo do milho no Estado de maneira expressiva. Consiste no sistema de integra��o de lavoura com a pecu�ria, quando, na forma��o da cultura do milho, � instalada a pastagem que ser� utilizada na alimenta��o animal ap�s a colheita do milho. A Funda��o Rio Verde realiza pesquisas h� alguns anos, e obteve a gera��o das tr�s safras, sendo soja, milho consorciado com esp�cies para pastagem e o gado durante a esta��o seca.

O potencial de �rea para cultivo do milho no Estado do Mato Grosso � muito grande, por�m, ser� regulado pelo mercado consumidor do gr�o. Com alguns ajustes, como citado anteriormente, o Estado tem potencial para duplicar sua �rea de produ��o de milho em pouco tempo. Com mais de seis milh�es de hectares com culturas agr�colas, somente a introdu��o da rota��o de culturas em 20% da �rea, aumentaria em 1,2 milh�o de hectares o cultivo do milho safra de ver�o, podendo atingir uma produ��o de 10 milh�es de toneladas em pouco tempo. Esse fato est� diretamente dependente dos fatores citados acima, especialmente a quest�o gera��o de mercado consumidor local e de melhores condi��es de log�stica da produ��o, que auxiliaria, n�o somente a cultura do milho, mas todas aquelas produzidas no Estado, assim como a popula��o que aqui trabalha e faz do Mato Grosso o maior produtor nacional de gr�os.

* Palestra proferida no VIII Semin�rio Nacional de Milho Safrinha, realizado em Assis de 21 a 23 de novembro de 2005 e publicada nos Anais do evento (impresso e CD-Rom)


Clayton Giani Bortolini possui gradua��o em Agronomia pela Universidade do Estado de Santa Catarina (1997) e mestrado em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000). Atualmente � Engenheiro Agr�nomo do Funda��o de Apoio a Pesquisa e Desenvolvimento Integrado Rio Verde. Tem experi�ncia na �rea de Agronomia, com �nfase em Fitotecnia. Atuaando principalmente nos seguintes temas: nitrog�nio,, milho, cobertura de solo, manejo nutricional, plantio direto.
(Texto gerado automaticamente pela aplica��o CVLattes)
Contato:
fundacaorioverde@fundacaorioverde.com.br ou clayton@inexamais.com.br


 

Reprodu��o autorizada desde que citado o autor e a fonte


Dados para cita��o bibliogr�fica(ABNT):

BORTOLINI, C.G. Sistemas produtivos de milho no estado do Mato Grosso. 2007. Artigo em Hypertexto. Dispon�vel em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2007_1/MilhoMT/index.htm>. Acesso em:


Publicado no Infobibos em 08/01/2007